terça-feira, 29 de setembro de 2020

Mourão avisa que não concorre contra Bolsonaro


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

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Jair Messias Bolsonaro tem bons motivos para respirar aliviado nas prematuras especulações sobre sua quase certa corrida pela reeleição, em 2022. O vice-Presidente Antônio Hamilton Mourão advertiu que, por lealdade, não disputará eleição contra Bolsonaro, caso não seja o escolhido pelo Presidente para repetir a chapa que venceu em 2018. Fora Mourão, os cotados para a parceria com Bolsonaro são Tarcísio de Freitas (Ministro da Infraestrutura) e Rogério Marinho (Ministro do Desenvolvimento Regional).

A posição antecipada de Mourão foi dada nesta segunda-feira à noite, na estreia do programa Direto ao Ponto, apresentado por Augusto Nunes, na rádio Jovem Pan e rede Panflix, com a participação dos jornalistas Guilherme Fiúza, Leda Nagle, Roberto Cabrini e Thais Oyama. Mourão foi duas vezes provocado se seria candidato à Presidência contra Bolsonaro. Filiado ao PRTB, enquanto Bolsonaro segue sem partido definido, o General deixou claro que está fora de cogitação enfrentar Bolsonaro nas urnas. Mourão admitiu que, se não compuser a chapa de 2022, pode concorrer a outro cargo político, futuramente. Só não disse qual...

A posição antecipada de Mourão, sinalizando que não pretende romper politicamente com Bolsonaro, reduz as já remotas chances de vitória de um candidato de esquerda ou de centro-esquerda, em 2022. A oposição (cada vez mais perdida) já estava apostando que poderia tirar proveito de um eventual racha entre Bolsonaro e Mourão. Caso mantenha a popularidade estável, Mourão avalia que Bolsonaro chega com força para conquistar a reeleição.

É cedo, prematuro e até irresponsável dar tanto ênfase à reeleição, quando o Governo Bolsonaro ainda nem completou dois anos de gestão. Por isso ganha tanta relevância o compromisso de “lealdade” reafirmado ontem pelo General Mourão. Trata-se de menos uma crise interna para Bolsonaro – cuja prioridade imediata é aprovar a complicada reforma tributária no Congresso Nacional.

Outro desafio imediato é indicar o substituto de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal. O favorito é o “terrivelmente evangélico” André Mendonça (ministro da Justiça). Mas não será surpresa se o escolhido for Jorge Antônio de Oliveira Francisco (ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República). Na balança, Mendonça leva vantagem porque tem mais vivência jurídica, além de uma articulação pessoal consolidada, inclusive de amizade, com a maior parte dos ministros do STF.

Se indicar André Mendonça, quem Bolsonaro colocará no Ministério da Justiça – que é considerado o meio-campo do governo? Eis a questão que é tratada com mais delicadeza, e urgência imediata, pelo Presidente. No mais, é aguardar o desempenho imediato da economia, no ritmo manjado de sempre: dólar subindo, bolsa caindo e muito desespero de rentista sem sabeer onde aplica o rico dinheirinho com juro zero.

A caçada diária ao Lobo-Guará está cada vez mais divertida. Mas, cuidado: o Kung Flu continua querendo nos pegar...       




Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 


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Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Setembro de 2020.

4 comentários:

Rodrigo Almeida disse...

Foi com muita sede ao pote.

Vanderlei Lux disse...

Me chega a ser surreal pensar em reeleição e Bolsonaro quando tudo o que se escuta nos bastidores é sobre a "nova" CPMF...

Bozo não tenta nem mesmo mais disfarçar que deseja ardentemente a volta do velho e fatídico imposto... E o mais hilário é que ele no fundo não quer a volta da CPMF. Ele só não sabe ainda como ganhar politicamente sobre isso, ou seja, permitindo o milagre dele se reeleger emplacando o imposto ou não.

Te lembra Serrão, de que a tempos atrás te avisei de que o arauto dos banqueiros, mais conhecido como Paulo Guedes, nada mais queria senão emplacar a CPMF quando veio com o assunto das "privatizações"??

Pois é...

Eu acho pertinente que Bolsonaro podia parar de fingir que se importa com a criação da nova CPMF. Todo mundo sabe que ele e a família não usam banco para as suas transações.

Mas sabe mesmo o que realmente Bozo quer Serrão? Eu te digo: ele quer na realidade pedalar precatórios e Fundeb para financiar seu projeto de reeleição (malandramente chamado de "Renda Cidadã", uma espécie de recauchutagem do Bolsa Família) enquanto fará propaganda de que vetou a CMPF...

E sabe o que os idiotas lobotomizados de Bozonauro andam dizendo? KKK... Falam que Bozo está "viabilizando" programas sociais que o PT nunca viabilizou! Que adoráveis canalhas!

Deixa-me confessar à ti Serrão: Já ando com saudades de Michel Temer...

Algo me diz que a tragédia se aproxima em 2022...

Anônimo disse...

Votar em Levy Fidelix seria Mourão concorrer com Bolsonaro?

Anônimo disse...

Celso Russomano e Levy Fidelix querem criar auxílio emergencial municipal, de olho no aumento da popularidade do presidente Bolsonaro (Levy Fidelix quer criar banco para financiar o município).Tanto eles quanto o presidente acreditam que o aumento da popularidade se traduzirá em votos na eleição, mas muitos precarizados que foram atendidos pelo auxílio federal são moradores nas grandes cidades e não perdem vínculos com suas cidades natais. Provavelmente por não terem garantia de se manterem nas metrópoles, estão sempre prontos a voltar para sua terra e por isso não transferem seu título eleitoral para onde estão no momento (às vezes por anos). Dessa forma, não votam na cidade onde vivem e justificam a ausência na cidade natal.