quinta-feira, 9 de abril de 2020

Prisão de Ventre Domiciliar



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Nestes tempos bicudos, aproveito para relembrar os amáveis leitores sobre como funcionam os bancos “bonzinhos”.

Imaginem a seguinte cena:

O seu vizinho viajou para uma temporada de seis meses no exterior e deixou vazio o apartamento onde mora. Um parente que tem a cópia da chave, resolve alugá-lo a um terceiro, sem a autorização do dono, só por três meses.

Por qualquer motivo, o dono resolve voltar mais cedo do que o previsto. Encontra o apartamento ocupado por um estranho que lhe conta tê-lo alugado de boa fé.

Furioso,o dono liga para o parente que lhe suplica ter um pouco de paciência, porque afinal o apartamento ia ficar vazio.

Assim agem os bancos.

Você deposita seu dinheiro em conta-corrente “à vista” e o banco, sem sua autorização, o empresta a terceiros. Se você decide sacar o dinheiro que é seu, o banco cria dificuldades ilegais.

“Você precisa avisar antes se for sacar mais de X reais. Afinal de contas estamos desprevenidos !” ou “Você precisa preencher um formulário !” (mesmo que o valor seja inferior ao fixado pelas autoridades para identificação de saques).

Como o parente esperto, o banco embolsa o rendimento dos empréstimos a terceiros e cria para você, depositante otário, uma séria de aborrecimentos.

Você paga uma tarifa ao banco para manter a conta-corrente e recebe um serviço desleal.

Os bancos para funcionar precisam de autorização do governo. As chamadas Cartas Patentes são verdadeiras cartas de corso. Emprestam eles nosso dinheiro depositado (captado sem custo) a esse mesmo governo que docemente lhes paga juros altíssimos com o dinheiro suado dos contribuintes.

Hoje no Brasil alguns bancos deixaram de enviar extratos mensais de contas correntes para economizar papel e postagem.

Encerram imotivadamente as contas consideradas não rentáveis.

Enviam cartões de crédito não solicitados.

Instalam em várias agências, portas giratórias que travam e submetem usuários a vexames.

Quase todos os bancos não mais autenticam mecanicamente os títulos pagos; emitem um pedaço de papel de má qualidade impresso com uma tinta que desaparece em pouco tempo. O infeliz que precisar comprovar o pagamento que se lixe.

Piores são os que repassam nossos dados pessoais (quebrando ilegalmente o sigilo bancário ) para as empresas chamadas eufemisticamente de “serviços de proteção ao crédito”.

Em pouco tempo essas empresas estarão desmoralizadas em virtude dos abusos que cometem.

Em breve negativarão até quem deixou de pagar o boleto do passeador de cachorros.

Um banco não passa de um prestador de serviços.

Toda pessoa necessita de uma conta corrente bancária.

Os bancos estatais deveriam oferecer contas correntes cobrando apenas o custo administrativo das mesmas, bem como pelos demais serviços bancários.

Não é função do governo conceder empréstimos de curto ou médio prazo porque esta é uma operação que pode ser feita pela iniciativa privada.

Um banqueiro privado é apenas um comerciante a quem se concede o direito de captar depósitos do público.

É justo que cobre o que quiser pela prestação de seus serviços de manutenção de contas correntes, emissão e administração de cartões de crédito, etc.

Também é justo que cobre o juro que quiser pelo empréstimo de seu próprio dinheiro.

Pode igualmente fazê-lo com o dinheiro do público que captou em depósitos a prazo, remunerados.

Mas emprestar dinheiro de terceiros depositado em contas correntes à vista é imoral e deve ser proibido pelo governo.

A situação atual é equiparável a do parasita que vive às custas do hospedeiro.

Se uma pessoa toma um empréstimo num banco e não pode pagar, o seu nome vai para os serviços de proteção ao crédito, sua dívida é protestada e um processo judicial lhe é movido.

Se um banco tem uma crise de liquidez porque, na quase totalidade das vezes, emprestou o dinheiro que não era dele (depósitos à vista), o governo lhe socorre docemente com o dinheiro pago pelos contribuintes.

Aos devedores privados impõem-se os rigores da lei.

Aos bancos, carinho e benevolência.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu fico pensando que essas crises são fabricadas propositalmente para pegar os tais socorros do governo (dinheiro do povo). Lucram absurdos com o dinheiro do povo e ainda precisa dos tais socorros do governo. Bancos são instituições privadas e o povo (governo) não tem nada a ver com isso e se não podem arcar com as consequências, que feche suas portas. É assim que eles criam dinheiro do nada.

Anônimo disse...

Senhor Mantiqueira. Faltou dizer que, se eu não tenho como pagar meus empréstimos que tirei nos bancos, estou rodido e ninguém me ajuda. Se os bancos ficam sem dinheiro ou prestes a quebrar, o amável e complacente banco central empresta dinheiro aos bancos.

Mauro Moreira disse...

Lembro-me de um tempo em que os bancos pagavam juros nos depósitos a vista. Tudo mudou a partir do contragolpe militar. Corrijam-me, por favor, se eu estiver errado.