quarta-feira, 26 de julho de 2017

Temer caidão vem com mais taxação?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Qualquer bebe de colo sabe que impostos só podem ser aumentados por decisão legislativa – e não por decreto de um Presidente da República altamente impopular. No Brasil temos regramentos em excesso. Exceto para punir quem não cumpre a Constituição. Assim, é normal que o ministro da Fazenda venha com a solução, nada original, de aumentar outros tributos, se o Judiciário confirmar que é proibido aumentar a taxação sobre combustíveis pela via da canetada temerária.

A suspensão do aumento na gasolina, álcool e diesel, por decisão de um juiz Federal em Brasília, não refletiu em redução nos preços dos combustíveis nas bombas dos postos de abastecimento. Curioso é que, assim que Michel Temer anunciou a maior taxação, subiram, imediatamente, os valores cobrados pela gasolina, álcool e diesel. Embora a mudança na PIS/Cofins por decreto seja flagrantemente inconstitucional, a tendência no Brasil da impunidade é que a Advocacia Geral da União consiga uma liminar para cassar o impedimento. Nós, os otários consumidores, continuaremos pagando as contas da gastança e roubalheira no setor público...   

Enquanto rodamos feito cachorro correndo atrás do próprio rabo, na  polêmica sobre aumentos nos combustíveis, barrados por decisão judicial, o Poder Real Mundial anuncia uma medida de mega impacto econômico. O Reino Unido confirmou que proibirá a venda de carros movidos a gasolina e diesel a partir de 2040. Em outubro do ano passado, o Conselho Federal da Alemanha já tinha definido que a produção de automóveis à combustão seria banida em 2030 e, a partir de 2050, veículos assim ficarão proibidos de rodar no País.

O resto do mundo desenvolvido acompanhará tal tendência, sob desculpa (até justa) de diminuir a poluição do ar. Já os subdesenvolvidos, mesmo despreparados, acabarão forçados a seguir o novo modelo. Carros híbridos ou totalmente elétricos provocação mudanças radicais na matriz industrial. A indústria petrolífera será impactada imediatamente. O “ouro negro” só será usado em química fina – e não para produzir combustíveis derivados. Imagina o quanto esta transformação afetará o Brasil e a Petrobras - “estatal” que será fatalmente privatizada, brevemente, na hora que convier aos controladores globalitários.  

Seguimos na “normalidade institucional” (sob domínio do governo do Crime). Neste meio tempo, surge no ar uma boa notícia: A Airship do Brasil lançou ontem, em São Carlos, no interior de São Paulo, um dirigível movido a gás hélio, para transporte de carga. O negócio tende a ser sabotado, nos bastidores, pela decadente indústria automobilística que não deseja parar de fabricar caminhões no Brasil subdesenvolvido que mal usa ferrovias e hidrovias. Devemos rezar e pressionar para que a previsível sabotagem não prejudique a excelente idéia do dirigível.

Enfim, tudo normal no País que tende a deixar impunes, apesar da Lava Jato, vários crimes societários cometidos pela Petrobras, Eletrobrás e por aí vai, no universo de 151 “estatais”. Em agosto, teremos mais uma bandeira vermelha na conta de luz, por causa do clima seco com falta de chuvas nas áreas de reservatórios. E vamos pagando conta... Se depender do rentista Henrique Meirelles, a gente só faz isto mesmo...

A ditadura arrecadatória prossegue, até que uma inédita Intervenção Institucional acabe com ela... Algum dia... Quem sabe...

Quarta que vem a Câmara dos Deputados decide o destino do Presidente-impostor...

Está fundido...


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 26 de Julho de 2017.

Prote-Cão Celestial


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Quem tem mais prestígio no céu é o cão Bernardo.

Leva no pescoço uma barriquinha de conhaque para reanimar os caminhantes na neve.

Não sabe latim; sabe latir. Quando com algo não está concorde, também morde.

Bicho peludo, pelo sim pelo não, dá exemplo de educaCão.

Por suas sábias palavras (au! au!), defende a intervenCão.

Isto aqui está uma zona, Cãomandada pelo marido da bonitona.

Tenta flutuar até que outro esCãodalo venha à tona.

Não se importa com o fato de o país estar de ponta cabeça. Será vampiro até o último suspiro.

Chupar-nos-á o sangue pra sustentar uma gangue.

Já subiu imposto ferrando quem é obrigado a ser feito de otário no posto.

