segunda-feira, 31 de maio de 2021

Pela recontagem pública de 100% dos votos


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Siga-nos no Twitter e Facebook - @alertatotal

Recontagem pública de voto, sim! O voto impresso "auditável" é um equívoco retórico. Não garante a transparência total eleitoral. Precisamos do voto impresso pela urna eletrônica para recontagem pública de 100% dos votos. Na comparação direta entre os números do BU (Boletim de Urna) e a contagem física dos votos impressos teremos certeza do resultado honesto. O problema é que não é isso que está escrito na PEC 135 - que precisa ser substituída, ou corre-se o risco de o parlamento aprovar o “mais do mesmo”. 

 

Além de não alterar a situação atual, pode complicar e encarecer o processo, para nada. Com a mera “auditoria”, o eleitor continuará refém de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou dos Tribunais Regionais Eleitoral (TREs), cujos magistrados podem negar a realização das “auditorias”. Por isso, é fundamental que se aprove a impressão do voto pela urna eletrônica para recontagem física e pública de 100% dos votos. Só assim se encerará qualquer polêmica sobre risco de fraude - sempre suspeitado, porém nunca comprovado. Até porque o modelo atual não permite. Somos obrigados a acreditar no dogma do resultado eletrônico final inquestionável.

 

O Establishment não aceita aprimorar o sistema atual. STF e TSE também se apegam ao modelo de trâmite sigiloso eleitoral em vigor desde a eleição municipal de 1996, sendo adotado em todo País a partir do pleito de 2000. Muito se polemiza sobre o Coletor Eletrônico de Voto - nome pouco conhecido do aparelinho no qual o eleitor dá a “dedada”. Mas o problema não está na Urna Eletrônica. Se alguma fraude ocorre é no processo de transmissão de dados ou na totalização final dos votos. O negócio é uma caixa preta. O sistema nos obriga a acreditar no dogma do processamento final absolutamente seguro e honesto. Quem garante? Deus? Os “deuses” do Poder Supremo? A recontagem pública do voto impresso pela urna eletrônica garantiria.

 

O tema rende a maior polêmica. Mas o debate sobre a impressão do voto pela urna segue pobre e incompleto. A previsão de “auditoria” beira a inocência. Pouco se fala da necessidade da recontagem pública de 100% - que é o modelo correto. O Presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores não estão defendendo o modelo adequado de apuração do voto. A defesa imprecisa do que seria correto facilita a “oposição” que rejeita qualquer mudança ou aprimoramento do sistema de votação eletrônica. Tanto que o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, sinalizou que não haverá o voto impresso nas eleições de 2022.

 

A retórica de Barroso é simplista: “A democracia tem lugar para liberais, progressistas e conservadores. Nela só não cabem a intolerância, a violência e a não aceitação dos resultados legítimos das urnas”. Ou seja, o mesmo Barroso, que em 2017 chegou a defender a impressão do voto (tem vídeo comprovando o fato circulando nas redes sociais), agora rejeita a mesma impressão do voto, sequer para a pouco efetiva “auditoria”. A cúpula do Judiciário nem cogita tocar na recontagem pública e física de 100% dos votos - que garantiria a transparência total eleitoral. Assim, não propondo nem debatendo a coisa certa, o Brasil segue em ritmo de mais do mesmo, aguardando as “dedadas cívicas” de 2022. Alguém vencerá. Tomara que não seja a fraude…

 

Por enquanto, o vitorioso macabro é o Covidão, rumo a 500 mil mortes, em parceria com as comorbidades, as infecções hospitalares, os erros médicos, a incompetência da gestão de saúde e a safada da politicagem tupiniquim.  

 

Releia o artigo de Domingo: O Admirável “Ódio do Bem” Esquerdopata 



A volta do “Homem Aranha” - Inimaginável a quarta vitória de Hélio Castroneves na Indy500. Aos 46 anos, depois de ser sacaneado no EUA, em injusta perseguição judicial que também venceu, Helinho conquista seu tetra no circuito oval mais lendário do mundo.  O Spiderman voltou. Escalou a grade da arquibancada para comemorar com o público. Em 2022, disputa o inédito penta no Indianápolis Speedway. Apenas por curiosidade, Emerson Fittipaldi também tinha 46 anos de idade, quando venceu as 500 milhas, em 1993. Emmo tinha ganho em 1989. Helinho coleciona os anéis de 2001, 2002, 2009 e 2021.

 







Adquira, também, o livro A ÚLTIMA MARCHA DA MAÇONARIA.

Para maiores informações clique aqui:

https://www.amazon.com.br/s?k=A+ULTIMA+MARCHA+DA+MA%C3%87ONARIA&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss_2

Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Flamenguista. Editor-chefe do Alerta Total. Comentarista Político da Rede Jovem Pan.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Maio de 2021.

A burrice dos políticos, da mídia e da intelectualha


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por AC Portinari Greggio


Tentando derrubar Bolsonaro, a Oligarquia mostra sua incompetência. O “Estado democrático de Direito” inventado pela constituição de 1988 é na verdade um governo oligárquico assentado sobre um tripé de forças: a classe política, a grande mídia e a intelectualha. Vejamos a situação de cada uma.


