segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Zona do Dólar


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Temos a Zona do Euro com duas dezenas de Países, e a saída do Reino Unido, mas não há uma zona exclusivamente do dólar formada pelas Nações da América do Norte, Central e do Sul. Isso já poderia privilegiar economias fracas e fazer renascer a esperança de mais de 50 milhões de pessoas que vivem no limbo limítrofe da pobreza.

Para os norte americanos, EUA primeiro, e que o resto do mundo se exploda, a exemplo da Asia, Africa e continente europeu para os vizinhos nem se tocam ou conhecem seus problemas. A combalida América central paupérrima, a América do sul numa encruzilhada, e o grave problema do México e um muro para lá das lamentações.

O dólar, o parasita e a doméstica formam o tripé do que se passa pela cabeça do Ministro Pasta da Economia: deixe as exportações crescerem, o servidor sem nada e a doméstica para limpar e tirar o bode da sala. Pois bem, o dólar em alta é um risco violento para as empresas sem hedge, endividadas, e para os pobres brasileiros cujos insumos, a grande maioria, importamos.

Há uma larga inflação inercial, uma espécie de estagflação e nosso crescimento continua em promessas. Não há críticas ao governo, mas se não detivermos a alta do dólar milhões de brasileiros já aflitos pelo desemprego continuarão a tentar entrada irregular ou em Portugal, ou nos EUA, mas com pouca chance de sucesso.
Caberia no momento um plano real 2 para que limpássemos as mazelas e solidificássemos um freio de arrumação. Os preços públicos e privados no Brasil assustam, os governos nos carcomem com tributos eternos, pagamos IPTU, IPVA, taxas e tarifas  e nada recebemos. Com o dólar na casa dos R$ 4.35 reais poucos se animam a viajar e menos ainda para Europa com R$ 4 85 euro para o real, estamos condenados a viver em terra brasilis, subscultura da cerveja, do carnaval, e dos espetáculos deprimentes lotéricos controlados por equipes e quadrilhas que acumulam os prêmios e sorteiam para uma só pessoa. Nunca fizeram uma CPI ou propuseram investigar.

Entretanto, se todos os Países das Américas conseguissem convencer Tio Sam a dolarizar as economias teríamos no amanhã o dólar e o euro, em contrapartida as moedas chinesa e japonesa, nada mais. E tudo seria facilitado no comércio, na industria, nos serviços, trabalhando com duas moedas bem próximas de valor uma da outra.

Em resumo, temos que fortalecer todos os Países da pobre América a se juntarem no sonho da moeda única criando uma confortável zona do dólar, caso
contrário e mantida a tendência atual o dólar fará uma grande zona sem com tempo ilimitado nos quintais de uma América pessimamente colonizada e entregue ao infortúnio de governos incompetentes.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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