sexta-feira, 14 de agosto de 2020

O Indivíduo e a Multidão


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Percival Puggina

Amanhecia em Porto Alegre e eu saía em viagem que me levaria a um compromisso no sul do estado. Quando me aproximei da ponte que faz a travessia do Guaíba, a porção levadiça estava erguida para a passagem de uma embarcação. Quando isso ocorre, forma-se um grande acúmulo de veículos em ambos os lados da travessia. Reaberto o fluxo, retomei a marcha e fui observando simétrico movimento na pista em sentido oposto.

Subitamente, um longo trecho dela ficou sem trânsito e uma aglomeração ficou visível mais adiante. Imaginei tratar-se de um acidente, mas me enganei. Havia um carro parado no meio da pista, com o motorista aparentando dormir. Os veículos que vinham atrás, tentando de algum modo ultrapassá-lo, acabaram obstruindo completamente a via. Fui em frente, rindo e pensando sobre o que acabara de ver: se uma pessoa parada tranca uma multidão, uma pessoa em ação mobiliza uma multidão.

É uma experiência simples, empírica, mas verdadeira, que nos leva a recear das situações – e são muitas essas situações – em que o não fazer, o desistir, o arriar braços fecha a pista para a necessária mobilização social e a obtenção dos consequentes efeitos políticos.

Essa mobilização independe de gostar ou não de política. Aliás, gostar da política que temos não é sinal de muito bom gosto. Ela não se torna um imprescindível espaço da cidadania por ser agradável, charmosa, atraente (mulheres são assim, a política não). A política se faz necessidade imperiosa porque seu substituto soma violência e caos.

Ademais, ela influencia nossa vida antes do nascer e segue influenciando o que de nós restar após a morte. Gostar ou não é irrelevante e apenas serve para estabelecer formas e níveis de participação. Quem se sente atraído ou vocacionado atuará nos partidos, será candidato ou apoiará candidaturas; quem não se sente atraído deve impor a si mesmo a obrigação de informar-se e ser um eleitor esclarecido.

O não gostar nunca foi suficiente para justificar o "afastamento horizontal" de quem conhece e sente a responsabilidade que recai sobre os membros de uma sociedade política. Nada se resolve com a desistência, o abandono da causa, o evanescer dos sonhos, o dirigir xingamentos e desaforos à pátria comum, como se ela fosse causa de nossos problemas e nós inocentes em relação aos problemas dela. Nada melhora agindo como se o ato de desistir nos fizesse subir um centímetro que seja na escada da moralidade. Seríamos a pior geração da história se desistíssemos, entregando uma partida ganha para quem a perdeu em 2018 e, em momento algum, contando com a nossa tibieza, cometeu o erro de desistir.

Você percebeu o volume das ações desencadeadas contra o governo nos últimos meses? Os autores disso tudo perderam a eleição... Imagine o que farão se e quando retomarem o poder.

Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor.

2 comentários:

Anônimo disse...

O que muitos percebem é que a briga Bolsonaro X derrotados na eleição de 2018 está distraindo todos da agenda que vai sendo implantada, como a bancarização dos socorridos pelo Auxílio Emergencial, garantindo o controle sobre 50 milhões de brasileiros antes não alcançados pelo Grande Irmão; a chegada do 5G sem contestação pelo governo brasileiro (youtuber residente nos EUA disse que percebeu a instalação de antenas nas escolas durante a pandemia, nos locais onde antes do isolamento as famílias lutavam para que não fosse implantado); implantação de reconhecimento facial em diversas cidades como prenúncio do controle total sobre a sobrevivência da população (o presidente, como cristão, deve perceber os contornos da tirania do Anticristo se delineando); aceitação da formação de blocos regionais para o futuro Governo Mundial com a unificação de placas de veículos no Mercosul. Quem presta atenção, sente estar sendo feito de idiota pelos maçons distribuídos nos diversos grupos em litígio

Chauke Stephan Filho disse...

Eu gostaria de participar da política, mas o meu partido é proibido.