quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A dor de corno dos inocentes inúteis


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A gravíssima Crise Institucional brasileira – causada e alimentada pela ação institucionalizada do crime organizado – parece longe de uma solução de curto prazo. O sentimento do brasileiro de bem é semelhante a uma “dor de corno” – aquele incômodo de quem se sente traído. No formato de “inocentes úteis”, fomos mobilizados para sair às ruas com o objetivo prioritário de tirar o PT do poder. Muita gente acreditou na tese de que bastaria derrubar a Dilma sem-noção, arrasando com o PT, que o resto se resolveria naturalmente. Quem apostou nisto merece o título distintivo de “Inocente Inútil” perante a História.

Após o golpe providencial que destronou a Dilma (com todas as culpas que ela teve, sobretudo por incompetência), recebemos duras críticas porque continuamos atacando o desgoverno, sem poupar Michel Temer. Não dava para poupar o sucessor exatamente porque ela estava dando continuidade à agenda do PT, com pequenas modificações para iludir os inocentes inúteis. Afinal, Temer, o PMDB que ele presidia, e vários outros partidos que formavam a base de sustentação de Lula-Dilma continuaram no poder, de um jeito ou de outro. Portanto, mudou-se a Dilma para, estruturalmente, ficar a mesma coisa. Resumindo: todo o esquema de sustentação política do regime brasileiro é responsável pelas crises que se arrastam sem solução imediata.

Em 26 de março, como de hábito um domingo, os brasileiros são convocados para novas manifestações na rua. O carnaval da cidadania não é de todo ruim. Ajuda muita gente a fazer uma catarse diante de tantos problemas pessoais e sociais. Cada indivíduo isoladamente ou grupo escolhe qual será seu alvo. Uns partem para o ataque dos políticos ou do governo. Outros defendem idéias e soluções. A real dimensão dos atos é minimizada pela mídia tradicional (dependente da verba dos governos). Todo mundo volta para casa, e os governos e políticos ficam aliviados se algo de grave não ocorreu contra eles, a não ser a gritaria desopilante nos desfiles cívicos – até com tons carnavalescos.

Existem várias percepções diferentes de tanta crise – que é estrutural, e não conjuntural, passageira. Um dos mais qualificados pensadores militares brasileiros, o General de Divisão na reserva Luiz Eduardo da Rocha Paiva, faz uma análise que tem grande chance de refletir a visão da cúpula militar sobre tanto problema brasileiro. O General Rocha Paiva lembra que “democracias não se sustentam em nações sem consciência cívica, justiça legítima e eficaz e onde o Estado não provê as necessidades básicas à população e é gerido por lideranças desacreditadas”.

Rocha Paiva apresenta uma visão ideológica sobre o desmonte brasileiro: “A nação precisa entender que o poder da esquerda socialista, ideologia liberticida e fracassada, e da nossa liderança política fisiológica é fator de atraso e falência moral. Elas afundaram o Brasil, promoveram a quebra de valores morais e do princípio da autoridade, bases da paz social, incentivaram a indisciplina no serviço público e fraturaram a coesão nacional”.

Admitindo que “a crise está no limite do suportável”, o General Rocha Paiva desenha um cenário que muitos idiotas e políticos sem noção preferem ignorar: “A continuar o ritmo de deterioração política, econômica, moral e social a tendência será a eclosão de rebeliões generalizadas, comprometendo a unidade política do País”. Em resumo: a maior preocupação visível dos militares brasileiros é com o risco das crises para a integridade nacional.

Rocha Paiva faz uma pergunta cuja resposta é a chave para solucionar o Brasil: ”Como deter o desmanche do País, dentro das normas legais, com a nação sujeita à forte influência socialista e sob o poder de lideranças fisiológicas tão difíceis de expelir?”

Os militares não proclamam diretamente a resposta, e não aceitam embarcar na tese de “golpe” ou intervenção militar direta. No entanto, as legiões sabem que a solução é óbvia: a Intervenção Institucional. Nada mudará de verdade para melhor no Brasil se não ocorrer um aprimoramento institucional. É urgente uma repactuação constitucional.

O problema é: quase todos os políticos (no executivo e no legislativo) junto com expressiva fatia do judiciário, fazendo coro com os deuses rentistas do mercado financeiro, não desejam uma mudança estrutural. Por isso, defendem apenas saídas reformistas do modelo.

Aliás, as “zelites” operam mais no discurso que na prática. Vide o que fazem com os absurdos impostos e com os juros (que fingem que caem, mas permanecem estratosféricos em relação ao resto do mundo). Tudo para sustentar a gastança suicida do Estado Capimunista tupiniquim.

É assim que vamos para mais um carnaval, com a fantasia simbólica de inocentes inúteis, e aquela dor de corno difícil de curar...

Vai cedo ou já vai tarde?


Perguntinha tucanalha: Os “problemas de saúde” vão impedir que José Serra volte ao Senado para trabalhar melhor sua candidatura ao governo de São Paulo, contra a vontade do Geraldo Alckmin – que tem um acordo para apoiar seu vice Márcio França ou pode até apostar na candidatura João Dória?

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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Fevereiro de 2017.

“Sou Pacificador. Não quero brigar...”