Subirá também em muros se dona Onça estiver com oxiúros?

A felina mostra-se um pouco impaciente. Saberá de algum escândalo mais recente?

Enquanto isso, no planalto-engano, até leão vira vegano.

Sobrará carniça pra tia Mortiça?

Ou contentar-nos-emos com bolofóficos venenos?

Quem for vivo verá.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Polícia Marcada

Carro da PM pichado no Rio de Janeiro 

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Com a morte do sargento Hudson Silva de Araújo, em 23/07, Durante patrulhamento na Favela do Vidigal, o Rio de Janeiro contabilizou 91 policiais assassinados em 2017: um a cada 54 horas. É uma guerra, na qual bandidos estão em vantagem.

Será que algum dos ditos (e falsos) ativistas de direitos humanos manifestou mínima preocupação com a vida dos policiais e suas condições de trabalho, e solidariedade com as famílias enlutadas? Não! O que se vê é rigorosamente outra coisa: tratam o criminoso como "vítima social " e o policial como algoz.

Mas não é só aqui! Em 2016, durante os movimentos grevistas da França, a TV mostrou um cartaz - ao que parece, colocado por sindicalistas -, em que se lia: "O povo odeia a polícia!". Mentira! Artifício ideológico! Mera tentativa de instilar, na população, ódio contra a polícia. No Brasil, cada vez que bandidos levam a pior num enfrentamento, uma turminha bem identificada, antes mesmo de conhecer as circunstâncias dos fatos, levanta a voz para acusar os policiais de "excessos". Redes sociais e a própria imprensa servem a esse jogo sujo.

Mas não há improviso. Desqualificar a polícia é parte de um discurso legitimador de crimes, o que, por sua vez, é parte da estratégia de degradar a sociedade para o fim de instalar um regime totalitário. Antonio Gramsci, com um pé na psicose e outro na psicopatia, concebeu tudo isso em pormenores. O mais perverso, porém, é que a "revolução cultural" concebida por Gramsci é feita em geral por gente que nunca sequer prestou atenção no nome dele, que desconhece a teoria que está por trás do movimento, mas que segue fielmente os mandamentos daquele profeta sórdido.

Atacar "isto que está aí", que ele chama de "sociedade burguesa", é a preparação do cenário para implantar o seu "paraíso revolucionário", coisa que a maioria dos apóstolos faz sem o saber. E é da lógica dessa práxis não corrigir, mas tirar proveito ideológico de eventuais erros da instituição policial, já que, nessa etapa da "revolução", o que importa é "desconstruir".

Mas não se vai aqui tapar o sol com a peneira. Há muito a ser feito para corrigir desvios da polícia, assim como para combater a criminalidade. Agora, nada de bom e justo será possível sem desmascarar os ativistas ideológicos que, estrategicamente, se empenham na destruição das instituições, na subversão dos valores mais caros da democracia, na degradação moral da sociedade e no exercício populista de manipular consciências.

O discurso antipolícia visa, em última análise, a subordinar a corporação policial aos desígnios da "revolução". Todavia, a desejável paz social requer que a subordinação da polícia seja unicamente ao Estado de Direito, jamais a esta ou àquela ideologia.

Por fim, registre-se que, em regiões como o Rio Grande do Sul, em que o "catecismo" de Gramsci causou mais estragos, a bandeira antipolícia produziu resultados bem palpáveis: hoje há policiais com medo de agir, receando ter de responder, dentro da corporação, a um inquérito policial militar, o qual já foi, muitas vezes, conduzido na estreiteza do politicamente correto. Sem mais comentários.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Pronunciamento


Poesia política musicada no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Taboada

Composto lembrando a técnica de discurso legislativo, o texto quase analítico, não deixa de ser poesia e música com harmonia diversificada, longe da simplificação harmônica e das letras de conteúdos duvidosos que predominam atualmente na música que toca na mídia brasileira.

