terça-feira, 8 de setembro de 2020

Viva o Estadista D. Pedro I


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Fábio Chazyn

Ano: 1808.

Contexto: A França de Napoleão Bonaparte queria estrangular a Inglaterra e, para isto, tinha que subjugar Portugal.

Sem alternativas, D. João VI mudou-se para o Brasil, de mala e cuia. Além do filho D. Pedro IV, com 10 anos, trouxe na bagagem também a sede do Império Português. Com a sua chegada nestas terras longínquas, de repente o Brasil se libertou das limitações que seu status de colônia lhe impunha e pôde começar a negociar com o Mundo sem ter que pagar pedágio para a sede do império, pois a sede do império passou a ser o próprio Brasil.

E assim nasceu a burocracia brasileira, o ‘Deep-State-Tupiniquim’.

Enquanto isso, o Mundo não parava. Os novos protagonistas donos das máquinas que passaram a substituir os artesãos colocavam os monarcas em perigo com suas propostas de Monarquia Constitucional que lhes transferia parte do poder. Obrigado a defender o seu reinado, D. João VI, de novo sem alternativas, teve que voltar p’ra Portugal deixando no seu lugar, para não perde-lo, o seu filho Pedro IV, mesmo se este também fosse simpatizante das novas idéias constitucionalistas, conclamando-o a colocar a coroa na cabeça “antes que algum aventureiro o fizesse”.

D. Pedro IV foi um homem à frente do seu tempo. Acreditava que pagando menos impostos, os empreendedores poderiam reservar mais recursos para crescer. Porém, com menos Estado, a burocracia estatal perdia terreno. E soldo. Para se preservar, o Deep-State-Tupiniquim adquiria um caráter tenebroso: tornava-se implacável com quem não o defende!

Bastou que o D. João VI, lá de Portugal, pressionasse D. Pedro IV para ele reduzir o custo da máquina burocrática na colônia para que este cedesse ao Deep-State-Tupiniquim e transformar-se em D. Pedro I. Fazê-lo proclamar a Independência do Brasil foi a primeira vitória da Burocracia Brasileira!

Afinal, sem o apoio do Deep-State, o rapaz de 24 anos não conseguiria dizer que “para o bem de todos, ficava no Brasil”. O preço cobrado foi bradar “independência ou morte” e assim se tornar o primeiro político ‘brasileiro’ que cedia aos mimos da burocracia.

O compromisso do político brasileiro com a máquina burocrática é a marca da nossa cultura. Normalmente, os movimentos independentistas se estruturam na afirmação cultural local rejeitando as imposições alienígenas. No Brasil, na ausência de outra cultura a se preservar, os valores se concentraram no modelo de gestão do Estado. E assim tem sido desde então explicando as agruras atuais dos nossos liberais contemporâneos.

No seu tempo, o rapaz Imperador aos 24 anos lutou contra a burocracia incansavelmente. Foi vilipendiado e a primeira vítima do Deep-State-Tupiniquim, que nunca mais parou de moer Patriotas defensores do Estado minimamente necessário. Quem viver, verá o destino dos que o enfrentam atualmente para realizar a tão esperada Reforma Administrativa com a redução corajosa do peso da nossa Burocracia para sobrar dinheiro para atender as necessidades do cidadão brasileiro.

D. Pedro IV de Portugal ou D. Pedro I do Brasil morreu aos 36 anos, intransigente na defesa da emancipação do cidadão, princípio básico a ser seguido pelos verdadeiros Estadistas cujo papel principal tem que ser de lutar para libertar a sociedade dos políticos paternalistas que a mantêm refém infantilizando-a.

D. Pedro I honrou-se por nos legar a sua frase mais importante:

“Tudo farei para o povo, nada porém pelo povo”.

Deveria ser a epígrafe da nossa Bandeira!

Fabio Chazyn, autor dos livros “Consumo Já! Projeto Vale-Consumo” (2019) e “O Brasil Tem Futuro? Projeto A.N.O.R. – Inteligência Artificial Coletiva” (2020)   https://clubedeautores.com.br/livro/o-brasil-tem-futuro

3 comentários:

Anônimo disse...

Estadista?? Só se for de Portugal.

D. Pedro fez o Brasil assumir a dívida bilionária que Portugal tinha com os banqueiros ingleses, para que a Inglaterra reconhecesse a independência do Brasil.
O Brasil já nasceu quebrado...

Graaaannddee estadista...

Anônimo disse...

O autor demoniza a burocracia brasileira, mas ela é a estrutura material e humana que garante, desde o império, a civilização no Brasil. Sem ela, regrediríamos ao estágio tribal, porque a vasta população brasileira afro-ameríndea vive em um mundo mental completamente diferente dos comerciantes e industriais, mais voltados ao padrão euro-americano de acumulação. A imensidão do território é ocupada de maneira coordenada apenas pelo poder governamental, civil ou militar, desde os que estabeleceram fortes e benfeitorias até o direcionamento feito pelo império de incentivo à ocupação da Região Sul e do regime militar incentivando a ocupação das Regiões Norte e Centro-Oeste. Quando o empreendedor particular é deixado ao seu próprio juízo, explora predatoriamente recursos humanos e materiais, para não citar os que se unem fortemente a interesses estrangeiros na dilapidação dos nossos recursos naturais, que abraçam tranquilamente a condição apátrida ("cidadãos do mundo"!).

Anônimo disse...

No lugar de "autor" leia-se "comentarista".