sábado, 25 de maio de 2013

Barroso vai manter o fogo contra mensaleiros?

"A água modela o curso de acordo com a natureza do solo por onde passa; o soldado prepara sua vitória de acordo com o inimigo que está enfrentando". (Sun Tzu, em "A Arte da Guerra")

Ou

"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda". (Rui Barbosa)

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
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Por Jorge Serrão
serrao@alertatotal.net

Militares da ativa e da reserva já estão apreensivos com um possível voto do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, beneficiando os condenados na Ação Penal 470, assim que começarem a ser votados os tais embargos declaratórios e, principalmente, os polêmicos infringentes.

Mensagens trocadas ontem por oficiais-generais lembravam o comentário aparentemente pró-mensaleiros feito pelo novo ministro, no artigo em que assinou juntamente com Eduardo Mendonça: “STF entre seus papéis contrajamoritário e representativo” (publicado no site Consultor Jurídico em 3 de Janeiro deste ano).

O texto - também foi reproduzido no blog pessoal do Barroso – faz uma aparente defesa dos condenados no Mensalão. Faz elogios ao “impressionante” trabalho do relator Barbosa. Na tática retórica de agradar a gregos e aos baianos, também tece elogios à coragem moral do Ministro Ricardo Lewandowski (que teve muitos votos favoráveis aos réus no seu papel de revisor do relator Joaquim Barbosa).

Pérola, no entanto, é um comentário quase no final: “(...) É compreensível que os condenados se sintam, não sem alguma amargura, como os apanhados da vez, condenados a assumirem sozinhos a conta acumulada de todo um sistema”.

Vejamos, no artigo original, os textos que os generais selecionaram especialmente para leitura e análise de seus companheiros combatentes da ativa e da reserva. Na avaliação dos militares, o artigo começa poeticamente e termina em uma prosa que parece nada boa para o destino da segurança do direito em nossa República.

Na reprodução dos pontos de destaque (em negrito), apenas dividimos o texto em mais parágrafos, para facilitar a leitura de cada frase ou período:

Luzes da ribalta

“Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações”.

Charles Chaplin
(Versos em português: Antônio de Almeida e João de Barro)

O título da música lembrada na abertura dessa resenha ilustra o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) ao longo de 2012, quando esteve no centro do palco dos acontecimentos nacionais, sob luzes intensas e grande atenção da plateia. Os versos se aplicam aos diversos atores que participaram do enredo da Ação Penal 470.

Quando o trem da história mudou de trilho e passou veloz, idealistas e oportunistas foram atropelados em um acidente coletivo e de grandes proporções.

Ainda não é possível olhar para o episódio com distanciamento crítico e perspectiva. Mas não se pode falar do ano de 2012 sem uma reflexão sobre o mais longo e complexo julgamento da história do Tribunal.

Esta relação do STF com a imprensa, com a opinião pública (o que quer que ela de fato signifique) e com a voz das ruas esteve particularmente em questão no julgamento da Ação Penal 470.

O caso será objeto de comentário específico logo adiante. A verdade é que jamais houve um julgamento sob clamor público tão intenso, assim como sob mobilização tão implacável dos meios de comunicação.

E é fora de dúvida que o STF aceitou e apreciou o papel de atender à demanda social pela condenação de certas práticas atávicas, que não devem ser aceitas como traço inerente ao sistema político brasileiro ou à identidade nacional.

Desempenhou, assim, o papel representativo de agente da mudança. É inegável, todavia, que a superação de linhas jurisprudenciais anteriores, a dureza das penas e o tom por vezes panfletário de alguns votos surpreenderam boa parte da comunidade jurídica.

Do ponto de vista técnico, é impossível não exaltar o desempenho de alguns atores do processo. Em primeiro lugar, deve-se registrar a competência com que a denúncia foi construída e, posteriormente, sustentada. Por igual, na tribuna de defesa, brilharam alguns dos melhores advogados criminais do país.

