quinta-feira, 13 de maio de 2021

CPI do Ódio


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Ernesto Caruso

 

Tem nome, Otto Randolph Aziz Calheiros.

O relator da CPI, senador Calheiros demonstrou a incoerência entre o que prega e pratica no seu discurso de abertura, a destacar que “não desenha alvos para atirar flechas”. Foi o exatamente o que fez, sem o mínimo pudor, para quem se dispuser a ler o que lá consta.

 

O depoimento do ex-ministro Mandetta foi o que se esperava em consonância com a postura do ódio explícito, mas, que por vezes, tinha que responder em defesa do governo, para se livrar pessoalmente, pois era o ministro da Saúde, também alvo das flechadas.

 

Duro acreditar, que Randolph, criado na militância socialista, filiado ao PT, eleito para o Senado pelo PSOL e agora na Rede, da Marina Silva, tivesse dúvida entre livrar Mandetta ou se preferisse atingi-lo “mortalmente” junto ao governo Bolsonaro.

 

Mesmo assim, Mandetta foi usado prioritariamente para ajudar a “fritar” o presidente.

 

O pior aconteceu com o ex-ministro Nelson Teich, que foi bastante fustigado e até desconsiderado o pouco tempo que exerceu a função, apenas 29 dias. Como afirmou, saiu por se sentir, “essencialmente sem autonomia”, a cloroquina foi pontual.

 

Mas, a carga explosiva presente nos questionamentos do ódio se refere à cloroquina e, como se o presidente Bolsonaro fosse o responsável por prescrever algum medicamento que provocasse a morte de qualquer pessoa.

 

As perguntas da inquisição tinham que ser respondidas, sim ou não, cobradas com arrogância.

 

O senador Aziz, diante de uma resposta do ex-ministro sobre a prescrição da cloroquina que Teich considera errada, reforça a questão, “se uma médica que faz a paciente aspirar cloroquina, faz uma coisa errada, complementa de forma no mínimo embaraçosa. “Quer dizer, se um médico prescreve veneno de rato e dizer que aquilo cura, não é crime?”, ao que Teich se defende, não estou dizendo que seja crime, pois eu não tenho conhecimento jurídico a respeito.

 

Daí, Aziz dá uma resposta incisiva ao senador Eduardo, “tenho direito de falar porque sou o presidente, e, só quero ajudar”. Prossegue com a reprimenda, “o ex-ministro Teich está levando a comissão (balançando os braços...)... nada é objetivo... eu não me lembro... Vou fazer algumas perguntas e ele não se lembrar. Não adianta trazer uma pessoa que não se lembra e diz..., que houve... que saiu... se houve intervenção, que não sabe quem “interviu”, fica difícil pra gente, e ele está sob juramento aqui...”.

 

(Como a desqualificar o depoente, por dubiedade, hesitação, mas que todas as torcidas sabem que a CPI do ódio deseja respostas que incriminem o ex-ministro Pazuello e o presidente Bolsonaro.)

 

O Sen Marcos Rogério conclui o seu questionamento com a seguinte expressão, “a narrativa que está sendo buscada aqui, é que há um esforço para criminalizar a cloroquina”.

 

Perguntado, Teich respondeu que pediu demissão, pois tinha posição diferente do presidente quanto ao emprego da cloroquina, mas que estava amparado por outras opiniões médicas e do Conselho Nacional de Medicina, que naquele momento autorizou a extensão do uso.

 

Sobre o então secretário-geral, Eduardo Pazuello, o seu depoimento é favorável quando trata da logística em especial aos respiradores e equipamentos de proteção individual (EPI).

 

Em intervenção do Senador Otto, a destacar algumas observações na sua oração, “... queria prestar solidariedade ao meu colega que entrou numa fria aceitando ser ministro da Saúde e passando um mês sendo demitido (?!) porque não aceitou que fosse receitado uma droga pelo presidente da República para todo o Brasil... quando o Nelson (Teich) entrou aqui... fiquei com pena do meu colega... quando vi o seu rosto na televisão eu ficava com pena do que se passava ali... eu vi que você não aceitava o palavrão e agressão daquela natureza...”

 

Não ficou com pena do colega diante das palavras dos inquisidores que fizeram de tudo para que o depoente incriminasse Pazuello e Bolsonaro.

 

O presidente Bolsonaro assinou alguma receita de qualquer medicamento como cloroquina, para tomar ou aspirar?

 

Se o fez, transgrediu a lei, que seja processado. Mas, se não o fez, que se investigue qual o médico que prescreveu e trouxe conseqüências danosas a qualquer pessoa, como a morte de algumas, tão citadas na CPI.

 

Nenhum desses senadores citou nomes de quem prescreveu. Mera divagação, como narrativas para atacar o governo, que se espera não ser alvo desenhado para ser flechado por Calheiros e seu grupo.

 

Em comentário sobre o depoimento de Nelson Teich, a imprensa adestrada registra que o depoimento foi fraco em relação ao que pretendiam em termos de acusação a Bolsonaro, mas “Tentar inocentar a cloroquina e afins, não parece promissor”.

 

Interessante. Esqueceram ou não consideram emblemática a receita que o médico David Uip, renomado infectologista, que então era o Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do Governo do Estado de São Paulo, prescreveu a si próprio, como paciente e, testado positivo para o vírus chinês: Uso interno Difosfato de cloroquina, 250mg.... 30 cápsulas. Tomar pela manhã 1 cápsula por 30 dias. São Paulo, 13/03/2020”.

 

Não é fakenews, pois o médico está processando quem vazou a sua receita. Se o paciente David Uip cumpriu a receita do médico David Uip não se sabe. Mas, ninguém o condenou, criticou, orquestrou. Por que?

 

Altamente conceituado, onde se lê no portal da clínica que tem o seu nome: “Médico infectologista, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC e Professor Livre Docente da Universidade de São Paulo. Foi diretor técnico do Serviço de Saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Foi fundador e diretor da Casa da Aids por oito anos. Assessor especial do Governador Mario Covas, também foi diretor executivo do Incor, diretor presidente da Fundação Zerbini e diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Coordenador do programa de Assessoria Aids e Endemias de Angola.

 

Se David Uip prescreveu para si próprio, deve ter sido para a sua recuperação. Ou não?

 

Ora, o tribunal vermelho, na CPI e fora dela, em todas as argumentações abordadas, criminaliza a cloroquina. O remédio, a caneta, a pistola fazem o bem, se bem empregadas.

 

O médico que comete erro médico, o político/servidor corrupto que usa a caneta desviando recursos públicos em qualquer tempo (na pandemia mais grave), qualquer um que usa a pistola indevidamente, são julgados e condenados, se culpados.

 

Será que dessa farsa, pretendem moldar “crime de responsabilidade”, como a mídia faz coro com a CPI, à guisa de cobertura.

 

Todo o cuidado é pouco. O cenário está sendo montado com os vários depoimentos: “alvos desenhados para serem flechados”.

 

Há que se imaginar que estudos da situação, hipóteses com as variantes admissíveis, elementos essenciais de informação/inteligência, já estejam prontos para o esperado depoimento do ex-ministro Pazuello, que será muito provocado, até para ser preso.

 

Do STF já se conhece a cor.

 

O governo não pode deixar de amparar/proteger com todos os meios possíveis para que isso não ocorra.

 

Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.

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