A classe política - Abalada pela operação Lava Jato e derrotada nas urnas pelo capitão Bolsonaro, a classe política perdeu o controle do Executivo, mas ainda domina o Legislativo e o Judiciário no âmbito federal, mais a maioria dos executivos e legislativos dos Estados e municípios. Não aceita a derrota. Aliada à grande mídia e aos intelectuais, ela está disposta a tudo para derrubar e enterrar Bolsonaro, e restabelecer o esquema do toma-lá-dá-cá da constituição de 1988.


A mídia - Nas eleições de 2018 a mídia também sofreu terrível golpe, do qual ainda não se recuperou. Desde o século 19 ela estava acostumada a manipular a opinião pública e a determinar os rumos da política. No começo, eram os grandes jornais diários. Depois, o rádio. Mais tarde, o cinema e a televisão. No século 20 a influência da mídia cresceu a tal ponto que deixou de ser observadora independente e se associou aos sistemas de governo, como uma espécie de quarto poder, ao lado dos três instituídos nas constituições.


A associação da mídia com os governos resolveu um velho problema: achar a fórmula mágica da democracia estável e previsível. Até então, os estudiosos da Política – a começar por Aristóteles – desconfiavam do voto popular e da democracia. Consideravam-na como regime volátil, instável, sujeito a degenerar em ditaduras populistas. Mas no final do século 19 a mídia mostrou ser capaz de condicionar e controlar a opinião pública, tornando-a maleável e previsível. Foi então que a democracia deixou de ser olhada com desconfiança pelas elites e passou a ser considerada como forma ideal de governo forte e estável. Além de consolidar o poder das oligarquias em cada país, a democracia tinha outra qualidade que agradava a uma nova classe de políticos que surgia no cenário após a I Guerra: os globalistas, que desejavam um mundo sem nações e sem fronteiras. Para os globalistas, a democracia devidamente conduzida pela mídia era o mais favorável dos regimes para seu objetivo de destruir nações, misturar povos e eliminar fronteiras.


Tudo ia bem, até que de repente, entre 2009 e 2010, uma invenção comercial – o smart phone – deu azo à explosão das redes sociais. Em quatro ou cinco anos, as redes passaram a concorrer com a mídia e, pior, a desmenti-la e a superá-la em confiabilidade e atualidade. O império da mídia, com dois séculos de absoluto poder, desmoronou abruptamente. Estonteada, desorientada, ela insiste em vão nas velhas técnicas de desinformação e difamação para recuperar seu predomínio.


Os intelectuais - A classe dos intelectuais, unida pela mesma ideologia, há décadas predomina na política, na mídia, nas artes, nas ongues e nos chamados movimentos sociais.


Neste ponto, cabe uma pergunta: qual ideologia? Muita gente acha que os intelectuais ainda são comunistas, ou socialistas, ou anarquistas. Já o foram, no século 20. Mas os intelectuais do século 21 há muito abandonaram a pretensão de ser vanguardas do proletariado. Desistiram de fingir que são trabalhadores e assumiram sua real identidade: são, sim, intelectuais, e como tal pretendem fazer a sua revolução.


O principal mentor dessa catarse foi o comunista italiano Antonio Gramsci, nas décadas de 1920 e 1930. Em sua cela na prisão, Gramsci percebeu o equívoco de tomar o poder pela força e de estabelecer ditaduras do proletariado. Demonstrou que o domínio da “burguesia” no sistema capitalista não era baseado no dinheiro nem na força, mas na hegemonia cultural. A burguesia dominava a sociedade capitalista porque havia conquistado, desde a Renascença até a Revolução Industrial, todos os redutos da cultura, até substituir a hegemonia cultural da Igreja e da nobreza pela nova hegemonia burguesa. A conquista, porém, não fora obra da própria burguesia. Foram de gênios como Dante, Erasmo, Descartes, Galileu, Montaigne, Camões, Leonardo, Shakespeare, Milton, Michelangelo, Bodin e muitos outros. A medida que a burguesia transformava o mundo, criava o ambiente no qual os intelectuais desenvolviam seus talentos, educavam as gerações burguesas e difundiam ideias que reforçavam sua hegemonia. Gramsci os denominava intelectuais orgânicos da burguesia – orgânicos, porque eram parte essencial da existência da burguesia.


A proposta de Gramsci era óbvia: se a cultura era o território a conquistar, a revolução só poderia ser feita pelos intelectuais orgânicos do proletariado. Em vez de revoltas sangrentas ou guerrilhas nas montanhas, os intelectuais deveriam simplesmente fazer o que sabiam fazer e gradativamente ocupar os espaços – mídia, educação, literatura, teatro, artes, tudo – até o ponto em que a cultura proletária se tornasse hegemônica. Como se vê, Gramsci indicou o caminho natural para a classe intelectual, sem necessidade de assumir outras identidades.


Caminho para onde? O socialismo parecia ser a única opção. Afinal, uma revolução de trabalhadores explorados contra o capitalismo e a economia de mercado só poderia resultar em socialismo. Mas nesse ponto, sem que Gramsci soubesse, surgia na Alemanha outra opção, muito mais atraente para os intelectuais: a Escola de Frankfurt.