De outra parte, foi impressionante o trabalho do relator, ministro Joaquim Barbosa. Dominando amplamente os aspectos fáticos e jurídicos do processo, tornou imensamente difícil a divergência.

Por fim, ao realizar, em alguma medida, um contraponto à posição do relator, o revisor, ministro Enrique Ricardo Lewandowski, enfrentou com bravura e fidalguia a incompreensão geral. Aqui cabe um comentário a mais.

A visibilidade pública, a cobrança da mídia e as paixões da plateia criaram, na sociedade, um ambiente mais próprio à catarse do que à compreensão objetiva dos fatos.
Divergências maiores ou menores quanto à prova e suas implicações jurídicas eram tratadas pelo público com a exaltação das torcidas futebolísticas. De lado a lado.
Esse misto de incompreensão e intolerância levou a episódios de incivilidade como o que foi vivido pelo ministro Lewandowski em uma seção eleitoral em São Paulo.

O mesmo ministro, aliás, que havia recebido inúmeras manifestações de apoio popular por seu papel de destaque na condução das Eleições de 2010 e no julgamento que confirmou a validade da Lei da Ficha Limpa.

A lição é inequívoca: o reconhecimento popular pode ser efêmero e mutável, e o bom juiz não pode e não deve agir para obtê-lo.

Em ambos os casos, o ministro Lewandowski teve a coragem moral de votar segundo sua consciência jurídica, sendo coerente com suas reiteradas decisões em matéria penal e eleitoral, respectivamente.

Quem estava no caminho dessa mudança de percepção foi atropelado, e por isso é compreensível que os condenados se sintam, não sem alguma amargura, como os apanhados da vez, condenados a assumirem sozinhos a conta acumulada de todo um sistema.

Por isso mesmo, aliás, é razoável supor que a mudança ficará incompleta caso não se aproveite a ocasião para levar a cabo uma reforma política abrangente, que desça à raiz do problema.

Ainda assim, e sem entrar no mérito das condenações individuais, é fato inegável que o Supremo verbalizou e concretizou um desejo social difuso pela extensão do sistema penal aos desvios ocorridos na política e à criminalidade econômica. 

Conclusão dos militares: o texto é um verdadeiro vai-e-vem retórico. E tudo ainda pode acontecer no julgamento do Mensalão – que ainda não terminou e nem tem data prevista para que a sentença final seja cumprida.



O texto do Barroso, não sei bem por quê, nos remete a outro Barroso – um que foi um gigante de nossa nacionalidade. O homem que conduziu a esquadra brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo, durante a “Guerra do Paraguai”, Francisco Manuel Barroso da Silva (1804-1882), imortalizou, em 11 de junho de 1865, a expressão que se tornou uma marca de quem acredita na capacidade de vencer:

“Inimigo à vista. Preparar para o combate. O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever. Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder. Sustentar o fogo que a vitória é nossa”.

O novo Barroso, aos 55 anos, ainda tem um longo caminho para se transformar ou não em herói. O ministro Barroso terá de mostrar, no STF, se o fogo da condenação será mantido em contra os mensaleiros - inimigos do Brasil.

Ou, então, se vamos ter uma revisão jurídica, que pode desagradar a opinião pública e publicada, em nome de uma outra visão de Justiça.

Enfim, o dilema é se Barroso vai de Barbosa ou de Lewandowski...

Na sabatina do Senado, Barroso já está aprovado de véspera, antes mesmo da criação do mundo e do Fla-Flu – como diria Nelson Rodrigues...

Aprovadíssimo, antes...



Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Maio de 2013.

Duas perguntinhas ao Barroso

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Mara Montezuma Assaf

A leitura do jornal me angustia mas me motiva a perseverar na luta por um Brasil melhor: Fernando Gabeira, em seu artigo - Que porto é esse,senhora dos navegantes -  descreve um cenário político sinistro e impensável há alguns anos atrás, quando se lutava pela redemocratização do País.

Pior que isso, praticamente desiludido e desesperançado, joga a toalha ao admitir: "Aos poucos, vamos compondo um novo e inquietante dístico para a Bandeira Nacional: "Barbárie e Progresso".

