sábado, 19 de setembro de 2020

D. Quixote de Toga


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Percival Puggina

Não há como observar os derradeiros movimentos do ministro Celso de Mello desde sua cadeira no Supremo Tribunal Federal sem evocar o Cavaleiro da Triste Figura, apelido com que Sancho Pança definiu seu líder e senhor, D. Quixote de La Mancha, em combate sem trégua aos exércitos de Alifanfarrão.

O ministro assistiu ao vídeo de certa reunião do ministério e julgou ver campos de concentração, experiências genéticas, sangrentas ditaduras e conspirações articuladas na misteriosa língua de bruxaria da Escola de Hogwarts, que ele provavelmente aprendeu de Harry Potter. Começou ali e não parou mais. Pacíficas manifestações de rua eram ações da Schutzstaffel (tropa paramilitar de proteção a Hitler); a Polícia Federal, a própria Gestapo... O ministro, coração cívico em chamas, vestiu a couraça de D. Quixote, brandiu a caneta como se fosse uma lança das antigas liças medievais e avançou. A cada dia, sua estocada.

Simetricamente, começava ali, também, sua retirada de cena no Poder Judiciário brasileiro, onde entrou ainda jovem pelas mãos de seu amigo José Ribamar, da nobre estirpe maranhense dos Sarney, que recebera a presidência da República por herança na morte do titular Tancredo Neves, de cuja chapa figurava como vice-presidente.

Tudo indica que o ápice de deslumbramento para os derradeiros embates veio, mesmo, da reunião ministerial do dia 22 de abril. Ali, à semelhança do fidalgo espanhol, quis o ministro que todos vissem o que ele vira, do modo como vira e iniciassem uma guerra sem tréguas. Desde então, enquanto o apoio popular ao presidente andava no sentido oposto e crescia na bolsa política, subia de tom a indignação do ministro. Diante dele, envoltos em togas e disponíveis ao loquaz fidalgo, dito decano, dez versões togadas de Sancho Pança eram instadas a salvar a humanidade e a vida no planeta das ameaças representadas pelas perigosas hostes de Alifanfarrão.

O capítulo se encerrará numa noite de novembro, ante algum ignoto seguidor que, entre bocejos, implorará por silêncio ao arrojado amo, pois sua eloquência se perde na praça entre pirilampos que prenunciam o verão.

Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário e escritor.

4 comentários:

Elias Jorge Calil Neto disse...

Será em 01° de novembro, sábado. A última sessão plenária dele será em 29 de outubro.

Anônimo disse...

para que tanta tinta e papel...a pintar...

UM JUIZ DE MERDA!!!

Mau

Chauke Stephan Filho disse...

O STF é a cúpula do nosso abismo.

Anônimo disse...

Este juiz de merda tem raiva do Bolsonaro, que pode ser proveniente de um sonho que ele teve, onde ele era o Bolsonaro mantendo relações sexuais incansavelmente. Ao acordar, tentou realizar o sonho maravilhoso, mais não ocorreu o esperado, só o corriqueiro que ele já conhecia e queria melhorar e não melhorou nada! Enfim, restou o sonho e a raiva, mais logo ele concluiu que ele tem que sempre falar em Bolsonaro para não esquecer do sonho que teve, pois o sonho com o Bolsonaro é que faz ele tentar melhorar!