terça-feira, 25 de julho de 2017

O PDV temerário já nasce morto


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O desgoverno impostor (que adora aumentar impostos, sem diminuir o desperdício e a corrupção) inventa mais um factóide. O Programa de Demissão Voluntária para apenas 5 mil servidores públicos federais é uma peça de humor negro. Não resolve o problema do rombo nas contas federais. E transforma os servidores em vilões. A polêmica proposta é uma inutilidade legal, na prática.

A República de Bruzundanga gasta R$ 285 bilhões por ano com pessoal, mais R$ 559 bilhões com a Previdência. É inócua a ideia é oferecer aos otários que toparem o PDV até 1,5 salário por ano trabalhado. Até porque a medida de impacto reduzido atinge apenas quem trabalha no Poder Executivo. O relatório de avaliação de receitas e despesas do terceiro bimestre, elaborado pelo Ministério do Planejamento, revela que a conta com despesas de pessoal e encargos sociais deve aumentar R$ 26,6 bilhões em valores nominais (sem descontar o efeito da inflação).

O PDV e aposentadorias incentivadas vêm sendo adotados em “empresas estatais” (de economia mista). Nos últimos três anos, o governo federal desligou 50.364 funcionários das estatais. O problema é que, na administração direta, as vantagens oferecidas no PDV aos servidores não parecem tentadoras. Assim, em dificuldade para fechar as contas sem gerar os grandes rombos já existentes, a turma de Michel Temer apenas joga para a galera.

Resumindo: O PDV temerário já nasce morto. No entanto, é assustador constatar que apenas a demissão de 5 mil servidores vai gerar uma redução de R$ 1 bilhão por ano no gasto público, apenas no Poder Executivo. Legislativo e Judiciário não entram nesta conta... Eita máquina caríssima...

Presidiáveis


Poderoso Renan


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Julho de 2017.

A República da Penalândia


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Localizada num grande planalto, tem por capital uma ilha no meio do asfalto.

Brasilha, da fantasia, onde tudo é poesia. No meio há um promontório, em que todo o visto é ilusório.

Urubu malandro e urubu finório reunidos em fajuto consistório.

No desfile de suas mazelas, a Escola de Samba Deixa que Eu Chuto, é conduzida pelo cão mais arguto.

Uma verbinha aqui, outra acolá, pra que fique tudo como está.

O ratazânico recinto, mais embriagador que o absinto, se auto ilude antes da avalhanche ou talude.

Deixamos o fedor molusconato e buscamos engodo mais excêntrico.

Qual será a próxima atração  Um pé de chinelo ou de chileno?

Estarão tramando uma escabrosa “joint venture”?

Os adeptos do cão egresso e o canetador?

O anti-herói sabe que é no bolso onde mais dói.

Entrará com o pé na do povo jucúndia, numa atitude assaz republicana antes de entrar em cana?

Poderoso de hoje não se iluda; seu fim é no papo da ave peluda.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Desindustrialização e Agronegócio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

No cenário mundial os países que alcançaram pleno nível de desenvolvimento priorizaram ao máximo o investimento em educação, infraestrutura e inovação tecnológica. É um tripé que aponta o caminho do futuro. A partir da Revolução Industrial, a emergência de países desenvolvidos se sustentou na modernização econômica e social.

O Brasil foi ao longo da sua formação e estendendo-se a tempo presente, exemplo negativo dessa realidade. Retardatário no processo de modernização, a partir de 1930 até a década de 80, teve relativo êxito na substituição de importações, atingindo taxas de crescimento que o colocaram entre 1950 e 1980, entre os países que mais cresceram no mundo.

Nas últimas décadas, viu o processo de industrialização se reduzir drasticamente, como aponta o IBGE. São vários os fatores que determinaram o regressionismo. A falta de competitividade, garantido pelo protecionismo estatal, subsidiando privilegiadores e capitalismo de compadrio, travaram a marcha modernizante. A velha estrutura de economia fechada obstaculizou rota evolutiva impedindo a emergência de uma realidade nova e competitiva.

O professor Harry West, do MIT (Massachusetss of Technology), ensina: “Educação, infraestrutura, são bases fundamentais para o desenvolvimento, gerando inovações produtivas, vale dizer tecnologia.” O grande salto do Japão e da Coréia do Sul na escala do desenvolvimento, nas últimas décadas, teve nesses ensinamentos a garantia do seu deslanchar. Foi a soma do capital humano (educação e conhecimento) e capital físico (capacidade produtiva e infraestrutura) a sua base de sustentação.

No Brasil, o investimento em educação representa em 2017, 6% do PIB e na infraestrutura, somando investimentos público e privado, alcança pouco mais de 2%. Insuficientes para garantir um ritmo sustentável de crescimento. É uma anatomia de um desastre anunciado. Hoje mais de dois terços do nosso PIB é gerado pelo setor de serviços, caracterizando-se por geração de empregos, em atividades diversas, bastante heterogêneas: os serviços mercantis, respondem por 23,4%; os serviços não mercantis, por 17,4%; o setor comercial, 15,2%; e o setor financeiro por 1,2%, do total do pessoal ocupado. A fonte é o IBGE e Contas Nacionais. Já em relação ao PIB, no setor serviços os mercantis participam com 28,4%; os serviços não mercantis, com 16,5%; o setor comercial, com 7,3%; e o setor financeiro, com 6,1%.