Junte-se a isso o editorial - Mordaça reforçada - onde se relata a confirmação da decisão do então desembargador Dácio Vieira tomada há 4 anos atrás contra o Estadão e a liberdade de imprensa, ratificação dada agora pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal , cujo atual presidente é o mesmo Dácio Vieira. Oh! poderoso Sarney!

Em vista disso só me resta a certeza de que  o golpe contra a democracia já foi dado por este governo petista em cujas mãos já "comem" descaradamente os poderes Legislativo e parte do Judiciário. Não por acaso, Dilma indica o advogado Luiz Roberto Barroso , considerado um "progressista", para ocupar a cadeira vaga do STF.

O novo ministro vai julgar os recursos dos condenados no processo do mensalão e pode mudar os rumos da ação, pois os votos dele, do também recém empossado Teori Zavascki, somados aos de Lewandowski e Toffoli, podem resultar em redução de penas  dos condenados.

Isso, trocado em miúdos, significa a exaltação apoteótica da impunidade aos mensaleiros , tudo o que Lula, Dirceu  e petistas em geral mais querem.

Portanto, quando  este advogado for sabatinado no Senado, apenas duas perguntas deveriam ser feitas a ele:

Qual o seu grau de isenção e parcialidade na questão do julgamento do mensalão?

Como o senhor analisa a postura do ministro Joaquim Barbosa quando toma , corajosamente, a defesa da democracia?

Mara Montezuma Assaf é Professora Aposentada.

Comissão da “Verdade”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Humberto de Luna Freire Filho

A famigerada Comissão Nacional da Verdade acaba de completar um ano e continua apresentando novos depoentes. Agora foi a vez de exumarem uma múmia chamada Heloísa Starling, suposta pesquisadora da Universidade Federal de Belo Horizonte. Essa no mínimo investiu no patriotismo de longo prazo e provavelmente já recebeu polpuda indenização além do direito a uma pensão vitalícia paga com o meu dinheiro.

Dá nojo ver na imprensa nacional a cobertura das discussões sujas e tendenciosas promovidas por essa comissão que na minha opinião não passa de um amontoado de bandidos revanchistas hipócritas, fazendo proselitismo em defesa de um partido e de uma ideologia há muito superada em todo o mundo, mas que sem dúvidas não será abandonado porque lhes rende dividendos políticos e financeiros.

Por que esse bando não comenta sobre a perna arrancada de Orlando Lovecchio? Ele não era militar nem terrorista, simplesmente foi vítima. Por que não comentam sobre o corpo despedaçado do soldado Kosel? Será que esse bando sabe pelo menos o nome dos três filhos dos Capitão americano, Charles Chandler, fuzilado a queima roupa por covardes que hoje querem aparecer como salvadores da pátria?

É verdade que não tive nenhum parente vítima dessa quadrilha, mas quero deixar bem claro, com todo respeito a Justiça brasileira, que se assim não tivesse sido, minha atitude hoje seria um pouco diferente. Confesso ser rancoroso.

Já cumpri minha missão. Tenho filhos independentes e bem encaminhados. Portanto isso me daria total liberdade para uma ação mais radical contra esses assassinos que hoje posam de salvadores da pátria, mas que não passam de gigolôs de um governo corrupto que usa o dinheiro público para fazer política suja, dirigida a um pobre substrato cultural, limitado e desinformado que infelizmente só usa jornal em wc para finalidades menos nobres.

Humberto de Luna Freire Filho é Médico.

A tortura aos cidadãos brasileiros

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

Complementando o que escrevi sobre a CNV, após ter presenciado seu primeiro relato, devo dizer-lhes que, para os "comissários da comissão", quaisquer atos de prisão, detenção, suspeição, interrogatório ou tomada de depoimento por Agentes do Estado, à época dos Governos Militares, são considerados como tortura, se não física, pelo menos psicológica, pelo medo ou pela intimidação. Daí o elevado número de pessoas consideradas "torturadas", ou seja, bem de acordo com a "recomendação" do Sr Mário Lago, todos foram torturados!

