domingo, 23 de abril de 2017

Temer cortará própria carne para seguir blindado


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Valhei-nos, São Jorge! Os deuses do mercado farão o diabo para que Michel Temer continue blindado, seguindo na Presidência da República até o fim do mandato, mesmo que continue impopular. Esperam que Temer tome uma “atitude em favor da Lava Jato”, afastando do governo os oito ministros citados nas delações da Odebrecht. Temer já sinaliza nos bastidores que só aguarda que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ofereça denúncias. Temer hoje seria um “Super Presidente” com poderes para sentar o dedo em quem quiser, sem direito a troco do adversário. Será?

Acendeu-se um sinal amarelo depois que o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pediu ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que se manifeste sobre a possibilidade jurídica de apurar crimes supostamente cometidos por Michel Temer. As delações odebrechtianas o envolveriam diretamente em negociações de R$ 40 milhões em captação de grana de propina para campanhas eleitorals do PMDB – que Temer presidira até outro dia...

O STF foi provocado por uma ação (agravo regimental) do PSOL. O partido argumenta que isentar o Presidente da República de investigação “causa gravíssimo prejuízo ao Direito de ver devidamente apurada a existência de infração penal”. O próprio Supremo já reconheceu que, de acordo com a jurisprudência do Tribunal, “não existe qualquer óbice constitucional para que uma investigação seja conduzida em desfavor do chefe do executivo”. No entanto, a tendência é que o assunto não avance e a blindagem seja preservada.

Será que Temer realmente não pode ser investigado por eventuais crimes praticados fora do tempo de exercício do mandato? A fragilidade de tal argumento defensivo é que Temer era vice da extinta Presidenta Dilma... Por aí, o bicho até poderia pegar contra ele no Tribunal Superior Eleitoral. É baixíssima a chance de ocorrer outro processo de impeachment via Congresso. A base aliada está mais focada em se proteger contra a Lava Jato do que mexer com Temer – que pode ser um aliado poderoso e valioso. No TSE, depois que Temer fez duas indicações de ministros, a tendência é de lentidão máxima de trâmite do processo que pede a detonação da chapa reeleitoral Dilma-Temer de 2014.

Defensores temerários, alguns demônios do mesmo mercado agora só andam preocupados com a quebra da blindagem deles mesmos. A quase certa delação de Antônio Palocci Filho vai afetar gigantes do setor empresarial, principalmente o financeiro. As “colaborações premiadas” da Odebrecht explicitaram que o Ministério Público Federal no mínimo falhou ao subestimar o potencial destrutivo do delator Palocci contra a base estrutural da Organização Criminosa: a que faz a rolagem de dinheiro para regar os esquemas de corrupção.

Uma outra grande preocupação de deuses e demônios do mercado é com a situação descontrolada de endividamento de grandes empresas. O problema não atinge apenas grandes empreiteiras enroladas na Lava Jato. O problema afeta importantes marcas. Torna-se temerário (sem trocadilho presidencial) o apelo para Recuperação Judicial, no momento em que a mão pesada do judiciário começa a “clamar por sangue” contra alguns empresários. “O espectro do calote assombra o Brasil” – como escreveria o Negão da Chatuba em seu “Manifesto Capimunista”.

Todo mundo já sabe que a única solução efetiva contra o Crime Institucionalizado é a reinvenção do modelo estatal brasileiro, tornando-o produtivo e menos rentista. Temos de romper com o Capimunismo – arraigado na cultura dos brasileiros acostumados a serem extremamente dependentes do Estatismo e dos supostos “salvadores da Pátria” invocados e inventados a cada eleição. De imediato, é preciso acabar com a tal “Nova República” – regime que já nasceu morto em 1985.

Para isso, é imprescindível uma Intervenção Constitucional para outorgar uma Carta Magna fora da influência criminosa. Dela deve derivar um enxugamento legal que viabilize a Democracia – a Segurança do Direito. Reformas e remendos não resolvem e ainda podem criar novos problemas. Temer finge que não sabe disto. Ele limitou o próprio papel a um mero “reformista”. Por isso, dará uma de “açougueiro”: cortará a própria carne, para seguir até o final do mandato.

Negociações portuguesas: as incertezas...


O supremo-ministro Gilmar Mendes certamente ficou pt da vida com a indiscreta fotografia clicada no sábado, 22 de abril, no hall do Hotel Tivoli, em Lisboa.

Gilmar aparece bem na foto, porém mal na fita, conversando com o turista Arlindo Chinnaglia – um dos principais negociadores de bastidores do PT.

Analisando a imagem viralizada nos zap-zaps, especialistas concluíram que Gilmar só pode estar planejando sua aposentadoria do STF e do TSE, e buscando apoio além-mar para concorrer à Presidência de Portugal – já que não sai de lá...

A turma do botequim descarta liminarmente a hipótese ultraimprovável de que petralhas, tucanalhas e peemedebostas estejam conversando com Gilmar para organizar um impensável ataque, nos bastidores togados, contra a Lava Jato...

General na Segurança

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, convidou o General Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria Nacional de Segurança.

O objetivo é que o militar tire do papel o Plano Nacional de Segurança Pública.

Crua ganhou fama e reconhecimento internacional no combate duro a criminosos quando comandou as Forças Militares da Missão de Paz no Haiti (MINUSTAH) e a Missão de Paz no Congo.

Tomando no olho


Dono do mundo petista


Divina caixinha


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Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Abril de 2017.

A Onça Fada


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Dizem que a felina tem uma varinha de condão.

Assim, entendemos sua despreocupação com o fato de a vaca estar indo pro brejo.

Tudo será resolvido por um passe de mágica !

Abra cadabra pelo de cabra (ou cabral ?)

Bode expiatório.

Por coincidência o fundador (patrocinador) do Instituto Tavistock, o inglês duque de Bedford, tem ecimando o seu brasão, a figura de um bode.

Mais estranho é seu lema (motto) ; escrito em italiano :Che sara sara.

Devemos a sua criatura todas as instruções de como dominar o mundo, mantendo os países vítimas, na miséria econômica e moral.

Basta identificar os traidores locais, endinheirá-los, homenageá-los e ameaçá-los (caso deixem de cumprir à risca suas instruções).

Já sabemos de tudo; o modus operandi, o nome de seus agentes e onde se encontram.

Portanto só falta dona Onça agir. Na mata ou na moita, não é afoita.

Precisamos ter fé (fé de mais ou fé de menos?) .

Que nos reste a esperança, pelo menos.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Nobel da Corrupção – Classe Política Brasileira


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Brasil nunca conquistou um premio nobel, em razão do pouco investimento em pesquisa e por causa de uma classe política marginal que só enxerga o próprio umbigo. No entanto, em termos de corrupção, os megaesquemas que estão sendo revelados nos animam a considerar
que se houvesse uma estatueta dedicada ao campo minado, teríamos uma centena de candidatos de primeira linha, e não são poucos.