Paralelamente, nos últimos anos, o agronegócio vem sendo o polo mais dinâmico da economia brasileira, responsável por 23% do PIB. Responde por 41% das exportações para diferentes mercados mundiais. Sem ele os reflexos da brutal recessão em que mergulhou o País, nos últimos anos, a situação seria devastadora. O extraordinário trabalho de pesquisas e introdução de tecnologias produtivas modernas, nascida na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), foi fundamental para o seu desenvolvimento. Fortalecê-lo e transformar sua presença no cenário mundial, como grande fornecedor de alimentos, é um caminho seguro. Exigindo investimentos em estradas, portos, aeroportos e energia, que garanta a sua competitividade.

A rigor, quando foi criado o BRIC (o S ocorreria anos depois com o ingresso da África do Sul), formado por Brasil, Rússia, Índia e China, analista econômico internacional contestou a formação do bloco. Excluía a Rússia e analisava que a China em uma década seria a fábrica do mundo; a Índia, a oficina pela sua elite de 200 milhões,  dotada de elevada formação técnica, numa população subdesenvolvida de 1.2 bilhão; e o Brasil não poderia ser a fazenda do mundo. Hoje, na produção de “commodities”, não apenas agrícola mas nos setores de petróleo e minérios, o Brasil é um grande produtor mundial, mas não pode continuar sendo apenas um produtor de bens primários. Deveria avançar na “destruição criativa” de velhas estruturas buscando o crescimento diversificado e moderno das suas enormes potencialidades econômicas.

Comparativamente, a Petrobrás, no conjunto petróleo, gás natural e investimentos em múltiplos setores, responde, por 13% do PIB. Na exploração em águas profundas a empresa detém tecnologia pioneira em escala mundial. Na América Latina é quem mais investe na área de pesquisas tecnológicas.  Na atual recessão econômica, a redução de investimentos da estatal, decorrente da corrupção e de projetos inviáveis e irresponsáveis, foi fatal para a economia nacional. A fonte da participação da estatal no PIB é o Boletim Focus, do Banco Central.

Baseado nesses exemplos de êxito, o grande desafio é enxergar o futuro com otimismo e extrair os exemplos positivos em outros setores que puderam incorporar a tecnologia e a modernidade na escala produtiva. Ao Estado é missão priorizar a educação, a infraestrutura e estimular a inovação tecnológica. Só assim o decadente setor industrial que vem perdendo força no PIB nacional poderá ter futuro no desenvolvimento brasileiro.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

Responsabilidade dos órgãos de imprensa




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Uma imprensa livre e transparente é o maior ideal a ser buscado num País desenvolvido e subordinado à vontade democrático que aspira uma sociedade civilizada. Nos acontecimentos que pairam no ar em termos de Brasil, boa parte da irrazoabilidade e isenção com neutralidade devemos à propalada imprensa dita livre.

Evidente que em tempos de crise a imprensa será sempre dependente do poder economico ou de forças do estado para retroalimentar sua vida e intencionar redução das dívidas. E não tem sido diferente aqui no Brasil, já que boa parte dos meios de comunicação floresceu há mais de meio século e por uma concessão sem maiores aprofundamentos se prorroga quase eternamente.

Esse exemplo ruim se percebe na televisão na qual assistimos controladores já sem o preparo exigido e muitas programações sendo adquiridas por igrejas neopentecostais e pseudoentidades de caridade. Contudo, sem uma imprensa livre, soberana acima de tudo neutra que saiba avaliar o terreno e elogiar e também criticar quando for necessário, cairemos na mesmice das imbecilidades em ritmo com as anomalias do poder.

Num País cravado pelo número exacerbado de quase 60 milhões de brasileiros portadores de maus antecedentes econômicos, com registro no banco de dados e uma das mais vergonhosas modelagem de distribuição de renda, o centro do poder está enfeixado nas mãos do governo e de poucos grupos econômicos que diligenciam seus próprios interesses.

As maiores delações premiadas são um cristalino exemplo do que acontece empresas de renomada envergadura que se protegiam na blindagem dos cofres do Estado e dos favoreces para o propinar constante e manutenção do status quo.

A primeira e inadiável condição é mudar a constituição, reformar as outorgas e notadamente o órgão de controle. Não se permitira concessão por mais de 25 anos nas redes de rádio e tv, com expressa  proibição até quarto grau para parentes e ou colaterais de politicos. Aqueles sem poder econômico e que não podem contratar uma rede a cabo sofrem as imprecauções de programações repetidas, velhas e antigos cacoetes de legendários figurinos os quais nos visitam quase que diariamente.

A nova roupagem exigiria a revisão da constituição a outorga onerosa e um controle da seletividade dos programas e uma vocação bem concentrado em cultura, pesquisa e ciências. O que temos hoje são jogos de futebol diária e semanalmente, com os comentários e reprises e mesmo assim não se abre espaço para novas modalidades.

Somos mais de 200 milhões de brasileiros vivendo o sonho do passado de conquistas, mas devemos ter em mente patrocínios públicos,de bancos ou agentes do governo o que é um erro palmar. A melhor solução e forte demonstração sinalizam o investimento de capital privado, de empresas que apostariam na forma de equalizar seus lucros em parceria com entidades e agremiações.

