domingo, 26 de março de 2017

Politicagem Bovina x Povo Marcado


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O final da sétima temporada de “The Walking Dead” será dia 2 de abril. Mas o episódio imperdível, literalmente fora de série, será no dia 3 de maio, quando o The Walking Dead tupiniquim sentirá a experiência de sentar na 13ª Vara Federal lá da “República de Curitiba”. O jogo segue brutíssimo nos bastidores da politicagem bovina. O plano é corromper a vontade soberana do povo marcado, transformando a Lava Jato em um grande Mela Jato. As organizações criminosas seguem mais unidas que sempre.

Teremos mais uma grande manifestação domingueira. Não deve ser grande na quantidade, porque a maioria do povo marcado fica cada vez mais de saco cheio, porém “terceiriza a solução”. Espera que surja um “salvador da Pátria” para resolver todos os problemas – via eleição ou até por intervenção. Sobram broncas para levar o povo, em massa, para protestos na rua. O problema é que os extremos da pirâmide social brasileira, com peso hegemônico, seguem inertes e omissos. É assim que a sociedade termina vencida por si mesma.

A zelite não quer e sabota qualquer mudança estrutural. A massa ignara espera que tudo se resolva por milagre. A classe média protesta nas redes sociais e nas ruas. Na prática, o protesto serve muito mais para desopilar o fígado. Promove-se uma catarse quase carnavalesca, na ilusória esperança de uma melhora do quadro social. No fundo, o problema é que falta fé na capacidade de organização estratégica. Não se consegue a união para formular e executar um projeto para o Brasil.

As manifestações domingueiras ainda são motivadas por problemas conjunturais que incomodam muita gente. Os políticos corruptos e incompetentes são os principais alvos. Já os problemas estruturais são até abordados nos discursos mais esclarecidos. No entanto, como não empolgam a maioria da “massa bovina”, as soluções estruturais acabam relegadas a um segundo plano. Falando sinceramente: ficam adiadas sine die... Ou se tornam sonhos de alguma manifestação – o que é ultra frustrante...

Analisando friamente, em comparação com o resto do mundo, o Brasil segue “avançando” na vanguarda do atraso. Atualmente, vigora uma euforia com o estilo Lava Jato (que tem a adesão daquela torcida de macacos que adoram ver o leão tomando no rabo, sem maiores preocupações com os princípios básicos e civilizados de Justiça – que precisam ser aperfeiçoados no Brasil da jagunçagem, rigor seletivo e impunidade).

Agora, tudo é festa no Coliseu superfaturado. Imagina o que pode acontecer brevemente, no inconsciente coletivo da massa bovina, se as punições do presente, geradas por tantas delações premiadas, se transformarem em perdões nos futuros julgamentos de infindáveis recursos em instâncias superiores do nosso judiciário? Quer saber? Pode acontecer nada... A maioria ficará pt da vida, mas tudo fica como dantes – ou como sempre esteve... O “emputecimento” não aciona o gatilho das mudanças estruturais.

Eis o drama brasileiro. Continuamos perdendo tempo precioso. Na comparação fria com o resto do planeta Terra, o Brasil anda para trás. Nossas instituições foram rompidas e corrompidas pela ação do Crime. A bandidagem age com três prioridades táticas imediatas. 1) Negocia “reformas” em um sistema apodrecido. 2) Legisla “anistias” para crimes politicamente hediondos. 3) Cria leis que tornam “legais” práticas absolutamente ilegítimas.

Em tempos de carne fraca por corrupção, a politicagem bovina segue vencendo a batalha contra o povo marcado feito gado programado para o abate. A ignorância, a soberba e a vaidade – amplificadas por mentiras e conceitos errados repetidos à exaustão – prevalecem sobre a verdade e a ética. É por isso que o “Mela Jato” tem tudo para detonar a “Lava Jato”...

A bandidagem segue se reinventando... Muitos “mortos vivos” seguem na pista, dando shows de politicagem. As pessoas de bem não têm o direito de seguir atuando no time dos otários... O único jeito de virar o jogo é com estratégia... Vamos encarar de pensar, reinventar e refundar o Brasil? Ou vamos apenas ficar nas redes sociais e nas ruas fazendo “psicodrama”?

"Terceirizar" a solução é burrice e covardia...   

Mela Jato


Especialista


Destemido


Afinadinhos


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 26 de Março de 2017.

Jujuba


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Ganha uma bala de goma quem advinhar o perigo que nos assoma.

O perdulário bosto quer aumentar imposto.

Fazem as cagadas e querem jogar a merda em nossas costas.

É verdade que conhece o metier desde o tempo do banco de bosta.

Quer fazer odre do consumidor de carne podre.

Nem adianta madá-lo tomar no guardador de processos porque vai pensar que é proposta de acordo.

Diz dona Onça: “Se tentar eu mordo!”

Já se aceita aposta. O Cherubino seguirá em desatino?

Ele nos diz que sabemos sobre o amor.


Não vê que a nação lhe mostra seu estupor.

Catiripapo na bisteca, voltamos a repetir; na cara dos otários que lhes pagam altos salãrios.

Burros, estúpidos e insensíveis. Não advertem o perigo iminente.
Nem quem cala, nem quem mente.

Para nossa coleção (que talvez nada valha) um novo tipo de câo:

O cãonalha.

O fogo do Inferno não é fogo de palha.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Terceirização do Terceiro Mundo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Votada no congresso nacional a lei que prevê uma disciplina própria para terceirização ampla e geral para a atividade empresarial, inclusive quarterização, indaga-se a respeito do modelo: se é progressista ou de terceiro mundo?

A bem da verdade quem gerou essa legislação foi a principiologia da Era Vargas, celetista, que confere ao reclamante, mesmo não os tendo, todos os direitos, inclusive de isenção do pagamento de custas, despesas e verba honorária, mesmo que se cuide de um diretor ou CEO que demande nessa esfera.

