quarta-feira, 3 de março de 2021

Privatizar ou não? Bolsonaro tem de descer do muro...


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

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Políticos adoram metáforas futebolísticas. Imagine o atacante, na frente do gol, com o goleiro praticamente vencido. Quatro hipóteses podem ocorrer. 1) A ideal: o chute e o gol; 2) O jogador erra o chute - manda para fora ou o goleiro defende; 3) Vergonhoso: o atacante dá uma “furada” - não acerta a bola e perde o famoso “gol feito”; 4) O mais lamentável: o sujeito sequer chuta. O gol se transforma em uma meta (goal) impossível, irrealizável.

 

O Governo Jair Bolsonaro parece que tem executado a quarta hipótese em relação ao programa nacional de Desestatização ou Privatização - que facilmente pode acabar em “privataria” no Brasil. A súbita saída do empresário Salim Mattar, antes da metade do mandato previsto, foi um sinal de que o plano não ia bem. A dúvida aumenta diante da polêmica sobre a suposta “intervenção” de Bolsonaro na Petrobras, antecipando, em um mês, a troca normal do presidente da companhia, uma empresa “estatal” (de economia mista).

 

O jogo fica ainda mais embolado e incerto com a entrevista concedida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, à Jovem Pan. Guedes ainda chamou de “anomalia” a existência de estatais com ações na Bolsa de Valores, casos de Petrobras e Banco do Brasil: “Uma estatal listada em Bolsa para mim é uma anomalia. Ela não é tatu nem cobra. Não é a Caixa Econômica Federal, que é 100% do governo, não tem acionistas minoritários. E ao mesmo tempo não é cobra. Ela não agrada nem ao mercado nem ao governo. A estatal listada em Bolsa é uma anomalia, uma farsa. É a minha opinião”.

 

Agora, as dúvidas cruéis: Guedes sinalizou que o governo vai mesmo privatizar tudo, como é sua vontade manifesta e pública? Ou a União Federal pode fechar o capital da petrolífera? Com militar no comando - vem aí o General Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras - dificilmente o “governo” (ops, a União Federal) vai querer sair da Petrobras. Uma fala dessas do Paulo Guedes faz subir ou descer a cotações das ações da estatal nas Bolsas de Valores?

 

O certo é que Jair Bolsonaro precisa de uma definição mais concreta e firme sobre a intenção (ou não) de privatizar estatais. Não dá mais para ficar com a bola quicando e não sair gol. As “estatais” e a grana dos fundos de pensão de seus empregados foram alvos do maior esquema de corrupção das galáxias, antes, durante e (parece que até) depois das Eras FHC-PT-PMDB & afins na roubalheira.

 

O momento é esquisito. Exige decisões rápidas e corretas. O cientista político e diretor para as Américas do Grupo Eurasia, Christopher Garman, advertiu ontem, em entrevista à CNN, que está se formando a "tempestade perfeita" no Brasil, neste mês de março: "Quisemos alertar a confluência de fatores que sugerem um ambiente político-social dramático no mês. Estamos no meio de uma piora do quadro sanitário, com vários governos implementando medidas de restrição social mais severas, em um contexto em que o auxílio emergencial não foi renovado no final do ano passado. Entramos o ano com queda de renda, aumento da pobreza e prestes a uma onda de restrições sociais".

 

Tempos de Covidão não combinam com indecisão, nem vacilação. A União Federal e seu governo têm de resolver se fará (ou não) as privatizações prometidas na campanha eleitoral de 2018. A solução dada para a Petrobras será um indicativo de como irá se comportar a equipe econômica de Bolsonaro. O futuro-novo presidente da estatal, Joaquim da Silva e Luna, tem de resolver a vergonhosa situação da estatal que indenizou as vítimas do Petrolão no exterior, porém segue protelando soluções para os investidores no Brasil, inclusive promovendo recursos judiciais para atrasar o inevitável pagamento de indenizações por derrotas em processos de arbitragem na B3.

 

O tempo urge e ruge contra Bolsonaro. Ou faz o gol ou pode perder um jogo praticamente ganho… O cenário é incerto e arriscado, como sempre na História desse País. O Covidão só complicou o aquilo que nunca esteve bem, de verdade. A extrema mídia pinta o pandemônio com ares mais catastróficos do que realmente é… O povão e os segmentos (que se julgam) esclarecidos estão embarcando na narrativa… Vai dar merda? Não… Já está dando... 

 

Em dia com o pagamento das mensalidades…

 

Nota de imprensa do Grupo Silvio Santos:

 

“O empresário Silvio Santos, ao tomar conhecimento do assunto relacionado ao IPTU do Hotel Jequitimar/Guarujá, determinou que fosse realizado, de imediato,  o seu pagamento e a sua respectiva regularização perante a Municipalidade local, reforçando sua premissa básica de respeito às obrigações tributárias pessoais e de suas empresas. Por fim, cumpre esclarecer que a incumbência pelo cumprimento de tais obrigações são da inteira e exclusiva responsabilidade da empresa Sisan – Empreendimentos Imobiliários Ltda. O  pagamento foi realizado na  data de hoje (ontem)”.

 

O homem do Baú da Felicidade agiu com coerência, ao colocar em dia o pagamento do IPTU de seu hotel, já que quem não paga em dia as mensalidades do famoso carnê dele também perde o direito a prêmios e vantagens...









  


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Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Secretário-Geral do Ibrasg - Instituto Brasileiro de Ativismo Societário e Governança.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 3 de Março de 2021.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os técnicos que esnobam o presidente Bolsonaro, demonstram miopia de especialistas ante o quadro geral da sociedade. O presidente demitido da Petrobrás demonstrou um liberalismo idiota quando desconsiderou o protagonismo dos caminhoneiros nestes tempos de pandemia. Como disse um youtuber brasileiro residente nos EUA, antes das catástrofes da pandemia e da nevasca no Texas, ele não se dera conta da importância dos caminhoneiros para a sociedade, pois um dia de paralisação instaura o caos no abastecimento de alimentos e nos insumos da área da saúde.