O setor mais afetado durante é crise é da cultura, ciência e tecnologia,
excelentes cabeças voltando para o exterior, teatros sem pagar aos artistas e públicos minguando, já que o orçamento fica sem poder aquisitivo mais ainda quando o combustível se eleva somente para manter a classe dominante no poder.

Não temos infelizmente uma imprensa livre, de construção de uma sociedade pacificada e que traga soluções para as crise. Cotidianamente vemos os mesmos personagens desfilando pelo circulo de amizade de redes de radio e televisão, sem ampliar o volume e a sonoridade das reivindicações, a apatia de uma sociedade refém de um governo terminal e de uma classe política com fome de roubalheira e dogmatismo pela corrupção a todo custo.

E quando a imprensa poderia criar filtros de combate ao sensacionalismo e manchetes de exposição o que vemos é exatamente contrário. Notícias de violência,pornograficas,a envolver abalo psicológico emocional e delitos contra as pessoas e costumes não poderiam ser publicas em qualquer hipótese, além de fatos demasiadamente amargos de guerra e conflitos sociais pelo mundo afora.

Preferem trazer um noticia doutro mundo do que falar sobre um cenário bucolico ou de entretenimento em qualquer cidade do País. Além de tudo isso nunca presenciamos uma imprensa formadora de opinião livre e que saiba medir suas palavra. O contorno desse quadro se debruça por descortinar milhares de ações na justiça tomadas contra pessoas as quais refutam o sensacionalismo e exigem danos morais ou republicação da matéria.

Precisamos estar mais do que convencidos que uma imprensa sob o jugo do governo ou submissa à vontade do poder econômico jamais será liberta das amarras de veiculações tendenciosas e que tem dias contados. A reformulação geral do cenário pede um quadro atento do governo para dissipar as concessões de  mais de 25 anos, pondo a obrigatoriedade da revenda ou subconcessão com normas dogmáticas e pragmaticas, além de um leque mínimo de sessenta por cento da programação a envolver cultura, ciencia e tecnologia.

Do mesmo modo os jornais que vivem a pior das crises, já em tempo de noticia virtual e carcomidos pelo estado de pré insolvencia, tratando de anúncios e mais anúncios desinteressantes e pouco inteligentes ao leitor. Preferivel um jornal com noticias de dez paginas sem anúncios do que um periódico de mil paginas com mais de metade de anúncios. E de igual as revistas que de conteúdo bom e relevante pouco ou nada nos mostram.

tudo isso revela uma coresponsabilidade dos órgãos de imprensa nessa monstruosa crise pela qual atravessa o Brasil. E sem uma revisão do modelo, de todo crucial, a nossa esperança vai por água abaixo, a prevalecer os famigerados furos de poucos e a total desconfiança de muitos.


A imprensa brasileira terá um encontro marcado com sua história para explicar, justificar e mais do que nunca dizer os motivos pelos quais continua a ser parte de uma mediocridade atroz que é perversa à sociedade civilizada e desenvolvida.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laercio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

“Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo Rio”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maria Lucia Victor Barbosa

O ensinamento que dá título a esse artigo pertence ao filósofo Heráclito, considerado o pai da dialética. Para ele tudo está em movimento. Isso significa que nós e nossas circunstâncias estão sempre mudando, portanto, nada se repete.

Transpondo o antigo e sempre atual pensamento do filósofo grego para a política do momento, tomemos como exemplo o caso de Lula e de seu partido, o PT. Discute-se se ele ganha ou não a eleição presidencial de 2018. Surgem pesquisas onde ele figura com 30% de votação, porcentagem que o PT manteve por muito tempo sem lograr vencer. Mas na mesma pesquisa ele é rejeitado por 54% dos entrevistados.

Para confundir mais a opinião pública Lula é no momento o único candidato em campanha frenética mesmo antes de ser indicado pelo PT, o que é ilegal, mas permitido ao petista. Pesquisas podem ser eficiente marketing de campanha e muita gente pode até crer que o candidato único já ganhou. Entretanto, é interessante analisar se Lula e suas circunstâncias são as mesmas de antes, quando ele pairava acima da lei e hipnotizava as massas com bravatas, mentiras e palavreado vulgar.

Relembre-se que Lula foi transformado pelo marketing em um mito inatacável, sendo que no Dicionário Aurélio uma das definições de mito é: “ideia falsa, sem correspondente na realidade”.  Será que agora o mito está sofrendo uma erosão?  Recordemos resumidamente alguns fatos que mostram como mudaram as circunstâncias do poderoso chefão e do seu partido.

1º - O impeachment de Rousseff foi antecedido por impressionantes, inéditos e espontâneos protestos populares em todo o país, quando milhões foram às ruas gritar: “Fora Dilma”. “Fora Lula”. “Fora PT”.

2º - A pressão das ruas desencadeou o impeachment que venceu por larga margem de votos na Câmara e no Senado. Muito pedidos foram protocolados, mas foi aceito aquele em que um dos signatários, significativamente, foi Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, eminente companheiro por muito tempo.