Com a customização errática, germinou-se radicalização e o Senado Federal agora tem a grande e única responsabilidade de modular a legislação. Evidente, não podemos contar com cem por cento da mão de obra e serviços terceirizados. Imaginem se dentro de um hospital se resolve contratar uma empresa de mão de obra que destinará seus médicos todos recém-formados para atendimento naquela localidade de alta complexidade.

Quem responderá se houver um erro médico ou hospitalar? Seria o hospital no qual o paciente deu entrada, a equipe médica que dispensou atenção ou a empresa terceirizada que municiou o agenciamento do pessoal? E quem decidirá a questão: a justiça comum ou a especializada trabalhista?

Essas paradigmáticas matérias ainda terão que ser passo a passo solucionadas pelo Senado Federal, e daqui a pouco todo o serviço público, alvo maior do projeto, também oportunizará uma subempreitada de tal sorte que apenas funções essenciais terão cargos ocupados por concursos. As demais preenchidas pelo meio de recrutamento e mão de obra, mas não sabemos a qualidade,a categoria e a especialidade. Como ficará o consumidor final diante de tantas e revolucionárias mudanças?
Admitamos que um lojista contrate uma empresa especializada para atendimento de balcão e  o cliente passe a ser tratado com desprezo ou desconhecimento em torno do produto ou da mercadoria, o que diríamos os serviços das prestadoras ou concessionárias, há esperanças de melhora. Acreditamos muito pouco ou definitivamente os direitos trabalhistas serão solapados pela revolucionária globalização.

Do que adianta termos tantos direitos trabalhistas se 13 milhões de desempregados passam necessidades e gostariam muito de conseguir uma atividade mesmo com menos probabilidade de proteção social. O paternalismo baba do Estado brasileiro que insistiu num getulismo demode acarretou essa tardia mudança agora feita pelo parlamento a ser aperfeiçoada e aprimorada pelo Senado Federal.

Vamos exemplificativamente ponderar que uma faculdade particular resolva terceirizar parte do corpo docente e contrate firma especializada. Haverá uma queda de qualidade e os alunos não terão professores fixos. A cada dia um poderá aparecer e lecionar o que já tinha sido visto antes ou fugir completamente da grade curricular. São riscos que assumiremos doravante mas que terão um balizamento da jornada e das decisões judiciais a serem proferidas.

Quem sai enfraquecida dessa realidade é a justiça laboral, pois o registro em carteira será exceção à regra e provavelmente reduziremos as causas de reclamações trabalhistas para um percentual condizente e não uma média de 3 milhões de ações ano.

Imaginemos um banco que tenha um sinal iminente de greve e o banqueiro contrate uma empresa terceirizada para atendimento da clientela no caixa, balcão e serviços congêneres se não houver empatia ou discernimento será um verdadeiro caos.

Ao implantarmos o modelo que é avançado e serve aos interesses do capital o trabalho fica relegado para um segundo plano e se não soubermos atender ao equilíbrio do denominado comum continuaremos pelejando entre o moderno e o progressista, mas sempre no calor de uma Nação de terceiro mundo que ao invés de distribuir riqueza esparge a miséria como estigma de um modelo paternalista e de garantias sociais superadas no tempo e no espaço.

Resta-nos aguardar o bom senso e a razão do Senado Federal para corrigir as falhas, preencher as lacunas e consertar o que falta a fim de que a propalada legislação reduza o número estratosférico do desemprego, gere confiança e segurança e acima de tudo inspire novos rumos na conjuntura econômica de inexcedível crise.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Preconceito contra as bruxas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Tendo perdido a posse Administrativa, a chave dos Cofres e o comando das Armas, a Organização Criminosa Petista vive ainda na fantasia de deter a Ordem Moral que ela imagina existir no Brasil.

Falam com a afetação dos puros, invocam as dores dos mártires, o comportamento dos visionários, pensam que são "líderes" ...Vagueiam pelo país feito fantasmas, como almas penadas que gemem a velha ladainha de "nós" e "eles"...como se isto ainda funcionasse, como se alguém ainda acreditasse nas suas fanfarronices, na sua audácia de representar esta gente que eles chamam de "povo"...Povo que eles mesmos ajudaram a perder o emprego, a casa, o negócio...Que neles depositou fé, esperança, dinheiro ...futuro...

Lula, Dilma...o PT inteiro é um câncer que precisa ser extirpado, uma doença maligna da História Brasileira que precisa ser combatida, perseguida, morta até a última célula numa "caça às bruxas" em que a bruxa, ao invés de vassoura, usa bicicleta, fuma maconha, é lésbica e reclama, pelo Mundo Inteiro, não da perseguição e da Tortura que lhe inflige o "Inquisidor", mas do "preconceito contra Bruxaria" e pergunta-se quase chorando -  "por que não fazem isso, também, com os vampiros e com os lobisomens??".


Milton Simon Pires é Médico. Editor do Ataque Aberto.

Com a palavra, o Boi


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arnaldo Bloch

Digamos que um boi desgarrado dum rebanho, ou fugido de um matadouro, se encontrasse num terreno baldio, ou num campinho de vargem abandonado, pastando sobre uns restos de graminha e, inadvertidamente, cruzasse caminho com um repórter especial com poderes especiais, capaz de extrair, de seus mugidos, a opinião do animal não apenas sobre a crise da carne, mas sobre a situação toda do país.

Por mais opinoso que fosse esse boi rebelde, anônimo, clandestino, a carne, do ponto de vista do consumo, não estaria entre suas prioridades: boi não come boi, o que faz dele, por sinal, um ser em sintonia com a política vegana, tão em voga, mas não por ideologia, e sim por sua involuntária natureza.

Fosse ele de fato fugitivo de um matadouro, aí sim, talvez, tivesse algo a dizer sobre como se tratam os seus irmãos e suas irmãs (vacas são abatidas em menor número, mas também levam a lâmina, o choque no ânus, o tiro na cabeça ou o que lá seja, dependendo da tecnologia empregada). O mesmo sobre os filhos, novilhos, vitelas: não há trégua nem para os bebês, mais tenros ao palato do comensal, escolhidos a dedo nas fazendas.