Senhor Presidente
Senhores Deputados
Meus Senhores e Senhoras
aqui presentes nesta hora

Não quero mais ser um escravo, nem palhaço
cidadão feito em pedaços
acho que tá tudo errado
e que este aparato jurídico institucional
virou mera ilusão, campo de concentração
para ideias novas e atitudes

porque não dá
pra ouvir tantas palavras de burocratas
cortando a verdade como facas

Porque não dá
Pra ver a Justiça e a Esperança
assassinadas a golpes de gravatas

Porque não dá
Pra ouvir conversa mole, lenga-lenga,
baboseiras, disparates, blá-blá-blá

Porque não dá
pra ver tanta gente, olhos, mentes,
“vidas secas,” na escuridão

E em todo lugar as marcas da desilusão
Esperança não habita agora o meu peito e outros corações

Senhor Presidente do Congresso Nacional
Senhores Senadores

Dizem que o povo é o verdadeiro culpado
que inconsciente vota errado, que não tem educação,
mas cadê educação?
Virou promessa de eleição e discurso de sessão
dizem até que o dinheiro é pouco e que nunca dá

Mas o que não dá
é ver tanta mentira e arrogância reproduzindo a ignorância

O que não dá
é ver intelectuais com suas novas teorias
mas votando em velhos senhores

O que não dá
é ver tantos bacanas desfilando na cidade
e votando em certos sacanas

O que não dá
é ver tanta gente, olhos, mentes,
“vidas secas,” na escuridão

E em todo lugar as marcas da desilusão
Esperança não habita agora o meu peito e outros corações

Senhores Presidentes dos Tribunais
Senhores Ministros do Supremo

É tanta vaidade que a fogueira vai queimando,
quem tá perto vai sofrendo, quem tá longe vai chorando,
vai gritando pela lei, quer justiça e quer a paz,
mas não sabe o que fazer, pensa até em desistir,
sabe que pode morrer na esquina

Porque não dá
pra ver desembargadores, senhores das sentenças,
fazendo certos favores

Porque não dá
pra ver juízes, donos de tantas verdades,
cometendo seus deslizes

Porque não dá
pra ver prefeitos, vereadores, governadores
causando tantos dissabores

Porque não dá
pra ver tanta gente, olhos, mentes,
“vidas secas,” na escuridão

E em todo lugar as marcas da desilusão
Esperança não habita agora o meu peito e outros corações

...esperança não habita mais o meu peito e outros corações

Sérgio Taboada é Poeta e Servidor do Ministério Público Federal.

A Lei é Força




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Frédéric Bastiat (1801-1850) foi economista, homem público e escritor, nascido em 1801, em Bayonne, na França, e falecido em 1850, em Roma, Itália. (desconheço o autor deste texto)

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     Se a LEI organiza a justiça, os socialistas perguntam por que a LEI não organiza também o trabalho, a educação e a religião.

      Por que a LEI não é usada com tais propósitos? Porque ela não poderia organizar o trabalho, a educação e a religião sem desorganizar a justiça.

     Devemo-nos lembrar de que a LEI é força, e, por conseguinte, o seu domínio não pode estender-se além do legítimo campo de ação da força.

     Quando a LEI e a força mantêm um homem dentro da justiça, não lhe impõem nada mais do que uma simples negação. Não lhe impõem senão a abstenção de prejudicar outrem. Não violam sua personalidade, sua liberdade nem sua propriedade. Elas somente salvaguardam a personalidade, a liberdade e a propriedade dos demais. Mantêm-se na defensiva puramente e defendem a igualdade de direitos para todos.

     A LEI é um conceito negativo 

A LEI e a força realizam uma missão cuja inocuidade é evidente, a utilidade palpável e a legitimidade indiscutível.

    Isto é tão verdadeiro que observo que 
a finalidade da LEI é fazer reinar a justiça, o que, a rigor, não é bem exato. Seria melhor dizer-se que a finalidade da LEI é impedir a injustiça de reinar. Com efeito, não é a justiça que tem uma existência própria, mas a injustiça. Uma resulta da ausência da outra.

     Mas quando a LEI - por intermédio de seu agente necessário, a força - impõe um modo de trabalho, um método ou uma matéria de ensino, uma fé religiosa ou um credo, não é mais negativamente, mas positivamente, que ela age sobre os homens. Ela substitui a vontade do legislador por sua própria vontade, a iniciativa do legislador por sua própria iniciativa. Quando isto acontece, as pessoas não têm mais que se consultar, que comparar, que prever. A LEI faz tudo por elas. A inteligência torna-se para elas um móvel inútil: elas deixam de ser gente; perdem sua personalidade, sua liberdade, sua propriedade.

     Tente-se imaginar uma forma de trabalho imposta pela força, que não atinja a liberdade; uma transmissão de riqueza imposta pela força, que não seja uma violação da propriedade. Se imaginar isto não for impossível, deve-se reconhecer que a LEI não pode organizar o trabalho e a indústria sem organizar a injustiça.

