quarta-feira, 31 de março de 2021

Marielle: A Construção de um Mito


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Renato Sant’Ana

Toma-se um fato real e se elabora uma "narrativa" cheia de subtextos, com forte apelo à emotividade, tudo para capturar a adesão de inocentes úteis e granjear o máximo de apoio a um projeto de poder que, se fosse desnudado, teria o mais amplo repúdio.

O fato é por demais conhecido. E, por motivos pouco nobres, voltou a ser  explorado neste março de 2021 (três anos após a ocorrência).

Em 14/03/2018, bandidos assassinaram Marielle Franco, vereadora socialista do Rio de Janeiro, um crime repulsivo, saliente-se.

Poucos instantes após a morte, já era intensa a mobilização nas redes sociais, com o auxílio engajado da extrema-imprensa, no intuito de provocar comoção, construir um mito e canonizar a desconhecida vítima.

O crime, que atingiu também seu motorista, Anderson Gomes, ocorreu às 21h10min aproximadamente (notícia, G1, 24/07/2018).

Pois bem, segundo Rute de Aquino (O Globo, 17/03/18), duas horas após o fato "eram registrados 594 tuítes por minuto".

Para a "mídia amestrada" , isso foi uma reação espontânea. só que...

Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP), apurou que, das 21h daquele dia (minutos após o crime) às 10h30min de 16/03/18, para efeito de impulsionamento de conteúdo nas redes sociais (um truque desonesto), foram usados 1833 robôs nos tuítes publicados sobre a morte da vereadora.

E o resultado foi imediato. Embora ninguém conhecesse motivação nem autoria do crime, em menos de 12 horas, já havia pessoas por todo o país que, jamais tendo ouvido falar no nome dela, se sentiam de luto e até apontavam culpados. E, claro, como esponjas, absorviam o conteúdo subliminar das "narrativas" de redes sociais.

Nos dias que se seguiram, a imprensa fez o seu papel: jornais, rádios e TVs martelavam sem parar o assunto conforme as crenças e a mediocridade dos seus redatores, reforçando a "narrativa" de autor incógnito.

Embora não se soubesse quem praticara o crime nem por que, não faltavam os formadores de opinião a dizer , às claras ou nas entrelinhas, que ela tinha sido morta por ser negra, homossexual e oriunda da favela.

Mas Demétrio Magnoli (O Globo, 26/03/2018), dos poucos a tocar o assunto com honestidade, clareza e coragem, mostrou como PSOL e PT, as duas vozes mais estridentes do impudente populismo de esquerda, usaram a imagem da vereadora vitimada para propaganda ideológica.

Para o PSOL, ela foi morta numa guerra entre o Estado e o "povo da favela": guerra que vai cessar só quando o PSOL tomar o poder.

Para o PT, o crime fez parte do "golpe", que, diziam, é "um processo continuado" (mitologia para explicar o impeachment de Dilma Rousseff).

Havia então uma insistência em apresentá-la como referência na defesa dos direitos humanos. Porém, a realidade era (e é) mais eloquente.

Só em 2017, houve 134 policiais militares assassinados no Rio de Janeiro: quase um a cada três dias. Aliás, em 21/03/2018 (num só dia), foram mortos três PMs no Rio, chegando a 30 em menos de 90 dias do ano.

Contudo, o morticínio de PMs nunca constituiu pauta para os pretensos defensores dos direitos humanos, inclusive Marielle. Ao contrário, todos (autodeclarados "de esquerda") fazem coro com o movimento internacional antipolícia (o que é, sim, uma bandeira esquerdista).

Ora, quem defende regimes totalitários (nazismo, fascismo ou comunismo) falta à verdade se diz que defende os direitos humanos.

É demais, pois, que a sua ex-assessora, Fernanda Chaves, em artigo na Folha de S. Paulo (14/03/21), proponha que o mês de março "por inteiro" seja a ela dedicado - mantendo o culto à personalidade da vereadora.

Mas há um ponto de equilíbrio necessário. Não cabe, por pura reação, desrespeitar a memória de quem seguiu o que acreditava. Tampouco cabe assimilar, sem crítica, as "narrativas" apologéticas sobre ela.

Muito judicioso foi o que escreveu Cláudio Humberto no Diário do Poder (16/03/2018): "Independentemente do que dizia e de como o fazia, a vereadora Marielle Franco, executada no Rio, tinha a coragem de assinar em baixo, dar a cara, bem diferente dos seus assassinos covardes."

Repudiemos a ideologia totalitária por ela defendida, mas tenhamos sabedoria para respeitar o ser humano Marielle Franco.


Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo. E-mail sentinela.rs@uol.com.br

4 comentários:

Ramiro Diego Staudinger disse...

Antes do fuzilamento, ela era uma ilustre desconhecida do Brasil.

Anônimo disse...

Alguns se beneficiaram da popularidade dela, da vacância no cargo, bem como serviu para as campanhas e polaridades d mitos e anti.mitos. mas nós pagamos a pensão dela para alguém. BraZiuuuuuu

Anônimo disse...

Foda-se !

ALMANAKUT BRASIL disse...

ELA NUNCA IRÁ SUPERAR A GENI DO ZEPELIM, QUE TEVE FILHOS PEÇONHENTOS COM TUDO O QUE É NEGO TORTO, DO MANGUE, DO CAIS DO PORTO, DO SINDICATO, DO DIRETÓRIO DA FACÇÃO PARTIDÁRIA E DE TUDO O QUE O DIABO GOSTA.