sábado, 3 de outubro de 2020

Biden ousa nos ameaçar?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Gélio Fregapani

Sim, ele já nos ameaçou claramente que se eleito for, caso não “cuidarmos” da Amazônia ele  fará que com que haja consequências econômicas e o fez publicamente num debate com Trump, como parte de sua plataforma de governo. O que Binden quer dizer com  “cuidar” da Amazônia? Preservar intocadas as florestas? – Claro que não, caso contrário cuidaria da Califórnia que arde em chamas.

É, ao que parece, um velho hábito dos EUA de pressionar economicamente para conseguir seus objetivos, que no caso não é o meio ambiente, mas os recursos naturais, especialmente os minerais estratégicos e assim como a concorrência agrícola.

Uma vez eleito e resolver passar a ação certamente começará por taxar os nossos produtos, mas é claro que como resposta taxaríamos os deles e o único efeito real seria o aumento da hostilidade entre as duas nações. Mais sério ficará se, no governo dos EUA determinar que suas empresas interrompam certas exportações estratégicas para o nosso País, pois a nossa economia e indústria está de tal forma entrelaçada, melhor dizendo, subordinada, a norte-americana que nos causaria grandes transtornos, mas ainda teríamos como revidar, quer nos apropriando de suas empresas no País, quer cortando-lhe o suprimento de minérios e metais estratégicos  tais como o magnésio, o alumínio, o volfrâmio, o tântalo e principalmente o nióbio, o qual há quem pense que é causa da reativação da 4ª Frota. Seja como for o tiro sairia pela culatra pois, até o acesso comercial aos recursos ambicionados lhes seria negado.

Ainda restaria uma pressão não militar que é o congelamento do dinheiro brasileiro nos EUA, tal como foi feito com o do Japão antes da II Guerra e mais recentemente com o Irã. A partir de então só resta o recurso às armas.

Provavelmente seria seguido o modelo tradicional de provocar rebeliões nas áreas de interesse, a exemplo na tomada da Califórnia, iniciada com uma expedição científica mas com outras intenções. No caso da Califórnia, a atuação do Gen. Fremont já havia dominado a Califórnia mas para “convencer” o governo mexicano foi necessário que os EUA declarasse guerra, desembarcasse tropas em Vera Cruz e tomasse a própria capital, a cidade do México.

No atual momento geopolítico, com a hostilidade entre os EUA e a China se afigura impensável uma declaração de guerra dos EUA contra nós, mas o incentivo e apoio a uma rebelião no corredor do AAA (Andes, Amazônia, Atlântico) não só é possível como vem sendo preparada há décadas.

Gelio Fregapani mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, é coronel da reserva e autor de vários livros focados na Amazônia, dentre os quais “Amazônia: a grande cobiça internacional”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom dia. Incrível a lucidez e capacidade de analisar situações distantes de nosso comezinho cotidiano. Sigamos!!!