     A abordagem política

     Quando um político, de dentro de seu escritório, observa a sociedade, ele se surpreende com o espetáculo de desigualdade que se apresenta diante de seus olhos. Ele deplora os sofrimentos que são enormes para grande número de nossos irmãos, sofrimentos tornados mais entristecedores ainda pelo contraste com o luxo e a opulência.

     Talvez esse político devesse perguntar-se se um tal estado de coisas na sociedade não tem por origem antigas espoliações, causadas por conquistas, e também por novas espoliações, causadas pela LEI. Ele deveria talvez considerar a seguinte proposição: se os homens aspiram ao bem-estar e à perfeição, o reinado da justiça não seria suficiente para produzir os maiores esforços em busca do progresso e a maior igualdade possível, compatíveis com a responsabilidade individual que Deus estabeleceu para que virtudes e vícios tenham para cada um sua justa conseqüência?

     Mas o político nem pensa nisso. Seu pensamento está voltado para as organizações, as combinações e arranjos, legais ou aparentemente legais. Ele procura remediar o mal, aumentando e perpetuando a verdadeira causa desse mal em primeiro lugar: a espoliação legal. Já vimos que a justiça é um conceito negativo. Haverá, porventura, alguma dessas ações legais positivas que não contenha o princípio da espoliação?

     A lei e a caridade

     Diz-se: "Há pessoas que carecem de educação", e se apela para a LEI. Mas a LEI não é por si mesma uma tocha de saber que brilha e lança sua luz em várias direções. A LEI se estende sobre uma sociedade, na qual há homens que sabem e outros que não sabem; cidadãos que necessitam aprender e outros que estão dispostos a ensinar. Nesse assunto de educação a LEI só tem duas alternativas: ou deixar acontecer livremente o processo de ensino-aprendizagem, sem usar a força, ou forçar a vontade dos homens nesse sentido, tirando de alguns o necessário para pagar os professores que o governo indicar para ensinar gratuitamente a quem necessitar. Mas neste segundo caso, a LEI fere a liberdade e a propriedade através da espoliação legal.

     A lei e a moralidade

     Diz-se: "Há pessoas que carecem de moralidade e de religião", e se apela para a LEI. Mas a LEI é força. E por acaso há necessidade de salientar o quanto é violento e infrutífero usar a força em assuntos de moralidade e de religião?

     Parece que os socialistas, apesar das complacências que têm para consigo mesmos, não podem deixar de perceber a monstruosa espoliação legal que resulta de tais sistemas e de tais esforços. Mas o que fazem os socialistas? Eles habitualmente disfarçam esta espoliação diante dos olhos de todos e dos seus próprios, usando para ela nomes sedutores, tais como fraternidade, solidariedade, organização e associação, e nos lançam no rosto que somos 
individualistas.

     Mas garantimos aos socialistas que repudiamos somente a organização forçada, jamais a natural. Repudiamos as formas de associação que nos pretendem impor, jamais a livre associação. Repudiamos a fraternidade forçada, jamais a fraternidade verdadeira. Repudiamos a solidariedade artificial, que não consegue outra coisa senão impedir as pessoas de assumirem suas responsabilidades individualmente. Não repudiamos a solidariedade natural, que existe nos homens graças à Providência.

     Uma confusão de termos

     O socialismo, como as velhas idéias de onde emana, confunde a distinção entre governo e sociedade. Como resultado disto, cada vez que nos opomos a algo que o governo queira fazer, os socialistas concluem que estamos fazendo oposição.

     Se desaprovamos o atual sistema de educação, os socialistas dizem que nos opomos a qualquer sistema de educação. Se desaprovamos o atual estágio em que se encontram as questões sobre religião, os socialistas concluem que não queremos nenhuma religião. Se desaprovamos o sistema de igualdade imposto pelo Estado, eles concluem que somos contra a igualdade. E assim por diante. É como se os socialistas nos acusassem de não querer que as pessoas se alimentem, porque recusamos a cultura do trigo feita pelo Estado.

     A influência dos escritores socialistas

     Como foi possível prevalecer, no mundo político, a curiosa idéia de fazer decorrer da LEI o que nela não está: o bem, a riqueza, a ciência e a religião, que, num sentido positivo, constituem a prosperidade? Será isto uma conseqüência da influência de nossos escritores modernos nos negócios públicos?