Em vão Lula tentou evitar que deputados e senadores votassem a favor da cassação de sua criatura política. Seu desprestígio ficou evidente e pode ser simbolizado pela “traição” do deputado Tiririca. Nem este obedeceu ao “mestre”.

Mesmo Rousseff tendo conservado seus direitos políticos por uma manobra inconstitucional, seu impeachment foi um tiro de canhão no peito da Jararaca e do PT, algo cuja profundidade ainda não foi devidamente analisada. De todo modo, pode-se dizer que ali começou a erosão do mito.

3º - Uma das consequências do impeachment apareceu nas eleições de 2016, quando o PT perdeu 60% de suas prefeituras. Em termos de poder e cargos isso foi uma enormidade. Se o PT repetir a performance em 2018, o que pode acontecer, se transformará em partido nanico, com pouca representação no Congresso.

4º - A descrença com o partido foi demonstrada não só por Hélio Bicudo. Em 9 de abril deste ano, membros do PT escolheram dirigentes municipais e delegados estaduais. Compareceram cerca de 200 mil militantes, o que representa menos da metade dos votantes de 2013. Além disso, 27% dos municípios não conseguiram sequer formar uma chapa de 20 filiados para compor o diretório municipal.

5º -  Diante da crise petista, que sem dúvida enfraquece o “lulismo”, ditos movimentos sociais resolveram arregimentar forças. Duas greves gerais foram tentadas e as duas fracassaram redondamente.

6º – Lula, o inimputável foi condenado pelo Juiz Sergio Moro que também sequestrou seus bens. Houve um ralo movimento de apoio ao líder na Av. paulista, alguns gatos pingados em poucas cidades. Nenhuma multidão foi às ruas para rasgar as vestes e arrancar os cabelos como Lula e o PT esperavam.

7º - Enquanto isso, Temer não cai, está melhorando a economia e conseguindo aprovação dos seus projetos no Congresso. Inclusive, as mudanças na ultrapassada Lei Trabalhista, em que pese o espetáculo pueril e ridículo das senadoras que tentaram em vão barrar a votação se aboletando por sete horas na mesa diretora.

8º - Lula não tem mais a força do PMDB, os magnatas empreiteiros que o elegeram estão presos, sem falar que seu próprio partido está enfraquecido e atônito.

Poderá Lula ser absolvido por outros tribunais? Tudo é possível no país da impunidade. Wesley Batista não recebeu “indulgência plenária” e disse que processa quem o chamar de bandido?

Se lula for absolvido poderá voltar à presidência em 2018? Ninguém dispõe de bola de cristal para prever o futuro e o povo é facilmente enganado, como já demonstrou em eleições passadas.

Um fato, porém, é real: nem Lula nem suas circunstâncias são as mesmas e, assim, está difícil para ele conseguir nadar de novo no rio do poder. Pelo bem do Brasil que isso não aconteça.


Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga - mlucia@sercomtel.com.br

Utopia Negativa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

marxismo cultural (ou politicamente correto atual) trata-se de uma utopia negativa, porque se concentra na crítica dissolvente da nossa sociedade real. A Teoria Crítica da sociedade por parte do politicamente correto é negativa porque não possui conceitos capazes de superar a distância entre o presente e o futuro, mas “pretende conservar-se fiel àqueles que deram e dão a sua vida pela Grande Recusa”1. Quaisquer que sejam as possibilidades reais que a nossa sociedade atual apresenta de um futuro melhor, o marxismo cultural não nos revela quais são, limitando-se a negar o sistema em que se baseia a nossa sociedade, e na sua totalidade.
    
A chamada Utopia Negativa (marxismo cultural ou politicamente correto atual) nasceu com a Escola de FrankfurtHerbert MarcuseTheodor Adorno e Max Horkheimer ligaram estritamente a investigação filosófica à sociologia e à psicologia e declararam inspirar-se em HegelMarx e Freud.
    
Com Hegel, os marxistas culturais insistem no caráter absoluto da Razão, isto é, “o que é real é racional, e o que é racional é real” (sic, Hegel) o que implica um determinismo que já está ultrapassado pela atual probabilística científica. Por outro lado, seguindo Hegel, os marxistas culturais refutam o Saber fora do seu caráter finito, ao contrário de Fichte, que distinguiu o Saber Finito em constante evolução, do Saber Infinito. Depois, os marxistas culturais dizem que seguem Hegel no caráter dialético (ou caráter negativo) da Razão, ignorando contudo a parte mais importante da dialética de Hegel, que é a identidade positiva entre a realidade e a racionalidade. Em suma, os marxistas culturais pegam em Hegel, adulteram a sua filosofia, e depois dizem que se baseiam nele.
    
Marx, os marxistas culturais vão buscar a essência da sua filosofia: a crítica à sociedade capitalista, a prognose do fim do capitalismo – que não só não acabou, como se transformou no neoliberalismo atual –, ignorando, contudo, quer o desenvolvimento da estrutura econômica que deveria – segundo Marx – determinar a passagem à sociedade socialista, quer o conceito de Marx de que o homem é essencialmente constituído pelas necessidades e pelas relações de produção e trabalho que as satisfazem (a chamada “Esquerda Caviar”). A diferença ideológica entre o Bloco de Esquerda e o PS de Sócrates, por um lado, e o Partido Comunista está (essencialmente) aqui.
    