Falaria, ou mugiria, em nome também dos cabritos, das ovelhas, dos bodes vertidos em buchadas, preferidas até por presidentes, e dos frangos confinados dia e noite na luz. Fosse nosso boi vadio um boi versado, talvez tecesse considerações sobre o aspecto econômico dentro da dinâmica da cadeia alimentar humana, levantando fatores socioeconômicos, culturais e evolutivos.

Diria o boi que se, talvez, no futuro, a hoje chamada escravidão animal venha a ser abolida, isso não se fará de uma hora para outra, ou a toque de caixa, como, por exemplo, se tenta fazer agora com assuntos tão importantes quanto a lista fechada ou a terceirização de atividades fins.

Será preciso uma transformação de mentalidades e um ambiente econômico em que um país não corra o risco ainda maior de quebrar se o consumo de suas entranhas, aqui e lá fora, for impactado. Ainda que por uma inspeção da Polícia Federal que em alguns aspectos, se chamarmos de bovina como fazia Nelson Rodrigues, talvez seja ofensiva aos próprios bois, que não têm nada a ver com o modo com que se manipula seu corpo para a comercialização, ou com as vaidades do Poder Judiciário, antes ou após o abate.

Mas o leitor sabe, o cronista sabe (embora, por natureza, tome liberdades metafóricas e hiperbólicas como instaurar uma entrevista de um repórter com um boi), e talvez o próprio boi saiba que bois não falam e que não há um dicionário para mugidos que dê conta de muitas traduções além dos sons que expressam dor, contentamento, contrariedade ou afeto, no trato com os seus pastores ou seus matadores.

O que leva, enfim, o cronista a chegar ao ponto que almeja: se é difícil, na vida real como a conhecemos, perguntar ao gado sua opinião sobre o abate, é mandatório consultar o eleitor (para não dizer “povo” e soar casuístico) sobre temas que afetam sua vida, e o que pensa sobre a maneira como se trata o seu destino no âmbito público, seja para efeitos de arrecadação, seja no que toca às legislações que determinam seu futuro e, consequentemente, o futuro do país. Que é, em última análise, constituído por todos os setores da boiada, dos mais magros aos mais gordos, dos desgraçados aos afortunados.

Nesse sentido, a pressa com que alguns magistrados e políticos querem aprovar a lista fechada sem qualquer tipo de consulta à sociedade (caso muito bem expresso no embate entre um altíssimo juiz e um colega envolvido na questão, que pede para os apressados baixarem a bola) é exemplar: fica a forte impressão de que o interesse em tamanha celeridade tem muito menos a ver com a qualidade dos candidatos e o aperfeiçoamento do sistema e muito mais com a chance de livrar sua turma da fila do abate. Ou, conforme se quiser chamar, a fila do jato d’água e seus consequentes encanamentos.

Nos outros grandes temas da nação parece que tudo caminha na mesma vertente. A discordância entre Câmara e Senado no caso da terceirização de atividades-fim, e da reforma trabalhista como um todo (deixemos de lado a Previdência, cuja gestação é mais, digamos, pluralista e multissetorial) parece estar ora relacionada com os interesses das casas legislativas e do Executivo diante do eleitorado e das empresas (todos interesses legítimos).

Deixa, contudo, mais para a margem do campo social, o que diz quem mais será afetado, negativa ou positivamente: o trabalhador. Este sabe falar e, apesar das metáforas já tão repisadas (muito antes da famosa cena na abertura de “Tempos modernos” já se comparava porta de fábrica com porteira de fazenda), não é boi, é gente. Com todo respeito aos nossos irmãos no espectro multibiológico, ao qual São Francisco de Assis é tão sensível. Ficção?


Arnaldo Bloch, Jornalista, é colunista de O Globo, onde o artigo foi originalmente publicado em 25 de março de 2017.

Fidel Castro – De Marti a Marx


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo, altamente científico, foi transcrito do livro “O Marxismo na América Latina – Uma Antologia de 1909 aos Dias Atuais”, escrito por Michael Lövy.

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O discurso de Fidel Castro, em 2 de dezembro de 1961, é um documento crucial da Revolução Cubana: foi a primeira vez que Fidel se vale explicitamente do marxismo e explica o seu itinerário ideológico do antiimperialismo radical a Marx e Lenin. Também esclarece por que e como a Revolução Cubana experimentou um processo de ‘”transcrescimento” rumo ao socialismo. Encontram-se nesse discurso algumas das principais características da interpretação castrista do marxismo: percepção do cargo político em termos da alternativa imperialismo ou socialismo. Eis um resumo desse discurso:
    
É claro que não estou falando aqui para os revolucionários. É possível que, para os revolucionários, não seja mais necessário falar isso. É preciso falar, inclusive, aos insensíveis, aos indiferentes, aos confusos, aos que não entendem por que isso e por que aquilo. 
    
E toda essa gente teria morrido para que os latifundiários continuassem sendo donos de milhares de caballerias de terras? Não, qualquer um compreende que não. Qualquer um compreende que os dirigentes da Revolução teriam sido traidores se tivessem feito uma Revolução, se tivessem levado tanto jovens ao combate e à luta, se tantas vidas tivessem sido sacrificadas para isso. Para tão pouca glória não valeria a pena que nenhum cubano tivesse morrido. Para tão pouca glória não teria valido a pena levantar uma arma! Esgrimir uma arma, combater, sofrer o que sofreu nosso país, tinha que ser por algo, muito mais que tudo isso.
    
E alguns pretendiam que os homens morressem precisamente para continuar esse sistema de exploração, para que mil famílias continuassem vivendo como príncipes em nossas capitais e em nossas cidades, para que continuasse existindo aquele regime de exploração, de fome, de miséria, de discriminação, de abusos. Alguns pretendiam isso. E, aparentemente, acreditaram que a Revolução poderia ser isso. Houve alguns que, na última hora, até compraram alguns bônus e fizeram algumas coisas para isso. Como estavam errados! Como estavam errados ao acreditar que certas conquistas do nosso pais, que já foram tratadas inclusive desde a Guerra de 1895, ficariam truncadas e as coisas continuariam como eram!
    
