domingo, 18 de outubro de 2020

Na boca do Fogareiro


Poesia no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Miguezim de Princesa

I

Antes era no colchão

Que se guardava dinheiro,

Depois usaram a cueca

Como novo mealheiro

E agora escondem a grana

Na boca do fogareiro.

 

II

Quando bateram na porta,

O senador se tremeu,

Olhou pra achar um buraco,

Não achou e resolveu

Por três maços de 200

Na porta do camafeu.

 

III

Arrumou os três pacotes

Dentro do samba-canção,

Em seguida abriu a porta

Pro Delegado Sansão

E disse: "Aqui é limpeza,

Não temos corrupção!".

 

IV

Começou por toda a casa

A busca e apreensão:

Acharam um cofre escondido,

Lá por detrás do fogão,

Todo socado, entupido,

Com mais de meio milhão.

 

V

Lá pras tantas, o senador

Disse que ia urinar,

O Agente Zeferino

Resolveu o acompanhar

E achou um pouco estranho

Aquele jeito de andar.

 

VI

Me responda, senador:

Você tá entiriçado?

O passo está bem miúdo,

Parece um pinto piado,

Ou o senhor se assou

Ou está todo cagado.

 

VII

Foi então que o delegado

Resolveu o quiproquó:

- Senador, tire essa roupa,

Para um exame melhor!

Aí acharam os três maços

Na boca do fiofó.

 

VIII

Em Brasília, Bolsonaro

Se sentindo pressionado,

Retirou da liderança

Seu cumpade enrolado

Disse: "Cabou corrupção

Se não olhar do meu lado!"

 

IX

A Direção do BC

Ficou muito indignada:

- Uma nota tão novinha,

Bonita, recém-lançada,

Agora volta pra cá

Amarela e desbotada.

 

X

Fizeram o exame da goma

No nobre parlamentar:

Ele sentou numa bacia

E começou a bufar,

Mas não restou nenhuma prega

Pro perito apreciar.

 

XI

A coisa ficou ruim

Pra quem gosta de contar

Dinheiro passando a mão,

Indicador e polegar,

Na língua velha estirada

Com cheiro de vá lavar.

 

XII

Inda ontem no Senado,

O líder da oposição

Se  mostrava impressionado

Com a força do Chicão:

Ou a nota era pequena

Ou ele tem o Centrão!

Miguezim de Priuncesa é Poeta.

Nenhum comentário: