quinta-feira, 1 de abril de 2021

Um dia na vida de Bolsonaro


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Percival Puggina

Acalmem suas expectativas. Não vem aqui nenhuma imersão nos bastidores da vida presidencial. Aliás, não há motivo nem possibilidade de que algo assim possa acontecer. Conheci o deputado num evento em Brasília há cerca de 20 anos e não lembro de que tenhamos trocado palavras. Depois disso, falei com o presidente apenas uma vez quando veio a Porto Alegre, em fevereiro de 2016. Houve, na Assembleia Legislativa, um evento em que fui o palestrante convidado. E foi só.

Estou, portanto, bem longe de Brasília. O título “Um dia na vida de Bolsonaro” reflete o fato de que eu não suportaria 24 horas nas condições enfrentadas por Bolsonaro no exercício da função confiada a ele por 57 milhões de brasileiros, entre os quais eu mesmo. Desde 1889, nenhum presidente teve tais e tantos adversários poderosos agindo contra si de modo simultâneo e com violência que vai da facada real aos punhais virtualmente cravados nas costas e aos franco-atiradores acantonados nos muitos meandros do lulopetismo.

Mas não é apenas o presidente a vítima cotidiana desses ataques. Em todos os espaços onde, no governo, alguém com ele afinado tenta impor o seu programa, imediatamente afiam-se as facas, armam-se as barricadas e geram-se as crises que acabam por afastar o desditoso de sua posição. Qualquer observador atento pode, inclusive, antecipar a próxima vítima, cujo nome, modestamente, já conheço, mas não vou revelar porque isso pode ser entendido como sugestão. 

Tenho percebido sempre a mesma estratégia. Criam tumulto em torno de algum fato menor e soltam a conhecida matilha de lobos selvagens. Em seguida, a situação vira crise e começa a fritura do “causador da crise”.  As vítimas ou saem ou caem. E é sempre assim, desde que a esquerda surgiu como esquerda e seus fins “justificam” seus meios. Sempre é dos outros a culpa pelo mal que fazem. Pois é exatamente isso que vem sendo adotado contra o presidente da República e seu governo há mais de dois anos. E ele aguenta firme.

Após um dia vivendo a vida de Bolsonaro, minhas estribeiras seriam perdidas, minhas analogias seriam substituídas por palavrões com endereço certo. A infinita resiliência de Bolsonaro é meritória e suas explosões de mau humor são plenamente justificáveis.

Em relação ao recente episódio envolvendo a “inédita crise” com os militares, convém lembrar que o presidente da República é chefe de governo e é também, por essas incongruências do nosso presidencialismo, chefe de Estado. Como tal, e não como chefe do governo, é o comandante supremo das Forças Armadas. Os fatos ocorridos na área do Ministério da Defesa devem ter servido para mostrar algo que tantas vezes tenho dito: entre os comandos há unidade nas funções militares, mas existem divergências internas em relação à pauta política.

O problema do Brasil é político e é institucional. Tem que ser resolvido diretamente pela sociedade, impondo-se aos seus representantes no Congresso Nacional. De nada vale apontar os males e vícios do STF e deixar livres os congressistas, os únicos que poderiam corrigi-los. Enquanto a nação sofre e sangra, inflaram suas emendas parlamentares para R$ 50 bilhões, um montante que o Estado simplesmente não tem.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário e escritor.

5 comentários:

Anônimo disse...

https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/poder-de-bolsonaro-diminui-a-cada-crise-que-ele-pr%c3%b3prio-cria-leia-an%c3%a1lise/ar-BB1fce0v?ocid=chromentpnews

Poder de Bolsonaro diminui a cada crise que ele próprio cria; leia análise
Fernando Luiz Abrucio* 3 horas atrás

A principal característica política do mandato do presidente Bolsonaro é sua incapacidade de lidar com as instituições democráticas do país. Eleito com um discurso antissistema, imaginava que poderia moldar todos os Poderes, níveis de governo e instituições públicas às suas preferências. No fundo, a crítica que o bolsonarismo fazia ao sistema político carcomido tinha como objetivo criar uma autocracia, com todos se subordinando à Presidência e à família Bolsonaro.