Eis que a habilidade dos nossos políticos somada aos empresários que coonestam em troca de favores, todos esses ingredientes fizeram
sucumbir a economia e petrificar o crescimento do Brasil. Em flagrante caça às bruxas reage nosso Parlamento e o Senado Federal não deixa por menos que aprovar o retrocesso do retrocesso: a lei de abuso de autoridade.

A pretexto de mudar uma vetusta legislação, seu intuito, pelas mãos ardilosas de alguns senadores, muitos deles investigados, traduz uma ação deliberada, adrede e de fins pouco ético e desmoralizante de coarctar a investigação e fazer sangrar responsáveis pela increpação dos cometimentos de centena de ilícitos perpetrados à luz do dia e com desvio de bilhões de dólares dos cofres públicos.

Completamente dissociada da sociedade,em conflito com a própria sobrevivência política e na proximidade das eleições de 2018 que se avizinha,nossos parlamentares falam em espírito corporativo, mas
esse estado d’alma reflete o medo, a paúra e o pânico que se abateu sobre os investigados, os quais, temerosos de serem punidos e colocados fora dos momentos de desvios de recursos públicos, tentam intimidar a investigação e menoscabar a figura da justiça.

A serviço de quem estariam esses maus políticos? Evidentemente deles próprios eis que atabalhoados e aturdidos legislam em causa própria como se fosse possível na prorrogação da partida e com a maioria dos jogadores expulsos por violação das regras,querer expulsar arbitro e mandar em cana os banderinhas.

Triste e fransciscano retrato de uma Nação desossada pela corrupção, esmigalhada pela falta de representação política e desassossegada pelo infortúnio de uma economia em frangalhos. A saída é de ordem política, mas não com essa classe política que teima em insistir por caminhos das trevas e querer virar o jogo no tapetão.

Aprendam, senhores senadores, que a população já acordou,a sociedade civil está esperta e se fizerem o descalabro dessa ordem em poucos segundos as notícias circularão mundo afora, e nosso conceito que já é péssimo no exterior se tornará inclassificável. As associações de classe devem agir preventiva e imediatamente com mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal, uma espécie de controle de precaução da norma constitucional.

Eis que afronta com o papel da justiça,amedronta ao servidor e coloca uma verdadeira tornozeleira cerebral no pensamento da máquina judiciária. Nada mais deprimente e inadmissível na atual conjuntura. Ao invés de tomarem medidas que forcem ao crescimento e otimizem desenvolvimento
para criação de empregos, nosso glorioso Senado conta com um projeto originário do Senador Renan Calheiros e traz como Relator Roberto Requião, espezinhando a dignidade da atividade investigativa e amesquinhando os verdadeiros e soberanos valores da República Democrática.

A persistir a contramão entre o querer da sociedade e a minoria não representativa de poucos parlamentares o entrechoque instaurado será de tal modo a provocar um incendio de tamanhas proporções a minar o desbaratamento da maior quadrilha da história surgida, gerada e
criada no seio da federação brasileira, pelas mãos sujas de políticos irresponsáveis e de uma facção criminosa que se alimentou à base de corrupção em profusão.

Atentos aos próximos passos em véspera de feriado e na proximidade do dia trabalhador, é hora de se dar um basta ao trabalho marcado pela desfaçatez e espírito corporativo protetivo da classe política, a qual não passará ilesa das eleições do ano de 2018.A radicalização amparada na intolerância geram descrédito e sepultam definitivamente o sonho da sociedade ávida por justiça e o fim da roubalheira generalizada.

Vejamos o exemplo pífio e revoltante da cidade maravilhosa, na qual de maravilhosa somente a natureza,eis que seus governantes acumpliciados e conluiados provocaram o maior rombo das finanças expondo a cruedade da crise, da violência e do senso da irresponsabilidade priorizando o socorro da União e bloqueios de contas para pagamento das despesas e da própria folha.


As reformas são urgentes mas a primeira e a mãe de todas é aquela política e de natureza partidária sepultando os profissionais que
transformaram nossa política numa tragédia anunciada, com o apoio de você anônimo que é sem duvida alguma o maior cara de pau da critica sem igual e um verdadeiro verme que somente critica e não põe, por medo, paúra e vergonha, a cara na berlinda com medo de ser encarcerado na primeira batida que se fizer pois que da tua laia não participamos hoje e nunca.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Junta de Coordenação Revolucionária - 1


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Quando da prisão do general Augusto Pinochet, em Londres, em 1999, foram publicadas no Brasil várias reportagens, algumas de página inteira, sobre a denominada "Operação Condor" (década de 70), buscando vincular especialmente o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), além de outros órgãos de Inteligência brasileiros, à referida operação, por terem "cooperado para formar e preparar quadros para os órgãos de repressão das ditaduras chilena, argentina, boliviana, uruguaia e paraguaia" (O Globo de 5 de janeiro de 1999).

Após indiciar o general Pinochet por genocídio, o juiz espanhol Baltasar Garzón (ex-deputado socialista) passou a buscar documentos objetivando demonstrar que, depois da deposição de Salvador Allende, no Chile, em 11 de setembro de 1973, os governos de cinco países - Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai - uniram-se, sob o comando da DINA, o Serviço de Inteligência chileno, numa espécie de "Mercosul do terror". A parceria teria sido formalizada em 1975, sendo denominada "Operação Condor".

Nesse mister, o juiz Garzón conta com a colaboração do advogado espanhol Joan E. Garcés, assessor de Allende, no Chile, de 1971 a 1973, que abandonou o Palácio La Moneda minutos antes do suicídio deste último. Joan Garcés, posteriormente, em 1976, foi o fundador, na Espanha, da Federação dos Partidos Socialistas, e, em 1979, da esquerda socialista do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Felipe González.

Em 1976, Joan Garcés escreveu o livro Allende e as Armas da Política, editado no Brasil em 1993 por uma tal Editora Scritta e traduzido pelo escritor e jornalista brasileiro Emir Sader, que viveu no Chile como auto-exilado durante o governo Allende, onde integrou os quadros do Movimiento de Izquierda Revolucionária (MIR).

Vamos aos fatos. Ou seja, àquilo que os jornalistas que abordaram o tema não disseram ou não quiseram dizer. Muitos dados aqui relatados foram extraídos do livro Europa Versus Pinochet - Indebido Proceso, escrito por Hermógenes Perez de Arce, professor universitário e colaborador do jornal El Mercúrio. O livro foi lançado em Santiago do Chile em 1998, e já está em segunda edição.

Deve ficar claro que, quando existe uma ameaça terrorista de caráter internacional, os órgãos de segurança dos países ameaçados se coordenam. Sempre foi assim, e continua sendo. Nesse sentido, a France-Press divulgou, em 21 de novembro de 1998, o seguinte telegrama: "O presidente francês Jacques Chirac e o primeiro-ministro Lionel Jospin confirmaram ao chefe do governo espanhol, José Maria Aznar, a adesão da França à luta antiterrorista na Espanha, ao ser concluída, ontem, a reunião de cúpula França-Espanha, em La Rochelle". Ou seja, esses dois países coordenam seus órgãos de inteligência para combater a ETA basca.