A Freud, os marxistas culturais foram buscar o conceito de “instinto”, entendido como tendência para o regresso a uma situação anterior, primordial ou originária; o “instinto”, segundo Freud, é o retorno à origem do Homem. Depois, foram buscar o conceito freudiano de “repressão”, sendo que (segundo os marxistas culturais) esta é exercida pela civilização sobre o tal “instinto” primordial e originário – ignorando os marxistas culturais a função positiva que, segundo Freud, essa repressão exerce, através do Superego, quer na formação da civilização quer na formação da personalidade humana normal.

Em suma, os marxistas culturais pegam em Freud, adulteram as suas conclusões científicas, e depois dizem que se baseiam nele.
    
Existem outras vacuidades dos marxistas culturais, como a negação filosófica da relação entre a “razão objetiva” versus “razão subjetiva”. Segundo os marxistas culturais, a tarefa da filosofia não é a de regressar à tradição objetivista do passado, mas antes a total e completa destruição do presente por meio de um “progresso da direção da utopia que consiste na negação de tudo o que é inútil ao homem e impede o seu livre desenvolvimento”2.
    
Para os marxistas culturais, para além da trilogia “Marx, Freud e Hegel”, só existem duas personalidades históricas que não são crucificadas, e que constituem verdadeiros ídolos: Nietzsche (na sua faceta niilista e anti-ética) e o Marquês de Sade, “porque ao declararem a identidade entre a Razão e o Domínio, as doutrinas impiedosas são mais piedosas do que as dos lacaios da burguesia”3.
    
Para os marxistas culturais, existe uma obsessão doentia na luta total contra o “domínio”: o domínio dos pais sobre os filhos, o domínio do dono sobre o gato, o domínio do gato sobre o rato, etc., e quando, por exemplo, um filho mata o pai, não se trata de um crime, mas “de uma revolta contra o domínio estabelecido pela Razão burguesa”. Quando um heterossexual mata um homossexual, trata-se de “um crime hediondo que exprime o domínio da Razão burguesa sobre uma vítima da civilização”; quando um homossexual mata um heterossexual, trata-se da “reação de uma vítima da História contra o domínio cultural da burguesia”.
    
Outra obsessão doentia dos marxistas culturais é tudo o que se relaciona com a sexualidade. A “repressão do instinto” é pau para toda a obra, tudo o que é “instinto” é valorizado, e anoção aristotélica de “virtude moral”, baseada na Razão do “justo-meio”, é desprezada sistematicamente pelo marxismo cultural.

“A auto-sublimação da sexualidade destrói o primado da função genital, transforma todo o corpo em órgão erótico e transforma o trabalho em jogo, divertimento ou espetáculo. Com o advento do puro Eros, ficaria assim destruída a ordem repressiva da sexualidade procriadora” – “Eros e Civilização”, de Herbert Marcuse
    
Sendo que “a auto-sublimação da sexualidade destrói o primado da função genital”, legitima-se assim tacitamente a pedofilia através da necessidade da não-sublimação da sexualidade infantil (conforme defendido por Alfred KinseyWilhelm Reich e Michel Foulcault, todos eles marxistas-freudianos), embora os marxistas culturais não assumam abertamente a defesa da pedofilia – para já; lá chegaremos: na Holanda já se iniciou a campanha politicamente correta marxista-freudiana a favor da legalização da pedofilia.
    
Depois, consideram a procriação como expressão de uma sexualidade “repressiva”,legitimando, assim, a prática sexual homossexual, não-reprodutiva por excelência, como sendo “não-repressiva”, e portanto, superior à heterossexualidade.

Quando um homossexual se suicida, o marxista cultural vem dizer que “o suicídio resultou de uma manifestação de desespero perante a repressão da moral burguesa e do domínio dos lacaios da burguesia em relação a uma vítima da História”; quando um heterossexual se suicida, o marxista cultural não diz nada porque os suicídios são majoritariamente cometidos por heterossexuais, e porque o heterossexual faz parte da “maioria dos lacaios da burguesia” – salvo se o heterossexual suicida for um negro; ou melhor: uma mulher negra.

Transcrito do Blog SOFOS.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Temer não cairá, mas nós pagamos a conta


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Estrategistas de confiança do Presidente Michel Temer têm forte convicção de que, caso não consiga barrar o processo sobre corrupção passiva na Câmara dos Deputados, acabará inocentado no Supremo Tribunal Federal. A avaliação temerária é que, no final desta conspiração que gera gigantesco desgaste para Temer, a sociedade brasileira terminará pagando a conta. Além de atrasar a retomada econômica, a crise política ainda pode ter como efeito colateral o risco de retomada do poder pela petralhada e afins.

Michel Temer já teria 266 votos de parlamentares para arquivar a denúncia, seguindo a recomendação do parecer escrito pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). A votação no plenário da Câmara dos Deputados está marcada para o dia 2 de agosto (quarta-feira da semana que vem). Dificilmente, a “oposição” conseguirá 342 votos para autorizar que Temer seja processado no STF – onde os estrategistas do Presidente apostam em salvação. Haveria apenas 170 parlamentares querendo ferrar Temer.