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Marchinhas de Carnavais de outrora. Hoje a coisa mudou.Todo mundo morde.

Na lista da cadeia alimentar dos cãorruptos, mordem até o próprio rabo. Solto ou preso.

Um pensador florentino (não sei se tão livre como o autor destas linhas) já dizia há quinhentos anos atrás, que as pessoas atacam por medo ou por ódio.

Em Pindorama à deriva, entraremos no período da água-viva.

“Mas escapará alguém?”

A resposta é d'annunziana : FORSE CHE SI', FORSE CHE NO.

Nosso maior vate nos acode no meio do debate:

“Onde pode acolher-se um fraco humano,

Onde terá segura a curta vida,

Que não se arme e se indigne o céu sereno,

Contra um bicho da terra tão pequeno” ...”

Com a velhice, nos piora o hardware e melhora osoftware.

Vejamos cenas dos próximos cãopítulos:

O novo deus agira com muito tato.

Como sabujo que perdeu olfato, o vampiro dará seu último suspiro.

O resto dos canalhas cairão nas finas malhas.

Gato virará pandeiro ou tamborim.

O bocozinho desmaia.

A tiazona, impotente pra botar ordem na zona, apela pra Onça.

Docemente constrangida, começara a suruba final.

Não se salvará nem quem acabou no Irajá.

Caia na folia; até o poderoso cai.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Brasil em desmanche


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo Rocha Paiva

Uma causa longínqua, mas decisiva do desmanche do Brasil é a falência do sistema de ensino, precário na transmissão de conhecimentos, no desenvolvimento da cultura, na formação cívica do cidadão, na valorização da história e tradições, o que enfraquece o patriotismo, e na conscientização de princípios morais e éticos, fatores de fortalecimento da sociedade. Essas deficiências facilitaram a implantação e expansão no país da crise de valores, dos anos 1960-1970, que contaminou a instituição da família, globalmente, e abalou sociedades imaturas como a brasileira.
   
Esse cenário foi explorado pela esquerda socialista, a partir dos anos 1960, permitindo-lhe o progressivo domínio do sistema de ensino. Os partidos e movimentos dessa ideologia acabaram por dominar, também, o meio artístico e grande parte da mídia. Com os formadores de opinião nas mãos, promoveram a satanização da maioria conservadora, falsamente acusada de radical, regressista e avessa a anseios da população carente.

Na verdade, o conservador não é contra a evolução política e social, desde que se considere a experiência, a tradição, as virtudes e os valores construídos e consagrados ao longo da história. Condena revoluções sociais e políticas propostas por ideologias radicais e utópicas de viés socialista internacionalista ou nacionalista, esta última chamada de extrema direita e maliciosamente confundida com o conservadorismo.
   
Democracias não se sustentam em nações sem consciência cívica, justiça legítima e eficaz e onde o Estado não provê as necessidades básicas à população e é gerido por lideranças desacreditadas. A esquerda socialista estava no poder desde 1994, primeiro a fabianista e depois a marxista, ambas parceiras de lideranças patrimonialistas. Essa aliança desacreditou a democracia e afundou o país no mar de lama que sufoca a nação.

Com sua ultrapassada visão de Estado, governo e sociedade, os socialistas ditaram rumos desastrosos na busca do Estado do bem-estar social em um país sem o nível de riqueza capaz de sustentá-lo e manter o desenvolvimento. Imagine se tivessem tomado o poder nos anos 1960, quando o Brasil ainda era a 48ª economia mundial.
   
A crise brasileira está no limite do suportável. A continuar o ritmo de deterioração política, econômica, moral e social a tendência será a eclosão de rebeliões generalizadas, comprometendo a unidade política do país. Eis o resultado de mais de uma década de danosas políticas populistas eleitoreiras, de gestão econômica irresponsável e insustentável e da estratégia de corrupção para perpetuar o PT no poder.
   
O atual presidente da República e o PMDB foram parceiros da liderança petista e, por isso, também são responsáveis pela crise. Assim, embora o impeachment de Dilma Rousseff fosse o melhor para o país, e o processo tenha sido legal, era possível antever as dificuldades para o sucessor superar os óbices e recolocar o Brasil nos eixos.
   
Hoje, o Estado não cumpre o papel que lhe delega a nação de garantir sua segurança, desenvolvimento e bem-estar. Na segurança pública, a situação é de pré-anomia, pois o Estado não demonstra autoridade e capacidade de controlar todo o território nacional, nem de exercer o comando e a disciplina sobre órgãos de segurança da população. A demora em controlar as revoltas em presídios do Norte e do Nordeste e o motim da PM do Espírito Santo revela leniência, indecisão e falta de vontade ou autoridade dos governos Federal e estaduais. A mistura dessas fraquezas com o não atendimento das necessidades básicas da população é um estopim para a disseminação de revoltas capazes de provocar o caos político-social e comprometer a segurança nacional.
   
A efetiva reabilitação do Brasil, em todos os setores afetados, demandará mais de uma década, mas o ponto de partida e os alicerces da recuperação estão na economia. Será fundamental haver evidências seguras de reabilitação, nos próximos meses, para as tensões se amenizarem. Com isso, o governo terá folego para encaminhar as soluções aos problemas dos setores político e social.
   