É claro que essa política honesta, essa política revolucionária, essa política que caminha junto com a História, junto com os sentimentos e interesses dos povos subdesenvolvidos e explorados de todo o mundo, que caminha junto com os interesses e a honra nacional, não é uma política fácil. Tinha de ser, necessariamente, uma política de sacrifícios. Porque, se queríamos redimir nosso povo da incultura, do desemprego, da fome e da miséria, desenvolver nossa economia, ter uma economia própria, uma economia independente.

E, junto com uma economia independente, uma política independente, que acabasse com o desemprego, com a incultura, com a miséria, com o atraso, com a pobreza, com a ignorância, com a doença e com a situação de infelicidade em que vivia a maior parte do nosso povo, tínhamos de fazer uma política revolucionária coerente. Fazer isso, implicava em enfrentar o imperialismo com todas as forças. E isso é o que estamos fazendo.
    
Claro que os dirigentes da revolução somos revolucionários. Se não fôssemos revolucionários não estaríamos, simplesmente, fazendo uma Revolução. Quero dizer com isso que os revolucionários e os povos, juntos com os revolucionários - isto é, a grande massa explorada do povo -, estão dispostos a pagar o sacrifício que for necessário, e o preço que for necessário por tudo isso.    
    
Poderão dizer a um acomodado, a um indiferente, a um insensível, a um corrupto, que o melhor é não arranjar problemas, que o melhor e respeitar todos esses interesses, simplesmente. Poderiam dizer isso a eles.
    
Tínhamos de optar entre permanecer sob o domínio, a exploração e a insolência socialista, continuar suportando aqui os embaixadores ianques dando ordens, continuar mantendo nosso país no estado de miséria em que estava, ou fazer uma revolução antiimperialista, fazer uma revolução socialista.
    
Nisso não havia alternativa. Nós escolhemos o único caminho honrado, o único caminho leal que podíamos seguir com nossa Pátria, e de acordo com a tradição dos nossos mambieses (insurretos de cuba que se rebelaram contra dominação espanhola), de acordo com a tradição de todos os que lutaram pelo bem do nosso país. Esse éo caminho que seguimos: o caminho da luta antiimperialista, o caminho da revolução socialista. Porque, por outro lado, não cabia qualquer outra posição. Qualquer outra posição seria uma posição falsa, uma posição absurda. E nós nunca adotaremos essa posição, nós jamais vacilaremos. Jamais!
    
O imperialismo deve saber – para sempre – que jamais terá nada a ver conosco, e o imperialismo tem de saber que, por maiores que sejam nossas dificuldades, por dura que seja a nossa luta para construir nosso país, para construir o futuro do nosso país, para fazer uma história digna de nosso país, o imperialismo não deve ter a menor esperança a nosso respeito.
    
Muitos que não compreendiam essas coisas, hoje as compreendem. E as compreenderão cada vez mais. Para todos nós essas coisas são cada vez mais claras, mais evidentes, mais indiscutíveis.
    
Esse era o caminho que a Revolução tinha que seguir: o caminho da luta antiimperialista e o caminho do socialismo. Ou seja, a nacionalização de todas as grandes indústrias, dos grandes comércios. A nacionalização e a propriedade social dos meios fundamentais da produção e o desenvolvimento planejado da nossa economia todo o ritmo que permitirem os nossos recursos, e nos permitir a ajuda que estamos recebendo do exterior. Isso foi outra coisa realmente favorável à nossa Revolução, o fato de contarmos com a ajuda e solidariedade que nos permitem, sem os enormes sacrifícios que outros povos tiveram de fazer, continuar com a nossa Revolução.
    
Era preciso fazer a Revolução Antiimperialista e Socialista. A Revolução Antiimperialista e Socialista tinha que ser só uma, uma verdadeira Revolução, porque existe apenas uma Revolução. Essa é a grande verdade dialética da humanidade: o imperialismo, e diante do imperialismo, o socialismo. Resultado disso: o triunfo do socialismo, a superação da época do socialismo, superação da etapa do capitalismo e do imperialismo, o estabelecimento da era do socialismo, e depois a era do comunismo.
    
Que ninguém se assuste, não haverá comunismo – se é que ainda há algum anticomunista por aí - até, pelo menos, dentro de 30 anos.
    
Assim, até mesmo para que nossos inimigos aprendam a compreender como é o marxismo, em duas palavras, e que, simplesmente, não se pode saltar por cima de uma etapa histórica. Talvez a etapa histórica que alguns países subdesenvolvidos possam saltar hoje, e a edificação do capitalismo. Isso é, podem iniciar o desenvolvimentismo da economia de um país pelo caminho do planejamento e pelo caminho do socialismo; o que não pode ser saltado é o socialismo. E apropria União soviética, depois de 40 anos, começa a edificação do comunismo e espera ter avançado consideravelmente nesse terreno.  Por isso, estamos na etapa da construção do socialismo.
    
E o socialismo. Qual é o socialismo que devemos aplicar? O socialismo utópico? Tínhamos, simplesmente, que aplicar o socialismo científico. Por isso, comecei dizendo, com toda a franqueza, que acreditávamos no marxismo, que acreditávamos que é a teoria mais correta, mais científica, a única teoria verdadeira, a única teoria revolucionária verdadeira. Digo isso aqui com total satisfação e com total confiança: sou marxista-leninista e serei marxista-leninista até o último dia da minha vida.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

sábado, 25 de março de 2017

Lula é vítima... Dele mesmo...