      Presentemente, os escritores, especialmente aqueles da escola do pensamento socialista, fundamentam suas diversas teorias numa hipótese comum: eles dividem a espécie humana em dois grupos. As pessoas em geral - excetuando-se o escritor - formam o primeiro grupo. O escritor, sozinho, forma o segundo e o mais importante grupo. Certamente esta é a idéia mais estranha e mais presunçosa que possa ter saído de um cérebro humano!

     Com efeito, esses autores modernos começam por supor que as pessoas não trazem em si nenhuma motivação para agir, nenhum meio de discernimento. Pensam que as pessoas são desprovidas de espírito de iniciativa, que são matéria inerte, moléculas passivas, átomos sem espontaneidade, em suma, vegetais indiferentes à sua própria forma de existência. Pensam que as pessoas são suscetíveis de adotar, por influência da vontade e das mãos de outrem, uma quantidade infinita de formas mais ou menos simétricas, artísticas e acabadas. Além disso, nenhum desses autores hesita em imaginar que ele próprio - sob os nomes de organizador, revelador, legislador ou fundador - é esta vontade e esta mão, esta força motivadora universal, este poder criativo cuja sublime missão é reunir em sociedade esses materiais dispersos que são os homens.

     Estes autores socialistas olham para as pessoas da mesma maneira que o jardineiro olha para suas árvores. Assim como o jardineiro dá caprichosamente às árvores a forma de pirâmides, guarda-sol, cubos, vasos, leques e outras coisas, da mesma forma procede o escritor socialista. Segundo sua fantasia, ele talha os seres humanos, dividindo-os em grupos, séries, centros, subcentros, alvéolos, ateliês sociais e outras variações. E tal qual o jardineiro, que necessita de machados, serras, podadeiras e tesouras para moldar suas árvores, cada socialista precisa de força para moldar os seres humanos, o que ele somente encontra na lei.

     Os socialistas desejam desempenhar o papel de Deus

     Os socialistas consideram a humanidade como matéria para combinações sociais. E isto é tão verdade que, se porventura os socialistas tiverem alguma dúvida a respeito do sucesso destas combinações, eles pedirão que uma pequena parte da humanidade seja considerada 
matéria para experiência. Sabemos o quanto é popular entre eles a idéia de experimentar todos os sistemas. E um líder socialista, segundo sua fantasia, pediu seriamente à Assembléia Constituinte que lhe concedesse um pequeno distrito, com todos os seus habitantes, para desenvolver sua experiência [acho que ele está falando de Fourier, com os seus falanstérios].

     Assim procede todo inventor que fabrica sua máquina em tamanho pequeno antes de fazê-la em tamanho grande. Do mesmo modo, o químico sacrifica alguns reagentes e o agricultor, algumas sementes e um pedaço do campo que usou para experimentar uma idéia.

     Mas que diferença incomensurável existe entre o jardineiro e suas árvores, entre o inventor e sua máquina, entre o químico e seus reagentes, entre o agricultor e suas sementes! O socialista pensa, de boa fé, que a mesma diferença o separa da humanidade.

     Não é de se espantar que os escritores do século XIX considerem a sociedade como uma criação artificial saída do gênio do legislador.

     Esta idéia, fruto da educação clássica, dominou todos os pensadores, todos os grandes escritores de nosso País. Todos viram entre a humanidade e o legislador as mesmas relações que existem entre a argila e o oleiro.

     E ainda há mais! Mesmo quando eles aceitaram reconhecer que, no coração do homem, existe um princípio de ação e, no intelecto humano, um princípio de discernimento, ainda assim consideraram estes dons de Deus como funestos. Pensaram que as pessoas, sob a influência destes dois dons, tenderiam falsamente para a sua própria ruína. Apontaram como certo que, abandonada à suas próprias inclinações, a humanidade desembocaria no ateísmo em vez de na religião, na ignorância, em vez de no conhecimento, na miséria, em vez de na produção e na troca.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

terça-feira, 25 de julho de 2017

O PDV temerário já nasce morto


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O desgoverno impostor (que adora aumentar impostos, sem diminuir o desperdício e a corrupção) inventa mais um factóide. O Programa de Demissão Voluntária para apenas 5 mil servidores públicos federais é uma peça de humor negro. Não resolve o problema do rombo nas contas federais. E transforma os servidores em vilões. A polêmica proposta é uma inutilidade legal, na prática.