Apesar da aparente vantagem, Temer não quer dar mole e seguirá negociando, liberando cargos e emendas eleitoreiras. Os aumentos de impostos – ou a criação de novos – serão pagos por nós. Como tal desgaste com a “impostura” é inevitável, os estrategistas de Temer agora prometem atacar outra frente para aliviar a barra perante o empresariado. Cogita-se “convencer” o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o famoso COPOM, para aumentar o percentual de queda na taxa básica de juros – a Selic. A intenção imediata é que os juros caiam para (ainda altíssimos) 9,25%. Até o final do ano, o sonho é baixar para 8%.

Em São Paulo, Temer passou o domingo recebendo, separadamente, Paulo Skaf (presidente da Fiesp), seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o eterno influenciador econômico Delfim Netto. Temer tem a convicção de que só será salvo, definitivamente, se conseguir garantir que o crescimento econômico será retomado. A reforma trabalhista meia-boca passa raspando no Congresso. Mas a reforma previdenciária, repleta de polêmicas, ainda é uma incógnita. Na incerteza, Temer pode se ferrar. O cidadão pagador de imposto já entra no jogo roubado na véspera... Quem, aparentemente, se deu bem foi o Joesley Batista...

Até quando agüentaremos os impostores, a roubalheira e a explosão de violência?   
Perdoados previamente


Fecha a lavanderia


Abandonado



Debate no Clube Militar


Releia o artigo de domingo: Intervenção Educacional, já!

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O Imposto e o Impostor


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Nós, o povo, entendemos bem o aumento de impostos.

Trata-se de uma calamidade emergente; a necessidade premente de agradar à putada para evitar a própria derrocada.

Maior que sua impostura só a própria caradura.

Tudo tem o seu lado bom. A senvergonhice agora é às claras.

Até uma velhinha valeparaibana começa a entender a pantomima.

Haja confusões! No reparto dos pães pros famintos cães, sem mães a medir (ou seriam mãos ?) finge-se que funcionam as instituicães.

Lembremo-nos de Camões e a história de Pedro, o cru.

Cedo ou tarde os rufiôes tomarão na rima.

Assim que dona Onça abandonar a política do nem f. nem sai de cima.

Já suas irmãs vivem de fingimento.

Uma, na área em que atua, usa brinquedo que mal flutua.

Outra, mais etérea, finge que “avua”. Saudades do tempo em que sentava a púa.

Por fim, na verdejante mata, vivemos, perplexos, o não ata nem desata.

Tudo acaba um dia. O top, top não pensava que iria.

A garça maléfica, que olhava de esguelha, tentava tingir nossa flâmula de cor vermelha.

Desespero em estado puro. O fruto apodrecido se acha só maduro.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Um pouco de História sobre a Luta Armada no Brasil


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“A complacência de hoje é paga  com as angústias de amanhã.
E se ela persiste, com o sangue de depois de amanhã”
                   (Suzanne Labin, livro “Em Cima da Hora”)


O período de violência armada, nos anos 60 e 70, foi um tempo em que, em todo o mundo, se propalava que o capitalismo estava com os dias contados. Um tempo em que as revoluções de esquerda eram consideradas iminentes, segundo aquela modelada pelos guerrilheiros cubanos que instalaram em Cuba uma república democrática popular (ou seja, um governo do povo popular, pleonasmo que se prolonga até hoje!) e procuravam estender esse pleonasmo a todo o continente; ou ainda, segundo aquela copiada do livrinho vermelho de Mao-Tsetung, de guerra popular prolongada.
     
Um tempo de mudanças e contestações, em que as teses filosóficas de Herbert Marcuse propalavam que era “proibido proibir”. Um tempo, enfim, em que um punhado de jovens militares e civis, sem dinheiro, sem doutrina e sem equipamentos, mas com disposição e vontade, - no início por conta própria, é verdade -, decidiram combater e, ao final, erradicaram o terrorismo, os seqüestros de diplomatas e de aviões e as guerrilhas urbana e rural.
     
A doutrina, o dinheiro, a organização e os equipamentos viriam depois. No início foram substituídos pela imaginação, pelo desprendimento e pelo forte sentimento de que era imperativo defender a sociedade. Os procedimentos iam sendo inventados na medida das necessidades, face à rapidez com que os acontecimentos se sucediam.
    
Somente a partir de meados de 1970, com a constituição dos Destacamentos de Operações e Informações, subordinados aos Centros de Operações de Defesa Interna (DOI/CODI), passou-se a atuar ordenadamente. Então, Marighela não mais existia, embora tivesse deixado atrás de si um legado que, traduzido em vários idiomas, ainda iria causar uma montanha de mortos: o Minimanual do Guerrilheiro Urbano.
    
Tudo isso aconteceu não sem a perda de vidas, não sem sangue, suor e lágrimas e não sem que reputações fossem manchadas, carreiras abreviadas, promoções postergadas, injustiças e erros fossem cometidos.
    
Foi um tempo duro, diferente e difícil. Um tempo, no entanto, do qual aqueles que o viveram e participaram devem se orgulhar. Um tempo que, esperamos, jamais voltará.
    
