quinta-feira, 29 de abril de 2021

A Propósito do Mercosul


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Fábio Chazyn


Na teoria, a motivação manifesta para a formação de Blocos Regionais é sempre a mesma: “A união faz a força!”.


De fato, a união racionaliza a aplicação de recursos e o comércio dentro do grupo. Em belas outras palavras, a cooperação promove o bem geral.


Porém, como dizia o saudoso Joelmir Beting, “na prática, a teoria é outra”. Os Blocos são feitos de nações que se desenvolvem em ritmos próprios. O que foi uma mola, acaba virando freio. No curso do tempo, as necessidades se transformam e os interesses comuns se dissipam, enquanto os conflitos passam a falar cada vez mais alto, até a “cooperação” perder a razão-de-ser.


Quem pode seguir sem as amarras da “cooperação”, avança mais rapidamente. De fato, vimos repetidos exemplos do ciclo de vida dos Blocos Regionais: nascem dos propósitos do interesse comum, amadurecem consolidando a supremacia do mais forte e acabam no acostamento da história.


De leste a oeste e de norte a sul, a experiência é a mesma. Assim como no longínquo oriente, a Ansea -  Associação de Nações do Sudeste Asiático foi enfraquecida pelo peso do Japão e agora se prepara para o golpe de misericórdia da acachapante hegemonia chinesa, na Europa vimos uma sucessão de acordos desde o Benelux, dos donos do carvão e do aço, que virou Comunidade Europeia e depois União Europeia, e agora avança aos trancos-e-barrancos tentando esconder as suas contradições internas cada vez mais insuperáveis.


Na área de influência dos Estados Unidos a situação é ainda mais emblemática. A Alca – Associação de Livre Comércio das Américas e a Apec – Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico estão com a cabeça na guilhotina americana, que manifestamente prefere a “guerra comercial” que lhe dá ampla vantagem, como na Rússia do Michail Gorbatchev que desbaratou o grande bloco soviético com um golpe mortal para catapultar seu país para o Primeiro Mundo.


Nas nossas hostes latino-americanas, o Mercosul, criado como escudo contra as lanças da dominação americana, virou veículo político do plano megalomaníaco do eixo bolivariano-lulopetista, com ônus econômico sem precedentes para o Brasil. Os novos ventos nacionalistas devem estabelecer novas prioridades nas relações multilaterais baseadas na reafirmação da nossa liderança mundial.


A miopia da administração lulopetista, que custou tão caro aos brasileiros, vai dar lugar à visão clara dos horizontes da prosperidade. Um novo Projeto de Nação tem que contemplar a nossa recuperação de penetrar nos mercados mundiais. Mas para isso o Itamaraty terá que re-capacitar as embaixadas brasileiras para atender as nossas vocações e ajudar a realizar as nossas pretensões.


Vamos focalizar esse horizonte da prosperidade sem as vendas do fanatismo ou projetos de poder impatrióticos.


Vamos desejar boa sorte para os nossos Hermanos da América Latina, mas que eles nos perdoem porque nós temos que correr rápido, dessa vez sem as amarras nas pernas porque nós temos um encontro marcado com o nosso Futuro.


Fabio Chazyn, engenheiro, cientista político, empresário e autor dos livros “Consumo Já! Projeto Vale-Consumo” – 2ª edição (2020) https://clubedeautores.com.br/livro/consumo-ja e “O Brasil Tem Futuro? Projeto A.N.O.R. – Inteligência Artificial Coletiva” (2020)   https://clubedeautores.com.br/livro/o-brasil-tem-futuro - Texto extraído do livro “Consumo Já” – Correr com as Pernas Amarradas?)

Um comentário:

Chauke Stephan Filho disse...

As Malvinas são latinas!!