Seguindo o mesmo raciocínio, todos os cidadãos brasileiros (200 milhões) estão sendo torturados pela insegurança pública, na medida em que todos têm medo de sair à rua e ser vítimas da bandidagem que domina os centros urbanos, tendo como agravante a "recomendação" para não reagir e a dificuldade para comprar e portar armas de autodefesa!

Há fortes razões para se suspeitar de conivência entre a bandidagem e os agentes do estado petista, portanto, a CNV deveria estender suas pesquisas até nossos dias, o que, com certeza, faria ver aos "comissários" que, no tempo da "ditadura", só quem vivia com medo eram os bandidos, acossados pela Polícia, e os terroristas que se escondiam da repressão a seus atos de insânia.

Paulo Chagas é General de Divisão na Reserva.

As causas do “arrocho salarial” dos militares federais

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Waldemar da Mouta Campello Filho

Em 2003, as despesas com o pagamento do Pessoal Militar Federal equivaliam a 1,18% do PIB, enquanto que, em relação ao Pessoal Civil da União, correspondiam a 2,63% do PIB e , à Administração Direta,  1,32% do PIB.

Em 2011, os mesmos dispêndios com os Militares Federais eram de 0,94 % do PIB, com os Servidores Civis correspondiam a 2,70% do PIB e com a Administração Direta 1,38% do PIB.

Portanto, enquanto, no período 2003/2011, os encargos financeiros com o Pessoal Militar, em relação ao PIB, decresceram, fortemente, esses gastos com os Servidores Civis e, particularmente, com os integrantes da Administração Direta, aumentaram.

Por outro lado, no mesmo período, as despesas com custeio e investimento, na função Defesa Nacional, aumentaram de 0,22% do PIB para 0,35% do PIB.

Esse quadro resultou na atual situação iníqua, sob o ponto de vista salarial, em que se encontra o militar federal, na qual a sua remuneração média mensal corresponde a 68% daquela da Administração Direta ( categoria mais mal remunerada em todo o serviço público federal), ao passo que, em 2004, equivalia a 110,00%.

Mas essa situação perversa é mais grave ainda do que esses números, à primeira vista, indicam.

Pois, a redução de 1,18% para 0,94% do PIB nas despesas de pagamento do Pessoal Militar permitiu (tomando-se como referência o ano de 2011) uma “economia” de cerca de 9,7 bilhões de reais, apenas nesse ano; o que possibilitou o “financiamento”, no período, do acréscimo dos dispêndios de custeio e investimento de 0,22% para 0,35% do PIB.

Ainda mais, se o percentual de 1,18% do PIB com o pagamento do pessoal militar, constatado em 2003, permanecesse com esse valor até 2011 , a remuneração média dos militares federais corresponderia , atualmente, a 90% daquela da Administração Direta .

Registre-se que não se está sugerindo um aumento na percentagem de 1,18% , como ocorreu com os Servidores Civis e a Administração Direta , mas apenas a sua permanência . Se esse último valor tivesse evoluído do mesmo modo como ocorreu com essas categorias, atualmente, a remuneração média dos militares equivaleria a 94,50% daquela da  Administração Direta.

Ocorre que o Ministro da Defesa, em Audiência Pública, realizada no dia 09/05/2013, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, referiu-se ao fato de que, “nos últimos anos” (mais especificamente  desde 2004) o orçamento da defesa “tem oscilado em volta de 1,5% do PIB”.

Ainda mais, disse o Ministro: ”E tem havido um incremento constante das dotações orçamentárias, às vezes há uma pequena oscilação de um ano para o outro. Mas se nós compararmos, por exemplo, de 2005 a 2013, a parte que mais interessa, porque é a mais sujeita a oscilações, a parte de Custeio e Investimento, passou pouco mais de R$ 6 bilhões em 2005 e chegou a R$ 17,5 bilhões em 2013.