Infelizmente não há espaço para entrar nesse tema. Para o escopo deste artigo, basta observar a diferença, para o militante, entre o comunismo ortodoxo e a Escola de Frankfurt. O comunismo tradicional exigia disciplina, estudo e sacrifício até da própria vida. Já a Escola de Frankfurt não exige nada, tolera tudo, encoraja a vadiagem, a devassidão, as drogas, que considera como formas de “liberdade”. No plano histórico, nega toda a civilização do Ocidente, o determinismo, os fundamentos da Lógica, até mesmo a Filosofia. Na prática, embora critique o capitalismo, não defende sua extinção nem sua substituição pelo socialismo. Aliás, os adeptos da EF tinham horror ao socialismo soviético devido ao seu caráter tecnocrático e autoritário. A EF representa, nas universidades, a ala das Humanas e Sociais, dos caras que geralmente são indisciplinados, chegados a maconha, não gostam de Matemática e detestam a Engenharia. O que a EF pretende é, uma vez no poder, vigiar e controlar as empresas, e obrigálas a adotar agendas feministas, homossexuais, sistemas de quotas nas admissões de empregados, coisas assim. Se o leitor observar a mente e o comportamento dos atuais dirigentes das grandes empresas, verificará que, no século 21, a maioria já está devidamente dopada e domesticada. O mesmo tipo de controle é voltado para as Forças Armadas, cujos comandantes – olhai ao redor! – cada vez mais obedecem, com receio de ser alvo de campanhas de difamação e arruinar suas carreiras.


Na década de 1930 Escola de Frankfurt se transferiu da Alemanha para os Estados Unidos, onde logo passou a contaminar os meios acadêmicos. Durante a II Guerra Mundial o governo americano se aliou à União Soviética e, é claro, os agentes comunistas se aproveitaram do estado de exceção. Muitos patriotas americanos que combatiam a infiltração comunista foram afastados do poder sob alegações de que poderiam simpatizar com o inimigo ou com o “fascismo”. Os expurgos se estenderam às universidades e aos meios culturais. Era proibido não gostar do comunismo ou não ir com a cara do camarada Stalin. Nesse ambiente favorável, a Escola de Frankfurt rapidamente se expandiu e ocupou os vazios. Ao final da Guerra, já era unanimidade nos meios acadêmicos americanos, e passou a se propagar pela América Latina. Na década de 1960 a EF já predominava nas universidades brasileiras, onde logo dominou os arraiais da Esquerda e substituiu o ultrapassado comunismo. Convém anotar esse ponto: NÃO É O COMUNISMO, É A ESCOLA DE FRANKFURT.


A intelligentsia brasileira e a constituição de 1988


Richard Pipes, no seu livro Russia under the Old Regime (1974), refere-se à classe dos intelectuais militantes da Rússia, a intelligentsia. A intelligentsia russa tinha enorme influência não apenas na Rússia, mas em toda a Europa, pois foi a matriz da Revolução comunista de 1917. Pipes explica o mecanismo do seu surgimento e da sua atuação de modo que se aplica perfeitamente ao caso do Brasil. A intelligentsia, ou a classe dos intelectuais militantes, só pode prosperar em países onde coexistam duas forças:


1. De um lado, um governo forte, autoritário e impopular.


2. Do outro, uma opinião pública independente.


Em regimes democráticos, a intelligentsia pode existir, mas suas reivindicações revolucionárias são absorvidas pelo sistema político e, quando legítimas e apoiadas pela população, são aceitas e se incorporam ao sistema como reformas econômicas ou sociais.


Em regime totalitários, onde a opinião pública é proibida de se manifestar ou sequer de ser formar, a intelligentsia não consegue se organizar, portanto não existe.


Mas em países onde os dois fatores acima coexistem, a intelligentsia pode se organizar e ganhar apoio da população, e nesses casos se transforma em força política revolucionária muito efetiva. Era o caso da Rússia, e foi também o caso do Brasil no regime militar. 


Na Rússia, o governo czarista era tolerante com a opinião pública, e convivia com uma classe intelectual brilhante, admirada em todo o mundo – pensadores, escritores, músicos, poetas, tudo – cuja poderosa voz não podia ser calada. Nesse ambiente, a intelligentsia revolucionária se articulava e crescia. A desastrosa entrada da Rússia na I Guerra isolou o regime autocrático e criou clima de revolta popular que fortaleceu a intelligentsia e abriu caminho para a revolução comunista.


No Brasil, a denominada ditadura militar também tolerava a intelligentsia e não controlava nem reprimia a opinião pública. Os militares não tencionavam perpetuar-se no poder. Sua obsessão era apenas industrializar e modernizar o País. Mas erraram na estratégia, ao confiar a economia a gurus e czares como Delfim Neto e adotar políticas protecionistas do século 18. Na crise do petróleo, a economia estagnou e o regime perdeu o apoio popular. No afã de terminar seu projeto, os militares tentaram prolongar-se no poder com políticas eleitoreiras que só serviam para isolá-los e empurrar os melhores nomes da política para a oposição. Enquanto isso, a intelligentsia se fortalecia. As universidades funcionavam como bases de operações da intelligentsia e também como centros de recrutamento e de formação de novos contingentes de rebeldes e de intelectuais orgânicos que ocupavam espaços na mídia, na política e nos setores culturais. Sua ideologia – não o comunismo, mas o confuso complexo de doutrinas ligadas à Escola de Frankfurt conhecido como pós-modernismo – se difundiu, impregnou a classe política e, pior ainda, os cursos de Direito e as ideias jurídicas.


