quinta-feira, 28 de maio de 2020

O AI-5 do STF?



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Percival Puggina

As ações determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes na manhã desta quarta-feira 27 de maio podem entrar para a história como episódio jocoso proporcionado por um ministro no exercício de curiosa jurisdição, ou como os atos que marcaram a virada do Supremo Tribunal Federal na direção da ditadura do judiciário.
A primeira hipótese se desenhará se os demais ministros curarem os reumatismos corporativistas e se mexerem para anular as decisões do colega. Na segunda hipótese, o STF terá fechado os olhos aos fatos, silenciado perante o abuso de autoridade e instalado a ditadura do judiciário pela subversão de eminentes valores constitucionais.
Há bom tempo a sociedade percebeu, pelo andar da carroça, em que direção ia o “Pretório Excelso” (para dizer como os próprios, humildemente, dizem de si mesmos). Aos poucos, e com intensidade crescente, foi moldando decisões com base numa leitura particular dos princípios da Carta de 1988, alinhada com o “progressismo” de seus padrinhos quando na presidência da República. É lá que está a causa do que agora assistimos. A esquerda recheou o STF com indicados pelos presidentes que conseguiu eleger. O PT pode ter errado ao escolher para o STF ministros que ali adiante, numa ação penal, em respeito à própria biografia, se renderiam à força das provas. Mas não cometeu o erro de indicar ministros filosoficamente contraditórios ou antagônicos ao partido. Nesse tipo de erro o PT de Lula e José Dirceu jamais incorreria. O Supremo ficou vedado a liberais e conservadores.
Assim, quando a sociedade se saturou de progressismo, de politicamente correto, de corrupção, de aparelhamento do Estado, as urnas de 2018 trouxeram sua manifestação de vontade numa linha que suscita enorme desapreço à atual composição do STF. O poder como tal não age como age por ser excelso, mas por terem sido, seus membros, indicados por quem com grande cautela os escolheu. E não faltam ministros tão cientes de sua intimidade com o Bem e com a Justiça para, em seus votos, lecionarem a sociedade segundo as próprias convicções. Dessa doutrinação, que migrou das salas de aula para a TV Justiça, também se saturou a nação.
Esperar que a sociedade finja não ver e não se manifeste individual e coletivamente, que molde suas expressões ao figurino do jurisdiquês, não faça piadas e não ria de quem as faça, é desenhar regras para o AI-5 do STF.
O desapreço ao STF não precisa de fake news. Bastam as news.
Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor.

2 comentários:

ALMANAKUT BRASIL disse...

FALTA UM DETALHE PARA A TÃO ESPERADA FAXINA GERAL.

NAS MANIFESTAÇÕES DE 2013 NEM SE IMAGINAVA UM GOVERNO COM TANTOS MILITARES, MAS DEPOIS DO ÚLTIMO DUELO.ENTRE AS FACÇÕES PETRALHA E TUCANALHA MUITOS DOS QUE NASCERAM DEPOIS DO GOLPE DO PALANQUE DAS DIREITAS JÁ PERCEBERAM O QUE FOI NECESSÁRIO PARA O BRASIL DAR UMA AVANÇADA, APESAR DA CAGADA DE DEIXAR HERANÇA MALDITA PARA O FUTURO.

AGORA, QUEREM O CONSERTO DAS FALHAS, A ASSEPSIA E, PRINCIPALMENTE, PARTICIPAR DO FOGO NO JOIO.

aparecido disse...

Quando era garoto tinha um cachorrinho peludo cuja raça era chamada pequines...muito bonitinho.. era um cachorinnho cujo nome já designava de onde veio e foi trazido por generais ingleses quando invadiram a China há 200 anos...e vejo que os cães pequineses continuam aqui no Brasil...mas agora são rothweillers gigantes abanando o rabo para os donos e atacando os direitos fundamentais e constitucionais dos brasileiros de bem... e vamos precisar que os filas brasileiros ataquem os rothweillers pequineses inimigos do Brasil e instalados dentro do estado brasileiro...