A República de Bruzundanga gasta R$ 285 bilhões por ano com pessoal, mais R$ 559 bilhões com a Previdência. É inócua a ideia é oferecer aos otários que toparem o PDV até 1,5 salário por ano trabalhado. Até porque a medida de impacto reduzido atinge apenas quem trabalha no Poder Executivo. O relatório de avaliação de receitas e despesas do terceiro bimestre, elaborado pelo Ministério do Planejamento, revela que a conta com despesas de pessoal e encargos sociais deve aumentar R$ 26,6 bilhões em valores nominais (sem descontar o efeito da inflação).

O PDV e aposentadorias incentivadas vêm sendo adotados em “empresas estatais” (de economia mista). Nos últimos três anos, o governo federal desligou 50.364 funcionários das estatais. O problema é que, na administração direta, as vantagens oferecidas no PDV aos servidores não parecem tentadoras. Assim, em dificuldade para fechar as contas sem gerar os grandes rombos já existentes, a turma de Michel Temer apenas joga para a galera.

Resumindo: O PDV temerário já nasce morto. No entanto, é assustador constatar que apenas a demissão de 5 mil servidores vai gerar uma redução de R$ 1 bilhão por ano no gasto público, apenas no Poder Executivo. Legislativo e Judiciário não entram nesta conta... Eita máquina caríssima...

Presidiáveis


Poderoso Renan


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III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Julho de 2017.

A República da Penalândia


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Localizada num grande planalto, tem por capital uma ilha no meio do asfalto.

Brasilha, da fantasia, onde tudo é poesia. No meio há um promontório, em que todo o visto é ilusório.

Urubu malandro e urubu finório reunidos em fajuto consistório.

No desfile de suas mazelas, a Escola de Samba Deixa que Eu Chuto, é conduzida pelo cão mais arguto.

Uma verbinha aqui, outra acolá, pra que fique tudo como está.

O ratazânico recinto, mais embriagador que o absinto, se auto ilude antes da avalhanche ou talude.

Deixamos o fedor molusconato e buscamos engodo mais excêntrico.

Qual será a próxima atração  Um pé de chinelo ou de chileno?

Estarão tramando uma escabrosa “joint venture”?

Os adeptos do cão egresso e o canetador?

O anti-herói sabe que é no bolso onde mais dói.

Entrará com o pé na do povo jucúndia, numa atitude assaz republicana antes de entrar em cana?

Poderoso de hoje não se iluda; seu fim é no papo da ave peluda.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Desindustrialização e Agronegócio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

No cenário mundial os países que alcançaram pleno nível de desenvolvimento priorizaram ao máximo o investimento em educação, infraestrutura e inovação tecnológica. É um tripé que aponta o caminho do futuro. A partir da Revolução Industrial, a emergência de países desenvolvidos se sustentou na modernização econômica e social.

O Brasil foi ao longo da sua formação e estendendo-se a tempo presente, exemplo negativo dessa realidade. Retardatário no processo de modernização, a partir de 1930 até a década de 80, teve relativo êxito na substituição de importações, atingindo taxas de crescimento que o colocaram entre 1950 e 1980, entre os países que mais cresceram no mundo.

Nas últimas décadas, viu o processo de industrialização se reduzir drasticamente, como aponta o IBGE. São vários os fatores que determinaram o regressionismo. A falta de competitividade, garantido pelo protecionismo estatal, subsidiando privilegiadores e capitalismo de compadrio, travaram a marcha modernizante. A velha estrutura de economia fechada obstaculizou rota evolutiva impedindo a emergência de uma realidade nova e competitiva.

O professor Harry West, do MIT (Massachusetss of Technology), ensina: “Educação, infraestrutura, são bases fundamentais para o desenvolvimento, gerando inovações produtivas, vale dizer tecnologia.” O grande salto do Japão e da Coréia do Sul na escala do desenvolvimento, nas últimas décadas, teve nesses ensinamentos a garantia do seu deslanchar. Foi a soma do capital humano (educação e conhecimento) e capital físico (capacidade produtiva e infraestrutura) a sua base de sustentação.

