quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Entre a governabilidade e o fisiologismo


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

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O Brasil demorou dois anos e dois meses para constatar que só é possível governar, no Presidencialismo de Coalizão, se os chefes do Executivo e do Legislativo evitarem colisões inúteis. Também ficou comprovado, na prática, que pouco adianta ao Presidente da República posar de freira no puteiro. O desafio que persiste é como negociar para governar, sem acabar refém do fisiologismo dos senadores, deputados e “chefes dos cartórios” (ops, partidos políticos). Isto seria mais viável no parlamentarismo. No modelo de Bruzundanga, é quase uma missão impossível, mas que não tem outro jeito: precisa ser tentada.

A eleição dos novos comandantes do Congresso Nacional também deixou clara o quanto as gestões de Davi Alcolumbre (no Senado) e Rodrigo Maia (na Câmara) foram desastrosas para o País. O primeiro se fingia, o tempo todo, de “amigo” (só se for da onça) do Presidente, porém fazia esforço quase zero para aprovar pautas de interesse do governo e do Brasil. O segundo, o famoso Nhonho Botafogo, representou a traição, a intriga, a vanguarda do atraso no parlamento, sabotando absolutamente todas as pautas, enquanto posava, publicamente, de bom moço e falso independente para trair o Presidente que ajudou a elegê-lo.

Bolsonaro sentou o dedo no Nhonho, em postagens no Twitter: “Não é fácil reconstruir um país destruído ao longo de décadas, ainda mais quando quem deveria ter trabalhado ao nosso lado para levar adiante o projeto escolhido nas urnas em 2018 decidiu, de forma egoísta, sabotar o próprio país e o próprio povo, mesmo em meio a uma pandemia”.

Para desespero e inveja de seus opositores (ops, inimigos), o Presidente Bolsonaro conseguiu digitar uma mensagem de estadista: “Temos tudo o que qualquer país sonha ter: recursos naturais, belezas sem igual e um povo maravilhoso e trabalhador. É preciso apenas coragem para levar adiante as mudanças e os valores que formam a identidade de nossa nação: Soberania, Liberdade, Fé e Família”.

O Presidente acrescentou: “Cabe a nós a consciência do momento histórico. Não existe nada mais gratificante para um homem do que servir a pátria e deixar um legado para as próximas gerações. Embora o caminho seja árduo, sabemos que a honra é feita de sacrifícios. Brasil acima de tudo; Deus acima de todos!”.

As três twittadas de Bolsonaro aconteceram depois do que chamou de “visita de cortesia”, no Palácio do Planalto, dos novos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Os dois focaram na importância da pacificação e da harmonia entre Legislativo e Executivo. Pacheco comentou: “Há a busca de um alinhamento comum. É o início de uma caminhada em conjunto da Câmara e do Senado para apresentar soluções efetivas aos problemas do Brasil. Atuaremos juntos para a pacificação das instituições”. Em síntese, Batoré e Nhonho não deixam saudades… O País jogou fora dois anos com eles...

O deputado Lira e o senador Pacheco receberam uma planilha, elaborada pela Secretaria Geral da Presidência da República, com 35 projetos de lei e propostas de emendas constitucionais que precisam ser discutidas e aprovadas para o Brasil avançar. Claro que nada será aprovado facilmente, porque os únicos projetos em comum nas duas agendas, do Legislativo e Executivo, são as reformas administrativa e tributária e as três PECs do programa Mais Brasil - a Emergencial, dos Fundos e do Pacto Federativo.

Críticos e até aliados do governo poderão reclamar que ficaram de fora da agenda do Executivo bandeiras como a PEC do Voto Impresso, a PEC da prisão em segunda instância, e a proposta que acaba com o foro privilegiado. O Congresso, com parlamentares envolvidos em suspeitas, denúncias e processos de corrupção, não tem a menor vontade de votar e aprovar o fim do “foro especial por prerrogativa de função” para autoridades que cometerem crimes comuns. O foro privilegiado só seria preservado para o presidente e o vice-presidente da República, para o chefe do Judiciário e para os presidentes da Câmara e do Senado.

