terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Tudo que é sólido se desmancha no ar: Globalização na Pandemia

 


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Douglas de Castro

O título deste artigo é parte de uma citação feita por Karl Marx no Manifesto Comunista, que posteriormente deu o titulo do livro de Marshal Berman, filosofo estadunidense. A frase se refere à crise da modernidade, cuja principal característica é a angústia que a própria busca pela racionalidade impõe de forma frenética.

Para explicar esta crise, Berman utiliza a figura de Frankenstein de Mary Shelley em que o médico, lançando mão da racionalidade obtida pelo conhecimento científico produz uma criatura que, ao adquirir vida própria, se torna aterrorizante e irracional. O descontrole irracional do monstro é o mesmo que sentimos ao nos depararmos com os acontecimentos mais recentes no mundo.

A globalização, que sempre foi exaltada por liberais, como a saída para um mundo mais próspero e pacífico, não se realizou, nem tampouco ela pode ser vista como um processo predatório e colonialista, pois vemos grandes avanços em diversas áreas como economia, transportes, cultura e, principalmente, o compartilhamento de conhecimento. Ou seja, podemos observar aspectos positivos e negativos do processo de globalização, que em grande medida foram exacerbados pela pandemia.

Um dos grandes desafios dos líderes mundiais atualmente é como lidar com este "monstro" criado pela modernidade que está descontrolado e provoca rompantes de irracionalidade que nos deixam angustiados, ao mesmo tempo em que observamos avanços fenomenais mesmo durante a pandemia, como é o caso do desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde e com a participação de um network de pesquisadores nunca antes visto.

Os pós-modernistas poderiam dizer que, para entender a globalização em nossos dias, precisaremos desconstruí-la sem, contudo, apontar para o que será colocado em seu lugar. Desconstruir implicaria em olhar para as partes que a compõe para entender o todo, ou seja, voltamos ao Paradoxo do Navio de Teseu. Podemos compreender a globalização somente olhando para o posicionamento da China? Da transição entre os governos Trump e Biden? Mudanças climáticas? O contexto histórico? Os efeitos da pandemia e a produção de vacinas?

Com o final da Guerra Fria, a dimensão militar da globalização perdeu tração para a dimensão econômica que tem prevalecido até o início da pandemia de Covid 19. Podemos dizer que a pandemia poderia se tornar aquilo que Frederic Jameson chama de "Vanishing Mediator", ou o mediador evanescente, que de acordo com Etienne Balibar é "[...] a figura (reconhecidamente apresentada em termos especulativos) de uma instituição transitória, força, comunidade ou formação espiritual que cria as condições para uma nova sociedade e um novo padrão civilizacional - embora no horizonte e no vocabulário do passado - reorganizando os elementos herdados da própria instituição que tem que ser superada." (tradução e destaque do autor)[1]

Com o início da pandemia e a corrida na busca de vacinas para contê-la, a interdependência entre os países na contenção da doença e esforços no desenvolvimento e produção de vacinas inicialmente teve como protagonista a Organização Mundial da Saúde (OMS). O multilateralismo ganhou tração e uma renovada esperança na solução compartilhada de desafios compartilhados, o que logo cedeu lugar aos interesses nacionais na busca por vacinas.

Os países desenvolvidos iniciaram uma corrida pela compra de vacinas para a sua população, abandonando o ideal do Covax Facility da OMS, que tem por objetivo uma distribuição equânime de vacinas aos países. Voltaram às suas origens no início das grandes navegações, ou seja, garantir o abastecimento e bem-estar interno, a despeito de outros países e suas populações.

Com isso, resta aos países em desenvolvimento revisitar as bases da Conferência de Bandung: relembrar as experiências compartilhadas entre os países do Sul Global em seu encontro com o Norte desenvolvido e buscar soluções compartilhadas e solidárias com base nesta experiência.