No Brasil, o investimento em educação representa em 2017, 6% do PIB e na infraestrutura, somando investimentos público e privado, alcança pouco mais de 2%. Insuficientes para garantir um ritmo sustentável de crescimento. É uma anatomia de um desastre anunciado. Hoje mais de dois terços do nosso PIB é gerado pelo setor de serviços, caracterizando-se por geração de empregos, em atividades diversas, bastante heterogêneas: os serviços mercantis, respondem por 23,4%; os serviços não mercantis, por 17,4%; o setor comercial, 15,2%; e o setor financeiro por 1,2%, do total do pessoal ocupado. A fonte é o IBGE e Contas Nacionais. Já em relação ao PIB, no setor serviços os mercantis participam com 28,4%; os serviços não mercantis, com 16,5%; o setor comercial, com 7,3%; e o setor financeiro, com 6,1%.

Paralelamente, nos últimos anos, o agronegócio vem sendo o polo mais dinâmico da economia brasileira, responsável por 23% do PIB. Responde por 41% das exportações para diferentes mercados mundiais. Sem ele os reflexos da brutal recessão em que mergulhou o País, nos últimos anos, a situação seria devastadora. O extraordinário trabalho de pesquisas e introdução de tecnologias produtivas modernas, nascida na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), foi fundamental para o seu desenvolvimento. Fortalecê-lo e transformar sua presença no cenário mundial, como grande fornecedor de alimentos, é um caminho seguro. Exigindo investimentos em estradas, portos, aeroportos e energia, que garanta a sua competitividade.

A rigor, quando foi criado o BRIC (o S ocorreria anos depois com o ingresso da África do Sul), formado por Brasil, Rússia, Índia e China, analista econômico internacional contestou a formação do bloco. Excluía a Rússia e analisava que a China em uma década seria a fábrica do mundo; a Índia, a oficina pela sua elite de 200 milhões,  dotada de elevada formação técnica, numa população subdesenvolvida de 1.2 bilhão; e o Brasil não poderia ser a fazenda do mundo. Hoje, na produção de “commodities”, não apenas agrícola mas nos setores de petróleo e minérios, o Brasil é um grande produtor mundial, mas não pode continuar sendo apenas um produtor de bens primários. Deveria avançar na “destruição criativa” de velhas estruturas buscando o crescimento diversificado e moderno das suas enormes potencialidades econômicas.

Comparativamente, a Petrobrás, no conjunto petróleo, gás natural e investimentos em múltiplos setores, responde, por 13% do PIB. Na exploração em águas profundas a empresa detém tecnologia pioneira em escala mundial. Na América Latina é quem mais investe na área de pesquisas tecnológicas.  Na atual recessão econômica, a redução de investimentos da estatal, decorrente da corrupção e de projetos inviáveis e irresponsáveis, foi fatal para a economia nacional. A fonte da participação da estatal no PIB é o Boletim Focus, do Banco Central.

Baseado nesses exemplos de êxito, o grande desafio é enxergar o futuro com otimismo e extrair os exemplos positivos em outros setores que puderam incorporar a tecnologia e a modernidade na escala produtiva. Ao Estado é missão priorizar a educação, a infraestrutura e estimular a inovação tecnológica. Só assim o decadente setor industrial que vem perdendo força no PIB nacional poderá ter futuro no desenvolvimento brasileiro.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

Responsabilidade dos órgãos de imprensa




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Uma imprensa livre e transparente é o maior ideal a ser buscado num País desenvolvido e subordinado à vontade democrático que aspira uma sociedade civilizada. Nos acontecimentos que pairam no ar em termos de Brasil, boa parte da irrazoabilidade e isenção com neutralidade devemos à propalada imprensa dita livre.

Evidente que em tempos de crise a imprensa será sempre dependente do poder economico ou de forças do estado para retroalimentar sua vida e intencionar redução das dívidas. E não tem sido diferente aqui no Brasil, já que boa parte dos meios de comunicação floresceu há mais de meio século e por uma concessão sem maiores aprofundamentos se prorroga quase eternamente.

Esse exemplo ruim se percebe na televisão na qual assistimos controladores já sem o preparo exigido e muitas programações sendo adquiridas por igrejas neopentecostais e pseudoentidades de caridade. Contudo, sem uma imprensa livre, soberana acima de tudo neutra que saiba avaliar o terreno e elogiar e também criticar quando for necessário, cairemos na mesmice das imbecilidades em ritmo com as anomalias do poder.

Num País cravado pelo número exacerbado de quase 60 milhões de brasileiros portadores de maus antecedentes econômicos, com registro no banco de dados e uma das mais vergonhosas modelagem de distribuição de renda, o centro do poder está enfeixado nas mãos do governo e de poucos grupos econômicos que diligenciam seus próprios interesses.