Esse acordo não ficou no papel. No dia 10 de março de 1999, O Globo transcreveu um telegrama vindo de Paris, segundo o qual"as forças de segurança da França e da Espanha" haviam detido no dia anterior, em território francês, seis espanhóis, membros do grupo ETA, "incluindo o chefe militar José Javier Arizcuren Ruiz, conhecido como ‘Kantari’, procurado desde a década de 80 e acusado de haver tentado matar o rei Juan Carlos I, em Palma de Mallorca, em 1995 (...) . “A prisão foi resultado de uma operação conjunta entre a França e a Espanha".

Voltando à América Latina, é preciso recordar que o desafio terrorista contra os governos do continente, nada mais era do que uma derivação da Guerra Fria.

Em 1974 - menos de um ano após a deposição de Allende - foi fundada em Paris uma Junta de Coordenação Revolucionária (JCR), integrada pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) boliviano, o Exército Revolucionário do Povo (ERP) argentino, o Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T) uruguaio e o Movimento de Izquierda Revolucionário (MIR) chileno.
O secretário-geral da JCR era o cubano Fernando Luis Alvarez, membro da Direção Geral de Inteligência (DGI) cubana, e casado com Ana Maria Guevara, irmã de Che Guevara - o que conferia à JCR um caráter de instrumento do Estado cubano.

Pouco tempo depois, em outubro de 1974, a Comissão Política do MIR, através de seu jornal El Rebelde en la Clandestinidad, dava conta do fato nos seguintes termos: "No campo internacional, nosso partido redobrará a coordenação e o trabalho conjunto com o ERP, O MLN-T e o ELN da Bolívia, e junto a eles lutará para fortalecer e acelerar o processo de coordenação da esquerda revolucionária latino-americana e mundial (...) Chamamos a todas as organizações e movimentos irmãos a redobrar a luta em seus próprios países, a fortalecer e ampliar a Junta Coordenadora do Cone Sul (...)".

O dirigente do PC Chileno, Orlando Millas, já falecido, e que também foi ministro do governo Allende, escreveu em suas Memórias, 1957-1991 (Santiago: Ediciones Chile-América, 1995, pp. 186-187), o seguinte: "Reunimo-nos em Moscou, em 1974, os membros da Comissão Política do partido que estávamos no exílio, ou seja, os titulares Volodia Teitelboim, Gladys Marin (atual secretária-geral do Partido Comunista Chileno), eu e o suplente Manuel Cantero. Nessa oportunidade soube do acordo a que haviam chegado, em Havana, dirigentes dos respectivos partidos (chileno e cubano), para que contingentes de militantes comunistas chilenos fossem aceitos como alunos, na qualidade de cadetes, na Escola Militar de Cuba.

Foi recrutada para essa tarefa a nata da nova geração no exílio. Senti que os conduzíamos a queimar-se no Chile em batalhas impossíveis. Quem menos direito tem de criticá-los somos nós, que assumimos a responsabilidade, estremecedora, de sugerir-lhes, sendo adolescentes, que o caminho para ser dignos de seu povo deveria ser percorrido empunhando armas".

Infelizmente, isso não aconteceu somente no Chile. No Brasil, também na década de 70, mais da metade dos que foram mandados para a morte pela direção do Partido Comunista do Brasil, nas selvas do Araguaia, eram jovens estudantes ou recém-formados.

Anteriormente a tudo isso, no Congresso do Partido Socialista Chileno, ao qual pertencia Salvador Allende, realizado na cidade de Chillán, em 1967, foi aprovada uma Resolução Política que dizia: "(...) A violência revolucionária é inevitável e legítima (...). Só destruindo o aparato burocrático e militar do Estado-burguês pode consolidar-se a revolução socialista". Essa linha política foi confirmada no Congresso realizado em 1971 - ano em que Allende assumiu o governo -, realizado na cidade de La Serena.

A decisão do PS chileno de optar pela "violência revolucionária" estava de acordo com os protocolos adotados no ano anterior (1966) em Havana, na Conferência Tricontinental, quando foi aprovada pela unanimidade das 27 delegações presentes a sugestão de criar a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) - ondas, em espanhol -, uma cópia do Komintern dos anos 30, um pacto político-militar para revolucionar a América Latina. O autor dessa proposta foi o delegado que representava o Partido Socialista Chileno: Salvador Allende.

Quem melhor resumiu a consistência da ameaça armada ilegal constituída durante os quase três anos em que Allende esteve no governo foi o ex-senador e ex-presidente do Partido Socialista durante o referido governo, Carlos Altamirano. No livro da jornalista Patrícia Politzer, editado no Chile em 1995, pode ser lido o seguinte diálogo:

Entrevistadora - Quantos homens formavam esse modestíssimo aparato armado do Partido Socialista?

Altamirano - Mas ou menos mil a mil e quinhentos homens, com armas leves.

Entrevistadora - Mil homens não é pouco.

Altamirano - Não seria pouco se houvesse uma coordenação com o aparato militar do MIR, que supostamente era bem mais importante que o nosso, com o do Partido Comunista, que também era maior, e com os que tinham o do Movimento de Ação Política Unitária (MAPU) e a Esquerda Cristã. Mas essa coordenação não aconteceu...

É evidente que o número de 1.000 a 1.500 homens do PS, 3.000 a 5.000 do MIR ("bem mais importante"), 2.000 do Partido Comunista (que "também era maior"), do MAPU e da Esquerda Cristã, aproximadamente 1.000, redundava em um total aproximado de 10.000 homens armados que, somado aos "companheiros de Tropas" (referidos por Patrício La Guardia, como se verá adiante) e a um número indeterminado de outros estrangeiros, era, sem dúvida, um contingente respeitável.

Nos anos 80, a ação armada subversiva ganhou impulso no Chile, com os sucessivos desembarques de armas realizados desde navios cubanos, em janeiro, junho e julho de 1986: 3.200 fuzis, 114 lança-foguetes soviéticos RPG-7, 167 foguetes anti-blindagem LAW (alguns utilizados no atentado contra Pinochet nesse mesmo ano de 1986, que causou a morte de 5 militares de sua escolta), granadas, munições e outras armas (livro “Chile, Crônica de um Assédio”, Santiago, 1992, tomo I, p. 98). Ou seja, o maior contrabando de armas jamais registrado na América Latina.

A prova da intervenção cubana e de que um contingente dessa nacionalidade encontrava-se no Chile durante o governo Allende, inclusive integrando a segurança pessoal do presidente, pode ser encontrada em uma publicação cubana sobre o julgamento, muitos anos mais tarde, já no final da década de 80, de diversos altos oficiais do Exército cubano acusados de narcotráfico. Um desses oficiais, Patrício La Guardia, amigo pessoal de Fidel Castro, condenado à morte e fuzilado, viu-se submetido ao seguinte interrogatório:

Pergunta - E missões internacionalistas, além dessa de Angola, que cumpriu anteriormente?

