segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pandemia e Patifaria


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Nestes tempos de quarentena, em que canais de televisão preenchem quase a totalidade de sua grade de programação, disseminando o pânico, resolvi que o melhor a fazer, era dar uma de eremita e afastar-me das notícias diárias, para refletir sobre outras pandemias que afligiram a humanidade e algumas curiosidades políticas.

Lá pela metade do século XXIV, o surto de peste negra chegava à Inglaterra, (na época, as doenças demoravam mais a se propagar) depois de causar milhões de mortos na Europa continental.

Algumas freiras que cuidavam dos infectados, imaginaram que a doença poderia estar se propagando pelo ar, e começaram a afastar os doentes uns dos outros e usar uma máscara de pano em frente a boca e o nariz para proteger-se.

Padres que na época se intitulavam médicos formados em Oxford, afirmavam que a doença se propagava pelo olhar, e se devia a excesso de sangue ruim nos pacientes, que sangravam pelo nariz, receitando sangrias e tripas de animais. Já as freiras que estavam conseguindo algum sucesso, pelo menos em sobreviver aos seus pacientes, eram acusadas de bruxaria, algumas inclusive queimadas na fogueira.

Estava em jogo a hierarquia do saber e do poder.

Hoje em dia não é muito diferente, sempre existe, como na fantástica obra em quadrinhos do francês Jean Tabary, “Iznogud “ (corruptela do Inglês  He´s no good – ele não presta), em parceria com  René Goscinny,  (esse último o mesmo que com Albert Uderzo deu vida a o gaulês Asterix) um Vizir que quer  ser Califa  no lugar do Califa.

Na crise dos dias atuais, em se tratando de patifarias, podemos encontrá-las na classe política para todos os gostos.

Senão vejamos:

Ministros do STF sem abrir mão de nenhuma de suas mordomias, palpitando em áreas que não lhes competem, como defender atitudes desse ou daquele governador, que todos nós índios, menos categorizados da tribo, sabemos que tem pretensões políticas que vão além do cargo que ocupam.

Um Congresso que mesmo vendo a economia sangrar, não abre mão de seus dois bilhões de verba para o fundo eleitoral.

Uma tal de ABJD (associação Brasileira de Juristas pela Democracia), denuncia o presidente, por crime contra a humanidade perante o Tribunal Penal Internacional.  

Ainda que mal pergunte: Onde estavam esses distintos senhores defensores da democracia e justiça durante os governos populistas dos últimos trinta e três anos?

Pedindo permissão aos meus leitores respondo: Locupletando-se com os desmandos, junto com todos os outros que são contra o atual governo.
Traições, mentiras, canalhices não são de espantar, são moeda corrente na política, mas às vezes nos surpreendemos.

É inegável, que pela primeira vez na história, temos um governo que soube eleger seus ministros, e que quando equivocou-se, teve e a humildade de reconhecer o erro e concertá-lo imediatamente. 

Alguns deles (ministros) que assumiram um protagonismo junto aos meios de comunicação, muitas vezes maior que o do presidente da república, caso de Sergio Moro que apesar de cortejado pela fama nunca cedeu a ela.

O que nos leva de volta ao personagem anteriormente citado “Iznogud”.

Graças à atual pandemia o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ex deputado pelo mesmo partido do Nhônho, Batoré e do Caiado, foi alçado da noite para o dia  a um papel de protagonismo inesperado, devido a seus inegáveis conhecimentos  e bom senso, mas parece ter sido picado pela mosca azul da fama. Percebe- se em seus atuais pronunciamentos uma mudança de tom, algo que sobrepassa sua missão de bem informar, dentro do que a seu ministério corresponde.

Aqui cabe um bom conselho para todos que estão surfando nessa onda;

Aproveitem a quarentena para ler as aventuras de “Iznogud“, e lembrem-se: o cemitério está cheio de gente que se achava insubstituível e “queria ser califa no lugar do Califa”.

Hierarquias existem para serem respeitadas, o resto é caos.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

Anônimo disse...

https://aliados.online/2020/04/mourao-vice-vaidoso-vingativo.html