Passados mais de 40 anos, alguns persistem em manter na ordem do dia uma discussão acadêmica, sobre a qual muitas pessoas não têm clareza: a de quem deu o primeiro tiro; quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha; se o terrorismo ou a chamada repressão, com uma parte da mídia, alguns políticos, escritores e cientistas sociais advogando que a insana violência armada desencadeada pela esquerda radicalizada foi fundamentalmente uma reação à Revolução de Março de 1964, segundo uns, ou ao Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, segundo outros.
    
A verdade é que o projeto de violência armada, desencadeada pelo Partido Comunista do Brasil nas selvas do Araguaia, por exemplo, foi anterior à própria Revolução de 1964, e os projetos, nesse mesmo sentido, das demais Organizações constituídas pelos dissidentes do Partido Comunista Brasileiro, foram uma espécie de justificativa, encontrada pelos militantes que abandonaram  esse partido, por serem contrários à sua opção pelo chamado caminho pacífico da revolução. Condenando o caminho pacífico, a alternativa era desencadear a revolução.
    
Desde o início dos anos 60, a esquerda radicalizada alimentava o ovo da serpente, estimulada pelo exemplo da revolução cubana. Isso sem falar nas propostas de revolução armada que vinham de muito antes, na melhor tradição bolchevique, de assalto ao Palácio de Inverno, como o levante comunista de novembro de 1935.
    
O certo é que no período de agosto de 1961 - quando o presidente Jânio Quadros renunciou - a 31 de março de 1964, foi colocada em xeque, no Brasil, a chamadaordem constitucional burguesa, segundo o jargão das esquerdas.
    
No governo de João Goulart, que sucedeu o de Jânio Quadros, já existiam organizações e grupos voltados para aquilo que, sutilmente, era denominado de“formas de luta mais avançadas”:

 -         as Ligas Camponesas de Francisco Julião - mais tarde, em 21 de abril de 1962, efemeramente transformadas no Movimento Revolucionário Tiradentes -, são o exemplo mais nítido. Já em 1961, tão logo Julião regressou de uma viagem a Cuba, diversos militantes das Ligas foram mandados àquele país para receber treinamento militar. Ainda mais remotamente, recorde-se que, em 1957, quando na condição de deputado federal realizou uma viagem à União Soviética, Julião solicitou a autoridades do PC Soviético o fornecimento de armas para equipar as Ligas e fazer a revolução no Brasil (1);

-       A Organização Revolucionária Marxista Política Operária (ORM-POLOP), que ficou conhecida como POLOP, constituída em fevereiro de 1961, que agrupou elementos de várias tendências alternativas ao PCB, e se destacou pelo intenso trabalho de doutrinação e formação de quadros, bem como pela propaganda das idéias socialistas, tendo como referência os escritos de Rosa de Luxemburgo, Trotsky e Bukharin. Em maio de 1964, decorridos apenas dois meses da Revolução de Março, adiantou-se aos acontecimentos que viriam marcar a dinâmica das esquerdas por quase uma década, tornando público um documento que definia a guerrilha como o caminho a seguir, e em torno desse documento tentou cooptar e organizar os sargentos e marinheiros expulsos das Forças Armadas em 1964;
 
-      o Partido Comunista do Brasil, constituído em 1962 a partir de uma cisão no PCB, ainda no governo Jango, em fins de março de 1964, enviou um grupo de militantes à China, a fim de receberem treinamento na Academia Militar de Pequim para, no regresso, a partir de 1966, instalar no Araguaia o embrião da guerra popular prolongada (2), teoria imaginada por Mao-Tsetung.

-          a Ação Popular (AP), constituída em 1962, com raízes no cristianismo, particularmente na Juventude Universitária Católica (JUC) que exercia domínio indiscutível sobre a União Nacional de Estudantes. Desde sua formação, passou pela influência da Revolução Cubana, adesão ao marxismo-leninismo em 1968 e integração da maioria ao PC do B em 1973. Logo após a Revolução, mandou também um grupo de militantes receber treinamento político-ideológico em Pequim. Esse grupo, “regressou ao Brasil transfigurado e logo depois transformaria a AP numa organização marxista-leninista-maoísta”, conforme o depoimento de Herbert José de Souza, o “Betinho”, então coordenador nacional da AP (3);

-          o Partido Operário Revolucionário Trotskista-Posadista, com efetivos reduzidos e nenhuma inserção social, constituído em 1952, pelo argentino conhecido pelo codinome de “Juan Posadas”, bem como diversos outros grupos trotskistas, embora seja verdade que nenhum deles jamais optou pela forma de violência armada;
 
-          os famosos “Grupos dos Onze”, uma inspiração de Leonel Brizola, então deputado federal, constituídos em 1963.
    