Resposta de Patrício La Guardia - Estive no Chile. Fui condecorado com a Medalha Internacionalista de Primeiro Grau porque estive no Chile à frente dos companheiros de Tropas, quando do golpe de Estado, e cumpri outras operações especiais.
("Vindicación de Cuba 1989", Editorial Política, Havana, Cuba, p. 291).

O ex-presidente chileno Eduardo Frei, em declarações ao jornal ABC, de Madri, Espanha, disse o seguinte: "O marxismo, com o conhecimento e a aprovação de Salvador Allende, e talvez por instigação dele próprio, havia introduzido no Chile inumeráveis arsenais, que eram guardados em residências, escritórios, fábricas e armazéns. O mundo não sabe que o marxismo chileno dispunha de um armamento superior em número e qualidade que o do Exército (...) Os militares salvaram o Chile e a todos nós, cujas vidas não são, certamente, tão importantes quanto o Chile".

Pergunta-se o que poderiam fazer os governos ameaçados frente a duas internacionais terroristas - a OLAS, nos anos 60, e a JCR, nos anos 70? Obviamente, o mesmo que fazem hoje França e Espanha: coordenar suas ações antiterroristas. Assim teria nascido a Operação Condor.

Se no decorrer das operações repressivas foram cometidos delitos, sucedeu algo parecido com o grupo espanhol denominado GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação), constituído por elementos pertencentes aos órgãos de inteligência espanhóis. A responsabilidade pelos delitos deveriam recair sobre as pessoas que os cometeram, como, de fato, recaiu. Em 19 de julho de 1998 o Supremo Tribunal da Espanha condenou vários auxiliares de Felipe Gonzalez (que governou a Espanha por 14 anos, de 1982 a 1996), inclusive seu Ministro da Justiça, por crimes praticados durante a luta contra a ETA basca.

Em nenhum momento, porém, os diligentes juízes espanhóis pensaram em responsabilizar Felipe Gonzalez por esses crimes.

Assim como ao juiz espanhol Baltasar Garzón não ocorreu submeter a processo Felipe Gonzalez, tampouco existe fundamento para acusar o atual senador Pinochet por alguma atuação indevida de seus subordinados quando presidente do Chile durante o desenrolar da Operação Condor.

Hoje, no entanto, o juiz Baltasar Garzón, assessorado por Joan Garcéz, busca satanizar a Operação Condor. É indiscutível, porém, que face a um desafio terrorista coordenado, que não era um pic-nic, os Órgãos de Inteligência dos países ameaçados fizeram o mínimo que deveriam fazer: coordenar-se. E deverão fazê-lo sempre.

Uma outra acusação feita a Pinochet é a de "genocídio", por haver supostamente perseguido um grupo político: o de comunistas nativos e estrangeiros exilados no Chile. Tal delito, no entanto, é tipificado pela Convenção sobre Genocídio de 1948 como "a perseguição a um grupo nacional, étnico, racial ou religioso", e não de grupos políticos. E mais: a Convenção Internacional para Crimes de Genocídio, patrocinada pela ONU, estabelece expressamente que o tribunal competente para julgar esse tipo de crime é o do lugar onde foi cometido o delito.

Sobre o assassinato, nos EUA, do ex-chanceler de Allende, Orlando Letelier, pelo qual o juiz Garzón também responsabiliza Pinochet, recorde-se uma entrevista de seu filho, o deputado Juan Pablo Letelier, a uma jornalista, em Santiago, em 1995:

Pergunta - O sr. tem se dedicado nos últimos tempos a exculpar de toda a responsabilidade o Exército do Chile e seu Comandante em Chefe pela morte de seu pai. Por que?

Resposta - Não me dediquei a exculpar. O que já disse, por mais de uma vez, porque me ensinaram a falar a verdade, é que não há nenhuma evidência que flua do processo, de milhares de folhas, que permita sustentar que tenha havido participação do Exército ou de seu Comandante em Chefe no assassinato de meu pai.

(jornal "El Mercurio" de 4 de junho de 1995, página D-2).


A comunidade jurídica internacional sempre considerou profundamente injusto julgar uma época bom base nos padrões morais de outra. Por isso, entre outras razões, existe universalmente a prescrição, que prevê que o transcurso do tempo extingue as responsabilidades. Existe, pois, um ingrediente de tremenda injustiça em querer julgar, 25 anos depois, acontecimentos que hoje parecem desprovidos de toda carga de incerteza, temor e ódio que existiam no Chile e em toda a América Latina nos anos 70. Sempre, "antes" as coisas são diferentes do que parecem "depois", quando o perigo já passou. Um velho ditado diz que "depois da batalha, todos são generais".

O terrorismo e os terroristas, por sua vez, não têm que responder ante ninguém. Se triunfa, converte-se em um regime totalitário, e este, por definição, não tem que responder por seus atos. Se é derrotado, converte suas baixas em "vítimas", e descreve a guerra suja que perdeu como um "extermínio" - ou, como deseja o juiz Garzón, um "genocídio".

Em 1990, mesmo depois do Governo Militar, as vítimas do "genocídio" e do "extermínio" continuaram a atuar, e assassinaram, em plena democracia, o coronel Fontaine, do Corpo de Carabineiros, o Major do Exército Carlos Perez e sua mulher, e feriram gravemente os generais Leigh e Ruiz, da Força Aérea, em atentados.

No Chile, durante os primeiros anos do Governo Militar, o juiz Rafael Retamal, que havia sido presidente da Corte Suprema, ante um requerimento de que a Justiça fosse mais severa com os "excessos repressivos", replicou: "Os extremistas iam nos matar a todos. Ante essa realidade, deixemos que os militares façam a parte suja. Depois chegará a hora dos direitos".

Hoje, não só no Chile, alguns extremistas, que insistem em fazer um boca-a-boca na falida doutrina "científica", e correligionários seus, defensores dos direitos humanos, acusam de "assassinos" os militares. Porém, o então ministro da Supremo Tribunal, e depois presidente desse tribunal, temia ser assassinado pelos extremistas. Quem eram, então, os assassinos?

Nos anos 60 e 70 o mundo vivia sob a chamada Guerra Fria. A possibilidade de um conflito bélico global sempre esteve presente. Na América Latina, a exportação da guerrilha e do terrorismo, de Cuba para o restante do continente, era uma constante. Em 1967, Che Guevara havia sido morto na Bolívia à frente de um grupo de guerrilheiros cubanos. Um grande desembarque de armas extremistas havia sido descoberto e frustrado na Venezuela. Fidel Castro e Guevara falavam abertamente que os Andes se converteriam na "Sierra Maestra do continente" e que seriam criados "vários Vietnãs". Então, os Tupamaros no Uruguai, os Montoneros na Argentina, o MIR no Chile e Marighela e Lamarca no Brasil, atuavam coordenados sob a batuta da Inteligência cubana.

