quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os mais iguais, o povo e os supremamente superiores


“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros” (“A Revolução dos Bichos”, George Orwell)


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Aileda de Mattos Oliveira

A única norma do Regulamento a que os porcos, elevados a cargos de administradores, seguiam, gostosamente, em obediência absoluta, está sintetizada neste trecho retirado da conhecida obra de Orwell e que serve de epígrafe a este artigo.

Qualquer semelhança com uma Granja brasileira da atualidade não é mera coincidência, é intencional mesmo. Só que, como no Brasil, tudo é gigantesco, a nossa Granja não é meramente dirigida pelos “mais iguais”, porém, pelos Supremamente Superiores aos “mais iguais”. Devido à tanta magnitude, a simplória “Cidadã” Carta Magna entrou para o rol das inutilidades nacionais, ‘aquela’ que não deu certo. No duelo entre o palavrório desta, interpretado à revelia de seu real significado, e o palavrório vazio, porém, requintado, dos Supremamente Superiores, o da Carta perdeu, de vez, a proeminência, a cidadania e a voz.

Tudo, no Brasil, sofre, de imediato, de manipulação política e, agora, chega a vez da ‘hipocrisia facial’ (a máscara) e dos confinamentos (lockdowns) estaduais e municipais. Aqui, no Rio de Janeiro, o governador não embarcou na canoa furada da imitação doriana do prefeito-bajulador, Eduardo Paes. Deixou que ele arcasse com as responsabilidades, sozinho.

Estamos envelhecendo atrás dessa cortina que nos cobre parte do rosto, e não nos damos conta disso, além de não deixarmos ver a nossa indignação à vista de tanta manobra sórdida executada pelos cérebros maquiavélicos da nossa politicagem em relação à saúde pública. Por causa dela, tampouco vemos as caras de satisfação de governantes estaduais e municipais, ao deslizarem o dinheiro federal destinado às Unidades de Terapia Intensiva para debaixo de seus felpudos tapetes*.

Nada do que está aqui é invectiva, (falei “invectiva” e, não, “Ivermectina”), mas somente a verdade, que pode ser constatada nas redes sociais, que tudo vê, que tudo sabe e que tudo divulga. Será que na alta cúpula dos estados e municípios a ‘cortina’ é obrigatória? Será que não há reuniões clandestinas, com entrada estratégica pela porta dos fundos do prédio, do condomínio, da mansão? Uma pergunta, no ponto, para o Dória responder.

Mas, quem paga sempre a conta e, agora, a alta conta das exigências governamentais sobre distanciamentos, uso de álcool em gel, comércio fechado, feriadão, etc., é o povo, em geral, hesitante, confundido, a toda hora, pelos Jornais de TV, exclusivamente dirigido às notícias sobre Covid 19 (recebidas de que órgão?), lidas com veemência pelos jornalistas da hora.

Por que esses jornalistas, âncoras dos seus respectivos noticiosos, não fazem críticas a essa forma de pressão às pessoas, já psicologicamente em pânico, com dinheiro escasso, e com um leque de contas a pagar, mesmo que o vencimento esteja entre os dez dias de feriados estabelecidos pelo prefeito-feitor, Paes?

Para pôr ordem no amontoado de pessoas, enlatadas nos ônibus do BRT, que viajam de porta aberta para dar lugar a mais um, não há vontade política para isso. Apenas, pede o secretariado municipal a essa gente, “paciência”, em vez de pôr mais transportes públicos à disposição dela. Como se explica essa absurda contradição: confinamento para uns e amontoamento para outros, na mesma cidade? É uma imitação do que ocorre em São Paulo, na Estação da Luz, na terra do autoritário Doriana, só que em dose cavalar.

Esses desacertos governamentais não são alvo de combate dos jornalistas, nada mais que leitores das pautas que lhes repassam os diretores de comunicação das emissoras. Será que também estão a fim de desequilibrar o País? Com que desempenho falam das estatísticas cheias de traços e números que tomam conta do programa noticioso, praticamente, inteiro! Os jornais das emissoras são, atualmente, repetitivos, cansativos, ameaçadores e derrotistas.

