quinta-feira, 28 de maio de 2020

O Homo Consumptor



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fábio Chazyn

O homem é o lobo do homem? O lobo se esconde no coronavírus? Para os stalinistas de outrora, como para os atuais aspirantes a controladores da humanidade, a receita foi, e continua sendo, a solidão. Contra a exploração do homem pelo homem, isolem-se os homens!

Os russos fizeram a revolução comunista pretendendo superar as diferenças que achavam que eram responsáveis pela falta de solidariedade entre os homens. Trocaram os deméritos do egoísmo pelos deméritos do carreirismo.  Trocaram seis por meia dúzia. Queriam criar o “Novo Homem Comunista”. Acabaram criando os membros da Nomenklatura.

Disseram que o “Novo Homem Comunista teria a grande virtude de um Aristóteles ou de um Goethe”. Porém, tentando eliminar as diferenças entre as classes sociais, impondo valores e princípios de cima para baixo, acabaram criando a Nomenklatura, uma casta-elitista treinada para controlar e coagir a economia, a sociedade e a vida cotidiana.

O sacrifício da liberdade individual proposto pelos comunistas para gerar o estado coletivista baseado na solidariedade não deu certo. O projeto do um-por-todos-e-todos-por-um virou o projeto do cada-um-p’ra-si-e-cada-um-contra-todos. Os Nomenklaturistas passaram a ver seus pares como perigosos concorrentes ao progresso de sua carreira na escala social. Ao invés de trilharem o caminho da solidariedade, enveredaram pelo da solidão.

“A época te dá a certeza
De que é ela que te impõe tua solidão
Em volta, inimigos, impostores vís
Nenhum amigo para te apertar a mão
 Se a época te ordena, sê mentiroso
 Se a época te ordena, sê assassino.”   

O poema lúgubre é de Eduardo Bagritski (1895-1934), sobre o que aconteceu com o “Novo Homem Comunista”. Lendo este poema é difícil não compararmos com o que está acontecendo agora em escala planetária com o confinamento da população mundial “imposto” pelo coronavírus.

De fato, a raça humana foi novamente convocada para sacrificar a liberdade individual em favor da segurança da coletividade. Com o “fique em casa” querem nos convencer que fazer isso é uma prova do nosso espírito de solidariedade. Mesmo sem poder sobreviver e progredir, a humanidade tem que acreditar que é na solidão que dará a prova do espírito de pertencimento coletivo. Difícil de engolir...

Na velha burocracia soviética, os Nomenklaturistas não se preocuparam em representar o “Novo Homem Comunista” nos moldes idealizados pelo Politburo. Queriam mesmo é se dar bem. Achavam que conquistar privilégios pessoais era o que mais contava.

A pretensão leninista de construção de um “Novo Homem”, agora sob a batuta dos atuais donos do Mundo,  se transformou radicalmente. O foco da qualidade do Homem se voltou para a quantidade deles. Não pelos mesmos motivos que levou Thomas Malthus a prenunciar a catástrofe da superpopulação há 200 anos, quando éramos só 1 bilhão.

A preocupação dos atuais donos do Mundo vai muito além da previsão da falta de comida para alimentar as atuais 8 bilhões de pessoas, ainda que o alarme já tenha disparado em face do fato que a metade do mundo passa fome e que 80% da comida tem que vir de fontes estrangeiras às localidades onde é consumida. Atualmente, a agenda dos arquitetos do controle da população passa também pela necessidade de se implantar um controle-total da humanidade inteira, inclusive biológico e comportamental.

O porta-voz dos atuais aspirantes a controladores do Mundo tem sido a famosa OMS - Organização Mundial da Saúde, que está “mandando” em todos nós. Atrás dela está o famoso Bill Gates.  Com a decisão do Trump de parar de contribuir com a manutenção da OMS, a Fundação Bill & Melinda Gates passou a ser seu principal financiador. Por que? Ele não esconde que acha que o problema básico do mundo seja o falta de planejamento familiar. Não esconde que a solução tenha que passar por uma “Campanha de Vacinação Obrigatória”. Advoga pela necessidade de promover, ao mesmo tempo, um meio de identificação biométrica da população mundial e a erradicação do dinheiro-papel. Alega que essas medidas vão contribuir com a segurança sanitária do mundo.

