quarta-feira, 22 de abril de 2020

“Assustadora” a volta do regime militar, ministro Barroso?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Desconfio que Sua Excelência, o Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da Justiça Brasileira, ”guardião” da Constituição, jamais tenha  lido  a constituição federal, para fins de julgar as demandas “constitucionais” submetidas ao Pretório Excelso, e dar palpites “furados” no tweeter sobre matéria constitucional.

Sua Excelência no mínimo  ignora totalmente  um determinado artigo  da Constituição Federal vigente, qual seja, o seu artigo 142..

O tal de “regime militar, do qual seria “assustadora” a sua volta, referido pelo Ministro Barroso, com certeza diz respeito à “intervenção militar” das Forças Armadas que depuseram o Governo de João Goulart,em 31 de março de 1964, coroando de êxito  a “marcha” iniciada pelas  tropas do General Olympio Mourão Filho, em Juiz de Fora/MG (4ª RM/4ªDI), na manhã desse  mesmo dia, durando o citado “Regime Militar” até 1985,sem que a constituição vigente à época, a de 1946, tivesse qualquer previsão, ou autorização expressa, para que essa “intervenção militar” tivesse ocorrido.

Mas a  citada “intervenção militar” da época acabou sendo legitimada, formalmente, não só através do Ato Institucional Nº 1, de  9 de abril de 1964, como pela eleição indireta do novo Presidente da República, pelo Congresso Nacional, General Humberto de Alencar Castello Branco, em  11 de abril de 1964, com a  sua vitória “esmagadora”,de 361 votos, contra 72 abstenções,37 faltas, 3  votos para Juarez Távora e 2 para Eurico Gaspar Dutra, sem nenhuma oposição  ou restrição do Supremo Tribunal Federal ou qualquer outro tribunal. E inclusive “reforçado” pela nova Constituição aprovada em  1967.

Mas para governo de Sua Excelência, o Ministro Barroso, em 1988 foi aprovada uma nova  constituição, derrogando a Constituição de 1967, escrita durante o citado “Regime Militar”, que por seu turno já havia derrogado a Constituição de 1946.

E dessa  nova Constituição,a de 1988,consta o artigo 142 ,com a seguinte redação: 

CF. art. 142: “AS FORÇAS ARMADAS,CONSTITUÍDAS PELA MARINHA,PELO EXÉRCITO, E PELA AERONÁUTICA,....DESTINAM-SE À DEFESA DA PÁTRIA, À GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, E, POR INICIATIVA DE QUALQUER DESTES, DA LEI E DA ORDEM”.

Fica muito claro pelo citado dispositivo constitucional que alguma “providência” das Forças Armadas poderá ou deverá  ser tomada na eventualidade da presença  de certos pressupostos, no caso, ”constitucionais”. Essas “providências”, que foram batizadas pela opinião pública de “intervenção”, que na verdade é, porém sem essa definição “constitucional”,pode ocorrer  em quatro hipóteses. Quando houver infração da LEI ou da ORDEM, qualquer um dos Três Poderes Constitucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário), poderá acionar a “intervenção”.

Mas na hipótese de GARANTIA DA PÁTRIA e DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, a melhor interpretação desse artigo é que a  eventual “intervenção” deveria  ser decretada pelas próprias Forças Armadas, ”preferentemente”, é  evidente, através da convocação do Chefe Supremo das Forças Armadas, o Presidente da República.

A propósito, cumpre fazer a ressalva de que  inadvertidamente a Lei Complementar Nª 97, de 1999, que se propôs a regulamentar o artigo 142 da Constituição, exige a participação formal do Chefe Supremo das Forças Armadas, em qualquer das 4 modalidades de “intervenção”, o que fere frontalmente a Constituição, que não faz essa exigência, nem vai a tanto, sendo, portanto, flagrantemente  INCONSTITUCIONAL.

Isso posto, ao contrário do que pensa o Ministro Barroso, não seria nada “assustadora” uma intervenção militar, desde que preenchidos os pressupostos elencados no artigo 142 da Constituição. Essa medida, se fosse o caso, seria  plenamente CONSTITUCIONAL, simplesmente porque prevista na própria constituição.

Ou Sua Excelência prefere rasgar a Constituição?

E desde que ficasse configurada uma legítima intervenção militar/constitucional, nada obstaria que o Novo Poder  se investisse na qualidade de PODER INSTITUINTE, estabelecendo logo a seguir  um novo e verdadeiro Estado  Democrático de Direito, com necessária  convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, EXCLUSIVA, soterrando  toda a maldição política que assola o Brasil desde 1985.

Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

3 comentários:

Anônimo disse...

E quando se juntam dois poderes para aplicar um golpe no outro? Isso, quando se trata de um Presidente legítimo eleito democraticamente. Uma das funções das Forças Armadas é a garantia dos três poderes. Eles tem o dever de interferir, pois todo poder emana do povo e se ele foi eleito por esse povo, tem que ser respeitada a vontade desse mesmo povo que o elegeu.
Por isso, temos que ter no STF, pessoas que saibam interpretarem a Constituição e não as "Marias vai com as outras" que se deixam influenciar e apenas repete palavras que escutam de criminosos. Criminosos não repeitam a Constituição ou qualquer lei.
Infelizmente em que desenhar.
Agora eu vou gritar: PRECISAMOS DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO. UMA QUE NÃO SEJA DO MECANISMO, OU OLIGARQUIAS FINANCEIRAS TRANSNACIONAIS OU GLOBALISTAS OU ZELITES OU CABALA NEGRA OU O RAIO QUE O PARTA. PRECISAMOS DE UMA CONSTITUIÇÃO PARA O POVO BRASILEIRO.

Anônimo disse...

Eu acredito que aquelas pessoas que estavam gritando pelo AI 5, eram pessoas pagas para infiltrar para desqualificar o movimento e ter uma justificativa para abrir esse tal processo e assim, intimidar as pessoas que pedem intervenção militar. Lembram do causar o problema para criar a solução? Eu penso que esse processo é inconstitucional porque fere a liberdade de expressão e ferem outras garantias. E nos causa espanto porque eles fazem barbaridades com o Presidente com calúnias, difamação, injúrias de todo jeito e não vemos o STF tomar a atitude de investigar esses que comete tais atos. E esses atos não é apenas contra o Presidente, mas sim, com os opositores ou apoiadores dele, como no meu caso, passo por isso também.
Pedir AI 5 não faz sentido porque se tiver intervenção, quem decide se tem AI 5 são os militares. Teve um babaca que provavelmente foi pago para fazer aquela palhaçada; enquanto o Presidente conversava com seus apoiadores falou em AI 5 com ele e foi rechaçado na hora. Isso é gente financiada para fazer essas palhaçadas. Podem ter certeza.

Chauke Stephan Filho disse...

O compromisso dos patriotas não é com o presente das instituições ou com as instituições do presente; é, isto sim, com o futuro do Brasil.