segunda-feira, 31 de maio de 2021

Sagrada Mediocridade


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão

Rui Barbosa enfatizava sua tradicional frase de repúdio de tanto ver triunfar as nulidades tão atual no Brasil contemporâneo abandonado pelos intelectuais que preferiram morar em terras distantes, mais seguras, com predomínio de cultura, e notadamente de conhecimento.

E no Brasil assim caminha a desumanidade de tantas mortes e vidas ceifadas de forma inócua. Mas o que precisa ser dito com todas as letras é que bancadas se formam no Congresso nacional com simpatia por determinada ala da sociedade organizada esquecendo do bem estar coletivo.

Nessa toada e na seara da vida pública o requisito do saber e da ciência perde espaço para o clientelismo de arranjos religiosos como se fosse possível o ESTADO LAICO se amparar na crença religiosa de algum candidato a cargo pùblico em qualquer esfera de poder.

E o que sucede invariavelmente è que o candidato re[une um só requisito qual seja da sagrada mediocridade galgando os pìncaros de importantes carreiras nos mais diversos níveis do Paìs. O absurdo aconteceu décadas atrás bastava ser amigo do Rei para ser nomeado e também vigora na atual gestão cujos indicados,salvo raras exceções precisam ter a simpatia e evidentemente pertencer a hoste religiosa como dogma da nomeação.

E as milhares de neopentecostais tomam partido aliando-se fisiologicamente ao poder para se perpetuarem, influenciar Congresso e evitar qualquer tipo de tributação valendo a máxima da imunidade plena, total e irrestrita. Obviamente muitos evangélicos integram cargos no parlamento, no executivo e ainda no judiciário,não se preocupando com o saber e a elevada cultura para a nomeação, transferindo tudo, como se fosse possível, para a legenda do padrinho político hospedada na fé e no fervor pastoral.

Somente no Brasil, País emergente é que setores religiosos pressionam e ganham adesão no aumento dos seus quadros de representação pedindo espaço para manter suas regalias e demais privilégios. A sagrada mediocridade começa a plasmar em diversos setores e múltiplas funções, e o terrivelmente evangélico livre de traição deve cumprir sua missão apostólica de nunca contrariar seu mestre, no caso aquele responsável pela nomeação.

Enquanto não houver radical mudança como se faz na iniciativa privada, o estudo e o conhecimento serão relegados a último plano, já que no Brasil mérito propriamente dito vai ao encontro da simpatia pela pessoa e não por força do cargo que virá a ocupar. Não é sem razão que a confiança da população como um todo e da sociedade civil em geral mostra índices cada vez menores, preocupando muitos pelo simples fato de não participar dessa desvigiada nomeação.

O aumento paulativo e progressivo de evangélicos no Parlamento é o principal fator de uma delimitação da norma a ser legislada e seus interesses pautados, pois que o STF mais diretamente conferiu imunidade constitucional plena às instituições livre seus pastores bilionários de qualquer contributo a que título for para o Fisco.

E prosseguindo nesse ciclo vicioso que impera desde Brasil Colônia,passa pela República Velha do Café e alcança em cheio a nova República tornou-se o novo normal para distanciar-se de preconceito a escolha de um candidato que possa agradar algum setor ou uma parte da sociedade, ainda que sem cultura, discernimento e requisitos para ocupar a função e o respectivo cargo.

A conjugação inócua de tantos fatores adversos fez com que milhares de brasileiros partam definitivamente para o exterior em busca de qualidade de vida, melhor remuneração da jornada, segurança e atendimento planejado da saúde socializada.

No Brasil o custo de vida, notadamente, em grandes cidades, tornou-se abusivo. Em tempos de recessão a inflação corre solta em particular nos preços dos alimentos, cujos supermercados se mantiveram ao longo de toda pandemia abertos. Igualmente as farmácias vendendo remédios que sofrem periodicamente reajustes.