Então, há uma considerável melhora na situação que está muito longe de corrigir ou sanar todas as falhas que existem, mas há um esforço constante nesse plano” (Ata da Reunião – Secretaria - Geral do Senado).

O Ministro da Defesa foi preciso no seu relato, no que se refere aos números apresentados.

Infelizmente, não esclareceu a parte que mais interessa na questão: Qual a fonte desses recursos que estão permitindo o incremento continuado (de 0,22 % do PIB, em 2003, para a 0,35% do PIB, em 2011) dos dispêndios com Custeio e Investimento na função Defesa Nacional?

Certamente, não residiu (e não reside) no aumento da percentagem, em relação ao PIB, dos gastos totais com a função Defesa Nacional, que, como disse o Ministro, nesses últimos anos, tem permanecido em volta de 1,5% do PIB.

Logicamente, só pode estar no apontado decréscimo (de 1,18% para 0,94%) das despesas com pessoal.

No entanto, esse esclarecimento não pode se restringir, apenas, à apreciação dos números constatados, mas, por uma questão de transparência, tem, também, de abranger o significado do fenômeno, em relação ao qual os números são apenas indicadores.

O que esses números estão a dizer?

Que o incremento das aquisições de materiais, armamentos, equipamentos, veículos, a realização de novos projetos, a sustentação de novos serviços estão sendo financiados com os recursos “economizados” em conseqüência do “arrocho salarial” infligido aos militares federais nesses últimos anos.

Os recursos advindos da redução de 1,18% para 0,94% do PIB, com pagamento de pessoal militar, têm permitido, dentro do teto de 1,5%, aumentar a verba de custeio e investimento de 0,22% para 0,35% do PIB.

Essa política imposta aos militares federais está na contramão da política remuneratória aplicada a todos os servidores públicos federais, desde 2004.

A submissão dos militares a essa condição iníqua é o fundamento de uma enganosa e maldosa modernização das Forças.

Maldosa porque o incremento da aquisição de materiais e equipamentos está se realizando com um grande sacrifício da Família Militar, que vive um momento angustiante, no qual, por exemplo, 70% dos Terceiros Sargentos da Força Terrestre, na ativa, percebem uma remuneração líquida de, aproximadamente, R$2.000,00.

Os militares federais estão na situação salarial degradante em que se encontram porque os recursos financeiros, que deveriam ser aplicados na correção de suas remunerações- como ocorreu em todas as categorias do Servidor Público Federal - estão sendo utilizados, no limite do teto de 1,50% do PIB , para compra de materiais e equipamentos.

Enganosa e maldosa porque decorre da manipulação de dados, perspectivas e intenções, que faz crer, ao desavisado, a realização de um esforço (“... há um esforço constante nesse plano”, como disse o Ministro), dos setores responsáveis, no sentido de corrigir as carências materiais das Forças , quando , na verdade, o que ocorre é a imposição do sacrifício à Família Militar para se obter os recursos necessários à aquisição de bens e serviços . É a aplicação de um critério moralmente inaceitável: considerar o homem - o fundamento de qualquer organização - como um meio e não como um fim.

Os soldados brasileiros estão sustentando, involuntariamente, com suas privações e renúncias, uma enganosa recuperação das Forças Armadas (porque não prioriza o seu principal elemento: o homem), que se acham sucateadas em  virtude da incapacidade dos agentes administrativos responsáveis.


Waldemar da Mouta Campello Filho, Capitão-de-Mar-e-Guerra, é Presidente da CONFAMIL e Coordenador do Sistema CONFAMIL.

O Dragão da Bondade salvando o Povão Guerreiro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Berto Filho

Se eu trabalhasse no Palácio do Planalto e fosse da assessoria política ou se fosse marqueteiro, eu bolaria um plano para aumentar ainda mais a já fantástica popularidade da Presidenta Dilma. Para aumentar a popularidade e também para ampliar de 110 para 148% as possibilidades de sua reeleição.

