segunda-feira, 13 de abril de 2020

A pior coisa que pode acontecer a um morto é nascer


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Este meu artigo pretende, além de chamar a atenção dos meus queridos leitores para o óbvio ululante do que acontece nesse nosso país (que as vezes de tão óbvio passa desapercebido), ser um tributo a  Ionesco e meu eterno mestre Vilén Flusser, meu professor Tcheco de filosofia, a quem devo o muito do que me tornei.

Dito isso:

Você está lá, Mortinho da Silva, sem nada para te incomodar, sem contas para pagar, sem limite de velocidade para respeitar, sem compromissos, sem nem mesmo ter consciência de sua “nadinez”, então de repente: Pá!

O pior que pode acontecer, acontece do outro lado do nada; um casal irresponsável resolve fornicar, e seu destino é mudado radicalmente.

Vai acontecer com você, o pior que pode acontecer com um morto.

Nove meses depois, eis que você nasce, e como se não bastasse isso para acabar com sua paz, você nasce no Brasil.

O que a princípio (se você pudesse pensar nesse momento), poderia ser uma benção, vai se tornar um inferno.

Como que intuindo a desgraça por vir, você chora.

No começo, são apenas dores de barriga, choro, vômitos, evacuações sem controle e fome; mas a tortura apenas começou.

Anos depois a escola, onde se o morto em questão tiver sorte, será boa, e não uma escola pública “Paulo Freirizada”, onde será “emburrecido” a ponto de não entender o que está por trás deum artigo como esse que escrevo.

Com a escola, vem o medo de repetir de ano, o bulling, a competição...

A adolescência, a primeira desilusão amorosa, e a dolorosa missão de provar a si mesmo, superando tudo isso sem dar fim à própria vida, que já não parece ser grande coisa.

A descoberta que vive em um país no qual vem sendo roubado implacavelmente, de pai para filho, por políticos que se escondem atrás de leis que eles próprios criaram.

Políticos que durante a atual pandemia que assola o país, se recusam a abrir mão da verba do Fundão Partidário, e após liminar do Juiz Itagiba Catta Preta Neto, da quarta Vara do DF, destinando tal Fundão aos esforços para o combate ao Covid19, imediatamente se reuniram e derrubaram a liminar.

Em qualquer momento, tal atitude seria mal vista, no atual é criminosa.

A população como um todo está sendo sacrificada, não é justo que uma parte dela, justamente a dos que detém mais poder, inclusive o de manejar o orçamento da União, dele se locupletem.

O presidente do Senado declara que: “tirar  o Fundão dos partidos será prejudicial para a democracia, devemos manter esse pilar intacto, mesmo que custe a vida de alguns brasileiros”

Tal comportamento é imoral, para dizer o mínimo. 

Trata-se do mesmo país, em que um médico patético alçado a celebridade pelo governador do maior estado da federação, contrai o vírus  e se cura com o remédio que se recusa a recomendar para os pacientes  por razões políticas (a receita da substância por ele combatida, hidroxicloriquina, destinada a ele e assinada por ele mesmo circula na internet).

Instado pelo presidente a dizer com que remédio se curou, para não dar o braço a torcer, o ameaçou de processo por invasão de privacidade.
Em se tratando de um médico, não revelar qual remédio o curou não é privacidade, isso sim, canalhice.

O médico em questão deve ter confundido o juramento de Hipócrates com o juramento do hipócrita.

Lembro de Bill Clinton, que assumiu ter fumado maconha  na universidade, sem  no entanto ter nunca tragado, ou mais tarde quando foi perguntado se havia tido relações sexuais  com  sua estagiaria Monica Lewinsky, ter negado o fato, baseado em seu entendimento  de que o “blow job” por ela ministrado a ele, não caracterizava  um  “real intercourse”.

Mesmo país onde a mídia cevada por décadas de governos de esquerda, torce descaradamente pelo vírus Chinês, arma invisível de uma guerra de quinta geração, que está matando não apenas indivíduos, mas a economia do mundo ocidental.

Diante de tal quadro estapafúrdio, perguntaria um alienado astronauta brasileiro de passagem por aqui, em seu delírio estratosférico:

- E como estão as Forças Armadas?

- Estão com a “bala toda”!

Responderia “Ionescamente” esse vosso escriba, que nunca temeu a vida, e muito menos teme a morte.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

5 comentários:

Ivan Alencar disse...

Gostei do "alienado astronauta" que de passagem falou a besterol realidade do "1984" em monitorar as pessoas pelo "mobile".
Mesmo após ter apagado a adoração ao "Big B." deixou a deixa aos dorianas da vida.
O amadorismo na comunicaçao liminar dos que estão atualmente no comando exige urgentemente cursos de comunicação ao público.
Não podemos afirmar má intenção após trinta e cinco anos de aplicação das teorias para consagração do Moderno Príncipe, mas que a danosa influencia fez um estrago fenomenal em contrariedade para com a natureza, não resta dúvida.
Vamos trabalhar para emergir da chuva de cangalhas a que fomos submetidos e retornar ao caminho da Luz.

Ivan Alencar disse...

A mecânica da coisa é um tanto complexa.
Estamos em plena época de aplicação das catástrofes previstas no segundo Livro de João. O primeiro é o considerado Evangelho.
Ocorre que o Criador nos dotou de "Livre Arbítrio", donde as aplicações de tal escrito podem não ser tão disseminadas e tão radicais quanto muitos podem esperar.
DEPENDE DE NÓS.
O primeiro Livro de João nos dá alguns dos bons caminhos a serem seguidos.
Triste é constatar que os desejosos de conquistar o poder querem destruir a obra da Divindade e tudo fazem para tornar ridícula e motivos de chacotas a sua singela menção.
Dante "viajou em sítios nunca dantes tão relatados" e quem observou foram os que se desviaram ou ainda não entenderam a Linguagem do Código de Conduta do Universo.
Gostei do seu artigo.

Anônimo disse...

O pior castigo que Deus impôs a esta raça traidora e mesquinha, foi renascer sem poder lembrar das experiências em vidas anteriores. Assim, a humanidade(?) está fadada a sempre repetir os erros e as péssimas escolhas feitas. Repetir e repetir erros, infinitamente.

capitãoEdmar disse...

Um artigo inteligentíssimo desses deveria ser lido por todos os políticos no Brasil. O povo também deve tomar conhecimento. Nota dez. Um primor!

Unknown disse...

O Brasil não repetirá certos erros, creiam. A esquerda não voltar A nem tão cedo e Bolsonaro vai ser resleito