Para concluir, deve ser recordado que em 3 de julho de 1998, o comandante Fidel Castro, em discurso pronunciado quando do encerramento de um seminário, em Havana, sobre o tema "Globalização", convocado pela Associação de Economistas da América Latina, reconheceu seu papel de promotor da guerrilha em toda a América Latina nos anos 60. Guerrilha que fez uma montanha de mortos.

Todos os argumentos e relatos acima serviriam para que o pedido de prisão de Garzón-Garcéz contra o atual senador Pinochet fosse arquivado pela Câmara dos Lordes inglesa. Todavia, isso não seria politicamente correto, pois Pinochet não é de esquerda. O processo contra ele parece ser um acerto de contas, uma vingança política contra quem destruiu um mito marxista: a derrubada do Poder de um governo comunista.

É isso que a esquerda de todos os matizes não admite, não aceita e não perdoa. 


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

sábado, 22 de abril de 2017

Lava Jato, pouco adianta prender o “Sofá”...


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Confirmar se Luiz Inácio Lula da Silva é o “poderoso chefão”, ou se ele acabará ou não preso no dia 3 de maio, quando sentará na 13ª Vara do juiz Sérgio Moro, é um detalhe de importância apenas simbólica na Lava Jato. Na verdade, os brasileiros deveriam se preocupar com aquilo que a Força Tarefa ainda não apurou e quais mecanismos de controle social precisam ser adotados para inibir a Corrupção Institucionalizada. O sistema de Crime Organizadíssimo, a partir da parceria delitiva entre bandidos de toda espécie e a máquina estatal, continua intocável e se reinventa, a partir das ameaças a sua hegemonia.

A única solução contra o Crime Institucionalizado é a reinvenção do modelo estatal brasileiro. Temos de romper com o Capimunismo – arraigado na cultura dos brasileiros acostumados a serem extremamente dependentes do Estatismo e dos supostos “salvadores da Pátria” invocados e inventados a cada eleição. De imediato, é preciso acabar com a tal “Nova República” – regime que já nasceu morto em 1985. Para isso, é imprescindível uma Intervenção Constitucional para outorgar uma Carta Magna fora da influência criminosa. Dela deve derivar um enxugamento legal que viabilize a Democracia – a Segurança do Direito. Reformas e remendos não resolvem e ainda podem criar novos problemas.

A Lava Jato chamou atenção do Brasil para os males causados pela corrupção sistêmica e pelo Crime Institucionalizado. No entanto, nada adianta apurar e punir algumas centenas de bandidos, sem fechar a “fábrica de criminosos” que é o modelo estatal brasileiro: o Capimunismo rentista, corrupto e improdutivo. O País é dominado pela cultura da especulação financeira. Há décadas, muitas pessoas e empresas se acostumaram a vivem de ganhos de aplicações – e não do bom resultado da atividade produtiva. Outros cidadãos, políticos e empresários, mais “ousados, ambiciosos e gananciosos” decidiram enriquecer pelo caminho do crime – que também lava e esquenta muita grana no ganho financeiro-especulativo.

Até agora, a Lava Jato ainda não chegou à essência deste sistema especulativo – que serve de base para a hegemonia do Crime Institucionalizado. O esquema é viciante e viciado: O Estado rouba a sociedade via impostos que sustentam a gastança perdulária da máquina pública. Incentivados pela cultura da imunidade e do regramento excessivo que a tudo permite, seja certo ou errado, cidadãos e empresários corruptos, em conluio com servidores sem escrúpulos, cometem crimes remunerados pelo dinheiro públicos. As fortunas acumuladas são aplicadas, aqui ou lá fora, nas instituições financeiras que rolam nossa dívida pública (impagável). Os juros estratosféricos remuneram os delinqüentes.

As pessoas que não se beneficiam do Crime Institucionalizado – e são por ele prejudicado - precisam ir muito além da Lava Jato. Sucessos de bilheteria e audiência, como as duas edições do “Tropa de Elite”, já explicaram como funciona o sistema do Crime Institucionalizado. Os brasileiros, dos mais pobres aos mais ricos, não têm direito de alegar que “não sabem de nada”. Sabemos de tudo. Por isso, é hora de a Força Tarefa da Lava Jato partir para cima daqueles que sabem mais ainda.

A figura-chave para desnudar muitos esquemas sofisticados de corrupção chama-se Antônio Palocci Filho. Não se pode cometer o imperdoável erro de tirar dele informações apenas para punir alguns políticos, alguns empresários e até alguns banqueiros. É fundamental usar a delação premiada de Palocci, em fase de negociação, para identificar e compreender como realmente funciona o sofisticado esquema Capimunista brasileiro.

Como ex-Prefeito de uma grande cidade (Ribeirão Preto – SP), como ex-coordenador de arrecadação de campanhas eleitorais, como ex-ministro da Fazenda, como ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e conselheiro de outras estatais, como ex-ministro-chefe da Casa Civil, e pela vivência como “consultor empresarial”, o médico Palocci sabe de tudo e muito mais sobre a Corrupção Sistêmica no Brasil dominado pelo Crime Institucionalizado.

Nosso maior problema é a reação às mudanças e a conseqüente sabotagem, explícita ou nos bastidores do poder, promovidas por aqueles que ganham muito dinheiro como beneficiários diretos do Capimunismo tupiniquim. Por enquanto, eles têm a hegemonia. Eles querem apenas “reformas”, para que a essência continue a mesma, dentro de um “regime de corrupção tolerável”.

A idealista turma da Lava Jato precisa reunir mais força e apoio da opinião pública para enfrentar esta guerra na qual, como diria o Capitão Nascimento, “o inimigo é o sistema”. Por isso, não dá para perder tempo com Lulas da vida, que são meros fantoches de um complexo sistema que fabrica outras marionetes, sempre que for conveniente, para explorar o Brasil e os brasileiros, obedecendo a ordens de seus controladores externos – que se fingem de “sócios” dos corruptos daqui, quando, na verdade, são os “chefões” deles.

Quem não entender que a banda corrupta toca deste jeitinho vai perder tempo correndo atrás do sofá em cima do qual alguma amante cometeu traição. Jogar o sofá pela janela ou “mandar prendê-lo” não resolve o problema. $talinácio é um sofá... Seria recomendável ouvir o que outras “amantes” – mais ou menos votadas – têm a revelar, no festival de “delações premiadas”. Afinal, no Brasil, trair e roubar é só começar...

Resumindo: se não eliminarmos a o Capimunismo e a mentalidade rentista, pai e mãe do Crime Institucionalizado, todo o trabalho da Lava Jato não passará de um enxugamento de gelo.   