O estrago causado por esse tipo de comportamento presidencial não é pequeno. Bolsonaro conseguiu reduzir o poder e a autonomia do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e de outros órgãos de Estado, sendo que alguns deles foram quase destruídos, como o IBGE e o Ibama. Tudo isso custará muito para o país. Só que o bolsonarismo fracassou, ainda bem, na subordinação de outras instâncias democráticas. O STF, o Congresso Nacional, a Federação e várias organizações da sociedade civil, como universidades e a mídia, não aceitaram ser comandados por um homem só e seus filhos. Nestes casos, Bolsonaro perdeu, mas é evidente que os confrontos da Presidência com todas essas estruturas de poder tiveram efeitos negativos sobre a qualidade da democracia brasileira.

O presidente da República, Jair Bolsonaro © Dida Sampaio / Estadão O presidente da República, Jair Bolsonaro
O novo capítulo do projeto autoritário do presidente ocorreu na tentativa de controlar completamente as Forças Armadas, que seriam suas e não mais do povo brasileiro. A demissão do ministro da Defesa e dos comandantes das três Forças foi uma ação autocrata de quem queria expandir seu projeto unipessoal de poder. Porém, Bolsonaro produziu o que não desejava: o aumento da coesão do alto escalão militar contra qualquer aventura autoritária do bolsonarismo. Foi assim que teve de engolir um novo comandante do Exército que no final de semana passado dera uma receita contra a pandemia contrária ao negacionismo de Bolsonaro.
Continua......

Anônimo disse...


Poder de Bolsonaro diminui a cada crise que ele próprio cria; leia análise
Fernando Luiz Abrucio* 3 horas atrás continua II e termina....

Na tentativa de destruir o sistema, Bolsonaro tem conseguido reduzir a qualidade da democracia – não estamos funcionando de um modo normal –, mas ao final tem gerado mais resistências do que aceitação. Ou seja, seu poder está diminuindo a cada crise que ele próprio cria. Mesmo assim, quando o presidente joga regularmente contra o sistema democrático, sempre há a possibilidade de mais um ato golpista. O “basta” final contra esse modo autoritário do bolsonarismo, infelizmente, ainda não foi dado pelas principais instituições do País.

*DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA USP E PROFESSOR DA FGV-EAESP

Anônimo disse...

Puggina, de vez em quando aparece um comentador para ilustrar brilhantemente seu artigo com exemplos de fácil compreensão. O Doutor em Ciência Política pela USP e Professor da FGV-EAESP tem até o currículo ideal para tornar verossímeis as críticas alinhavadas porém carentes de análise mais profunda.

ELTON PORTELA disse...

Cada vez q diminui, mas proximo chega de 57 milhões, e acredito q jamais nossas forças armadas estarão do lado da esquerda. Povo continua de posse de suas faculdades mentais, e sabem quem é o bandido nesse bang bang

Anônimo disse...

"""O problema do Brasil é político e é institucional. Tem que ser resolvido diretamente pela sociedade, impondo-se aos seus representantes no Congresso Nacional."""

Esse até pode ser o segundo (ou o terceiro) problema do Brasil.

O primeiro problema do Brasil sempre foi de informação.
O primeiro problema do Brasil sempre foi de informação.
O primeiro problema do Brasil sempre foi de informação.

Dois exemplos:

1 - O blog do comunista vagabundo C.N (ou é vagabundo comunista), que publicava seus textos, e só permitia comentários que te desqualificassem; nadou de braçada se dizendo democrático, enquanto falsificava comentários te xingando.

2 - Hoje, a TV aberta mostrou lula e Reginaldo Azevedo, como se fossem dois demônios de baixo escalão. E não tem um único site, que o povo trabalhador possa ser informado da verdade.

PS: Por que não tem um único blog que preste ? (de direita, porque de esquerda todos são muito eficientes).