Essa situação – um regime autoritário cada vez mais impopular em confronto com uma opinião pública independente – era a fórmula ideal para o fortalecimento da intelligentsia. Na Rússia, esse processo terminou na revolução comunista. Mas no Brasil isso jamais aconteceu porque os militares, após derrotar as facções guerrilheiras, haviam decidido devolver o poder aos civis em gradativa transição. A intelligentsia brasileira teve de aceitar essa proposta porque, além de não ter alternativa, já estava muito bem acomodada dentro da classe política.


Enfim, aconteceu a transição. Se Tancredo Neves tivesse sobrevivido, teria dado um jeito de afastar a intelligentsia e, com certeza, teria mantido a constituição de 1967, com emendas. Mas o novo governo, sob a frouxa batuta de Sarney, era fraco demais. A intelligentsia prevaleceu, e marcou sua presença na fajutíssima assembleia constituinte. Pode-se afirmar que a constituição de 1988, com todos os seus erros e vícios, é filha dileta da intelligentsia brasileira – que Millôr Fernandes preferia designar como ignorantsia.


Muito bem. Esses são os prolegômenos do nosso artigo mensal do INCONFIDÊNCIA. Só falta, agora, justificar seu título e explicar a BURRICE DA MÍDIA, DOS POLÍTICOS E DA INTELECTUALHA – o outro nome da nossa ignorantsia.


A burrice dos políticos, da mídia e da intelectualha


Sem dúvida, a intelligentsia venceu em 1988. Mas em 1990, foi surpreendida por Collor. Alarme: o povão lá embaixo ainda não se convertera ao evangelho. Mas não havia nada a fazer: povão não poderia ser cooptado enquanto durasse aquela inflação. Numa longa comédia de erros, tentaram prestidigitações para sanear a moeda. Enfim, graças ao alívio cambial do Plano Brady (1987), foi possível o Plano Real de 1994, que finalmente estabilizou os índices de preços ao consumidor, vulgo inflação. FHC se reelegeu e preparou caminho para Inácio. Assim se passaram trinta e tantos anos. A intelligentsia chegara ao poder pela via eleitoral, e até hoje, apesar da eleição do Bolsonaro, ainda manda no Brasil. Onde, então, a burrice?


Voltemos ao clássico Richard Pipes. Numa notinha ao pé da página 253 do livro citado, ele fala da arrogância da intelligentsia após chegar ao poder: “…na democracia, uma parte da minoria educada se convence de que sabe melhor o que é bom para o resto da população. Se nas eleições o povo vota contra o desejo dessa minoria, ela ignora o resultado das urnas porque (1) as eleições não oferecem a ‘opção correta’ aos eleitores, ou (2) o processo eleitoral é manipulado ou, quando não há outro argumento, (3) as massas sofreram lavagem cerebral e votam contra seus próprios interesses.”


É exatamente isso que a classe política, o STF e os intelectuais pensam da eleição de Bolsonaro. O povo teria votado contra seus próprios interesses. Impossível! Absurdo! Evidentemente erraram e, nesse caso, sua decisão deve ser corrigida pela elite esclarecida. Daí, a furiosa campanha contra o Presidente. Sem ter muito que falar, tentam desmoralizá-lo pelos erros da sua administração. Mas é difícil. Os erros do acusado são mínimos em comparação com os crimes dos acusadores. [Consultai Mateus 7:13, ó hipócritas.] Como resultado, as pesquisas de opinião – não as publicadas, mas as sigilosas, feitas pelos órgãos de inteligência – indicam que, ao contrário, a popularidade do Capitão cresce. 


A campanha não funciona, mas serve para revelar um erro fundamental dos que mandam no Brasil: seu desconhecimento de teoria política. Uma das grandes descobertas da Ciência Política foi exposta pelo jurista alemão Carl Schmitt em 1932 no seu livrete Der Begriff des Politischen (dizem que o Gilmar fala alemão). O problema era definir qual seria o objeto do que se entende como política. Essa definição era necessária para demarcar o nebuloso limite entre a Política e a Lei nas decisões dos negócios de Estado. Schmitt indicou o caminho: descobrir qual seria o critério fundamental da política. O Direito trata de distinguir o legal do ilegal; a Moral, o justo e do injusto; a Estética, o belo e do feio. E a Política? O critério fundamental da Política (com P maiúsculo) é a distinção entre amigo ou inimigo.


Na politicagem, esse critério é óbvio. Afinal, os caras do Congresso cuidam disso o tempo todo: servir os amigos e tirar dos inimigos. Mas essa é a política fisiológica, nossa velha conhecida. Num plano mais alto, o critério de Carl Schmitt não se refere a inimigos ou amigos dos políticos, mas sim, a inimigos e amigos da Nação. Sem o conceito de Nação, essa distinção é impossível e o Estado se torna prisioneiro do Direito, ou seja, vítima fácil dos inimigos da Nação. A constituição de 1988 ignora o conceito de Nação e estabelece o tal “Estado democrático de Direito”, o qual é, de fato, o instrumento dos traidores para destruir a Nação Brasileira.


Mas, voltando ao nosso tema: qual a relação entre a definição de Carl Schmitt e a resiliência do Bolsonaro sob essa campanha de difamação? Carl Schmitt falava de assuntos de Estado, que envolvem interesses da Nação. Isso é Política no mais alto nível, algo como Macropolítica. Mas no nível do eleitor, do cidadão comum, na micropolítica, a decisão individual entre amigo e inimigo depende do critério da identidade. O eleitor comum prefere o candidato com quem mais se identifica.


