domingo, 9 de maio de 2021

Desbotamento da Democracia


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão

O mundo global vive cada dia mais o aceno da democracia menos, um certo desbotamento cujas instituições não se ocupam e nem se preocupam com o bem estar da sociedade civil. Assistimos perplexos os comandos e desmandos dos governantes batendo cabeça durante a pandemia e o decidido pelo Supremo Tribunal Federal participando plenos poderes aos governos e prefeituras para diretrizes sanitárias e regras de fechamento de estabelecimentos.

Chegamos a ultrapassar o marco de 400 mil mortes o que é inaceitável e o pior é que a CPI em pleno funcionamento tem mais viés político do que científico e averiguação das mazelas cometidas em todos os escalões de governo. Os nossos agentes públicos sempre olham os próprios umbigos e não se movimentam na direção do interesse da população.

Daí não termos redes hospitalares, pronto atendimento e a precariedade da educação interligada com a cultura. Em plena pandemia milhares de multas foram aplicadas contra os estabelecimentos recalcitrantes e analogamente as multas de trânsito correram solta, mais de 700 mil dentro da órbita do estado de São Paulo e o mais grave: não há cópia da infração ou foto comprobatória de sua existência.

Ao mesmo tempo em que todos criticam a vulgarização da multa de trânsito na cidade de São Paulo, sem muitas explicações, nossas autoridades mudam os limites de 50 para apenas 40 km por hora e já são mais de 1200 radares. Atualmente o carro virou e se transformou no vilão da história pouco espaço, muitos impostos, estacionamentos caros, e toda a localidade zona azul.

Em nossa modernidade acontece um desbotamento da democracia, sempre em xeque o regime presidencialismo com o avanço de poderes conferidos ao Legislativo. O último interesse a ser disciplinado é o da sociedade e da população, o poder econômico tudo dirige  e centraliza em suas mãos as rédeas da política e o simples fato de termos eleições a cada quatro ano em nada refresca ou melhora clima da cidadania tamanho o desprezo pelo homem que trabalha e preza pela honestidade.

Não há democracia sem que se assegure o regime de plena liberdade, de ir e vir, da saúde a todos universalmente,da educação plena e da cultura integral, patinamos feio em todos os capítulos e não podemos sempre cunhar a mesma frase o Brasil o País do Futuro que nunca chegou ou ao menos chegará.

O propalado desbotamento revela um paradoxo de polarização entre regimes e formas de governo, de tal modo que seria temerário afirmar que a representatividade está cada vez mais distante dos anseios da população.

O crescimento das necessidades do consumidor não fazem o contraponto de renda e distribuição da riqueza. Os preços públicos cobrados anualmente sobem, e também os reajustes constantes dos planos de saúde mas mesmo assim a sociedade tenha ganhar forças e musculatura para jamais desistir de seu futuro.

O Brasil carcomido e desolado que tanto combateu a corrupção em passado recente e hoje catapulta os magistrados e aniquila com a vocação da justiça mediante parafernália legislativa de múltipla impunidade.

E o retrocesso já nos bate no peito uma reação até esperada das forças retrógradas que pululam o executivo e legislativo combatendo o ar novo da geração que buscada por meio do judiciário um novo amanhã para os brasileiros de bem.

E o retrato do pano de fundo dessa ópera bufa será sem duvida o aumento da violência e da criminalidade com a saída em massa de milhares de brasileiros descontentes com a representatividade e o desbotamento fragoroso da democracia em estilhaços reais.

Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

Um comentário:

Anônimo disse...

VOCÊ QUER MAIS CORRUPÇÃO DO QUE QUANDO VOCÊ RECEBE OS SEU SALÁRIO CHEIO DE PREVILÉGIOS MILIONARIOS??? TUDO O QUE AQUI PRODUZ E ARRECADA FICA NO BOLSO DOS 4 PODRES PODERES...