Assim, vemos surgir a Coronavac (China), Sputnik (Rússia) V e Covaxin (Índia) como opções viáveis para atender a população nos países em desenvolvimento, que por questões econômicas ou técnicas, não conseguiram ter acesso às demais opções (tome-se, por exemplo, o Canadá, que é colocado como um exemplo de preparação na aquisição de vacinas para a sua população, mas que contribuiu em alguma medida para a disponibilidade de vacinas).

Neste sentido, observa-se uma concentração de opções de vacinas produzidas por países que fazem parte do BRICS (instituição de cooperação formada pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que, não fosse a resistência em incrementar a cooperação neste foro (sendo o principal detrator o Brasil em razão de sua política externa equivocada de alinhamento automático aos Estados Unidos - que espera-se seja revista a partir da eleição de Biden), poderia beneficiar em grande medida os próprios países do BRICS, como também os outros países do Sul Global.

Assim, a pandemia apresenta um desafio e oportunidade para o processo de globalização. Vamos continuar a olhar tão somente para o interesse nacional, desconsiderando a interdependência existente entre os países, ou ainda continuaremos tentando encontrar soluções globais em escala global? A vacina para a Covid-19 aponta para a solidariedade nas relações internacionais no nível médio (entre o nacional e internacional) do BRICS, elevando o potencial de processos de cooperação entre potências médias e países do Sul Global, dando, assim, respostas regionais para problemas regionais.

Quando o Brasil irá perceber esta oportunidade?

[1]Etienne Balibar, ‘Europe: Vanishing Mediator’ (2003) 10(3) Constellations 312, 334.

Douglas de Castro é Advogado head das áreas ambiental e regulatória do Cerqueira Leite Advogados. Ele é pós-doutor em Direito Internacional Econômico (FGV), doutor em Ciência Política - Relações Internacionais (USP), mestre em Direito pela Faculdade de Direito também pela USP e LL.M. em Direito Internacional pela Brigham Young University. Dr. Douglas de Castro é professor da Ambra University, Professor de Direito Internacional e Relações Internacionais na Universidade Paulista (UNIP) e Professor Visitante na Foundation for Law and International Affairs (Washington D.C.).


7 comentários:

Anônimo disse...

ESSE TAL DE KARL É AQUELE QUE SE FUDEU POIS TENTOU EXPLICAR QUE COMUNISMO SÃO OS POLITICOS, JUDICIARIO E MILITARES QUE ROUBAM TODO O PIB E ENFIAM NOS PRÓPRIO BOLSOS E DOS DESCENDENTES ALEGANDO DIREITO ADQUIRIDO ENQUANTO DEIXAM O POVO BURRO NA MISÉRIA???FOI ELE QUE FOI BESTA DE TIRAR ONDA DE HERÓI E LHE ROUBARAM TODOS OS SEUS BENS PARA QUE SE CALASSE MAS ARRUMOU UMA BISCATE FILHA DE UM MILITAR QUE NÃO SE CASAVA PARA RECEBER A PENSÃO QUE O PAI MAFIOSO DEIXOU PRA ELA RECEBER ATÉ MORRER??? NUNCA OUVI FALAR, NEM DELE E NEM DESSE FDP QUE ESCREVE UMA MARMELADA DESSA... A SUA MÃE É SOLTEIRA E RECEBE A PENSÃO DO SEU AVÔ MAFIOSO E POR ISTO TORCE PARA O LADRÃO???

aparecido disse...