É justo reconhecer que o governo busca implantar medidas necessárias à recuperação econômica, mas precisa convencer a sociedade a aceitar sacrifícios. Ela concordaria em arcar com um pesado ônus para ajudar o Brasil a sair do abismo, desde que o andar de cima apertasse, e muito, o próprio cinto. Porém, a liderança nacional, nos três Poderes da União, não entende que o exemplo vem de cima e é a base moral da autoridade. Nos altos escalões do serviço público, da União e dos estados, existem mega-salários turbinados por benesses complementares, cuja legalidade sem legitimidade afronta a justiça. A socializaçãoequilibrada desse custo é a única forma de legitimar sacrifícios impostos a uma sociedade sem reservas para cortar.
   
A deterioração da economia nos próximos meses geraria cenários de conflitos, pois as tensões sociais se agravariam, escalando para revoltas em diversas regiões e ameaçando os poderes constitucionais e a unidade nacional. O Executivo sem a confiança da nação, leniente, tímido e sem força política, ao lado do Legislativo desacreditado e descompromissado e do Judiciário dividido, terá muita dificuldade para pacificar o país com base no arcabouço legal vigente. Para aquilatar o provável nível de violência desses conflitos, basta lembrar que a unidade nacional é cláusula pétrea para as Forças Armadas.      
   
A nação precisa entender que o poder da esquerda socialista, ideologia liberticida e fracassada, e da nossa liderança política fisiológica é fator de atraso e falência moral. Elas afundaram o Brasil, promoveram a quebra de valores morais e do princípio da autoridade, bases da paz social, incentivaram a indisciplina no serviço público e fraturaram a coesão nacional.

Como deter o desmanche do país, dentro das normas legais, com a nação sujeita à forte influência socialista e sob o poder de lideranças fisiológicas tão difíceis de expelir?


Luiz Eduardo Rocha Paiva é General de Divisão na reserva.

O reflexo da onda




Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Lá, no final, há um recado importante para...

Você que se emocionou com a triste imagem do menino sírio Aylan Kurdi, morto no mar, que a mídia usou para sentimentalizar o tema dos "refugiados" (quem sabe até você "curtiu" no Facebook), mas não se ligou que, quando a pequenina Kayla (brasileirinha de apenas seis anos) foi assassinada num atentado hediondo perpetrado por um ativista do Estado Islâmico, na França, a nossa imprensa e as"redes sociais" não deram
importância.

Você que, ignorando que houve milhares de cristãos mortos em conflitos religiosos NOS ÚLTIMOS ANOS, e ignorando que, HÁ SÉCULOS, não há registro de um só cristão que haja matado em nome da religião, aceitou passivamente o termo "islamofobia" que a mídia internacional nos impôs.

Você que não liga para a manipulação da linguagem e da informação praticada por essa mídia, mas julga poder afirmar que ela persegue a "esquerda".

Você que alimenta a ilusão de que pode haver pessoas puras e incorruptíveis, bastando que... elas sejam da ideologia que você apoia.

Você que, sem conhecer o conceito, tem convicção de que "conservador" é "coisa ruim".

Você que chama de "fascista" qualquer um que discorde de sua ideologia.

Você que encara o esquerdismo como um "modo de ser" e como parte de sua identidade pessoal.

Você que, no afã de significar alguma coisa e não ser só um pontinho na multidão, repete ideias prontas e defende uma bandeira ideológica, como se esta não representasse um ideário elaborado por outros.

Você que, talvez sem dar-se conta, assimilou clichês sobre "respeito às diferenças", mas não aceita as naturais diferenças entre adultos e jovens nem quaisquer valores culturais que não favoreçam a sua ideologia.

Você que não se interessa por temas políticos, mas não tem constrangimento de sustentar uma opinião sobre a situação do país.

Você que, não tendo paciência para se aprofundar na política, se dispõe a passar um cheque em branco a qualquer malandro, desde que ele tenha um DISCURSO a favor "dos pobres".

Você que ainda não percebeu a incoerência que existe entre o "discurso salvacionista" e as "reais motivações" dos líderes que querem fazer uma revolução no país.

Você que não se importa em saber o que é "salvacionismo", "regime totalitário", "populismo", "nomenclatura", "projeto de hegemonia", etc.

Você que, embora não tendo um claro conceito de democracia, defende uma "democracia direta", fingindo não perceber (ou, quem sabe, não tendo capacidade para compreender) que essa é uma tática de manipulação usada por "ativistas ideológicos profissionais".

Você que, conscientemente ou não, aderiu à doutrina do "politicamente correto", usando-a para repudiar quem pensa diferente da ideologia que você abraçou.

Você que, sem se importar com qualquer conhecimento científico e defendendo um pretenso direito de escolha, afirma que se é homem ou mulher por mera imposição cultural.

Você que desdenha de limites, normas e regras, e acha que qualquer refugiado, migrante ou o que seja tem o direito de entrar no país que escolher, sem qualquer restrição.

Você que acha que os países devem ser governados com sentimentalidades de grêmio estudantil.

Você que não quer falar sobre o Foro de S. Paulo.

Saiba você que...