Aí está o grande erro da campanha de difamação. Ela procura destruir o Capitão apontando e exagerando seus supostos erros na administração da pandemia. Ora, é muita burrice imaginar que o eleitor comum, ao votar, leve esses fatores em consideração. Não interessa o que o Capitão faz ou deixa de fazer. O que interessa é a identidade: é um dos nossos, ou é um dos deles? A maioria enxerga Bolsonaro como um dos nossos, e isso é muito difícil de mudar. As ações ou omissões do Presidente só pesarão se forem graves a ponto de abalar o sentimento de identidade, como aconteceu no caso de Inácio. Inácio também se identificava com certa parcela do povo. Mas seus crimes foram graves demais, tão graves que destruíram sua reputação e abalaram gravemente o sentimento de identidade dos seus eleitores. Evidentemente não é o caso do Capitão. Seus adversários insistem em inventar acusações, ou a exagerar fatos sem importância – não usou máscara, falou palavrões, gritou com alguém, coisas assim. Ao fazê-lo, não compreendem que obtêm efeito contrário: em vez de diminuir, o apoio dos seguidores aumenta.


Identidade. Esse é o cerne da questão eleitoral.


AC Portinari Greggio é Consultor Empresarial. Originalmente publicado no jornal Inconfidência de maio de 2021.

Sagrada Mediocridade


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão

Rui Barbosa enfatizava sua tradicional frase de repúdio de tanto ver triunfar as nulidades tão atual no Brasil contemporâneo abandonado pelos intelectuais que preferiram morar em terras distantes, mais seguras, com predomínio de cultura, e notadamente de conhecimento.

E no Brasil assim caminha a desumanidade de tantas mortes e vidas ceifadas de forma inócua. Mas o que precisa ser dito com todas as letras é que bancadas se formam no Congresso nacional com simpatia por determinada ala da sociedade organizada esquecendo do bem estar coletivo.

Nessa toada e na seara da vida pública o requisito do saber e da ciência perde espaço para o clientelismo de arranjos religiosos como se fosse possível o ESTADO LAICO se amparar na crença religiosa de algum candidato a cargo pùblico em qualquer esfera de poder.

E o que sucede invariavelmente è que o candidato re[une um só requisito qual seja da sagrada mediocridade galgando os pìncaros de importantes carreiras nos mais diversos níveis do Paìs. O absurdo aconteceu décadas atrás bastava ser amigo do Rei para ser nomeado e também vigora na atual gestão cujos indicados,salvo raras exceções precisam ter a simpatia e evidentemente pertencer a hoste religiosa como dogma da nomeação.

E as milhares de neopentecostais tomam partido aliando-se fisiologicamente ao poder para se perpetuarem, influenciar Congresso e evitar qualquer tipo de tributação valendo a máxima da imunidade plena, total e irrestrita. Obviamente muitos evangélicos integram cargos no parlamento, no executivo e ainda no judiciário,não se preocupando com o saber e a elevada cultura para a nomeação, transferindo tudo, como se fosse possível, para a legenda do padrinho político hospedada na fé e no fervor pastoral.

Somente no Brasil, País emergente é que setores religiosos pressionam e ganham adesão no aumento dos seus quadros de representação pedindo espaço para manter suas regalias e demais privilégios. A sagrada mediocridade começa a plasmar em diversos setores e múltiplas funções, e o terrivelmente evangélico livre de traição deve cumprir sua missão apostólica de nunca contrariar seu mestre, no caso aquele responsável pela nomeação.

Enquanto não houver radical mudança como se faz na iniciativa privada, o estudo e o conhecimento serão relegados a último plano, já que no Brasil mérito propriamente dito vai ao encontro da simpatia pela pessoa e não por força do cargo que virá a ocupar. Não é sem razão que a confiança da população como um todo e da sociedade civil em geral mostra índices cada vez menores, preocupando muitos pelo simples fato de não participar dessa desvigiada nomeação.

O aumento paulativo e progressivo de evangélicos no Parlamento é o principal fator de uma delimitação da norma a ser legislada e seus interesses pautados, pois que o STF mais diretamente conferiu imunidade constitucional plena às instituições livre seus pastores bilionários de qualquer contributo a que título for para o Fisco.

E prosseguindo nesse ciclo vicioso que impera desde Brasil Colônia,passa pela República Velha do Café e alcança em cheio a nova República tornou-se o novo normal para distanciar-se de preconceito a escolha de um candidato que possa agradar algum setor ou uma parte da sociedade, ainda que sem cultura, discernimento e requisitos para ocupar a função e o respectivo cargo.

A conjugação inócua de tantos fatores adversos fez com que milhares de brasileiros partam definitivamente para o exterior em busca de qualidade de vida, melhor remuneração da jornada, segurança e atendimento planejado da saúde socializada.

No Brasil o custo de vida, notadamente, em grandes cidades, tornou-se abusivo. Em tempos de recessão a inflação corre solta em particular nos preços dos alimentos, cujos supermercados se mantiveram ao longo de toda pandemia abertos. Igualmente as farmácias vendendo remédios que sofrem periodicamente reajustes.

