sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O governo acaba ou começa em fevereiro?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

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Segunda-feira, às 19 horas, termina uma novela. Será eleito o novo presidente da Câmara dos Deputados. Doze candidatos, entre 513 parlamentares, disputam o cobiçado cargo. O favorito é o alagoano Arthur Lira - candidato do Presidente Jair Bolsonaro. O principal opositor é o paulista Baleia Rossi - apoiado por Rodrigo Maia e pela tucanada. Bolsonaro conta com a força do Centrão, beneficiado por cargos e outras benesses, para vencer a peleja.

Tudo parece incerto até a definição de quem vai comandar a Câmara e o Senado. Desponta como favorito à presidência do Congresso Nacional o senador Rodrigo Pacheco. O mineiro teria feito um acordo desistindo de disputar o governo de seu estado em 2022, e assim garantiu o apoio da bancada do PSD. Pacheco espera ter até uns 60 votos dos 81 senadores. Em princípio, não está em seus planos criar problemas para o governo Bolsonaro.

Definidos Lira e Pacheco, aí começa outra novela. A promessa de governabilidade vai se confirmar? Tudo indica que sim. Mas sempre fica aquela suposição, quase uma certeza, de que o preço dos acordos pode sair mais caro que o esperado pelo Presidente da República. Postos estratégicos no governo terão de ser entregues aos aliados vorazes por cargos e mamatas. Aí fica no ar a dúvida cruel: será que não vai dar merda? E sempre fica no ar outra inquietação: será que os acordos com o Presidente serão integralmente cumpridos e ele contará com apoio da maioria parlamentar para aprovar as reformas prometidas na campanha de 2018?

Nada é certo. Ainda mais nestes tempos de covidão. A oposição insistirá no golpe do impeachment, até quando não der mais. O clima de impedimento já se instalou no Congresso, inclusive e principalmente como futura moedinha de troca (ops, extorsão) com o Presidente. Assim, os próximos passos dependerão muito mais do equilíbrio de Bolsonaro para lidar com as pressões. Mas fica no ar sempre a maldita impressão de que o baixo clero do Congresso, assim como o establishment, continuam por cima da carne seca e com a faca e o queijo na mão.  

Não é recomendável sofrer de véspera. Mas nunca foi tão inquietante duvidar se o governo Bolsonaro começa a acabar ou termina de começar, a partir das decisões desencadeadas pelo comecinho de fevereiro sem previsão de carnaval. A Turma do Mecanismo e a Turma do Centrão apostam que a folia (deles) vai acontecer, mesmo sem a bênção do Rei Momo. Enquanto isso, Bolsonaro volta a dar caneladas públicas em seu vice Mourão - substituto eventual se algum golpe do impedimento prosperar. Parece improvável, mas em Bruzundanga tudo de ruim é possível. Em nossa anarquia feudal, uma oclocracia travestida de demo-cracia, vale tudo.

Certo é que o craque Covidão segue no jogo de medo e morte, em meio a um festival de incompetência e incerteza do Poder Público federal, estadual e municipal. Enquanto isso, fica comprometido, ameaçadíssimo, o sucesso do tripé Saúde, Segurança e Governabilidade, para o bom desempenho econômico - fator que efetivamente mede o sucesso, mediocridade ou fracasso do governo.

Resumindo: Nem a crédula Velhinha de Taubaté consegue ser realmente otimista no cenário de horrores que já está claramente desenhado. Retóricas, narrativas e bravatas não resolvem o problema do Brasil. Pelo contrário, podem agravar o caos. O roteiro da novela não está completamente escrito. Mas o destino parece nos reservar mais problemas que soluções, ainda mais se for confirmada a tendência ao estouro de uma grande crise mundial.

Sugestão aos 12 leitores e meio deste Alerta Total? Vamos apertar o famoso botão Foda-se! A nós, mortais, só resta sobreviver ao Covidão e ao vírus tão ou mais letal chamado Establishment (um monstro tipo Frankenstein que é uma mistura a voracidade estatal com a canalhice da Turma do Mecanismo).

Futebolísticamente falando, as chances de o Flamengo ser campeão Brasileiro do ano de 2020 que não acabou são as mesmas do Presidente Jair Bolsonaro sair feliz do casamento com o Centrão.






Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Secretário-Geral do Ibrasg - Instituto Brasileiro de Ativismo Societário e Governança.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Janeiro de 2021.

3 comentários:

Anônimo disse...

Impressionante como gente que afetado pelo vírus bolsonarius pararam de usar seus cérebros. Tanto faz quem vai ganhar a presidência da Câmara. O condenado em segunda instância alagoano, ou paulista filho de um notório político. Os dois por motivos diferentes vão ferrar o governo Bolsonaro. Quem viver verá.

Anônimo disse...

No Brasil a política não é para amodores. Eu pergunto... por q o Brasil é hoje o q é? Somos passivos e acreditamos muito na mídia q recebe muito dinheiro do povo. Então uma andorinha só não faz verão. O jogo é bruto e tem q ser jogado, quem ficar vai levar caneladas faz parte é regra, só não apanha quem não entra em campo e Presidente Bolsonaro não fica no banco.

Loumari disse...

Covid-19 obriga Europa a fechar-se

https://www.youtube.com/watch?v=_JKwxEsEgPo

Países europeus adoptam mais medidas restritivas para travar a pandemia.

França impôs novas restrições uma vez que o recolher obrigatório parece não ser suficiente para reduzir as infecções por Covid-19 no país.

As fronteiras permanecerão fechadas para viagens para fora da União europeia (com algumas excepções) e será obrigatório ter um teste PCR negativo para se poder entrar no território.

Além disso, os grandes centros comerciais e mercados vão encerrar, e o primeiro-ministro, Jean Castex, afirmou que os controlos policiais serão reforçados. No entanto, não se prevê, para já, a implementação de um novo confinamento geral.

A partir de sexta-feira, o Reino Unido aplica multas de 800 libras, o equivalente a 904 euros, a pessoas apanhadas em festas privadas.

A coima será aplicada para grupos com mais de 15 pessoas e duplicará após cada infracção, até um máximo de 6.400 libras, o equivalente a cerca de 7240 euros, para os infractores reincidentes.

O Governo alemão concordou com a introdução de restrições de viagens sem precedentes e drásticas - proibindo a entrada no país de viajantes do Reino Unido, Portugal e Irlanda.

O declínio de novos casos de Covid-19 continua, uma vez que o número de infecções por 100.000 habitantes, nos últimos em sete dias, caiu para 94,4 na sexta-feira - o número mais baixo desde Outubro.

Já a Noruega vai fechar as fronteiras e impedir a entrada de todos aqueles que não vivem no país. Há algumas excepções aplicáveis, por exemplo, a trabalhadores da saúde que chegam da Suécia e da Finlândia, e para as pessoas que transportam mercadorias.

Isto ocorre uma semana depois de Oslo e nove municípios vizinhos terem imposto medidas rigorosas de confinamento, incluindo o encerramento de todos os armazéns não essenciais.

euronews (em português)

30.01.2021