Você está na crista de uma onda que já produziu Donald Trump e vai produzir outros do mesmo estilo. Líderes que você detesta sem perceber que eles são só a previsível reação a essa onda de degenerescências.

Mas tenha a certeza de que lhe devem favores a você! Tanto os que tiram proveito do seu ímpeto juvenil quanto os apoiadores de Trump, todos eles deveriam agradecer-lhe a atitude bovina de se deixar conduzir por pastores ideológicos.

Assim como não há mofo sem umidade, sem gente como você não existiria Donald Trump nem, muito menos, os líderes populistas da América Latina.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Por uma Nomenklatura Hereditária


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro "A Nomenklatura - Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética", de autoria de MICHAEL S. VOSLENSKY, considerado no Ocidente um dos mais eminentes especialistas em política soviética. Foi professor de História na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e membro da Academia de Ciências Sociais junto ao Comitê Central do PCUS. O livro foi editado no Brasil pela Editora Record.
    
NOMENKLATURA, uma palavra praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros, exceto por alguns especialistas, merece tornar-se tão célebre quanto o termo GULAG. Designa a classe dos novos privilegiados, essa aristocracia vermelha que dispõe de um poder sem precedentes na História, já que ela é o próprio Estado. Atribui a si mesma imensos e inalienáveis privilégios – dachas e moradias luxuosas, limusines, restaurantes, lojas, clínicas, centros de repouso especiais e quase gratuitos -.

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Classe dirigente, a Nomenklatura resolveu o problema de sua reprodução. A solução – que jamais foi publicada – é original. Para cada posto ocupado na Nomenklatura, um suplente é devidamente designado e inscrito numa lista de reserva. Quando o posto fica vago, o Comitê interessado designa definitivamente a nomeação do suplente. Escolhido este, um novo suplente aparecerá na lista de reserva. Onde são escolhidos esses suplentes? Um processo, que não atraiu a atenção, desenvolve-se cada vez mais: a auto-reprodução da Nomenklatura.
    
Os que não querem definir os “administradores” como uma classe apresentam, como argumento principal, o fato de que os postos na Nomenklatura não são hereditários. Esse argumento não se mantém: o caráter hereditário dos cargos não é, necessariamente, atributo de uma classe, e não é, pois, incluído na definição do conceito de classe. Assim, a classe operária, que surgiu durante a industrialização, foi recrutada no campesinato, e constitui, contudo, uma classe.
    
Mas há outra coisa: toda classe dominante durante a consolidação, visa transmitir seus privilégios a seus filhos, isto é, procura se auto-reproduzir e impedir, por todos os meios, o afluxo de novos elementos. É isso que ocorre na Nomenklatura soviética. Os nomenklaturistas foram chamados para ocupar seus postos na época de Ejov, e durante a guerra, e assim o corpo atual de funcionários na URSS já teve tempo de educar seus filhos e estes já atingiram, hoje, a idade de também se tornarem nomenklaturistas. Doravante, esses filhos estarão em condições de ocupar os postos, sempre crescentes em número, da Nomenklatura.
    
Vamos dar alguns exemplos. O filho de Leonid Brejnev foi nomeado Primeiro-Adjunto do Ministério do Comércio Exterior. Até o momento, a imprensa só teve conhecimento de uma única de suas transações internacionais: entusiasmado pelo espetáculo das dançarinas do Crazy-Horse, em Paris, ele deu uma gorgeta de 100 dólares ao garçon, a metade do rendimento mensal de um operário soviético. Os centros de interesse da filha de Kossyguin, Ludmila, pessoa capaz e séria, são bem diferentes, mas até agora ela pouco se interessou por bibliotecas, o que não foi obstáculo para sua nomeação ao posto da Nomenklatura, da Biblioteca do Estado para Literatura Estrangeira, em Moscou.

O filho de Anastas Mikoian, conseguiu, sem realizar grandes esforços, galgar, a passos de gigante, toda uma carreira para se tornar o redator-chefe do jornal América Latina, e fazer, assim, sua entrada na Nomenklatura do Comitê Central. O filho de A.Gromyco, viu-se, de repente, após alguns anos passados no Instituto dos EUA e do Canadá, na Academia de Ciências, nomeado paa o posto – nomenklaturista – de delegado soviético em Washington, depois de servir como Conselheiro na embaixada na RDA. Em seguida, tornou-se diretor do Instituto Africano da Academia, se bem que jamais tenha sido africanista. Esse posto faz parte da Nomenklatura do Secretariado do Comitê Central
    
O que dizer de Vassili Stalln, um jovem alcoólatra, general de Divisão com menos de 30 anos e comandante da Aeronáutica para a Região Militar de Moscou. De Alexei Adjubei, genro de Kruschev, redator-chefe do segundo jornal da União Soviética, o Izvestia, que se tornou, ao mesmo tempo, membro do Comitê Central. E de Nikonov que, por ser genro de Molotov, foi promovido de seu modesto posto de assistente universitário para o de chefe do Departamento no órgão político e teórico do Comitê Central do PCUS,Kommunist (naquela época Bolchevik).
    
