terça-feira, 7 de abril de 2020

“A Bolsa ou Bolsonaro”?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

Ah, que saudades dos tempos dos assaltantes pé-de-chinelo. Declamavam o velho “a Bolsa ou a Vida” e a gente não titubeava e, claro, entregava a bolsa. Mesmo nestes tempos de corona-vírus, sob a ordem de “Reclusão ou a Vida”, a maior parte das pessoas parece preferir não correr o risco.

Agora, quando se trata de proteger o leite-das-crianças ou um presidente que aceita todo o tipo de provocação  parecendo jogar contra ele mesmo, aí a opção “a Bolsa ou Bolsonaro” vira dilema...

A propósito, essa época de corona-vírus, nos obrigando à opção pela vida, lembra a estória que nos contaram os antigos. Falavam de um personagem que, por excesso de arrogância, os deuses condenaram a empurrar eternamente uma pedra pesadíssima ladeira acima, que incessantemente rolava ladeira abaixo.

A opção era a perda da sua imortalidade. Alguns interpretam o Mito de Sísifo como exemplo da falta-de-sentido-da-vida e, outros, esse trabalho interminável e sem-propósito como o merecido-castigo-de-quem-peca-por-soberba.

Mas, pensando bem, pecadores ou não, todos nós nos identificamos um pouco com o Sísifo. A rotina dele parece com o nosso cotidiano. Como ele, estamos em luta permanente mesmo sem ter certeza do propósito das coisas que fazemos... Porém, para não ver a vida como castigo, vamos fazendo o que temos que fazer olhando o lado positivo do nosso dia-a-dia e acreditando que “o que conta não é o destino, é a viagem”... E assim, como Sísifo, vamos seguindo agradecendo a chance de poder ir carregando a nossa pedra ladeira acima porque a alternativa é apavorante...

De que pedra reclama o presidente Bolsonaro? De ter perdido a liberdade de expressar seu ponto-de-vista sobre como reagir à epidemia do corona-vírus? Reclama da mídia mercenária, como se não conhecesse a realidade do desafio que escolheu como campo-de-batalha? Por que não vê o lado positivo das coisas e aproveita oportunidades? Por que não faz, do limão, uma limonada?

Esse corona-vírus veio para nos abrir os olhos. Veio nos mostrar que não temos a liberdade de expressão, nem a de ir-e-vir. Veio para nos fazer pensar como chegamos a esse ponto. Está nos mostrando que o atentado à liberdade só prospera quando o nosso caráter moral entra em crise. É o preço que temos que pagar por não termos tido Constituições preocupadas em cultivar o caráter dos indivíduos.

Já foi o tempo em que pudemos aprender essa lição quando, a pretexto da nossa incapacidade de assumir responsabilidades morais, nossos direitos individuais foram sacrificados para beneficiar os direitos coletivos, impostos pela “vontade-geral” com a baioneta-da-lei-escrita.

Optamos, há tempos, pelo império-da-lei sobre o império-da-moral. Aceitamos que só podemos fazer o que não é proibido ao invés de nos permitirmos tudo, exceto a falta de compaixão e de bom-senso. Esse teria sido o caminho para a emancipação do cidadão; do cultivo da essência da cidadania; o eterno escudo contra atentados às nossas liberdades.

De que adianta reclamarmos agora? É mais útil tomarmos consciência e, conseguindo usar o limão, fazer dele a limonada. Contra o assalto das forças retrógradas dos tempos da roubalheira do PT e da reação das massas ignorantes passíveis de manipulação mediática, vamos focar no que interessa à emancipação do cidadão e, somente a partir daí, sonhar com a prosperidade da Nação.

Bolsonaro foi eleito porque empunhou a bandeira do “mais Brasil e menos Brasília”. É à essa promessa que ele deve lealdade. Ele tem que parar de reclamar que a raposa-gosta-das-galinhas e enfim passar a cumprir a promessa de dar mais poder aos Municípios e menos poder à burocracia centralizada e centralizadora.

Para os que veem no Mito do Sísifo uma lição de otimismo, a hora é de despejar dinheiro diretamente onde o cidadão vive, implantando o Voto Distrital, sem o que ele nunca terá condições de fiscalizar a sua aplicação.

Sim. É a oportunidade de fazer, do limão, a esperada limonada. É a oportunidade que o corona-vírus propiciou para Bolsonaro resgatar a vítima e, ao mesmo tempo, blindá-la definitivamente contra as garras dos assaltantes de colarinho-branco.

Ou isso, ou o cidadão vai ter que optar entre entregar a bolsa ou o Bolsonaro!


Fabio Chazyn, autor do livro “O Brasil Tem Futuro?” recém-lançado. Adquira seu exemplar pelo site https://clubedeautores.com.br/livro/o-brasil-tem-futuro

2 comentários:

aparecido disse...

“Instamos que alguns indivíduos do Brasil corrijam imediatamente os seus erros cometidos e parem com acusações infundadas contra a China”..... Pensei que já tinha visto tudo...Temos um vice Rei no Brasil.. ou melhor um Vice-Lei.....faz reuniões com governadores e dá esporros diarios em deputados e minstros...obedece quem tem juizo...

aparecido disse...

PERGUNTARAM A DEUS SE O BRASIL TEM FUTURO ?.. E ELE RESPONDEU : nÃO NO MEU MANDATO...