sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Os chineses estão errados?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Fábio Chazyn

É certo dizer que a raposa está errada por gostar de galinhas? Ou devemos admitir que quem está errado somos nós que não protegemos o nosso galinheiro?

Se um país consegue ameaçar o controle sobre os recursos de outro país é uma questão que tem que passar pela autocritica do ameaçado antes de demonizar a natureza do ameaçador.

As relações de um país com outros são boas quando ele tem capacidade de conseguir proteger os seus interesses. Se exportamos para um país ou recebemos seus investimentos não quer dizer que ele está nos fazendo um favor, pois isto normalmente esconde uma conta bem amarga.

O interesse da China é ostensivo. Para absorver 10 milhões de chineses por ano no mercado de trabalho, a China tem que crescer continuamente contando com os países que se dispuserem a ter relações com ela.

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, nossa cidadela da intelectualidade oficial na matéria, advertiu que “o interesse chinês de investir na exploração dos nossos recursos minerais e produtos agropecuários é bom, mas também expõe a nossa vulnerabilidade externa estrutural”. Para o Ipea, a solução passa por uma política de comércio exterior que exija reciprocidade para permitir que as empresas brasileiras também possam explorar setores estratégicos na China.

É, de fato, o aspecto estratégico que deve nortear as relações entre os povos. O conflito atual entre os Estados Unidos e a China, conhecido como “guerra comercial”, não é mais do que somente uma das batalhas das estratégias do “Plano dos 100 Anos” do “presidente-sem-data-de-validade”, Xi Jinping.

Para a China, a “guerra” não é comercial, mas sim uma disputa pela hegemonia de valores culturais, com o da ordem prevalecendo sobre o da liberdade, o da ética sobre o da lei e o da governança da elite sobre o da democracia. Xi “sonhou” que para ganhar a “guerra” com os Estados Unidos, a China terá que subir três degraus de 30 anos cada: igualar o PIB, igualar o poderio militar e, finalmente, igualar a renda per capita.

O objetivo chinês de supremacia norteia toda a sua relação com o resto do mundo, estrategicamente. Quando, por exemplo, a embaixada chinesa no Brasil interessa-se por apoiar investimentos nas nossas em jazidas de nióbio, é porque ele é estratégico para sua indústria aeroespacial.

Em troca, como reagimos? Alguns brasileiros fazem festa à luz-do-dia fantasiados de verde-e-amarelo empunhando cartazes com frases de patriotismo, enquanto outros na calada-da-noite “mimam” os que nos fazem o “favor” de investir aqui.

Pelas contas do presidente do Clube Nacional em São Paulo, Dr. Ribas Paiva, o governo brasileiro fecha os olhos para o subfaturamento do Preço de Transferência do nióbio, que é fictício e fraudulento, permitindo a fuga do equivalente à metade do orçamento anual total da União.

Aceitar o investimento chinês no setor do nióbio revela qual objetivo estratégico recíproco para o Brasil? Será que não nos falta também um “Plano Estratégico” que defina os objetivos e os meios para realizarmos os NOSSOS sonhos de prosperidade e afirmação dos valores que nos são caros? Ou vamos nos conformar em ficar no reboque da História?

Ao contrário do que faz a embaixada da China em Brasília, a nossa em Pequim continua olhando para a ponta-do-dedo de quem lhe aponta uma estrela; continua correndo atrás do ultrapassado “B2B – Business-to-Business” para tentar equilibrar a nossa Balança Comercial, sem se ater ao fato de que uma nação soberana não pode trocar seus postos de empregos por divisas estrangeiras, senão acaba virando somente uma província produtora de país consumidor.

Seguimos míopes em Pequim, enquanto a embaixada da China em Brasília vê longe e trabalha como ponta-de-lança do “Plano de 100 Anos” do Xi Jinping. Os chineses seguem olhando p’ra frente com obstinação, enquanto nós avançamos aos trancos-e-barrancos sem conseguir ver além de calendários eleitorais e continuamos vítima da nossa própria arapuca disfarçada de “processo democrático”.

De baixo do nosso nariz, a embaixada de Xi Jinping vai trabalhando com base nos seus critérios comerciais estratégicos, enquanto nós seguimos “putos” pelo fato das raposas gostarem de galinhas!...

Merecemos prosperidade ou castigo?

Fabio Chazyn, autor dos livros “Consumo Já! Projeto Vale-Consumo” (2019) e “O Brasil Tem Futuro? Projeto A.N.O.R. – Inteligência Artificial Coletiva” (2020)   https://clubedeautores.com.br/livro/o-brasil-tem-futuro

5 comentários:

Anônimo disse...

Em território gaúcho, quem tem muitas relações com chinas acaba pegando uma doença venérea.
Que sirva de exemplo, também.

Anônimo disse...

Considerando o valor estratégico desse mineral, o Governo deveria aplicar imposto de exportação, elevado, sobre o nióbio, como faz com outros produtos nem tão estratégicos (couros, armas, cigarros). E fiscalizar minuciosamente todas as exportações desse material, para evitar fraudes e "negócios da China".

Anônimo disse...

Há evidências de que a China comprou o controle de várias cooperativas no Brasil é não pagou os cooperados. Depois lanchou mais umas das várias notícias de peste, vírus etc. para arruinar o mercado hospedeiro e agora está vendendo as comodities a conta gotas, sempre controlando o mercado com noticias falsas.

Anônimo disse...

O governo ainda mantém o subfaturamento do preço de transferência do nióbio, como fizeram todos os governos anteriores?

Anônimo disse...

O povo brasileiro tem a mentalidade oposta à da competição capitalista e do confronto de interesses. Sempre cabe mais um para dissolver sua identidade no caldo de cultura nacional (sem interesses escusos de lavagem cerebral e dominação maçonica-comuno-globalista). Então, sim, pela teologia cristã, o Brasil está certo e os outros países, errados. Tanto que isso só aumenta a fealdade do comportamento sino-russo-teuto-anglo-nordo-portenho-francês. Se isso é maneira pragmática de encarar a realidade, é outra história, mas deve ser o segredo de os estrangeiros admirarem a alegria do nosso povo.