segunda-feira, 22 de junho de 2020

Chamem o Homem Aranha


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por H. James Kutscka

Histórias em quadrinhos por consenso geral, extrapolando a lista de Riccioto Canuto publicada em 1923, são hoje consideradas a nona arte logo depois da televisão.

Até porque, antes de qualquer filme ou produção de Tv, é necessário ter-se um story board, que nada mais é que uma sequência em quadrinhos do que virá a ser filmado ou gravado em VT.  Sem Isso, a decupagem e a produção seriam impossíveis de serem levadas a cabo.

Como no cinema, os quadrinhos começaram mudos até que em 1895, desenhado por Richard Fanton Outcoult seu personagem Yellow Kid falou pela primeira vez em uma tirinha publicada no New York Sunday World de 5 de abril, periódico de propriedade de Joseph Pulitzer, imigrante húngaro que dá hoje nome ao prêmio mais importante do jornalismo.

A partir dai, os personagens não pararam mais de emitir opiniões.

As observações sempre mordazes do menino oriental, habitante do Hogans Alley em New York, saiam estampadas na sua túnica amarela enquanto do resto dos personagens aparecia no que seria o primórdio dos “balloons” de hoje.

De lá para cá muita coisa aconteceu com a nona arte, talvez a mais importante e absurda delas, foi nos anos 50 a cruzada do psiquiatra Norte-americano Fredric Werthan, autor do livro  “Seduction of the  innocent” que resultou  no Comic Code Authority .

O tal código aprovado pelo subcomitê de delinquência juvenil do senado norte americano, proibia desenhos contendo cenas de nudez, violência, além de palavras como: terror, horror ou qualquer frase considerada vulgar, profana ou obscena pelos censores.

Não ficava por aí; estavam também proibidas histórias que apresentassem qualquer tipo de questionamento de autoridade, seja de pais, policiais, juízes militares governantes ou representantes de religiões (qualquer semelhança com as atuais medidas tomadas pelo STF contra youtubers, evidentemente é mera coincidência)

Por incrível que possa parecer, essas medidas duraram (abrandadas é claro) no caso da Marvel até 2011.

Mas o que interessa para esse artigo, aconteceu em 1963, quando Stan Lee e Steve Ditko deram a conhecer ao mundo o Fantástico Homem Aranha.
Um jovem universitário órfão, Peter Parker que mora com seu tio Ben e sua tia May é mordido, em um laboratório, por uma aranha radioativa e ganha superpoderes.

A principio ele pensa em usar a super força para vencer lutas de box e ajudar em casa, mas sua vida muda quando seu tio é assassinado  durante um assalto praticado por um indivíduo  que  em uma ocasião anterior, ele havia visto assaltando um desconhecido e não interferira, por pensar que isso não lhe dizia respeito.

Esse é o momento em que Stan Lee se supera.

Ao encontrar seu tio a beira da morte em um beco e arrepender-se em voz alta de não ter detido o malfeitor quando o vira pela primeira vez, ouve do tio a seguinte frase:  - Lembre-se sempre Peter, com grandes poderes vem grandes responsabilidades.

A autoria da frase é discutível, alguns a põe na conta de Voltaire no século XVII, outros atribuem sua origem a Bíblia em Lucas 12:48 “Daqueles a quem foi confiado muito, muito mais será pedido”.

Consta que versões muito parecidas foram usadas por Winston Churchill e até Franklin Delano Roosevelt, de onde se nota claramente que esse conselho não tem prazo de validade.

No dia 26 de março de 2015, uma juíza  da Suprema Corte  dos Estados Unidos da América ( Elena Kegan )  em uma disputa  por direitos que envolvia a Marvel  e um fabricante de brinquedos que havia criado um lançador de teias como o do herói dos quadrinhos  e detinha a patente, deu ganho de causa à Marvel  com a seguinte frase: As patentes dão aos seu donos super poderes, mas apenas por tempo limitado.

Quadrinhos também é cultura.

Parece que nossos ministros do Supremo, nossos congressistas, nossos membros da OAB, não tiveram infância, ou ao menos nunca leram uma história em quadrinho.

Estamos assistindo a diário onze abutres com super poderes vitalícios, fazendo o que bem entendem com as leis e com a constituição.
Nosso presidente sendo agredido por palavras, gestos e obras; nosso exército de pijama reagindo como pode, por carta, enquanto os da ativa convenientemente seguem inativos.

O nosso Ministro da Educação por falar em uma reunião fechada, uma verdade que está trancada na garganta dos brasileiros há muito tempo, busca asilo fora do país para não ser preso. 

O homem aranha tem um arqui-inimigo chamado Vulture (Abutre), nós temos onze vitalícios nomeados pela maior escória que já governou essas terras.

Das duas uma, ou mudamos a constituição para tirar o cargo vitalício deles (isso demora) ou chamamos o Homem Aranha e os Vingadores e vamos para o pau.
Cansei de dizer cansei.

H. James Kutscka é Escritor e Publicitário.

Um comentário:

aparecido disse...

Enquanto os da ativa convenientemente seguem inativos.... Dizem que os camelôs estão vendendo calcinhas rosa em frente aos quarteis...eu nunca vi mas internet aceita tudo...