Eu mobilizaria o serviço de informação e inteligência do gunverno, que funciona subordinado diretamente ao gabinete presidencial. E que é repleto de sherloques e arapongas coçando o secreto saco o dia inteiro. E daria a este serviço a tarefa de criar um boato pra ser espalhado em Banânia. Um boato dando conta de que o Bolsa Voto iria ser extinto e o curral eleitoral seria obrigado a arrancar o sustento com o suor do próprio rosto.

Como o serviço de inteligência tem escritórios e representações em todos os estados da federação, eu escolheria apenas 14 deles pra soltar o boato. Seria um número suficiente pra fazer a história ser disseminada nas demais regiões banânicas. E soltaria o boato calculadamente conforme as exigências do calendário, botando o batalhão parasitário em desassossego num final de semana, tempo de futebol e cerveja.
Comprovada a eficácia do boato, com amplo material na imprensa sobre multidões invadindo as agências da Caixa, viria a segunda parte do plano. 

Como o boato foi criado no nível da Presidência da República, eu escalaria alguém do primeiríssimo escalão, uma ministra de estado, por exemplo, para botar a culpa do boato na oposição. Como se existisse esta instituição no atual momento banânico… Merda e oposição são sinônimos no império do Socialismo Muderno. A oposição, desde que o PT chegou ao poder, é igual peido de aviador: sumiu no ar. Tá toda no bolso de… Ah… Deixa pra lá. O assunto agora é outro.

Pois bem: como não há qualquer diferença entre ser militante do PT e ser ministro do PT, pois a canalhice, a jumentice, a falta de ética e, sobretudo, a irresponsabilidade é a mesma em ambos o caso, não haveria qualquer problema em escalar uma ministra pra tão avacalhada tarefa (sem qualquer intenção e fazer trocadilho…). Isto até mesmo pela certeza da impunidade e pela constatação de que vivemos num país escroto feito Banânia. E eu mandaria a ministra botar no twitter uma mensagem mais ou menos assim:



Horas depois, eu aconselharia a ministra a tirar o cu da reta e dar outra tuitada dizendo que não era bem assim, que não queria ter dito aquilo, que não está afim de polemizar, que não falará mais nada, etc. etc. etc. etc…

Depois do bololô formado, depois da constatação de que uma Ministro de Estado (idiota e tabacuda, é verdade, mas formalmente uma Ministra de Estado) deu uma cagada de tal magnitude, eu aconselharia a Presidenta da República a ir a uma solenidade pública no mesmo dia. A ir, por exemplo, à inauguração de um navio, com ampla cobertura da mídia reacionária e catrefa, durante a qual faria um duro discurso desmentindo o boato, dizendo que ele fora “desumano e criminoso”.

Nestas horas, a grande imprensa golpista é indispensável pra fazer chegar ao povão os tolôtes que Dilma caga pela boca. À noite, no horário nobre, em todas as grandes redes de televisão do país, SBT, Band, Record e Globo, Banânia inteira tomaria conhecimento de que Dilma, o Dragão da Bondade, estava atenta pra proteger os desvalidos do curral de eleitores, vitimas do tenebroso boato inventando pela oposição, pelos reacionários, pelas forças obscurantistas e pelos catrefas que lutam contra as grandes conquistas populares.
Seria a glória!!!!

E pronto:

A mundiça, a pobreza, os miséráveis, os excluídos (que, apesar de extintos no papel, continuam existindo na vida real…) aplaudiriam, se alegrariam e orariam em louvor a sua mãe, madrinha e salvadora. Dilma seria maior e mais protetora que Lula, Getúlio Vargas e Evita Perón somados! A Dama da Priquita de Titânio, ao contrário de Collor que só fez prometer, teria salvo de fato os descamisados de morrer de fome.

No discurso, eu aconselharia Dilma a dizer que iria botar a Polícia Federal para apurar o crime. Todavia, com uma recomendação importante: a pergunta básica que sempre é feita quando se abre uma investigação, “a quem interessa o crime?”, seria posta de lado. Não haveria necessidade de se fazer pergunta tão indiscreta quanto incômoda.
Isto tudo eu faria se fosse da assessoria política da Presidência. Todavia, tudo que escrevi aqui é puro exercício de imaginação. Pura divagação.