As maiores delações premiadas são um cristalino exemplo do que acontece empresas de renomada envergadura que se protegiam na blindagem dos cofres do Estado e dos favoreces para o propinar constante e manutenção do status quo.

A primeira e inadiável condição é mudar a constituição, reformar as outorgas e notadamente o órgão de controle. Não se permitira concessão por mais de 25 anos nas redes de rádio e tv, com expressa  proibição até quarto grau para parentes e ou colaterais de politicos. Aqueles sem poder econômico e que não podem contratar uma rede a cabo sofrem as imprecauções de programações repetidas, velhas e antigos cacoetes de legendários figurinos os quais nos visitam quase que diariamente.

A nova roupagem exigiria a revisão da constituição a outorga onerosa e um controle da seletividade dos programas e uma vocação bem concentrado em cultura, pesquisa e ciências. O que temos hoje são jogos de futebol diária e semanalmente, com os comentários e reprises e mesmo assim não se abre espaço para novas modalidades.

Somos mais de 200 milhões de brasileiros vivendo o sonho do passado de conquistas, mas devemos ter em mente patrocínios públicos,de bancos ou agentes do governo o que é um erro palmar. A melhor solução e forte demonstração sinalizam o investimento de capital privado, de empresas que apostariam na forma de equalizar seus lucros em parceria com entidades e agremiações.

O setor mais afetado durante é crise é da cultura, ciência e tecnologia,
excelentes cabeças voltando para o exterior, teatros sem pagar aos artistas e públicos minguando, já que o orçamento fica sem poder aquisitivo mais ainda quando o combustível se eleva somente para manter a classe dominante no poder.

Não temos infelizmente uma imprensa livre, de construção de uma sociedade pacificada e que traga soluções para as crise. Cotidianamente vemos os mesmos personagens desfilando pelo circulo de amizade de redes de radio e televisão, sem ampliar o volume e a sonoridade das reivindicações, a apatia de uma sociedade refém de um governo terminal e de uma classe política com fome de roubalheira e dogmatismo pela corrupção a todo custo.

E quando a imprensa poderia criar filtros de combate ao sensacionalismo e manchetes de exposição o que vemos é exatamente contrário. Notícias de violência,pornograficas,a envolver abalo psicológico emocional e delitos contra as pessoas e costumes não poderiam ser publicas em qualquer hipótese, além de fatos demasiadamente amargos de guerra e conflitos sociais pelo mundo afora.

Preferem trazer um noticia doutro mundo do que falar sobre um cenário bucolico ou de entretenimento em qualquer cidade do País. Além de tudo isso nunca presenciamos uma imprensa formadora de opinião livre e que saiba medir suas palavra. O contorno desse quadro se debruça por descortinar milhares de ações na justiça tomadas contra pessoas as quais refutam o sensacionalismo e exigem danos morais ou republicação da matéria.

Precisamos estar mais do que convencidos que uma imprensa sob o jugo do governo ou submissa à vontade do poder econômico jamais será liberta das amarras de veiculações tendenciosas e que tem dias contados. A reformulação geral do cenário pede um quadro atento do governo para dissipar as concessões de  mais de 25 anos, pondo a obrigatoriedade da revenda ou subconcessão com normas dogmáticas e pragmaticas, além de um leque mínimo de sessenta por cento da programação a envolver cultura, ciencia e tecnologia.

Do mesmo modo os jornais que vivem a pior das crises, já em tempo de noticia virtual e carcomidos pelo estado de pré insolvencia, tratando de anúncios e mais anúncios desinteressantes e pouco inteligentes ao leitor. Preferivel um jornal com noticias de dez paginas sem anúncios do que um periódico de mil paginas com mais de metade de anúncios. E de igual as revistas que de conteúdo bom e relevante pouco ou nada nos mostram.

tudo isso revela uma coresponsabilidade dos órgãos de imprensa nessa monstruosa crise pela qual atravessa o Brasil. E sem uma revisão do modelo, de todo crucial, a nossa esperança vai por água abaixo, a prevalecer os famigerados furos de poucos e a total desconfiança de muitos.


A imprensa brasileira terá um encontro marcado com sua história para explicar, justificar e mais do que nunca dizer os motivos pelos quais continua a ser parte de uma mediocridade atroz que é perversa à sociedade civilizada e desenvolvida.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laercio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.