quarta-feira, 28 de abril de 2021

Desperdícios Pandêmicos


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão

Enquanto o brasileiro rebola para sobreviver com os efeitos deletérios da pandemia, existe todo um conjunto da obra imperfeito e inacabado que merece ser explorado. O Brasil praticamente despedaçou seu orçamento e desperdiçou a chance de sair na frente quando tardou a perceber que sem vacina não há salvação para destruir o vírus e impor a imunidade de rebanho.

Calcula-se que mais de um trilhão foram gastos em verba públicas para os estados e municípios, porém esse rombo será de responsabilidade do contribuinte logo logo e o mais grave é que com vinte por cento dessa soma, 200 bilhões de reais, poderíamos ter comprado mais de 200 milhões de doses de vacinas e garantido à população uma higidez completa na respectiva qualidade de vida.

E o mais grave é a ditadura da vacina e a escolha de classe etária, na medida em que nos EUA jovens adolescentes a tomam nas farmácias ao passo que na Europa a vacinação alcança a faixa de 25 até 30, no solo brasileiro continuamos a passo de cágado e os trabalhadores de uma forma geral ainda não foram tratados com o devido respeito.

Mas se o problema é a venda por empresas privadas e o comércio com preço no teto que o governo trate e discipline o assunto com regulação rígida. Fosse flexibilizada a vacinação e tivesse começado em setembro do ano de 2020 já teríamos alcançado a imunidade de rebanho e atingido um número de mais de cem milhões de vacinados, porém a Europa hoje impede que vacinados com o produto chinês ingressem no País selecionando assim a entrada mediante critério seletivo da vacina aplicada.

Poderíamos ter economizado bilhões e disponibilizados os recursos financeiros para saneamento, educação e construção de mais hospitais públicos, fomos como sempre perdulários e desembolsamos para além da nossa capacidade e um percentual expressivo do produto interno bruto.

A recuperação da economia será a perder de vista e demorada, o desemprego muito forte e muitos estados renegociando dívidas com a União o mesmo em relação aos Municípios. Ao não avaliarmos o que sucedia e quais as consequências da pandemia apostamos em meios preventivos nada eficientes e reclusão em casa de duvidosa efetividade.

Dessarte, nosso desperdício pandêmico seguramente trará comprometimento para muitas gerações e o mais incrível é que não aprenderemos as lições de casa repetindo no futuro os crassos erros do passado.

Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

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