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O Partido dos Trabalhadores do Brasil Capimunista desistiu de lançar, em maio, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República na eleição de 2018. Legal foi a desculpinha dada pelo presidente da petelândia, Rui Falcão, para dar uma adiada no “factóide”: “Dentro da perseguição sistemática que ele é vítima, nós não queremos dar pretexto a nenhum tipo de acusação forjada de que ele está se antecipando à campanha eleitoral e a partir daí sofrer multas”. Falcão tem certa razão, porque o Ministério Público Eleitoral já investiga Lula pela palhaçada recente de ter “reinaugurado” as obras de transposição do Rio São Francisco.

Independentemente de voltar a concorrer ao Palácio do Planalto (contra a vontade do “sistema” – que fará de tudo para triturá-lo), Lula já tem um compromisso estratégico que tornou explícito ontem, em um seminário-crítico promovido pela petelândia: “O que a Lava Jato fez pelo Brasil”. Lula explicitou seu mote estratégico que é atacar o Judiciário e o Ministério Público. Lula disse tudo em uma única frase que levou seus seguidores ao delírio: “A gente não pode deixar de aprovar a lei de abuso de autoridade porque ninguém está acima da Constituição”
 
Lula já demonstra que sente bastante cagaço de sentar na vara do Sérgio Moro, conforme está programado para o dia 3 de maio. Tanto que fechou o evento com um espetáculo infantil de demagogia e ameaça: “Nem o Moro, nem o Dallagnol, nem o delegado da Polícia Federal têm a lisura, a ética e a honestidade que eu tenho nestes 70 anos de vida. Eles deram azar porque foram mexer com quem eles não deveriam ter mexido. Vou nessa briga até o fim. Não tenho negociata. Eles vão ter que provar. A Lava-Jato não precisa do crime. Primeiro, ela acha o criminoso e depois coloca o crime em cima do criminoso. Quero ver qual vai ser o crime a ser imputado a mim”.

O maior alvo de Lula nem é Sérgio Moro – que ao tem pretensões políticas, mas sim o coordenador da Força Tarefa da Lava Jato. A inteligência da petelândia (será que isto realmente existe, no sentido denotativo e conotativo) trabalha com a informação de que Deltan Dallagnol tem tudo para ser candidato ao Senado pelo estado do Paraná na eleição de 2018. Por isso, Lula ataca o procurador até por ser “evangélico” (protestante, membro do 1ª Igreja Batista do Paraná).

O “companheiro $talinácio” detona Dallagnol impiedosamente, avacalhando até com o Livro das Sagradas Escrituras. Lula esbravejou e a petelândia delirou: “Aquele Dallagnol (vem) sugerir que o PT foi criado para ser uma organização criminosa... O que aquele moleque conhece de política? Ele nem sabe como se monta um governo. Não tem a menor noção. Ele acha que sentar em cima da Bíblia dele dá solução para tudo”.

O réu Lula também fez um desafio direto ao Ministério Público Federal: “Eu duvido que tenha um empresário que está solto ou que está preso que diga que o Lula pediu dez centavos para ele. Não é porque sou santo, não. É porque tenho critério político. Quando um dirigente político pede dinheiro para empresário fica uma relação promíscua”.

Lula aposta no caos. O poderoso chefão da petelândia já dá como fava contada que seu inimigo Michel Temer também vaio se ferrar – só não tem a certeza de que isto acontecerá antes de o mandato dele terminar. Os depoimentos vazados de dirigentes da Odebrecht indicam que é insustentável não cassar a chapa reeleitoral Dilma-Temer de 2014. O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, tende a pedir a cassação por abuso de poder econômico.

Enquanto isso, a Lava Jato avança contra o andar de cima da politicagem, que tem foro privilegiado. O relator da bronca no STF, ministro Edson Fachin, tem 83 pedidos de investigação de parlamentares e ministros, baseados na delação premiada de 78 executivos da Odebrecht. Fachin também precisará deliberar sobre 211 casos de pessoas sem foro privilegiado, que serão enviados a tribunais inferiores, e pedidos de arquivamentos, entre outras providências. Em meio a tanta trabalheira, Fachin já avisou que não tem pressa:

"Estou lendo e sistematizando o trabalho. No total, são quase 900 requerimentos. Por agora não há previsão. Vou usar o que dizia o Pinheiro Machado, político do Império: 'não vou tão devagar, que pareça provocação, nem tão rápido, que pareça fuga'. A celeridade eu acho importante, mas tenho o ônus argumentativo para evidenciar as conclusões a que estou chegando. Qual o tempo? O necessário."

O final de abril e o começo de maio (com Lula sentando na 13ª vara do Moro) prometem momentos eletrizantes para a grande guerra entre poderes e poderosos no Brasil dominado pelo Crime Institucionalizado, sua corrupção sistêmica e seus mecanismos de canalhice profissional, com jagunçagem, rigor seletivo e muita impunidade. Por enquanto, a única coisa evidente é que Lula é uma vítima... Dele mesmo... Por isso, só lhe resta fazer o que mais sabe: atacar os inimigos de ocasião, como bom sindicalista de resultados que sempre foi...

Autor secreto de Cunha

A juiza Ledir Araújo determina a "identificação imediata do autor desconhecido" do livro “Diário de Cadeia” – que conta a experiência do deputado Eduardo Cunha na Era Lava Jato.

A magistrada impôs uma multa de R$ 400 mil por dia, se o livro chegar a ser distribuído, como estava previsto pela editora Record, a partir de segunda-feira.

A aparente “censura” tem base legal, porque a Constituição Brasileira – que garante a total liberdade de imprensa” - impede o anonimato...

A ação barrando o livro foi impetrada por Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Alberto Malta e Rodrigo Vall, é contra a Record, Carlos Andreazza (o editor) e "o autor desconhecido".

Nota da redação: O Negão da Chatuba manda avisar que não está por trás da obra de Cunha... 

Prisão de luxo pode, Arnaldo Cezar Coelho?

Alguém acredita que Adriana Anselmo ficará em prisão domiciliar sem acesso a telefone e Internet?

A Ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, parece que acreditou, tanto que concedeu na noite de sexta-feira a liminar para que Adriana cumpra prisão em casa (um dos prédios mais luxuosos do Leblon, na Zona Sul da Cidade Maravilhosa).

O STJ apenas repetiu o que decidiu, em primeira instância, o juiz Marcelo Bretas, cuja  decisão fora cancelada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro, presa desde dezembro, a poderosa advogada e mulher de Sérgio Cabral Filho ganha o direito a “prisão de luxo”, para cuidar dos filhos, até que o recurso seja definitivamente julgado – o que seus advogados vão torcer para que demore muito...

Bem que a Justiça poderia conceder o mesmo benefício, por isonomia, para as demais mães presas no Complexo de Gericinó (em Bangu) e nas demais cadeias pelo Brasil afora...

Carne forte


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Março de 2017.

Saracotico


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Nós, brasileiros, estamos como Sísifo.

Empurramos a carroça do progresso morro acima e a classe polititica no-la joga morro abaixo.

Mas não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe.

Pela enésima vez estamos ao borde da guerra civil.

Os mil canalhas, traidores da pátria, estrebucham.

Tentarão de tudo para manter o regime espúrio.

Farão o “diabo” nas palavras de uma incompetente defenestrada.

De repente, não mais que de repente, um será pendurado.

Corre corre na geral.

Banho de sangue “nunca antes visto na história deste país”.

“Messieurs et dames, rien ne va plus. Les jeux sont faits.”

Um exorcista nos livrará do encosto do aumentador de imposto.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Única Reforma


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

As reformas são necessárias para uma adaptação à modernidade com preservação de direitos adquiridos e garantias constitucionais, mas a única reforma que o Estado Brasileiro necessita e clama é aquela política. Sem a sua realização todas as demais reformas serão supérfluas e absolutamente incoerentes e incongruentes com os anseios e ambições da sociedade civil.

Não cogitamos de votos sigilosos ou fichas secretas de candidatos, ou apoiamento público nas eleições, mas simplesmente da redução do número de partidos, com a proibição da utilização de legendas e coligações nas eleições que se avizinham em 2018. Não havendo reforma de imediato correremos o sério risco de chegarmos em 2018 divididos, fragmentados e sem esperanças da reconstrução do caco econômico e do carcomido modelo políticos.

Inspirados nos países desenvolvidos de um misto entre parlamentarismo e presidencialismo, o voto distrital ganha apoiadores e o problema principal é a dominação da legenda e dos caciques donos dos partidos. Temos três tipos de políticos no Brasil: aqueles profissionais que só fazem isso, os opcionais que exercem seus mandatos e depois voltam à normalidade das atividades e os ocasionais que por algum motivo foram chamados para permanecer à frente do mandato quando o titular fora impedido ou teve convocação para nova função.

A reforma político partidária é fundamental para reconquistarmos a soberania popular, a representatividade e o contato corpo a corpo entre eleitor e seu candidato. Essencialmente os partidos seriam reduzidos para 6 legendas e cada uma teria sua plataforma registrada para cobrança dos seus compromissos, sempre atento à ficha limpa,e ao critério de representatividade fusionando a câmara alta com a baixa para redução substancial de deputados e senadores com a normalização dos serviços e a desnecessidade de dupla votação para aprovação das normas legais.

O número de políticos no parlamento corrobora a tese do absenteísmo e do domínio das lideranças e de poucos partidos. Revisto e repaginado o quadro também os deputados estaduais poderiam, alguns deles, os mais votados, automaticamente, ser indicados representantes junto ao parlamento para preenchimento das atividades do cargo e a integração daquilo feito na assembleia estadual e na câmara dos deputados.

Reduzidos os partidos políticos para um total de seis no máximo haveria maior visibilidade e transparência,no congresso nacional o número não significa representação. Assim, dos atuais 581 componentes reduziríamos para 351 e para o senado de 81 membros haveria redução para 51, com uma economia bastante significativa no orçamento e nas despesas,além da funcionalidade da votação dos projetos de lei.

Haveria a possibilidade de doações de pessoas físicas limitadas ao valor máximo de cinco mil reais, com rastreamento dos valores e a fiscalização permanente das cortes eleitorais na prestação e aprovação das contas de todos os candidatos. Entretanto, a fiscalização já aconteceria durante o pleito e qualquer irregularidade,suspeita ou desvio o Tribunal já solicitaria esclarecimentos. Se não forem dados de forma suficiente a impugnação levaria a inelegibilidade da candidatura.

As representações precisam ter um denominador comum da localidade e do lugar no dialogo entre candidato e eleitor comícios e ideias mediante meio presencial ou virtual. A reforma das reformas se chama e se qualifica como política, uma vez que o atual parlamento perdeu seu rumo, o contato e a representatividade da sociedade.

Basta olharmos e encaramos de frente o que sucedeu na votação das dez medidas anticorrupção. O projeto fora completamente desvirtuado pelo parlamento que votou noite adentro, oficializando práticas habitais e condutas de usos e costumes na viciada classe política a qual se excede  e faz crescer o numero de votos brancos, nulos e abstenções.

Perdeu-se totalmente a noção entre o eleitor e o político. A maioria reclama da falta de bons projetos e de rebeldia para revolucionárias transformações em todos os cenários, já que a realidade franciscana da economia conduz aos questionamentos constantes sem resposta. Mais do que isso o voto distrital misto traria o eleito para reuniões mensais ou trimestrais com sua base para justificar e prestar contas e ser cobrado do que está faltando na condução do mandato.

