domingo, 18 de julho de 2021

Quem não trabalha não come...


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por João Guilherme C. Ribeiro

 

Concordo plenamente que malfeitos com dinheiro público e irresponsabilidade, sejam de que origem forem, estão além do inaceitável: são crimes da pior espécie.  O meu problema é reconhecer como democracia essa coisa híbrida, estranha, amorfa, desequilibrada, injusta e inconsequente em que vivemos. 

Se o voto secreto é uma das características, pelo menos deveria ser garantida sua inviolabilidade e, por conseguinte, sua validade.  Nem uma nem outra, com essa maquininha de fraudar…

 

Se a liberdade de expressão é uma das características, então censuras direcionadas, tanto  indiretas (pelas plataformas) quanto diretas (pelo judiciário) não poderiam existir.  Mas existem.

 

Se equilíbrio de poderes é outra das características – os famosos pesos e contrapesos – cada macaco deveria estar no seu galho, o que definitivamente não está.

 

Também concordo que não seja problema de esquerda, centro ou direita, desde que não queiram a perpetuação no poder.  Um amigo, gerente regional em um grande banco, exemplifica como saudável a alternância de gerentes em agências bancárias a cada três anos, no máximo.  Votei no maldito cachaceiro em 2002 justamente porque acreditava votar na alternância.  Se houve alternância, foi só do paletó para o macacão…

 

O que temos aqui é uma visão intramuros, strictu sensu, voltada para o Exército, versus uma visão latu sensu, voltada para o que acontece no Brasil.  Até entendo, mas não estou nessa bolha.  Como eu digo, no meu mundo, chi no lavora non mangia.

 

Democracia, no meu mundo, seria ver o sujeito em que eu e mais 57 milhões de brasileiros elegemos, realizar as promessas de campanha que nos levaram a votar nele.  Mas o sistema parasita, inepto, desigual, corrompido e corruptor, produto dessa minoria aquinhoada, privilegiada o impede de dar um passo sequer e o transforma em vítima de todo tipo de atentados, não nos permite chamar esse pastiche de "democracia".

 

Por isso, no meu mundo, os pratos na balança da Justiça têm que ser equânimes.  Na Justiça Castrense, você ainda pode contar com isso.  Mas o que nós, aqui fora, vemos, é um desrespeito capital aos valores democráticos, aos nossos valores e ao mais elementar senso de justiça.

 

Não é o desabafo do Presidente que me insulta – na verdade, se submetido ao que ele tem passado, eu me expressaria de forma muito mais contundente.  O que me insulta é ver o desrespeito de cada dia, a narrativa falsa, o desespero dos apparatchiks em manter-se no poder ou para voltar a ele.  Abstinência de dinheiro não difere da abstinência das drogas. Enquanto isto e por causa disto, a tal "democracia" não passa de figura de retórica. E danem-se os sacrifícios da quase totalidade se for possível manter os privilégios dessa exígua minoria privilegiada...

 

Aqui fora, o que falta é respeito.  E falta de respeito, por aqui, se traduz em desespero, injustiça e fome.

 

João Guilherme da Cruz Ribeiro é Livre Empreendedor Cultural.

Um comentário:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

O 'vagabundo" ocupa os dois extremos da pirâmide social brasileiro. Os vagabundos "honestos".e os "desonestos". Os primeiros se dão mal na vida só porque não trabalham,nem gostam de trabalhar.Os segundos, continuam não trabalhando,mas investiram numa profissão com altos rendimntos:a política.