Poder-se-ia ainda fornecer numerosos exemplos, mas não é necessário. O fenômeno assim descrito não é exceção, mas a regra. Os filhos dos secretários do Partido só se tornam trabalhadores nos romances piedosos do “realismo socialista”. No socialismo real entram automaticamente no aparelho do Partido ou no Corpo Diplomático. Seria bem difícil para alguém, que duvidasse disso, citar exemplos de filhos de famílias da Nomenklatura que se encontrassem em outro posto que não um da Nomenklatura, ou casados com um nomenklaturista.
    
É cada vez mais manifesto que a classe dominante da União Soviética se auto-reproduz. É verdade que os postos não são, em si mesmos, hereditários, mas pertencer à classe da Nomenklatura já se tornou, na prática, hereditário.
    
Tomando o exemplo de um carreirista comum, descrevemos o caminho extremamente estreito que, através das organizações do Partido, pode levar até à Nomenklatura. Mas, as possibilidades de entrar nela dessa maneira não cessam de se restringir. Por outro lado, é cada vez mais freqüente que se consiga entrar nela ela avenida real do nascimento, como descendente de uma família nomenklaturista.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Supremo ajuda imortal Sarney a fugir do Super Moro


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Enquanto o sósia do Lex Luthor (famoso inimigo do Super Homem) era dura e interminavelmente sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal confirmou que José Sarney pode ser imortal perante a República de Curitiba. Os votos dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello derrotaram o relator Edson Fachin e decidiram que o poderoso José Sarney de Araújo Costa, mesmo sem ter direito a foro privilegiado por ser ex-senador, não pode ser investigado pelo juiz Sérgio Moro naquela delação premiada feita por Sérgio Machado. A defesa de Lula agora pode pedir isonomia no tratamento, para escapar do Super Moro.

O STF não ignorou que Sérgio Machado revelou que José Sarney, durante nove anos, recebeu propina de R$ 18,5 milhões (sendo R$ 16 milhões em espécie) de contratos da Transpetro (subsidiária da Petrobras). Com exceção do relator Edson Fachin, quatro ministros do Supremo reformaram uma decisão do falecido Teori Zavascki que permitiu o compartilhamento da “colaboração” de Machado com o juízo da 13ª Vara Federal. A alegação dos vitoriosos é que uma pessoa não pode ser investigada em dois diferentes foros judiciais. Além disso, o ex-presidente e ex-senador Sarney é alvo de inquérito no STF com os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá.

Não valeu o argumento básico de Fachin de que compartilhar informação não significa desmembrar a investigação que apura como o PMDB teria recebido R$ 100 milhões em propinas das negociatas na Transpetro. Agora, a mesma regra pode beneficiar Luiz Inácio Lula da Silva, já que ele tem investigações no STF e na vara do Moro. Como o Judiciário beneficia imortais ou quem já morreu, a Força Tarefa da Lava Jato já pediu ao juiz Sérgio Moro que decida pela extinção da punibilidade da falecida primeira-dama Marisa Letícia – que respondia a dois processos na Lava Jato por lavagem de dinheiro. Indiretamente, a defesa de Lula deseja que o ex-Presidente seja beneficiado com o “inocentamento” de Marisa e a extinção do processo pela morte da ré.

As polêmicas com a Lava Jato esperam por Alexandre de Moraes, que vai integrar a segunda turma do STF e será o revisor dos casos da Lava Jato relatados por Edson Fachin. O plenário do Senado tende a aprovar, com folga, a indicação de Moraes para o emprego supremo. O nome dele já foi sacramentado por 19 votos a 7 na Comissão de Constituição e Justiça. Quem se absteve de votar foi a senadora petista Gleisi Hoffmann. Alegou que pode ser investigada, processada e julgada pelo novo ministro – o que poderia representar um “conflito ético de interesses”. Demais senadores na mesma situação fingiram que nada era com eles, e não seguiram a onda da “Narizinho” (carinhoso apelido dela entre petistas íntimos).

Tudo no noticiário só confirma que já passou da hora de acabarmos com este raio de suruba do Foro Privilegiado... Do contrário, continuaremos tomando no “Caju”...

Clique aqui e confira a íntegra da denúncia do MPF contra Lula


Aprovadísimo


Pagamos nós

Já que o “Presidente” Henrique Meirelles decretou que “a recessão já terminou e voltamos a crescer”, é provável que o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúna hoje para dar mais uma abaixadinha nos juros básicos – que continuarão estratosféricos em relação ao resto do mundo.

Mas a onda de otimismo econômico não impede que o consumidor brasileiro acabe vítima de mais uma injustiça econômica, sendo obrigado a pagar uma conta salgada causada por um erro do governo Dilma Rousseff em 2012.

A tal da “Luz Barata” marketada pela Dilma vai custar R$ 62 bilhões de indenização a transmissoras de energia, após a catastrófica intervenção do governo no setor elétrico.

Nós vamos pagar a fatura nas contas de luz até 2025, em diferentes percentuais de reajustes que serão definidos por cada distribuidora de energia elétrica.

O curioso é que nada deverá acontecer com a Dilma – a não ser arcar com a nova tungada junto com o resto dos mortais...

Nudez virtual castigada

O Presidente Michel Temer deve sancionar, com o maior prazer, a Lei que cria mecanismos para combater condutas ofensivas contra as mulheres, principalmente na Internet ou qualquer outro meio de informação.