Concisa e objetivamente, sem a reforma político partidária, todos os mecanismos adotados e utilizados são inócuos para alcançarmos o verdadeiro estado democrático de Direito.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O caso Adriana Anselmo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Leonardo Galardo

O Código de Processo Penal Brasileiro permite que certas prisões preventivas venham a ser cumpridas na residência do preso, com a finalidade de assegurar a dignidade de pessoa humana, insculpida no artigo 1º, III, CRFB/88. Tais casos recebem o nome de Prisão Domiciliar.
Até o início de 2016, as hipóteses em que o Juiz poderia substituir a prisão preventiva pela prisão domiciliar se restringiam aos 04 (quatro) incisos do artigo 318 do CPP, que diziam que "poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for":

I - maior de 80 (oitenta) anos
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave
III - imprescindível aos cuidados especial de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência.
IV - gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco

Contudo, a Lei 13.257/2016 (Lei de Proteção à Primeira Infância) modificou o teor do artigo 318 do Código de Processo Penal no início do ano passado (2016), alterando o inciso IV do referido dispositivo legal, bem como inserindo os incisos V e VI ao sobredito diploma, que passou a apresentar o seguinte texto:

I - maior de 80 (oitenta) anos
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave
III - imprescindível aos cuidados especial de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência.
IV - gestante
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos

Com a referida modificação legislativa, a ex-primeira dama do Estado do Rio de Janeiro ADRIANA ANCELMO passou a integrar uma das hipóteses de cabimento da prisão domiciliar, a sabermos, ser mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos.

De acordo com a doutrina mais garantista, entende-se que as leis 12.403/2011 e 13.257/2016 (legislação responsável pela prisão domiciliar da forma como estampada no CPP) criaram uma espécie de "cláusula de barreira", através da qual nenhum juiz poderia decretar a prisão preventiva dos indivíduos que se enquadrassem nos incisos do artigo 318 do CPP, senão sob a modalidade domiciliar. Nesse sentido, estaríamos diante de um direito subjetivo do preso preventivo de ver a sua prisão substituída pela prisão domiciliar.

Contudo, este não é o entendimento prevalente junto aos Tribunais Superiores que consideram a letra fria da lei e entendem que a referida substituição depende de uma valoração por parte do magistrado no caso concreto.

Ressalte-se que a lei dispõe que "PODERÁ o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar (...)", o que significa que estamos diante de faculdade do magistrado, que deverá avaliar as circunstâncias do caso concreto com a finalidade de decidir acerca da referida substituição.

Ademais, a decisão do Desembargador Abel Gomes do TRF1 - que concedeu liminar revogando a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar, anteriormente deferida pelo Juiz Marcelo Bretas em 17/03/2017, apresentou como um dos argumentos o fato de que há inúmeras mulheres em situação semelhante (mães com filhos de até doze anos de idade incompletos) as quais não tiveram acesso ao mesmo benefício.

O argumento em si parece fraco até porque a família é instituição primária da sociedade e possui proteção constitucional, o que significa que o indeferimento apresentou os motivos errados.

Aqueles que me conhecem a fundo sabem que possuo uma visão máxima do direito penal, por mais que isso signifique caminhar na contramão da doutrina moderna. Nesse sentido, tenho o hábito de me posicionar de maneira contrária a qualquer tipo de postura capaz de aliviar a persecução penal, bem como as medidas cautelares existentes no ordenamento jurídico criminal, motivo pelo qual aplaudi a decisão do referido desembargador.

Contudo, ser contrário ou ser favorável não faz a menor diferença nestas considerações, uma vez que o objetivo aqui não é julgar uma decisão de um desembargador (aplaudindo ou criticando) e sim informar os fatos àqueles que infelizmente ainda não tiveram acesso às inovações legislativas da Lei 13.257/2016 e não conhecem as hipóteses de prisão domiciliar.

Sendo assim, espero ter contribuído para que a população em geral consiga compreender o porquê de estamos discutindo se a ex-primeira dama deve ou não cumprir a sua prisão preventiva (que por sinal não possui prazo máximo e deve se pautar pela razoabilidade e proporcionalidade - vide o caso do goleiro Bruno) em casa. Trata-se de mera discussão acerca das hipóteses de substituição apontadas pelo artigo 318 do Código de Processo Penal serem uma cláusula de barreira ou uma faculdade do magistrado no caso concreto.

Jurisprudência em construção nos próximos dias! Quem viver verá!

Nota da redação: A Ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, concedeu na noite de sexta-feira a liminar para que Adriana cumpra prisão em casa (um dos prédios mais luxuosos do Leblon, na Zona Sul da Cidade Maravilhosa). A mulher de Sérgio Cabral é ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A advogada estava presa desde dezembro.


Leonardo Galardo é Advogado e Professor de Direito. Originalmente publicano no Facebook do autor em 23 de março de 2017.

Qual o Marxismo adotado pela Teologia da Libertação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo, altamente científico,  foi transcrito do livro “O Marxismo na América Latina – Uma Antologia de 1909 aos Dias Atuais”, escrito por Michael Lövy.

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Os teólogos da libertação assumem “certo tipo” de marxismo – e excluem outros de forma implícita, e às vezes explicitamente.
    
Entre os marxismos possíveis existe uma negação unânime do “materialismo dialético”. Nenhum dos teólogos da libertação aceita o materialismo de Engels na Dialética da Natureza, nem o de Lenin, Bukharin ou Stalin, como “filosofia”. Marx é aceito e adotado como crítico social. O próprio acesso a Marx é duplo; por um lado, pelas leituras secundárias; por outro, principalmente no início, por meio do “jovem” Marx – até o Manifesto de 1848 -.

Na primeira geração de teólogos, a influência francesa foi determinante. De J. Maritain passou a E. Mounier, e daí, ao pensamento de Lebret, em Economia e Humanismo. Teilhard de Chardin também inspirou o pensamento dessa época. Mas Marx chega por meio da Revolução Cubana, em 1959, e por isso, a leitura simultânea: o jovem Marx, obras de Che Guevara, Gramsci e Lukacs. Veremos depois essa influência em cada um dos teólogos. Isto é, um Marx “humanista”- de acordo com a denominação da época -, não dogmático, nem economicista e nem materialista ingênuo.

Os padres Cardonel e Blanquart,  franceses, também influem na primeira “recepção” do marxismo na futura Teologia da Libertação. Não houve acesso ao Marx “definitivo” – a partir de 1857 e, como veremos, será pouco freqüente até hoje -.
    
