terça-feira, 13 de julho de 2021

Povo cubano vive um dos piores dias de sua história


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Percival Puggina

 

Com a Covid alcançando níveis altíssimos de disseminação e contaminação, o sistema de saúde cubano entrou em colapso. Neste domingo, após anos de repressão e silêncio, multidões começaram a sair às ruas, pedindo democracia, atenção e socorro externo para as necessidades humanitárias da Ilha.

Ontem assisti ao pronunciamento do presidente Diaz-Canel. Sei que o espanhol e o sotaque cubano podem ser de difícil entendimento, mas em resumo, o atual ditador admite as dificuldades, mas fala como ditador. As atribui ao “bloqueio”, ataca com ira os movimentos SOS Cuba, que com diferentes formatos pedem atenção internacional para a crise do país. Declara que são movimentos orientados pelo “imperialismo ianque”. Afirma que as mudanças pedidas pelos contrarrevolucionários são do tipo neoliberal, com privatização do sistema de saúde. E finaliza dizendo que os revolucionários e os comunistas estarão nas ruas porque as ruas são da revolução.

Não guardo esperança de que esta insurgência possa representar alteração significativa no comunismo cubano, tão admirado e apreciado pela parcela dominante da esquerda brasileira. Este pequeno trecho de um artigo que li ontem no site CubaNet é um retrato doloroso da realidade que vi de perto, vivida pelo povo da ilha há mais de 60 anos. O título do artigo é “Em Cuba, a violência não começou com a Covid-19”.

Aqueles de nós que vivemos em Cuba, com os pés bem assentes no chão, sabemos que assim é, e que a violência nos foi tão bem fornecida desde o berço em pequenas doses, mas com altíssima concentração, que já temos por "normal", por exemplo, que sejamos maltratados não só pelo funcionário público, pelo policial uniformizado ou disfarçado, mas também pelo dono da mercearia, pelo taxista, pela fofoqueira e pelos invejosos do CDR (Comitê de Defesa da Revolução), o professor primário ou do instituto, a enfermeira, o médico, camareira do hotel, o garçom e até o coveiro que se recusa a carregar o caixão porque não lhe demos uma gorjeta substancial.

Esse é o panorama psicossocial subsequente e pretendido pelos totalitarismos, nos quais “el pueblo” desarmado e sem poderes políticos reais, é mero vocabulário de discurso, despojado de toda forma desejável de liberdade. 

Não há melhor exemplo disso do que o fornecido por quem, desde fora da Ilha, apoia um governo que reprime as manifestações de um povo doente e com fome.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lula disse que, na manifestação em Cuba, não houve soldado com joelho em cima de um negro, como nos EUA. Ele esquece de dizer que, na manifestação, não houve drogado em alto grau que precisasse ser contido, como George Floyd sob efeito de Fentanil e outras drogas. Ele não falou que o policial asfixiou Floyd, porque o laudo atestou que não houve marca no corpo que causasse asfixia, mas para a população ficou a fake news divulgada exaustivamente pela MSM de que o joelho pressionado causou a morte, quando foi a overdose da droga.