Obrigados a atender as recomendações da OMS, estamos testemunhando que Bill Gates está conseguindo realizar o seu “projeto”. Segundo ele, “trata-se de poder controlar as pessoas quanto às informações que recebem, pagamentos que fazem, votos que dão, sua condição física, hábitos e preferências” ( https://youtu.be/DSvhPnUgyz8 ).

De fato, difícil não relacionar as recomendações da OMS com os interesses desse aspirante a controlador, principalmente em vista das notícias de que a imunização contra o coronavírus não tem duração definitiva. Pelo visto, a OMS e seus patrocinadores querem nos obrigar a aceitar a solução definitiva escondida no “fundo-do-bolsinho-do-colete”. Vão continuar nos encurralando até que não seja mais suportável continuarmos confinados, tendo que usar essas máscaras desconfortáveis o tempo todo e não podermos recuperar a nossa normalidade pessoal e profissional. Estão nos levando à “obrigação” de nos vacinarmos. A nós não restará escolha se não quisermos continuar nos sujeitando a marginalizações, discriminações e sanções de toda sorte.

Difícil, também, não suspeitar que com essa vacina não virá também um ‘nano-chip’ que emitirá sinais sobre a nossa condição física, mental, emocional, etc. etc. etc., além de transmitir, em 5G, o que fazemos, como fazemos, onde fazemos, etc. etc. etc. Em suma, controle-total!

Bill Gates não esconde a amplitude de seu projeto de controle-total. Sua moeda-digital já está em teste na China. Quando determinado dinheiro estiver atrelado a determinado bem, o impacto será acachapante. Por exemplo, se o controlador decidir ensejar o consumo por um determinado bem, ele poderá disponibilizar no celular de uma pessoa um crédito que só pode ser utilizado para adquirir aquele bem específico. A moeda-digital permite essa façanha!

As experiências com os auxílios emergenciais nos vários países, para compensar a redução de renda com o confinamento social, podem demonstrar a viabilidade de se adotar “créditos-seletivos”. Essa modalidade de “renda” tem a vantagem de não permitir que as demandas se descolem das possibilidades de ofertas, protegendo contra efeitos inflacionários. Acabam sendo o ‘cabresto’ que o controlador usará para dirigir as novas relações sociais da era do “Homo Consumptor”. 

O desenvolvimento da Inteligência Artificial para processar volumes cada vez maiores de informações (“Big Data”) tende à uma banalização crescente da robotização de tudo. O papel do ser humano como meio de produção será cada vez menos importante e dispensável, inclusive na concepção e construção de robôs. Nos restará o papel de consumidor, também robotizado. Se a motivação e a tecnologia para nos transformar em mero “Homo Consumptor” já existem, estava faltando somente o gatilho para desencadear o processo. O coronavírus veio cumprir esse papel.

As precauções que o coronavírus despertou nos quatro cantos do Planeta condicionarão um novo jeito de viver e se relacionar para todos, para sempre. Esse novo estilo de vida nos obrigará a adotar novas identidades, novos conceitos de coletividade e novos caminhos para exercer a nossa criatividade e prazer. Não teremos opção. Vamos ter que ser “Homo Consumptor” ou não ser!

Vamos augurar que as novas castas da Nomenklatura tenham melhor destino do que as do regime soviético e que não nos façam lembrar o poema lúgubre do Eduardo Bagritski. Que seus planos para o novo “Homo Consumptor” enseje uma política Pró-Consumo que inclua as massas até agora deixadas à margem do mundo moderno, pois é óbvio que, se o giro econômico ótimo pressupõe consumo máximo, então chegou a hora da inclusão social plena.

Se assim acontecer, então também terá chegada a hora do “Estado-Resgate”. Finalmente!

Fabio Chazyn, autor dos livros “Consumo Já! Projeto Vale-Consumo” (2019) e “O Brasil Tem Futuro? Projeto A.N.O.R. – Inteligência Artificial Coletiva” (2020)   https://clubedeautores.com.br/livro/o-brasil-tem-futuro

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