Tudo que for possível aprovar no Congresso vai depender da efetiva qualidade da articulação política. Aparentemente, o governo federal venceu a primeira batalha, influindo na escolha de aliados para o comando da Câmara e do Senado. Agora, é seguir agindo, com habilidade, para não gerar traições como as de Maia, Alcolumbre e tantos outros menos ou mais votados. Não há tempo a perder. É hora de focar nas pautas que destravem e permitam o Brasil sair do atraso. Infelizmente, o processo não é mágico. É lento. Repleto de desafios, perigos e incertezas. A maior delas é como suportar a pressão fisiológica - coisa “natural” dos políticos, sobretudo em países subdesenvolvidos e sistemicamente corruptos.

A situação brasileira segue delicada. Covidão continua à espreita, assustando e matando. O desemprego permanece altíssimo. A carestia, o aumento do custo de vida, e uma taxa de inflação claramente mascarada são outros problemas que afetam as pessoas penalizadas pelos absurdos impostos, sem a devida contrapartida estatal. O fim do auxílio emergencial tira dinheiro do consumo das famílias mais pobres - (in)justamente as mais afetadas pela carga tributária escorchante.

Resumindo: Todo cuidado é pouco. A margem para erro é muito pequena. Se é a qualidade do desempenho econômico que define o sucesso do governo, a situação é nada mansa para Jair Bolsonaro. É muito fininho (e cortante) o fio da navalha entre a governabilidade e o fisiologismo. A corrupção é sistêmica e estrutural. O establishment e sua turma do Mecanismo seguem vivíssimos... E tem muita bomba (deixada pela gestão nazicomunopetralha) prontinha para explodir no colo de Bolsonaro e seus assessores mais próximos, principalmente nos negócios entre estatais e seus fundos de pensão...

Enfim, a situação brasileira é firme como prego na areia movediça, no País cujo Supremo Tribunal Federal discute o “direito ao esquecimento”...   

Dica do Presidente

Quer receber por e-mail dados sobre liberações de recursos públicos federais, por meio de convênios, para seu município?

Cadastre-se, gratuitamente, e fiscalize o bom uso dos recursos federais em sua cidade: http://transparencia.gov.br/notificacoes 

É o trabalho de um dos mais prestigiados, porém menos badalados, integrantes do governo: Wagner Rosário, ministro-chefe da Controladoria Geral da União.







Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Secretário-Geral do Ibrasg - Instituto Brasileiro de Ativismo Societário e Governança.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Fevereiro de 2021.

4 comentários:

Anônimo disse...

COMPRAR DEPUTADOS E SENADORES PARA COSEGUIR DEIXAR O POVO NA MISÉRIA É MUITO FACÍL,DIFICÍL É SER HOMEM E ACABAR COM OS SALARIOS E PREVILÉGIOS DESSA MAFIA QUE É O SISTEMA,O POVO NAS FILAS DE ESMÓLAS É O DELEITE DA MAÇONARIA... UMA HORA A CASA CAI E ATÉ O MAIS FEDORENTO DOS BODE PRETO SE DECOMPÕE E VOLTA SER A MÉRDA FÉTIDA QUE ELE DEFECOU PELA VIDA INTEIRA...

Anônimo disse...

Ele passou mais de 20 anos neste "puteiro" Por que prometeu acabar com a velha política e depois traiu a maioria (não os gados) dos eleitores. Ele é o maior símbolo da velha política.

aparecido disse...

A proxima é nós pagarmos a passagem para o porco chileno voltar pra casa e nunca mais pisar aqui na nossa terra...

Chauke Stephan Filho disse...

O Congresso pode salvar o Brasil, mas se não salvar, os generais poderão salvar, mas se não salvarem, milícias salvarão o Brasil.