Posições como as de Korsch, Goldmann ou mesmo Trotski – embora indiretamente no caso deste último – não influenciaram a Teologia da Libertação. Em compensação, várias correntes se fizeram presentes desde 1968.
    
Além da de Antonio Gramsci, já indicada – e que crescerá com o tempo, mas presente desde o início -, a primeira linha é a da Escola de Frankfurt, encontrada principalmente no Marcuse “americano”, e utilizada difusamente pelos demais. O pensamento de Bloch também causa impacto global nas questões sobre a utopia e a esperança. E, em particular, a obra de Althusser, traduzido pedagogicamente por Martha  JKarnecker, em suas famosas obras (Conceitos Elementares do Materialismo Dialético, México, 1974, com mais de 50 edições), não influenciará apenas a Teologia da Libertação, mas a totalidade do pensamento marxista latino-americano.
    
Entre os marxistas latino-americanos, além de Che Guevara, Mariátegui e Sanchez Vasquez estarão presentes em algumas obras de nossos teólogos. Naturalmente, o pensamento de Fidel Castro, a partir de 1959, será leitura corrente, principalmente em sua posição sobre a religião - na linha de Rosa de Luxemburgo, que teve influência no Brasil no movimento da Ação Popular -. Junto aos franceses mencionados, Giulio Girardi, teólogo italiano da libertação, também exerce uma clara influência por causa da sua clara postura marxista, no início decididamente “classista”, e depois assumindo o “povo” como sujeito histórico da práxis de libertação.
    
Mas, na verdade, muito mais do que esse marxismo, que poderíamos chamar de “teórico”, o marxismo que marcou a Teologia da Libertação foi o marxismo sociológico e econômico latino-americano da “dependência”, de Orlando Fals Borda até Theotônio dos Santos, Enzo Faletto, Fernando Henrique Cardoso, etc – muitos dos quais, na verdade, não eram e nem são marxistas.

Essa sociologia da “dependência”, em sua crítica ao funcionalismo e ao desenvolvimentismo, permite a ruptura epistemológica da Teologia da Libertação. Por isso, a posição de Gunder Frank – apesar de todas as críticas que possa receber – será determinante na Teologia da Libertação anterior a 1972. Da mesma forma, a postura de F.Hinkelammert – como marxista e teólogo – talvez signifique a única presença do Marx “definitivo”, pois no final da década de 1960, em Santiago, O Capital foi estudado seriamente, em grupo, no Centro de Estudos da Realidade Nacional, o que iria possibilitar um desenvolvimento do marxismo em uma corrente muito criativa da Teologia da Libertação na década de 1980.
    
Toda essa complexa história não foi estudada adequadamente até os dias de hoje, pois tampouco existe uma história do marxismo latino-americano contemporâneo, e menos ainda dentro dos movimentos cristãos. Mas, com base nessa enumeração pode-se concluir quão simplista é a crítica ao movimento conservador contra a Teologia da Libertação, quando a acusa de “marxista”, como imputação ideológica. Ela mesma, com total responsabilidade cristã, teve, muito antes que seus críticos, a lenta tarefa de adotar “certo” marxismo compatível com a fé cristã, dos profetas, de Jesus, e da mais antiga tradição eclesial e ecumênica, naturalmente. O dogmatismo stalinista ou o economicismo de manuais, o marxismo “filosófico” lhe é totalmente alheio.
    
Antecipando as conclusões finais, podemos indicar que, como se pode observar, a Teologia da Libertação usa um certo marxismo de uma certa maneira, nunca incompatível com os fundamentos da fé. Alguns têm uma posição mais claramente “classista”, outros, mais “populista”; alguns usam apenas o instrumento da crítica ideológica, outros o social e mesmo o propriamente econômico. Outros se contrapõem globalmente ao marxismo, embora seja defini-los como membros do movimento teológico. Alguns se inspiram numa corrente mais francesa do marxismo. Outros na italiana ou na alemã e, na maioria dos casos, em várias delas simultaneamente.

Todos, porém, adotam as teses latino-americanas da dependência, definidas com muito cuidado, conscientes das críticas levantadas nesse aspecto. Pode-se afirmar, então, que é o primeiro movimento teológico que assume o marxismo – levando em conta todas as limitações indicadas – na história mundial da teologia cristã (e nisto se antecipa às demais religiões universais).

CONCLUSÕES:

A Teologia da Libertação nasce, e aprende disciplinadamente, da praxis do povo latino-americano, das comunidades cristãs de base, dos pobres e oprimidos. Justifica primeiro o compromisso político dos cristãos militantes, para depois fazer o mesmo com toa a práxis do povo latino-americano empobrecido.

Portanto, é um discurso teológico crítico, que situa as questões tradicionais (pecado, salvação, Igreja, cristologia, sacramentos, etc) em um nível concreto permanente. Não nega o abstrato (o pecado em si, por exemplo), porém o situa na realidade histórica concreta (o pecado da dependência, por exemplo).

Por uma exigência de reflexão teológica crítico-concreta a partir dos pobres e oprimidos é que o instrumental das ciências humanas, particularmente do marxismo, tornou-se necessário. É a primeira teologia que utiliza esse instrumental analítico na história, e o adota a partir das exigências da fé, evitando o economicismo, o materialismo dialético ingênuo, o dogmatismo abstrato. Pode, então, criticar o capital e a dependência como pecado, etc.

Não estabelece alternativas políticas – pois essa não é uma função da teologia -, mas evita cair no “terceirismo” (nem capitalismo, nem socialismo, mas uma solução cristã política). Não deixa por isso de ser uma teologia ortodoxa (que surge da ortopraxia) tradicional (em seu sentido forte).

Entra missionariamente em diálogo com o marxismo (dos partidos ou movimentos políticos latino-americanos e mesmo dos países do socialismo real, pois seu discurso é compreensível para eles).

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.