Tempestade perfeita se lança contra o Brasil e quando deveríamos ter pessoas profissionais de peso nos principais cargos de gestão e direção dos três poderes hoje vigora a sagrada mediocridade, basta professar sua fé para abrir horizonte dos menos cultos e adequados para os cargos vindouros, triste constatação que faria chorar o magistral Rui Barbosa, nosso águia de Haia,

Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

domingo, 30 de maio de 2021

O Admirável “Ódio do Bem” Esquerdopata


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Siga-nos no Twitter e Facebook - @alertatotal

Jair Messias Bolsonaro caiu… Na gargalhada… Os atos “Fora, Bolsonaro” de sábado foram um fracasso retumbante de público, na maioria das cidades, exceto Brasília e São Paulo, onde houve algumas “aglomerações”. Nada próximo das que vêm sendo organizadas por apoiadores do Presidente mais covardemente atacado da história desse País. Resumindo: os adversários e inimigos comprovaram sua incompetência política na arte de mobilizar pessoas. Por isso, fica impossível acreditar nas enquetes que apontam Lula “favorito” - a não ser para “presidiário”, e não Presidente.

A esquerdopatia se superou no Rio de Janeiro. A manifestação “pacífica” de “Ódio do Bem” aconteceu na Cinelândia, no “triângulo das bermudas” entre o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e a Câmara Municipal. A cena dantesca é de radicalóides chutando a cabeça gigante de um “boneco-bozo” e entoando o mantra: “Uh, Bolsonaro vai morrer”... Certamente, as SS (Schutzstaffel) nazistas de Adolf Hitler morreriam de inveja do “bate-bola”... Verdadeira catarse de idiotas, inconsequentes e criminosos. Pura barbárie e violência em praça pública. Tudo fotografado e filmado pela delirante e psicopata extrema mídia, para exibição, como troféu de estupidez, nas redes sociais.

O nada admirável “Ódio do Bem” esquerdopata é uma evidência da gravidade do momento político brasileiro. Além da guerra institucional de todos contra todos, sob regime do Protetorado do Crime Institucionalizado, temos uma insana radicalização extremista das relações políticas. Debates civilizados e construtivos são inviáveis. Praticamente, impossíveis. “Amizades” e relacionamentos pessoais são rompidos, abruptamente, em grupos nas redes sociais. Até famílias racham na estúpida dialética ideológica - gerando broncas que são puras ferramentas de otários.

A involução para uma guerra civil declarada é inconsequência fácil e óbvia. A união nacional em torno de objetivos comuns e nobres fica improvável no horizonte. O clima é de separatismo à vista, no curto ou médio prazos. Explosões de violência são uma perigosa tendência assim que a campanha eleitoral de 2022 (antecipada de forma irresponsável e prematura) se intensificar. Curioso é que todo os extremos, que se autoproclamam “direita” ou “esquerda” (na definição ultrapassada da posição em que se sentavam os oponentes no parlamento durante a Revolução Francesa do distante século 18), culpam o outro lado por “incitação ao ódio”. Mas é a “sinistra canhota” quem tem praticado a barbaridade no discurso e nas práticas políticas.

Bolsonaro esbanja “caneladas” verbais. No entanto, tendo o poder de Chefe de Estado e de Governo, ao menos até agora, nunca abusou do poder contra os opositores. Não se pode afirmar o mesmo de seus “inimigos” (ops, adversários). A mídia, expropriada das verbas fáceis estatais, espanca Bolsonaro sem perdão. A esquerdopatia radicalóide patrocina o “ódio do bem” nas ruas, nas redes sociais e no parlamento. Em conluio com o Poder Supremo, que tem exercido a supremacia estatal, todos que pregam a “desconstrução, destruição e até eliminação” de Bolsonaro praticam uma espécie de “justiçamento” institucional contra o Presidente, os familiares dele e seus aliados públicos e privados.

Bolsonaro compreendeu o processo. Blindou-se politicamente, com o nada fácil e indigesto acordo com o sempre inconfiável “Centrão” do Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, é uma barreira quase intransponível contra mais de uma centena de pedidos de impeachment, pelos mais insustentáveis motivos. O fato do alagoano Renan Calheiros (inimigo de Lira) sabotar Bolsonaro na infame CPI do Covidão só facilita a blindagem de Bolsonaro. Agora, Bolsonaro investe nas bem sucedidas e crescentes manifestações populares a seu favor. Assim, estabelece o contraponto com os inimigos que tentam tirar da tumba da desmoralização um ex-Presidente no qual colou o rótulo de “corrupto” - único que, até agora, a calúnia, injúria e difamação midiática e política não conseguiu colar em Bolsonaro.

A “oposição” segue mais perdida que nunca. Não formula propostas concretas e objetivas para o Brasil. Aliás, a gestão petralha e de seus comparsas ganhou a pecha de incompetente, além de corrupta. Fortíssimo e decisivo em 2018, o sentimento anti-PT continua consistente para a eleição 2022. Isso torna Lula um personagem sem chance de vitória. Regurgitada pelo Poder Supremo - que deu um golpe em três instâncias do Judiciário -, a candidatura do chefão petralha já nasce morta. Como a “terceira via” não se viabiliza, mesmo espancado midiática e politicamente, Bolsonaro se consolida para a disputa da reeleição. Eis o terror da esquerdalha - que não consegue botar gente na rua, diferentemente de Bolsonaro.