Quem praticar “vingança pornográfica”, divulgando dados pessoais, vídeos, áudios, montagens e fotocomposições da mulher, obtidos no âmbito das relações domésticas, de coabitação ou hospitalidade, sem seu expresso consentimento da mulher, pode ser condenado de três meses a um ano de prisão, além de multa.

Temer exige punição pesada para o hacker que clonou o celular e chantageou a primeira-dama Marcela, exigindo R$ 300 mil para não divulgar fotos íntimas dela, e ameaçando divulgar um áudio que sujaria a imagem de Temer:

“Achei que esse vídeo joga o nome de vosso marido na lama quando você disse que ele tem um marqueteiro que faz a parte baixo nível. Pensei em ganhar algo com isso”.

O bandido, Silvonei Souza, foi condenado em primeira instância a 5 anos, dez meses e 25 dias de prisão, mas o escândalo corre em segredíssimo judicial, pois até o áudio das conversas entre o hacker e Marcela desapareceu do processo de 1.109 páginas...

Em disputa

Releia a segunda edição de terça-feira: Quem quer sambar no Túmulo do $talinácio?


Sem medo


Solução Narizinho


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Paticumbum


“País Canalha é o que não paga precatórios”.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Enredados no samba sem fronteiras, escondidos como gato na tuba, vem um bocó referir-se a suruba, num tsunami de asneiras.

Caju, chegou a hora de tomar na rima.

Agora não mais é só uma questão de bom gosto. Saibam que rei morto é rei posto.

Quero vê-los entrar num restaurante, japonês ou italiano, e um de cada vez, tomar uns sopapos dos que até hoje só engoliram sapos.

O bloco dos “Não pago mais pra ladrões” é o que mais cresce entre os foliões.

É escarnecer do povo aprovar o “quinderôvo”.

Muito embora aja com tato, está sem cachorro perdido no mato.

“É dos carecas que elas gostam mais...”

Antas, cachorras e periguetes que não param de mascar chicletes, pensam em trocar suas bikes por modernos patinetes.

E tomem serpentinas e confetes!

Na quarta-feira acabou-se a brincadeira.

Tudo será cinza num país injusto e ranzinza.

Procuremos ver o lado bom; melhor que o papa hóstia, é.

Seu genitor, sem nenhum pudor, jantou com o Top Top e outros asseclas que chafurdam nas melecas, em lugar elegante. Só faltou o merdandante.

Que venha o Zé Pereira. Viva o Momo!

Que saia da sombra a figura mais esquiva.

Pronta pro cordão amarelo e verde oliva.

Efegagácê, ó aqui pro cê!


“Vira” dos Mamonas, para o “Caju” sambar...


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Movimentos de Massa e Forças Armadas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi transcrito do livro “Fanatismo e Movimentos de Massa”, escrito por ERIC HOFFER, e editado em dezembro de 1968 pela Editora Lidador Ltda. Guardadas as devidas proporções, esse livro ombrea-se com “O Príncipe”, de Maquiavel. Eric Hoffer (25 de julho de 1902, em Nova YorkEUA – 21 de maio de 1983CalifórniaEUA) foi um escritorestadunidense. Escreveu dez livros e recebeu aPresidential Medal of Freedom em Fevereiro de 1983. Seu primeiro livro, "The True Believer", publicado em 1951, foi reconhecido como um clássico.
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É conveniente darmos uma olhada nas semelhanças e diferenças entre os movimentos de massas e as FF AA.
    
As semelhanças são muitas: tanto os movimentos de massas como as FF AA são corpos coletivos. Ambos tiram ao indivíduo sua distinção e entidade separada; ambos exigem auto-sacrifício, obediência cega e dedicação absoluta; ambos fazem extenso uso da ilusão para promover a ousadia e a ação conjunta, e ambos podem servir de refúgio aos frustrados que não podem suportar uma existência autônoma. Um corpo militar como a Legião Estrangeira atrai muitos tipos, que geralmente acorrem a juntar-se a um novo movimento. E é igualmente verdadeiro que o recruta e o agitador comunista muitas vezes pescam nas águas turvas da desordem.
    
Mas diferenças são fundamentais: o Exército não preenche as necessidades de uma nova maneira de vida; não é uma estrada da salvação. Pode ser usado como um bastão nas mãos de um ditador, para impor uma nova maneira de vida e forçar os outros a engoli-lo. Mas as FF AA são, principalmente, um instrumento para a preservação ou expansão de uma ordem estabelecida – velha ou nova. É um instrumento temporário que pode ser montado e desmontado à vontade. 

O movimento de massas, pelo contrário, parece ser um instrumento de eternidade, e aqueles que o adotam fazem-no para toda a vida. O ex-soldado é um veterano, um herói, até; o ex-crente convicto é um renegado. O Exercito é um instrumento para fomentar, proteger e ampliar o presente. O movimento de massas vem para destruir o presente. Sua preocupação é com o futuro, e dessa preocupação extrai seu vigor e seu impulso. Quando um movimento de massas começa a se preocupar com o presente, isso significa que ele já se firmou. Deixa, então, de ser um movimento e passa a ser uma organização institucional – uma Igreja estabelecida, um governo ou um Exército (de soldados ou de trabalhadores) -.