Pra concluir esta obra de ficção, eu diria que a TV NBR, o canal oficial do gunverno federal, distribuiria pro país inteiro, inclusive pro JBF, as duras e ameaçadoras palavras da Redentora Dilma.

Seria mais ou menos assim:



Luiz Berto Filho, escritor pernambucano, edita o Jornal da Besta Fubana.

MAC: o Rasputin Brasileiro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Osmar José de Barros Ribeiro

Grigoriy Yefimovich Rasputin foi um místico monge russo, politicamente influente no final do período czarista. Por volta de 1905, a sua reputação de operar milagres levou-o à Corte Imperial onde ele teria salvado a vida do filho do czar, que era hemofílico. A partir daí, a czarina passou a dedicar-lhe-á uma confiança extrema.

Com tal proteção, Rasputin possuia um prestígio desmedido na Corte e, principalmente, sobre a família imperial.Todavia, seu comportamento dissoluto levou o Czar a afastar-se do mesmo, embora a Czarina continuasse a confiar nele.
No entanto, a Primeira Guerra Mundial trouxe consequências funestas para Rasputin, já odiado pelo povo e pelos nobres, que o acusaram de espionagem ao serviço da Alemanha. Rasputin conseguiu escapar de várias tentativas de assassinato, mas acabou por ser vítima de uma trama de parlamentares e aristocratas russos.

O Rasputin “brasileiro” atende pelo nome de Marco Aurélio Garcia. Não é monge, nem faz milagres, contudo possui uma singular influência nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Hoje com 72 anos,  nascido em Porto Alegre/RS, é um prestigiado ideólogo da esquerda e professor aposentado do Departamento de História da Unicamp.

Desde seu tempo de estudante, MAC militou no movimento estudantil e, nos anos 60, foi vice-presidente da UNE além de vereador na sua cidade natal. Entre 1970 e 1979, se auto-exilou no Chile. Com a queda de Salvador Allende, viajou para a França. Retornou ao Brasil após a Lei de Anistia promulgada no governo do Presidente João Figueiredo, logo retomando as atividades políticas, sendo um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.

Em 1990, na condição de Secretário de Relações Internacionais do PT, MAC foi um dos organizadores e fundadores do Foro de São Paulo, organização inspirada por Cuba e que intenta reunir todos os grupos de esquerda da América Latina e do Caribe. A partir das eleições de 1994, assumiu as funções  de coordenador dos Programas de Governo dos candidatos petistas. Quando da eleição de Lula foi criado, especialmente para ele, o cargo de Assessor Especial para Assuntos Internacionais, que continua a ocupar no governo Dilma Roussef, como se o Ministério das Relações Exteriores (MRE) não tivesse valia alguma. 

Quem, senão ele, foi o reponsável intelectual pela reviravolta no procedimento do Itamaraty na questão do gás boliviano, no problema do calote equatoriano e no atendimento às pretensões do bispo garanhão, à época presidente do Paraguai, quanto ao pagamento da dívida de Itaipu? Mais recentemente, quem terá censurado a Colômbia pela morte de membros das FARC em território do Equador que, de resto, lhes dava guarida? Quem terá apresentado a idéia de afastar o Paraguai para permitir a entrada da Venezuela no Mercosul? E pela facilidade com que aceitamos as exigências argentinas com respeito ao comércio bilateral, quem será o responsável? De quem terá sido a idéia da UNASUL?

A verdade é que, embora operado em fevereiro último de problemas coronarianos, nosso Rasputin ainda é a eminência parda do Planalto quando se trata de assuntos internacionais.  Visceralmente contrário a tudo que tenha origem nos Estados Unidos, pertence à Velha Guarda comunista que idolatra Fidel Castro.

Resumindo: cada País tem o Rasputin que merece!


Osmar José de Barros Ribeiro é Tenente Coronel na Reserva do EB.