O projeto de violência armada foi, assim, bem anterior a 1964. Isso é reconhecido por aquela esquerda onde há um mínimo de vida inteligente:
      
“(...) Assim, antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissidentes se estilhaçariam em torno de encaminhamentos concretos (...). Aprisionados por seus mitos, que não autorizavam recuos, insensíveis aos humores e pendores de um povo que autoritariamente julgavam representar, empolgados por um apocalipse que não existia senão em suas mentes, julgavam-se numa revolução que não vinha, que, afinal, não veio, e que não viria mesmo” (4)
    
Nesse contexto, com dissidências em vários Estados, foi rápida a conversão das bases radicalizadas do PCB à tática da violência armada. O PC Soviético, na segunda metade da década de 60, também treinou um grupo de militantes do PCB em táticas voltadas para a violência armada, denominadas pelo partido, na codificada linguagem partidária da época, de “Trabalho Especial”.Entretanto, com exceção da “experiência” do Araguaia, através da qual o Partido  Comunista do Brasil buscou a implantação do embrião da “Guerra Popular Prolongada”, com know-how importado da China, nenhum grupo de esquerda chegou a reunir, jamais, as condições mínimas de infraestrutura para a instalação daquilo que o cientista social francês, Regis Debray, companheiro de Che nas selvas da Bolívia, definiu como“Foco Guerrilheiro”, em seu livro “Revolução na Revolução”.
     
Os seqüestros de diplomatas estrangeiros e de aviões comerciais, os assassinatos – inclusive de companheiros - a título de “justiçamentos”, a avidez com que eram praticados os roubos de armas, de agências bancárias e até mesmo de residências, para financiar a instalação do“Foco”, e como propaganda armada para “estimular as massas”, pouco a pouco foram transformados  em tática militar e iriam consumir os principais quadros dessas organizações, levando ao seu total desmantelamento durante o ano de 1974. O Ato Institucional nº 5, assinado pelo presidente Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, nada mais foi, portanto, que uma resposta. Antes disso, já existiam vítimas da esquerda radicalizada, como o soldado Mario Kozel Filho, morto em 26 de junho de 1968 quando da explosão de um carro-bomba atirado contra o portão do II Exército, em São Paulo, e o “justiçamento”, em 12 de outubro de 1968, de Charles Rodney Chandler, capitão do Exército dos EUA, em São Paulo, na frente de seus filhos. O AI-5 foi, portanto, um ato de legítima defesa do Estado.
    
Em todo esse contexto, a discussão acadêmica para descobrir, hoje, quase 40 anos depois, quem deu o primeiro tiro, não passa, portanto, de uma“masturbação sociológica”.(5).
    
As guerrilhas urbana e rural ceifaram vidas preciosas de jovens idealistas, a grande maioria composta de universitários e até secundaristas, impregnados da ideologia que, então, lhes era incutida nos colégios, escolas e universidades pelos homens de palavra, que nunca colocaram em risco suas vidas.
    
Quando a violência armada nas cidades realmente eclodiu, no ano de 1968, as Forças Armadas, tradicionalmente, em todo o mundo, preparadas e condicionadas para travar guerras convencionais, chamadas para dar combate a essa guerra suja, viram-se frente a inúmeras dificuldades. Em razão disso, foi necessário, em um curto prazo, que se adaptassem, aprendendo coisas que não lhes haviam sido ensinadas nas Escolas Militares.
    
Para isso contaram com a participação efetiva de um grupo de jovens oficiais e praças, e alguns civis, prontos a servir à Pátria. Foram muitas, portanto, as improvisações. Os métodos de trabalho iam sendo aprendidos na prática, na medida em que os acontecimentos ocorriam, num ritmo cada vez mais alucinante. Eu, Azambuja, tenho orgulho de ter participado desse grupo.
    
Registre-se que o principal fator de fraqueza, que tornou vulnerável a esquerda armada, foi a extrema divergência entre suas concepções táticas, bem como a ânsia de mando, responsável por inúmeras e permanentes cisões, com a constituição de um sem número de Organizações, grupos e grupelhos desprovidos de um mínimo de coesão e infra-estrutura, perdendo em capacidade de luta e tornando-se permeáveis à infiltração pelos Órgãos de Inteligência.
    
Hoje, os perdedores de ontem e seus epígonos, muitos com cargos no governo e no Parlamento, mesmo após o desmantelamento da “doutrina científica”, com ares de reformistas, não cessam de explorar os mortos, de distorcer os fatos, de exaltar os covardes, fazendo acusações infundadas, promovendo falsos testemunhos e acusando com a ausência do contraditório. Esquecem os assassinatos, a título de “justiçamentos”, de civis não-combatentes, de alguns de seus próprios companheiros que ousaram expor suas dúvidas e pensar com suas próprias cabeças; esquecem o abandono de companheiros nas selvas do Araguaia; e esquecem a eliminação traiçoeira de amigos e inimigos, “justiçados”após simulacros de “julgamentos”.
 

(1)   Declaração de Oleg Ignatiev, ex-Secretário da embaixada da URSS em Buenos Aires; O Globo, 12 de julho de 1999, no obituário de Francisco Julião
(2)   Livro “Combate nas Trevas”, do escritor marxista Jacob Gorender
(3) Livro “No Fio da Navalha”, de Herbert José de Souza, o “Betinho”
(4) Daniel Aarão Reis Filho - foi dirigente do MR8; banido do país em troca da liberdade do embaixador Von Holleben, da então Alemanha Ocidental; hoje, é professor de História Contemporânea na Universidade Federal Fluminense -; artigo “Este Imprevisível Passado”,na revista “Teoria e Debate” de julho/agosto/setembro de 1996, editada pelo PT
(5) Royalties para o falecido ministro Sérgio Motta, autor da frase.
(Publicado originalmente na Revista da Aeronáutica243, Jan/Fev 2004)

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.