A visão da ciencia vai sair fortemente arranhada da atual crise sanitária...antes de Isaac Newton a ciencia tinha astrologia magia ocultismo alquimia e outras ias... Galileu Galilei e Newton criarm o metodo cientifico para analise dos fenomenos naturais e depois foi seguido por todos os cientistas depois deles... e com isso a humanidade fez todo o progresso conhecido........Agora temos globalistas e canhotos que não conseguiriam ser aprovados em um exame de ciencias da oitava série...falando e impondo regras nos meios de comunicação todos os dias...acabou a ciencia... e se isso tiver continuidade entraremos numa era de trevas, em que a posição politica ou social do demandante vai ser a regra...Alguém se lembra de Louis Pasteur que numa análise rigorosa dos fatos colocou o mundo frente a frente com os microorganismos, que até então não eram conhecidos...Temos que calar quem não tem formação cientifica sólida e ficam falando besteirol todos os dias...e o CRM tem que cassar o dioloma de medicos em associações ideológicas falsamente com nome de médicas falando e impondo o que não sabem e não conhecem...Sigam o lema da USP.. Scientia Vince...só com a ciencia conseguiremos fazer algum progresso.. quem não é do ramo que se cale...

Anônimo disse...

Ah, Serrão ! Esse site já foi mais sério ! Quer dizer que temos que aturar alguém com tantos títulos, comendas e rapapés para escrever esse monte de asneiras ?
Parei aqui, ó : "sendo o principal detrator o Brasil em razão de sua política externa equivocada de alinhamento automático aos Estados Unidos - que espera-se seja revista a partir da eleição de Biden"

Fanfarrões não deveriam ter suas fanfarronices publicadas aqui !
Só faltou um afago no bêbado escroque de 9 dedos !
Vade retro !

Anônimo disse...

Ah, Serrão ! Esse site já foi mais sério !!!
É chato ter que ler artigos de pessoas com títulos, comendas e rapapés que só falam asneiras !
Parei aqui ó : sendo o principal detrator o Brasil em razão de sua política externa equivocada de alinhamento automático aos Estados Unidos - que espera-se seja revista a partir da eleição de Biden...
O nobre prof. Azambuja deve estar se revirando no túmulo por ter um artigo fanfarrão como esse publicado aqui !

aparecido disse...

É muito simples de entender mas a religião do aquecimento global é dinheiro graudo no bolso...vender creditos de carbono da lucros bilionarios e plantar arvores custoa muito dinheiro...a temperatura no Saara varia entre zero e 60 graus...media 30 graus...Em Manaus temos entre 20 e 40 graus media 30 graus..a media é a mesma mas a variação é muito maior onde não existe vegetação...é por isso que na russia a temperatura varia entre 45 graus no verão e menos 30 no inverno.. o homem desnudou o planeta... ( OLHE NO GOOGLE EARTH...) e temperaturas QUENTES E FRIAS ASSIM ..vao acontecer sempre ate o planeta voltar a ter vegetação de cobertura...Aquecimento global não existe.. existe maior variação da temperatura pelo desnudamento do planeta ...... os chineses estão certos...matando 2/3 da população terrena oo planeta melhora...já começaram.. BILL GATES DIZ QUE A POPULAÇÃO IDEAL DO PLANETA É DE 400 MILHÕES DE HUMANOS..Vamos jogar no palitinho para ver quem vai ficar...

Anônimo disse...

Bem escrito e fora do senso comum do bananeiro médio q vive atrelado ao império q durou d 1990 Até o presente e já já vai sumir sem deixar saudades, exceto na mentalidade dos baba ovo automatizada

Anônimo disse...

A visão da ciência vai sair arranhada, mas o conhecimento sobre histeria coletiva vai ser confirmado. A elite global apostou na crença mística na ciência para dobrar a população aterrorizada aos seus desígnios, usando um teste PCR que não serve para detecção de vírus particularizado e um "sequenciamento" genético criado pela combinação de genomas de diferentes germes no computador, a partir da inferência de sintomas de doenças causadas por esses. E a observação científica será feita a partir de cobaias inconscientes que correm para se vacinar. A elite apostou nos hipocondríacos e nos masoquistas e acertou.



A Alemanha contratou cientistas para desenvolver um modelo falso de coronavírus para justificar o boqueio estrito (Sinais do Reino/Notícias e Comentários) https://www.sinaisdoreino.com.br/?cat=3&id=13406