Sabonete


A bem da justiça histórica, cabe reproduzir o editorial de O Globo confirmando quem era realmente o chefão da tal Organização Criminosa:

No escândalo do mensalão, denunciado em 2005, faltou uma peça, o chefe do esquema. No encaminhamento das denúncias pelo MP contra aquela “organização criminosa”, o ex-ministro José Dirceu parecia caminhar para este patíbulo, em silêncio como disciplinado militante, mas, em julgamento de recurso, a responsabilidade de ser o capo do esquema lhe foi tirada, e o espaço ficou vago. Mas apenas nos autos processuais, porque nunca fez sentido tudo aquilo acontecer sem a aprovação e o acompanhamento de alguém centralizador e vertical como Luiz Inácio Lula da Silva.

O surgimento do petrolão — construído paralelamente ao mensalão, com muitos zeros a mais — foi a estridente evidência de que Lula não podia desconhecer aquilo tudo. A leitura benevolente do mensalão era que desfalques no Banco do Brasil, dados pelo militante Henrique Pizzolato, mancomunado com Marcos Valério, se justificavam pela “causa”. O partido tinha um projeto de poder longevo, para “acabar com a pobreza e a miséria”. Não serve de atenuante na Justiça criminal, mas aliviava a culpa moral de petistas, com injeções de ideologia.

O enredo, porém, não fechava. Dirceu voava em jatinhos particulares, morava em condomínio de alto padrão. E este lado “burguês” do lulopetismo — já detectado por Golbery do Couto e Silva, na década de 70, segundo Emílio Odebrecht — precisava ser custeado.

Ficou, então, tudo misturado: dinheiro surrupiado de estatais aparelhadas por companheiros, e drenado por meio de conhecidas empreiteiras e seus contratos superfaturados, parte para campanhas petistas e de aliados, parte desviada para bolsos privados de comissários. A “causa” continuava presente — era preciso manter uma grande bancada no Congresso, como já conseguira a Arena/PDS na década de 70, para sustentar a ditadura com fachada de democracia representativa. Mas, desta vez, havia Lula de ego nas alturas, chamado de “o cara” por Obama, com o desejo de ter sítio em Atibaia, tríplex no Guarujá, um instituto para ajudar países subdesenvolvidos a superar a pobreza, também uma adega bem abastecida etc.

O efeito da videoteca das delações da Odebrecht e da decisão de Léo Pinheiro, da OAS, construtora do prédio do tríplex, de fazer delação premiada na Lava-Jato, foi desmontar o jogo de espelhos que Lula, advogados e militância manipulada ainda tentam jogar, e continuarão insistindo. Só fé de religioso sectário para continuar a acreditar. Virou, há tempos, questão de dogma.

Lula tem quase nada em seu nome. Usufrui do patrimônio de amigos e compadres, o advogado Roberto Teixeira o principal deles. A quem Lula indicou para a Odebrecht, a fim de idealizar uma fraude contratual com a finalidade de esconder que a empreiteira gastara bem mais que R$ 500 mil, o orçamento inicial, na reforma do sítio de Atibaia, a pedido da ainda primeira-dama Marisa Letícia, segundo delação da empreiteira.

O GLOBO revelou o tríplex do Guarujá em 2010. Veio uma contínua avalanche de desmentidos, alguns arrogantes e agressivos. Mesmo com o vídeo em que Léo Pinheiro mostrava o imóvel ao ainda presidente da República. O casal Luiz Inácio e Marisa pediu obras, devidamente executadas. Depois, foi dito que a OAS era a real proprietária do imóvel.

Na verdade, era mesmo de Lula e família, acaba de confirmar Léo Pinheiro, perante o juiz Sérgio Moro. E também coube à OAS parte da reforma do sítio em Atibaia, executada, em maior proporção, pela Odebrecht. As cozinhas modeladas do sítio e do tríplex do Guarujá foram compradas no mesmo lugar.

Tanto a empreiteira multinacional Odebrecht quanto a OAS, ambas fundadas na Bahia, utilizaram o mesmo sistema contábil: o custo de reformas em imóveis para Lula e outras despesas pessoais dele foram debitadas de propinas arrecadadas em estatais, por meio de contratos superfaturados. Ou seja, dinheiro público também elevando o padrão de vida de Lula, família e outros lulopetistas, por certo.
Os depoimentos que foram divulgados nos últimos dias da Odebrecht e agora de Léo Pinheiro não surpreendem pelos fatos em si, muitos deles já ventilados, mas pela dimensão do esquema, pela riqueza de detalhes sórdidos na forma como os governos Lula e Dilma foram corrompidos e também corromperam. Não há inocentes na história. Seja em nome da “causa” ou da boa vida.

O desnudamento de Lula em carne e osso, em praça pública, com os pecados da baixa política brasileira, parece apenas começar. Afinal, não se pode admitir que tudo o que foi falado até agora por Marcelo, Emílio Odebrecht e seus executivos, sobre o toma lá dá de cá com o presidente e ex-presidente, não tenha sustentação em provas documentais. O mesmo vale para Léo Pinheiro. Empreiteiros não só sabem fazer contas, como são precavidos. Mas os simples testemunhos já são arrasadores.

Outra grave ameaça a Lula é o depoimento de Léo Pinheiro de que o ainda presidente mandou-o eliminar provas de remessas de dinheiro ilegal para João Vaccari, tesoureiro do PT, há algum tempo na carceragem de Curitiba. Será a segunda denúncia de tentativa de obstrução da Justiça, depois da sua participação, segundo Delcídio Amaral, na manobra para calar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, um dos dutos do desvio de dinheiro da estatal para o lulopetismo e aliados.

Completando o cerco a Lula, há o ex-ministro Antonio Palocci, também preso em Curitiba, e que estaria negociando um acordo de delação premiada. Seria uma espécie de mãe de todas as delações. Ou uma dessas mães. Foi ministro da Fazenda de Lula, homem de confiança do ex-presidente, escalado por ele para tentar gerenciar a imprevisível Dilma Rousseff. Mas as “consultorias” de Palloci o derrubaram.

Importante é que Palocci surge nas delações da Odebrecht como homem-chave no relacionamento financeiro entre a empreiteira e o ex-presidente. Gratos, os Odebrecht abriram um crédito de R$ 40 milhões para Lula, a serem movimentados por meio de Palocci. Assim, seu cacife aumentou bastante como arquivo de preciosas informações. Mas nada garante que as fornecerá, mesmo que esteja sendo insinuado pelo lulopetismo, como forma de salvar o chefe, que o ex-ministro embolsou dinheiro pedido em nome de Lula.

Emerge desta história a constatação de que os projetos de poder e pessoais do PT e de outros partidos esbarraram em instituições que continuam a funcionar por sobre a maior crise econômica do Brasil República, com sérios desdobramentos políticos. Incluindo um impeachment, justificado pelo atropelamento voluntarioso da Lei de Responsabilidade Fiscal, de mesma inspiração ideológica do aparelhamento de estatais e assaltos realizados em associação com empresários privados. A ordem jurídica se fortalece.