O Exército popular, que é, muitas vezes, subproduto do movimento de massas, retém muitas das armadilhas do movimento: eloqüência, slogans, símbolos, mas como qualquer outro Exército é unido menos pela fé e entusiasmo do que pelo apaixonado mecanismo do esprit de corps e da coesão. Logo perde o ascetismo e unção de uma congregação sagrada e apresenta o entusiasmo e gosto pelas alegrias do presente, que são as características de todos os exércitos.
    
Sendo um instrumento do presente, o Exército trata principalmente do possível. Seus líderes não confiam em milagres. Mesmo quando animados por uma fé ardente, são abertos à transigência. Enfrentam a possibilidade de derrota e sabem render-se. O líder do movimento de massas, pelo contrário, tem um absoluto desprezo pelo presente, por todos os seus teimosos fatos e perplexidades, mesmo os de geografia e clima. Confia em milagres. Seu ódio pelo presente (seu niilismo) vem a tona quando a situação se torna desesperada. Prefere destruir sua Pátria e seu povo a render-se.
    
O espírito de auto-sacrifício dentro das FF AA é fomentado pela devoção ao dever, pela ilusão, esprit de corps, fé num líder, esportividade, espírito de aventura e desejo de glória. Esses fatores, ao contrário dos empregados pelos movimentos de massa, não provêm da depreciação do presente e a revolta contra um ego indesejável. Podem desenvolver-se, portanto, numa atmosfera sóbria. O soldado fanático é, geralmente, um fanático transformado em soldado e não o contrário.

O espírito de auto-sacrifício do Exército está expresso nobremente nas palavras que Serpedon disse a Glauco, ao atacarem as muralhas gregas: “Ó, meu amigo, se nós, deixando esta guerra, pudéssemos fugir à idade e à morte, eu não estria aqui lutando. Mas agora, como são muitos os modos de morte pendentes sobre nós, à  qual nenhum homem pode escapar, vamos agir e dar fama a outros homens, ou conquistá-la para nós mesmos”.
    
A diferença mais notável entre os movimentos de massa e as FF AA é sua atitude r com a multidão e a população.  Observa De Tocqueville que “os soldados são os homens que mais facilmente perdem a cabeça e que geralmente se mostram mais fracos nos dias de revolução”.Para o general típico, a massa é algo que seu Exército se transformaria se tivesse que separar-se. Ele tem mais consciência da inconstância da massa e de sua disposição para a anarquia do que sua tendência para o auto-sacrifício. Considera-a mais o subproduto de um corpo coletivo em desintegração do que a matéria-prima de um novo mundo. Sua atitude é um misto de receio e desprezo. Ele sabe como suprimir a massa, mas não como conquistá-la.

O líder de um movimento de massa, pelo contrário – de Moisés a Hitler – tira sua inspiração do mar de rostos levantados, e o rugido das massas é como se fosse a voz de Deus em seus ouvidos. Ele vê uma força irresistível ao seu alcance – uma força que só ele pode domar. E com essa força ele varre impérios e exércitos, e todo o poderoso presente. O rosto da massa é como “o rosto das profundezas”, de onde, como Deus no dia da criação, ele extrairá um novo mundo.  


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quem quer sambar no Túmulo do $talinácio?


2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Mais perdido que diabético em loja de doces, mais ferrado que virgem em prostíbulo e mais prejudicado que pagador de juros a banqueiro brasileiro, a maioria do povo tupiniquim já entra no clima de mais um carnaval. Lutando pela sobrevivência no inferno Capimunista, mais enganado que corno e mais roubado que pagador de quase 100 impostos, o Zé Povinho tem dificuldades de exercer seus direitos e cumprir seus deveres. Imagina se vai sobrar tempo para cumprir aquela missão originária, prevista na tal “Constituição-Cidadã”, de emanar aquele “Poder” que poderia ou deveria nos bem governar?

Conectado e interligado nas redes sociais, o sacrificado povão pode não ser aquele cidadão-prefeito, zeloso do poder que não sabe usar direito. No entanto, o brasileiro já não é aquela massa de manobra inerte de alguns anos atrás. Por péssima formação educacional – em casa e na escola de qualidade questionável -, o Zé Povinho pode não ser capaz de formular uma “Estratégia para o Brasil”. Felizmente, o povo já exerce, plenamente, a capacidade de criticar. Já começa a perceber que “o verdadeiro inimigo é o sistema” (Obrigado, Capitão Nascimento!). Reflexos diretos de nosso povo, da cultura da sociedade e do modelo estatal, os políticos são transformados nos principais alvos de insatisfação – e até ira popular.

Partindo dos entretantos para os finalmentes - como pregaria o mais realista dos políticos ficcionais, Odorico Paraguaçu -, vale lançar para a profunda reflexão da galera uma questionadora reflexão: Será que a próxima manifestação de rua, agendada para o domingão de 26 de março, não corre o risco de se transformar em mais um carnaval de insatisfação, com meros desfiles de lamentações e iras, em vez de cumprir o papel de pressionar e exigir a queda do desgoverno do Crime Institucionalizado?

