quarta-feira, 21 de abril de 2021

Reengenharia Empresarial


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão

Em tempos de pandemia e do novo normal abatidos que formos pelo microvírus potente e que paralisou a vida de bilhões de pessoas mundo afora. Resta saber se com a volta das atividades a nossa economia sairá do fundo do poço e as empresas poderão sobreviver mediante o mecanismo de uma reengenharia dentro da criatividade e imaginação contemporâneas?

Fomos literalmente tragados pelo acontecimento e o plano de vacinação muito lento deu o que falar, além da disputa política, o foco agora é preservar o micro e média empresa a fim de que possam ressurgir das cinzas e voltar paulatinamente ao estado de liquidez e solução dos impasses.

Primeira coisa a renegociação do passivo surgido por força do fechamento temporário do negócio, segundo a estabilidade com redução da carga tributária e mais simplificação e por fim e não menos importante acelerar o consumo, já que milhões de consumidores não se atreveu a comprar e preferiu gastos mais essenciais tais quais pagamento do plano de saúde, comida, remédios, etc.;

Bem de ver, portanto, que no centro do furação teremos mais de 5 milhões de pequenas e médias empresas balançando, mas o fundamental é que o Governo estabeleça junto com órgãos representativos de classe um cronograma para sanear o estado de crise e alargar o prazo de pagamento, no mínimo doze meses, até que exista faturamento e volte a liquidez com capital de giro à altura. Os Bancos Regionais e de Microcrédito, além é claro as próprias cooperativas poderão ser a chave da abóbada no restabelecimento da atividade empresarial e com muita cautela juntamente com o Sebrae e demais entidades sairem ao encontro de soluções que o mercado precisa.

Não podemos mais perder tempo ou enveredar por caminhos artificiais o momento é extremamente delicado e opera em cadeia de tal modo que se os grandes estabelecimentos de compra no caso shopping centers atravessaram tempos hercúleos o que diríamos do pequeno e micro empresário cujo comércio de rua fora varrido pelo fechamento e despejado da frequência normal e habitual do consumidor.

Os programas deverão nortear uma redução da dívida e ao mesmo tempo o horizonte futuro mais promissor sem novas artimanhas de fechar e reabrir o que é incendiário, já que muitos restaurantes não sobreviverão e igualmente bares além de outras atividades que dependem da frequência do público.

Com a rota de fuga adotada na pandemia e quando milhares de cidadãos preferiram ficar no interior ou no litoral, as compras se fizeram on line e as entregas diárias por terceirizados, agora a retomada será lenta e gradual por uma crosta de hábitos usos e costumes que se perpetuaram por mais de ano. Evidente que nem todos poderão ter o privilégio da volta e sim sofrerão uma morte súbita já que pela preferência do negócio e da própria atividade muitos irão aderir ao ecommerce mais prático e de agilidade incomum principalmente nas capitais cujo trânsito é um fator negativo para os deslocamentos.

Vamos precisar de muitos arranjos e de criatividade para que o pequeno e médio comerciante tenha garra e recomece seu negócio sem receitas impraticáveis ou desarranjos do governo. Linhas de crédito serão necessárias com juros não superiores a 6 por cento ao ano, além de parcerias e mais liberdade para ousar, já que o grande empreendedor por ter facilidade e capital de giro se não vingar poderá optar por uma recuperação judicial. Temos é fato a recuperação extrajudicial mas ainda assim não atende aos anseios do micro e médio empresários os quais ficam onerados por causa do custo benefício desproporcional.

E não basta termos a ferramenta da recuperação se não tivermos em mente o amanhã qual será o faturamento, teremos consumidores, haverá receita para que a população volte a comprar, o meu negócio não fora impactado durante a pandemia, enfim muitas interrogações se fazem presente na modulação dos efeitos decorrentes dos estragos provocados não apenas pelo vírus mas meses a fio de fechamento.

E deveremos ser práticos levantando os protestos por pelo menos 6 meses a fim de que todas as dívidas sejam renegociais e um plano simples prevaleça em relação aos credores e dívidas com o serviço público abrangendo logicamente o Fisco.

Que ninguém duvide que a caminhada da retomada será complexa e bastante tortuosa, mas ao menos os que não conseguirem soerguer seus negócios terão pela frente rotas alternativas para se adaptarem ao mundo global e de tantas atividades necessárias no comércio ou na prestação de serviços.

Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

Um comentário:

Anônimo disse...

"""e as empresas poderão sobreviver mediante o mecanismo de uma reengenharia dentro da criatividade e imaginação contemporâneas?"""

Isso é filosofia pura. Se o Doria já não estivesse com três (dúzias) fiRUlosofos pagos a peso de ouro na TV cultura, você seria contratado imediatamente.

A pergunta que tem que ser feita, para todos que querem "induzir" as pessoas com suas ideias, é : "Do que você vive ? Quanto você recebe ? E de qual teta publica ?"