Sem defesa


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Abril de 2017.

Zabumba


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Como uma pequena amostra do estado de coisas vigente, procuraremos imaginar uma conversa (na verdade grunhidos) de jovens da chamada Geração NiNi pelos argentinos: Ni estudia, ni trabaja.

-“Meu, preciso dizer o nome de dois verbos da quarta conjugação; de um lembrei [Por] mas o outro, nem ideia!”.

--”Bota Tambor.

-”Mas tambor não é zabumba ?

--”E daí ? Você pode conjuga-lo : Eu tambonho, tu tambões, ele tambõe...”

-Valeu! E um verbo da quinta conjugação?

--” Escreve Ben-Hur. Eu bem hurro, tu bem hurras, ele bem hurra...”

-Massa! Assim você vai terminar como o intelectual do ânus! “

--Obrigado; mas não é doano?

-”Tanto faz... Estudar pra quê ? Não vai ter emprego mesmo !”

--”É verdade; mas sempre há esperança de arranjar uma boquinha...”

-”Vamos mudar de assunto que este papo tá ficando qualquer coisa.”

--”Ontem , sem querer, vi um filme chamado MACBETH mas não vi nenhuma cena no banheiro da lanchonete.”

-”Esses cineastas viajam na maionese...”



Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Por trás das palavras


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Quando a ex-deputada Luciana Genro, com patrocínio da Odebrecht (Braskem), como revelou o jornalista Otávio Cabral, criou um cursinho pré-vestibular para alunos carentes, deu-lhe o nome de "Emancipa-RS". O espírito empreendedor da socialista é intrigante, mas fiquemos apenas num ponto ideológico invisível aos olhos da maioria.

Que ela fale de "Emancipar" é estranho: tudo que Luciana Genro, o seu partido (Psol) e demais linhas auxiliares do PT REALMENTE NÃO QUEREM é a "emancipação" dos carentes. Pelo contrário. O projeto de socialismo da ex-deputada e afins - com as diretrizes do nefasto Foro de São Paulo – é o de um "estado tutelar" que domine a existência das pessoas em sua totalidade. É a primeira das duas faces da moeda. Para viabilizar o projeto, obviamente é necessário formar massas subalternas, obedientes, com suas crenças monitoradas pelos ideólogos do regime, cidadãos amestrados que se deixem tanger como gado pelos "salvadores" do partido único, eis a outra face da moeda. Para esse fim, os socialistas, inclusive Luciana Genro, falam de "empoderar", não de "emancipar" os ditos excluídos. É a "novilíngua" que o gênio de George Orwell detectou nos projetos totalitários e trouxe à luz em seu "1984".

A análise do discurso, assim como das ações e consequências DESSA esquerda, mostra que "empoderamento" é a faculdade de exercer poder sobre outrem. Chance de abusar! Senão, qual será o resultado quando alguém (quer numa relação interpessoal, quer na qualidade de agente do Estado) exerce o poder aplicando os ditames de uma ideologia autoritária?

Tocando de ouvido o que escreveu Antonio Gramsci, a esquerda brasileira adota a estratégia de forjar a contradição "nós versus eles", prometendo o "empoderamento" de negros, mulheres, índios, adolescentes, homossexuais, pessoas com deficiência, "trabalhadores em educação" (professores, em novilíngua), além doutros "coletivos" que a sua imaginação inventa. Na prática, institui um estranho sistema de cotas, pregando veladamente o direito de, aqueles que se credenciam como vítimas, poderem praticar abusos também. E de quem eles poderão abusar? Ora, daqueles que a onisciência do partido designa como históricos opressores.

Essa lógica irracional, perversa e truculenta aparece, por exemplo, quando ativistas de esquerda justificam o banditismo praticado por quem vem das "classes subalternas", assim como quando exigem que brutamontes de 16 ou 17 anos, autores dos piores crimes, sejam tratados como crianças inocentes. Aliás, não obstante viver a maioria das pessoas pobres com dignidade, é comum a banda raivosa da esquerda afirmar, ainda que obliquamente, que elas têm direito a praticar certos delitos.

Com efeito, foi muito mais do que uma palavra que se incorporou à visão de mundo das pessoas, quando, driblando o discernimento, se introduziu a expressão "empoderamento" e derivados no vocabulário corrente: de modo subliminar, massificou-se uma lógica perversa que trai a bondade e a disposição de melhorar o mundo que há no coração da maioria.

Nunca se saberá se, evocar a "emancipação" no nome de seu cursinho, foi cochilo de Luciana Genro ou astúcia de evitar alguma expressão que desagradaria patrocinadores. Certo é que, embora a estratégia seja cooptar ingênuos com a fantasia do "empoderamento", ela prometeu "emancipar" alunos carentes.

Como tornar a lucidez maior que a ingenuidade e fazer que a maioria compreenda que a manipulação da linguagem é um meio de dominação? Quanto tempo levaremos para eliminar de nossa linguagem expressões insidiosas como "empoderamento"? Até quando permitiremos a utilização abusiva de nosso genuíno e benéfico impulso à solidariedade, acreditando no discurso demagógico de líderes populistas?


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Suspensão de atos de ofício dos parlamentares corruptos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Laércio Laurelli

Minha manifestação sobre a suspensão de atos de ofício e de aplicação de uma medida cautelar urgente para impedir a possibilidade de utilização de voto nas comissões e no plenário do Congresso Nacional aos senhores deputados e senadores delatados atendeu o pressuposto essencial do cabimento.

Justifica-se pela invocação que preencheu o postulado da legitimidade antecipada de sanar, de modo eficaz, pelo controle preventivo de constitucionalidade, situação de lesividade de preceito fundamental tal como revela o artigo 5º, inciso xxxv da Constituição federal.

Não deveriam ter direito a livre legislar suspeitos de terem cometido crimes quanto à devassa de dinheiro público, quer por corrupção ativa ou passiva e ou outras figuras delitivas, no exercício de suas funções e por isso investigados na operação lava-jato,

É inadmissível, a sociedade contemplar exposição de fatos e atos de corrupção sistêmica declarados em uma “delação premiada” que se supõem  verídicos uma vez, que citados depoimentos foram colhidos sob o crivo da busca da verdade real, conforme previsto no artigo 4º da lei 12.850/13, na presença do ministério público federal constituído na qualidade  de autoridade legitima para o ato.

Partindo-se do princípio de que nossa duração não é somente um instante que substitui outro instante, mas, a função complementar que deve ser levada a efeito a seriedade e aceitação, face admitir a função de conservação exatamente como uma função que preenche tanto quanto pode seu ofício de conservar a ideia de uma faculdade de um momento passado classificado no patamar de um registro funesto e, no caso em espécie, uma lesividade de comportamento criminal.

Portanto, o que se deve explicar não é a conservação de uma lembrança que a despeito do tempo, passa para o estado do esquecimento, opondo-se ao presente como o nada ser, mas como o inatual ao atual aflorando o pesadelo da impunidade. 