Daí a gente entende a manifestação de uma jovem, no Twitter, que deve ter estudado conforme o pregado no livro “Direito à Preguiça”, escrito por Paul Lafargue, genro do bom velhinho comunista Karl Marx. A Letícia Soares escreveu: “Pessoal, por favor, não aceitem nenhum tipo de trabalho. Isso é estratégia do Bozo para se reeleger. Se o número de empregados aumentar, a reeleição irá cair de mãos beijadas pra ele. Não vamos trabalhar agora, deixa ele sair, aí sim, podemos voltar a trabalhar. Acorda pessoas (sic)”.        

Resumindo: A luta continua… As batalhas de narrativas, também… E a autofágica guerra de todos contra todos os poderes vai se intensificar, talvez indo muito além de outubro de 2022… A esquerda ganha espaço maior nas redes sociais. Tem muita grana roubada no passado não muito distante no poder para financiar as operações de guerra de propaganda. O engajamento virtual vai crescer muito. A sabotagem contra o conservadorismo e o bolsonarismo é previsível. Não tem jogo ganho previamente. Fanáticos e bandidos não têm limites. O bagulho é doido! Ao vencedor, as dedadas (eletrônicas). 

Releia o artigo: O Protetorado do Crime Institucionalizado

 

Cuidado com as bactérias - Saúde para o poeta porreta Bráulio Bessa. Covidão é o cramulhão! E ficar internado é mais arriscado que o vírus chinês. Muitos morrem por infecção hospitalar. Bactérias assassinam mais que a Covid-19 - que leva a culpa por tudo. Saída: prevenção, cuidado e vacina. Sol, boa alimentação, vitamina, probiótico e ginástica.

 

Bom combate - O apresentador Paulo Mathias comentou sobre o evento que mediou no sábado: “O debate Kim/Coppolla passou de 120 mil pessoas ao vivo. É bom lembrar: ambos de direita. Extrapolou qualquer bolha ideológica”. A deputada estadual Janaína Paschoal também avaliou: “Foi bom o debate, ponderado, civilizado, como os debates em sociedades maduras devem ser. Compartilho a visão de Caio, relativamente à gestão da pandemia. Poderia ter sido melhor? Sem dúvidas! Mas não há racionalidade em querer atribuir a Bolsonaro as mortes causadas pelo vírus!”. E acrescentou: “De todo modo, o respeito mútuo evidenciado no debate é indício de que, em um futuro próximo, essas várias visões de mundo precisarão se RE(unir), não se sabe ainda em torno de quem ou do quê. Mas a RE(união) será inevitável”.

 

Imperdível - #Indy500, 105ª edição, neste domingo, a partir das 13h, pela TV Cultura. Brasileiros largam bem. Tony Kanaan em 5º, Hélio Castroneves em 8º e Pietro Fittipaldi (estreante) em 13º. Pole para Scott Dixon, seguido de Colton Herta e Rinus VeeKay. O veterano Juan Pablo Montoya está na disputa. Fernando Alonso não corre este ano. Mulher na pista? Só Simona De Silvestro, que larga em último: 33º. No mítico circuito oval, a prova de resistência, tática e sorte para não acertar um muro. Que vença um brazuca!

 





 

Adquira, também, o livro A ÚLTIMA MARCHA DA MAÇONARIA.

Para maiores informações clique aqui:

https://www.amazon.com.br/s?k=A+ULTIMA+MARCHA+DA+MA%C3%87ONARIA&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss_2

Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Flamenguista. Editor-chefe do Alerta Total. Comentarista Político da Rede Jovem Pan.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Maio de 2021.

Vícios e contradições no jornalismo


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Renato Sant'Ana


Sem apontar "quem", "onde", "quando" nem "como", a Gerente de Jornalismo da RBS Caxias, Andreia Fontana, escreveu em Zero Hora que, por todo o mundo, jornalistas são alvos de hostilidade; no Brasil, "vítimas de agressão moral e até física".


Mas, do que é mesmo que está falando? Em concreto, plano dos fatos, ela apenas relatou ter sido ameaçada de morte por matéria em que mostrava a pobreza de alguém cuja casa "alaga a cada chuva".


Antes de mais nada, lembremos um bom exemplo de respeito ao jornalismo.


No tempo do império, chargistas ridicularizavam sem cerimônia Dom Pedro II, ao ponto de colar nele o apelido de Pedro Banana. Como reagia o imperador? Respondia simplesmente: "Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais, mas apenas manejo ou desabafo partidário."


É um paradoxo da democracia respeitar a livre manifestação inclusive dos que querem acabar com ela. E não tem remédio.


Hoje é comum que colunistas de O Globo e da Folha de S. Paulo publiquem artigos em que clamam pela morte do presidente da República, que, nesse aspecto, embora sem a elegância de Dom Pedro II, tem agido bem: Bolsonaro nunca usou o poder para reprimir tamanha iniquidade.


Até agora, ele só prometeu aplicar a lei contra a Globo, que deve muito e não quer pagar. E cumprir a lei é dever do governante.


Volto a Andreia Fontana. Ela declara que "a postura de políticos autoritários pelo mundo tem fomentado a hostilidade contra jornalistas."


Pode ser. O jornalista Políbio Braga tem sido alvo de virulentos ataques por parte das deputadas socialistas Luciana Genro e Fernanda Melchionna, o que já produziu dois resultados repudiáveis.


No primeiro, o Dep. Gabriel Souza (MDB), presidente da Assembleia Legislativa do RS, sem noção republicana, atendeu pedido de Luciana Genro e sustou publicidade paga pela Assembleia no blog do jornalista.