Como não sou rês do estábulo de políticos nem admiradora de jornalistas sem personalidade, complacentes e prováveis membros do coro desestabilizador do equilíbrio financeiro nacional, dou-me o direito de expor meu ponto de vista sobre a manipulada, para benefício deles, de uma crise sanitária que mereceria a união de todos os verdadeiros brasileiros para combatê-la, de frente, sem demagogia e outros objetivos escusos.

Como também sei que há muitos e muitos que não são verdadeiros brasileiros, cujo desejo é engendrarem uma situação caótica e elevá-la ao grau máximo de saturação, fica difícil obter essa unidade, porque o objetivo foi conseguido: levar o pânico à população e afetá-la, psicologicamente.

Perguntem aos onze Supremamente Superiores Membros da Granja se não é essa a verdade dos fatos? Perguntem a esses ocupantes dessa Grã Sociedade se não desejam a volta do manobreiro do alambique e do erário público que era mais sedutor aos seus interesses pessoais? Perguntem ao “Nhonho Chorão” se não é esse objetivo das tramoias arquitetadas nos almoços com membros da Suprema Granja regados aos melhores ‘espíritos’ engarrafados? (No livro de Orwell também havia essas reuniões, muito bem regadas, porém, humildemente, à cerveja.)

Peço licença a Fernão Lara Mesquita para usar a sua frase: “O ódio do Brasil pelo Brasil é qualquer coisa de comovente!”, de seu excelente artigo “Heil STF!”, que sintetiza o fato de uma parte da população brasileira, incluindo políticos, magistrados, e outros afins, somente desejarem o pior para o Brasil, mantendo-o numa contínua posição de subalternidade à classe política nacional e aos dirigentes internacionais. Desejam que os brasileiros permaneçam, para sempre, fornecedores de votos e ‘coitadinhos da silva’.

Dessa maneira, não precisam estudar; não precisam trabalhar, pois o Estado estará sempre presente como o seu único provedor; não precisam ter hábitos saudáveis, pois nada melhor que a promiscuidade política, sexual, moral e ética; não precisam respeitar as leis, pois a liberalidade de cada um vale mais do que a liberdade responsável de quem segue o reto caminho; não precisam de Constituição, livreco cheio de letras e de horrível leitura, pois toda a sua interpretação só é válida quando usada para livrar bandido da prisão; e assim, essa gente pertencente ao grupo de odiosos ao Brasil, vai levando o País para o brejo.

Quisera que o outro lado da população fosse tão unido e organizado como é “organizada a desorganização” (peço licença a Portinari Greggio) do lado oposto. Tudo isso ocorre pela falta, pela ausência de um único fator que se deveria levar a sério neste País: a EDUCAÇÃO! Com ela, teríamos, saúde, trabalho, acesso meritório nos quadros funcionais das empresas públicas e privadas, civismo e respeito às leis e ao próximo (concordando, ainda, com Portinari).

Sem ela, sempre teremos corruptos, entreguistas, Granja dos Supremamente Superiores; candidatos a empregos políticos e às suas vantagens (inclusive, avião da FAB); sempre teremos os incrustados parasitas que, gulosamente, esvaziam as tetas já flácidas da Nação, cansada de tanta avidez às suas veias. Mas, para facilitar os insaciáveis sanguessugas nacionais, segue a imagem de algumas tetazinhas que não são as que eles desejam, mas suprem o hábito de sugá-las, cotidianamente.

É certo que não serão suficientes às bocas, ávidas, de todos, mas, apenas, às dos “mais iguais” (nestas, sirvam-se, à vontade!), porque os Supremamente Superiores, por serem Supremamente Superiores, preferem dar o bote e ficar com o curral inteiro.


Aileda de Mattos Oliveira é
Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da Academia Brasileira de Defesa (ABD); Membro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES) e Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), Articulista do Jornal Inconfidência.

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