Torno a dizer, que os fatos e atos praticados pelos políticos corruptos deste país, não podem pertencer ao reservatório impune do passado, para se reviver apenas e simplesmente como retórica, mas para se tomar decisões preventivas em antecipação cautelar de correção repressiva.
Pensem nisto!   


Laercio Laurelli – Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (art. 59 do RITJESP) – Professor de Direito Penal e Processo Penal – Jurista – Articulista – Idealizador, diretor e apresentador do programa de T.V. “Direito e Justiça em Foco”  - Patriota.

Os Dias eram assim


“A liberdade da classe operária não é possível sem uma revolução sangrenta” (Lênin)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Plenos de fanatismo, obscurantismo e obediência ao princípio de que “os fins justificam os meios” para imposição do partido único “comunista” cumprindo as ordens de Moscou e acatando submeter o Brasil à soberania limitada sob o tacão da então União Soviética.
      
Juventude despreparada que desconhecia o processo histórico de implantação do comunismo, a partir do morticínio de 1917, da era stalinista, dos campos de trabalho forçado (gulag), nada comparável ao romantismo que se propaga. Milhões de presos políticos e tantas outras vítimas das deportações forçadas, como no “Holodomor” — Holocausto Ucraniano. Jovens estudantes, presas fáceis de velhos comunistas lançados na luta armada, na insensatez do terrorismo.
      
Do insucesso em 1935 na Intentona Comunista, liderada por Luís Carlos Prestes, das lições de como se faz um “justiçamento”, i.é, como eliminar um parceiro desgarrado/suspeito, tipo Elza Fernandes, menor, estrangulada, aos atos de guerrilha nas décadas de 60/70. Os dias eram assim...

12/11/64 - Paulo Macena, vigia - Morto durante a explosão de uma bomba colocada Cine Bruni, no Rio de Janeiro; feridas seis pessoas. 25/07/66 – atentado a bomba no Aeroporto dos Guararapes/Recife, onde morreram o jornalista Edson de Carvalho e o almirante Nelson Fernandes. O guarda-civil Paraíba que teve amputada a sua perna direita. O Ten-Cel do Exército Sylvio da Silva com amputação dos dedos; gravemente atingido. Civis feridos, sendo um com apenas seis anos de idade.24/11/67 – José Conceição, fazendeiro, Presidente Epitácio/SP, assassinado em função de discordar das ações do movimento campesino na região.

Em 1968, 10/01, Agostinho Lima, Marinha Mercante, Rio Negro/AM; 26/5, mortos pelo Movimento de Ação Revolucionária, o guarda Ailton de Oliveira e o funcionário da Light João Pereira, que se encontrava na calçada da penitenciária; 07/11 - Estanislau Ignácio Correia, civil, morto pelos terroristas integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária, quando roubavam seu automóvel em São Paulo.

Em 1969, 07/01, Alzira de Almeida, dona de casa Rio/RJ; 04/11, Estela Morato, investigadora do DOPS, morta a tiros quando participava da operação em que morreu o terrorista Carlos Marighela e, Friederich  Rohmann, protético, também morto durante o confronto; em 07/11, Mauro Celso Rodrigues, soldado PMMA, morto em uma emboscada, durante a luta travada entre lavradores de terra, incitados por militantes da Ação Popular; em 14/11, Orlando Girolo, bancário, morto por terroristas durante assalto à agência do Bradesco em S. Paulo; em 17/11, Joel Nunes, sub-tenente PMRJ, morto a tiros durante um assalto da organização terrorista Partido Comunista Brasileiro Revolucionário ao Banco Sotto Mayor, Rio/RJ. 

Em 10/05/70, tenente da PMSP, Alberto Mendes Jr que teve o crânio esfacelado pelo grupo de Lamarca; 10/11, José M. do Nascimento, civil, morto por terroristas em confronto com policiais em S. Paulo; em 10/11/70 - Garibaldo de Queiroz e José Aleixo Nunes, soldados da PMSP, mortos em confronto com terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária, São Paulo.

Em 1971, 04/04, major José Júlio Toja Martinez; 01/11, Nelson Ponce, cabo PMSP, metralhado durante o atentado praticado por terroristas do Movimento de Libertação Popular, contra um ônibus, em São Paulo; em 10/11, João Campos, cabo PMSP, morto na estrada de Pindamonhangaba ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados; 22/11, José do Amaral Villela, guarda, morto por terroristas da VAR PALMARES e do MR8, que assaltaram um carro-forte, Rio/RJ e feridos os guardas Sérgio da Silva Taranto, Emílio Pereira e Adilson C. da Silva; 27/11, Eduardo Timóteo Filho, soldado PMRJ, morto por terroristas, durante assalto às Lojas Caio Marti.

Em 1972, 05/02, David A. Cuthberg, marinheiro inglês, desembarcado e passeando pelo Rio/RJ;09/11, Mário Panzariello, detetive Polícia Civil/RJ), morto por militantes da ALN.

Em 1973, 25/02, Octávio Moreira Júnior, delegado de Polícia, morto no Rio/RJ, ao sair da praia. Os dias eram assim, com outros assassinatos, assaltos, carro-bomba, seqüestros de diplomatas, aviões...

Dentre os justiçamentos de elementos do próprio bando, a destacar o de Mário Toledo, com pomposo comunicado: “A Ação Libertadora Nacional executou, dia 23 de março de 1971... teve o fim de resguardar a organização...” Outros, em 70, Geraldo Damasceno, Ari Miranda; em 71, Amaro de Carvalho, Carlos Alberto Cardoso, Antonio Lourenço; em 73, Francisco de Alvarenga e Salatiel Rolins; no Araguaia, Osmar, Pedro Mineiro e João Mateiro.

Violência no Mundo, nas Américas, no Brasil, novela da vida real, sem maquiagem. Nem todos aprenderam a lição de caminhar pela democracia e honestidade. De assaltantes de bancos a assaltantes do Tesouro Nacional. Presenteados pelo compadrio financeiro e mídia, presos na Lava Jato.

PS - Obrigadíssimo, Prof. Tomaz Toledo, pela correção. Não foi esquecimento do mártir-herói Soldado Mário Kozel Filho. Procurei citar as vítimas civis, dentre as quais algumas sem qualquer implicação no combate, passantes ou presentes em locais dos atentados terroristas. Quando me refiro ao carro-bomba no texto é dele a lembrança. Há outras tantas vítimas que não foram citadas nesse espaço de um artigo. Sempre importantes os comentários que complementam, debatem e corrigem. Dentre outros sítios eletrônicos, cito o abaixo onde se relata o assassinato do sempre lembrado mártir, jovem de 18 anos anos. Mataram o soldado para "atingir" o general que dificilmente estaria na entrada do QG. Mais um exemplo da idiotice desses comunistas porcarias. Ernesto Caruso

Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.