Tempestade perfeita se lança contra o Brasil e quando deveríamos ter pessoas profissionais de peso nos principais cargos de gestão e direção dos três poderes hoje vigora a sagrada mediocridade, basta professar sua fé para abrir horizonte dos menos cultos e adequados para os cargos vindouros, triste constatação que faria chorar o magistral Rui Barbosa, nosso águia de Haia,

Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

2 comentários:

Loumari disse...

Abrão, tu as trouvé tout ça tout seul ? J’avoue que c’est la plus belle rédaction que tu n’as jamais écrite. Je te félicite. Vraiment, bravo. Pour une fois que je lis un article que le sujet est très lucidement bien traité et en parfaite impartialité.

Julgar com balanças justas.

Anônimo disse...

Esses globalistas e a "impartialité"!...
Se a "aurea mediocritas" expressa o ideal de vida segundo o qual os excessos devem ser evitados, o presidente e seus seguidores são acusados exatamente do contrário. Todos criticam o bolsonarismo por não permitir a solução conciliada, por alimentar a guerra politico-ideológica iniciada pela esquerda.
Mas o conceito de mediocridade pode ser aplicado positivamente, como sua acepção original, restabelecendo o bom senso inerente ao ser humano, para neutralizar a histeria dos seguidores do Cientismo (doutrina criada por psicopatas).
Sua intenção pode ser a de contribuir genuinamente para a solução dos problemas do Brasil e do mundo, mas, em vez de ouvir a geração dos seus filhos, que está no poder global, ouça seus netos: eles estão mais próximos dos motivos que movem o presidente Bolsonaro, e todas as pessoas com propósitos honestos são bem-vindas para ajudar essa nova geração.

[Pela primeira vez entendemos o uso sistemático da Ciência para nossa escravidão garantida através do documento "Armas silenciosas para guerras silenciosas". Essa é uma leitura obrigatória para todos que buscam conhecimento dos detalhes das armas usadas para sistematicamente transformar todos nós em "escravos satisfeitos". (...) O conceito de Tecnocracia é congruente ao uso da Ciência para a vantagem econômica da elite. (...) O Cientismo está na base da Tecnocracia. (...) A Comissão Trilateral está por trás da implementação da Tecnocracia e, conforme Brzezinski no livro "Entre Dois Tempos - o papel da América na Era Tecnetrônica":
"A era tecnetrônica envolve o aparecimento gradual de uma sociedade mais controlada. Tal sociedade seria dominada por uma elite indiferente aos valores tradicionais. (...) O Estado-nação está gradualmente cedendo sua soberania."
De acordo com Patrick Wood, a Nova Ordem é:
. a Era Tecnetrônica;
. uma sociedade controlada na qual a elite governa;
. os principais atores e planejadores da vida econômica serão bancos globais e corporações multinacionais;
. uma vigilância contínua de cada cidadão;
. arquivos contendo todas as informações sobre cada cidadão estarão instantaneamente disponíveis às autoridades. (...)
A "Economia Verde" é a Tecnocracia. Reconfigurar empresas, infraestrutura e instituições significa revisar nossa própria sociedade, nosso modo de vida, para aberturas, e pode e vai piorar muito à medida que o controle da elite é expandido.(...)
Patrick Wood relata em seguida que o Conselho Mundial de Igrejas disse que "as crenças do mundo se declararão, irrevogavelmente, como Crenças Verdes."
E o Direito Reflexivo será o Paradigma Legal para o Desenvolvimento Sustentável. (...) Assim, a Tecnocracia porá fim à lei "rígida" e a transformará em lei reflexiva, para melhor atender às necessidades de seu governo global. (...)
Os Trilaterais também querem transformar "energia", "humanidade" e "cristianismo". (...) O Transumanismo é uma ameaça à vida humana como a conhecemos, e o Cristianismo está realmente sob ataque hoje. (...)
Agir localmente enquanto pensa globalmente é a melhor perspectiva para a preservação da liberdade.]

Tecnocracia: uma ditadura baseada em IA
https://geopolitics.co/2015/04/06/technocracy-a-scientific-dictatorship/