sábado, 28 de março de 2020

Estilhaços do Coronavírus



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

As indústrias dos bilhões e dos trilhões foram tragadas por um microorganismo, que veio da Ásia e alcançou todos continentes indistintamente. Cabe saber se a população em quarentena 1/3 do globo assim permanecerá e os estilhaços provocados pela reviravolta global.

Um sistema de assimetria, de intolerância, de polarização, somente poderia desaguar numa crescente distribuição de pobreza aliada à miséria, definitivamente o modelo neoliberal levou ao descrédito dos organismos internacionais cujos governantes, na maioria, são despreparados e meros
representantes de instituições financeiras e das cem maiores empresas que mandavam no planeta.

Doravante nada será igual e quem inventar a vacina para combater a moléstia receberá duplo prêmio nobel de medicina e da economia, pois que as pessoas não mais terão medo de sair às ruas e poderão viver naturalmente o que sempre fizeram. Os estilhaços do vírus serão inenarráveis, inimagináveis e perversos, as economias em gargalo como toda a América Latina solaparão, com a alta do dólar,derretimento dos mercados,em particular bolsas, e o encarecimento dos preços,uma inflação artificial tem sido construída por alguns setores que idealizam o lucro como razão de ser.

O Brasil não possui estrutura para uma peste desta natureza,leitos hospitalares e respiradores, infelizmente numa terra na qual morrem 65 mil
pessoas por homicídio ano os impactos do coronavírus ainda não temos os números, poderão atingir até 10 mil pessoas fatais, o que representa uma pandemia e decerto a falta de políticas públicas para mapeamento e combate eficaz da doença.

Não nos preocupamos com os números econômicos, mas sim no amparo e na solidariedade aos que perderão o pouco que tem e não obterão instalações e leitos hospitalares. Milhões de ações surgirão, novos processos, revisões de contratos, queda e ruptura de parcerias, fins de negócios, o governo pode e
deve agir rapidamente impedir na esfera público-privada aumento e reajustes de preços pelo menos um ano, a começar de planos de saúde, telefonia celular, água, luz, cesta básica e tudo que for essencial para preservação da vida conceituada dignidade humana.

A massa de desemprego aumentará e a bomba poderá estourar no lado social com aumento da criminalidade e ruptura do tecido social esgarçado, continuaremos a trilha esse modelo ineficiente e completamente marginal que pune milhões de brasileiros em contrapartida de uma elite insensível e diretamente despreocupada com o social.

O vírus não tem hora de partida, nem de chegada, bilhões e trilhões de dólares foram corroídos pelo minúsculo vírus e  a ciência humana não investe pesado em pesquisa. Continuaremos  projetar jogadores de futebol, artistas e políticos ganhando o quanto querem e se esquecendo de pesquisadores, médicos, enfermeiros, e todos aqueles que cuidam da cidade em tempos de guerra.

Eis um bom momento de renovação, revisão de conversão na quaresma, para abrirmos o coração de modo a enxerga no valor da vida o sentido da existência.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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