Frise-se que a escolha do blog para anunciar não foi pessoal: baseou-se em dados técnicos do Google Analytics sobre índices de leitura.


No segundo, uma conhecida ativista do PSOL, surfando na mesma onda autoritária, foi às redes sociais e acusou Políbio de "criminoso", além de expor seus patrocinadores para constrangê-los a não anunciar no blog.


Será dessa "postura autoritária" que Andreia Fontana está falando?


"Escrevemos sobre o que é abrangente, grave, tem caráter histórico, peso no contexto, enfim, sobre o que é importante", diz ela sobre seu ofício.


Vale então lembrar eventos que decretavam a morte da democracia e que, apesar disso, foram ignorados pelos grandes órgãos de imprensa e seus

jornalistas, inclusive o Grupo RBS de Andreia Fontana.


Em 2009, o governo Lula tentou impor ao país o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), que previa desde subordinar decisões judiciais aos ditos "movimentos sociais" até impor um cabresto a jornalistas com a implantação do "controle da mídia".


O PNDH foi derrubado pelo Congresso Nacional. Mas Dilma voltou à carga em 2014 com o Decreto 8243, isto é, com um PNDH repaginado, em que não poderia faltar, claro, o "controle da mídia". Felizmente, não conseguiu.


Salvo alguns profissionais independentes, a categoria dos jornalistas jamais denunciou o projeto autoritário do lulopetismo. E a maior parte da população não sabe que esteve a um passo de viver numa ditadura.


Aliás, esse PNDH seria a aplicação no Brasil das diretrizes do nefasto Foro de S. Paulo (FSP), uma tragédia que se consumou na Venezuela e que, neste momento, se desenrola rapidamente na infeliz Argentina.


Aí está! Quando foi que algum dos grandes grupos de mídia do Brasil - entre eles, a RBS - fez matéria sobre o FSP?


Fundado em 1990 por Hugo Chaves, Fidel Castro e Lula, o FSP, graças à omissão da imprensa, manteve-se oculto por mais de duas décadas.


Mas não há dúvidas de que jornalistas estão expostos à violência.


Em 2002, o repórter Tim Lopes foi à favela Vila Cruzeiro, no Rio, para uma reportagem investigativa: conforme denúncia de moradores, havia no local um baile funk promovido por traficantes em que acontecia a exploração sexual de adolescentes e a venda de drogas.


Os bandidos da facção que dominava a favela sequestraram, torturaram e mataram Tim Lopes. Depois, esquartejaram e queimaram o corpo.


Mas, como já se vê, jornalistas não honram a memória de Tim Lopes.


Em 06/05/2021, policiais foram à favela do Jacarezinho, no Rio, para cumprir ordens legais de desmontar esquemas em que os bandidos dão treinamento de tiro a crianças e adolescentes, e os obrigam a estar na linha de frente nos embates com a polícia.


Foram recebidos a bala, confronto que terminou com 29 mortos, dos quais, o único não criminoso foi um policial assassinado.


No entanto, como bem observou J.R. Guzzo, os grandes órgãos de imprensa trataram os bandidos mortos no Jacarezinho como "mártires de uma luta social dirigida contra os pobres, os negros e os favelados."


Mas não há efeito sem causa. Esse padrão de jornalismo não vem do nada.


Conta Alexandre Garcia que, num encontro com estudantes de jornalismo da Universidade de Brasília, na década de 1990, um professor declarou: "Eu ensino os meus alunos a serem militantes ideológicos para combater o status quo opressor", descrevendo uma conduta que hoje é um padrão.


Nos últimos 40 anos, a universidade não parou de piorar, cada vez mais empenhada em fazer que os futuros educadores, operadores do direito e jornalistas (os profissionais mais estratégicos para subverter a ordem e implantar uma ditadura socialista) sejam "militantes ideológicos".


É claro que há professores (minoria) que se opõem à militância da sala de aula e alunos (futuros profissionais) que revertem os efeitos da lavagem cerebral. Ademais, entre os docentes, os Maquiavéis são muito poucos, até porque, para ser maquiavélico, é preciso talento. A maioria peca por omissão, mediocridade e dedicação exclusiva ao autointeresse.


É cabuloso, pois, que, ao ressaltar que "um bom jornalista sabe o que é notícia em qualquer lugar do mundo", Andreia Fontana aponte, como um "antídoto para evitar desvios" os quatro anos da formação universitária.


Ela não faz qualquer crítica aos vícios da mídia. Só louvação.


Começa o artigo por dados autobiográficos. Depois afunda no "vitimismo" (ideologia inoculada na faculdade) ao dizer, de modo obscuro, que sua categoria é perseguida. No fim, apela para o "salvacionismo" do leitor: "(...) espero que a sociedade se dê conta de quem ganha e quem perde com uma imprensa fraca e salve os jornalistas."


Ora, o que a "sociedade" precisa fazer é é criticar este "new journalism à tupiniquim", em que, na faculdade, os moços são induzidos a fazer reportagem de modo subjetivo em prejuízo da objetividade.


Pois que a "sociedade" se espelhe no exemplo de Dom Pedro II, mas saiba distinguir entre o jornalista que é "militante ideológico" e aquele que, tendo apego à verdade, respeita os fatos.


Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail  sentinela.rs@outlook.com