Todo mundo (com um mínimo bom senso) sabe que os protestos domingueiros, por maiores e mais expressivos que sejam, já não apavoram tanto o governo. Os políticos profissionais, no entanto, se sentem bastante incomodados quando são transformados em alvos preferenciais da bronca (ou ira) popular. Espertamente, eles já têm a “vacina” para combater a revolta popular contra a classe política (desqualificada na mesma proporção da desqualificação cidadã de uma sociedade aculturada para ser ignorante, medrosa, passiva e violenta).
 A “vacina” consiste em alegar que “o ataque à classe política abre caminho para o autoritarismo”, porque a ofensiva “cumpre o perigoso papel de criminalizar a atividade política”. Tal argumento é falso. Quem tem o poder instituinte originário – como é o caso do povo – tem plena capacidade e legitimidade de criticar a atuação dos políticos. Só é recomendável que se faça a crítica olhando para o próprio umbigo, pois quem elege a classe criticada é o próprio povo.

Novamente invocando a metodologia de Odorico, o que se pode fazer para evitar que a manifestação de rua de 26 de março se transforme em mais um “carnaval de cidadania sem fins específicos e resultados concretos”? A saída é que se aproveite a próxima manifestação para unir o máximo de pessoas em torno de reivindicações possíveis de serem realizáveis. O objetivo é não frustrar a massa e, efetivamente, deixar preocupados os integrantes da “organização criminosa”.

Uma pauta urgente e quase consensual é o fim do foro privilegiado. A tal “prerrogativa de foro especial para julgamento de autoridades” pode ser restringida por interpretação do Supremo Tribunal Federal. Ou pode ser derrubada por aprovação de proposta de emenda constitucional. O fim da absurda vantagem que beneficia políticos dará uma grande colaboração para o combate à impunidade daqueles que praticam crimes contra a coisa pública.

Quer um tema que ferra com a vida da maioria dos brasileiros? Os noventa e tantos impostos em vigor. A perdulária máquina estatal promove um assalto a mão armada contra a sociedade brasileira, usando a “arma” tributária. Comportando-se como “mafiosos”, os governos se comportam como “sócios” forçados de quem comete a ousadia de produzir, gerar emprego e renda. Por que, até agora, não houve uma mega-manifestação específica para exigir uma profunda reforma tributária? 

Infelizmente, nos próximos atos de rua, a exemplo dos anteriores, não deverá prevalecer o foco estratégico em uma pauta de reivindicações possível de se tornar realidade, a partir da pressão direta e legítima do cidadão. Assim, é alto o risco de as manifestações produzirem frustrações na maioria da população. Sem dúvida, a tal “movimentomania” serviu para tirar o PT e Dilma Rousseff do Palácio do Planalto. Afetará em nada, ou muito pouco, Michel Temer – parceiro que dá continuidade a agenda que os petistas seguiram.

Realisticamente falando, a próxima manifestação de rua programada para o último domingo do mês de março tem grande chance de ser menos expressiva que as anteriores. Certamente, os políticos canalhas vão tirar proveito dessa eventual – e previsível – fragilidade das manifestações. Infelizmente, o Crime Institucionalizado seguirá hegemônico, porque ainda não temos pressão popular suficiente para mudar o modelo estatal brasileiro – o “mecanismo” legitimador da corrupção sistêmica.

Por isso, a manifestação domingueira é de alto risco estratégico para aqueles que defendem o bem do Brasil. Precisamos de uma fortíssima mobilização popular – não só em atos nas ruas e nas redes sociais, mas sobretudo na porta dos órgãos públicos (de preferência nos dias normais de trabalho).

É obrigação moral das pessoas de bem apoiar a Lava Jato, neutralizar o Crime Institucionalizado e, efetivamente, mudar o Brasil através de uma inédita Intervenção Instituinte que promova uma repactuação Constitucional, um redesenho do Estado em bases federalistas e uma revolução tributária que transforme o Brasil em um País Capitalista - sem tantas interferências estatais, ideológicas e criminosas.

Enquanto a pressão popular não se efetiva para mudar o Brasil, corremos o risco de retrocessos políticos. Lula e o PT estão gravemente desmoralizados, porém não estão mortos. Lênin têm túmulo, e o comunismo não morre... O túmulo do $talinácio ainda é virtual. Quem quiser “sambar” que o subestime... Os músicos da orquestra do Titanic continuam tocando em ritmo carnavalesco... Uma hora o samba atravessará de vez...

Dura Lex, Lex Luthor...


É gigantesca a chance de Alexandre de Moraes se tornar o revisor dos processos da Lava Jato que serão relatados pelo ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal, assim que for efetivamente empossado.

Também é líquido e certo que Alexandre de Moraes é mais um voto a favor daquela rasgadinha na Constituição que permite prisões em condenações a partir da segunda instância, sem esperar pelo famoso trânsito em julgado, como é tradição do Direito Criminal brasileiro.

O “Super Homem” e os “Intocáveis” da Força-Tarefa do MPF que se preparem porque vem por aí muita kriptonita contra a Lava Jato.

Releia a primeira edição desta terça-feira: 

Na Lava Jato? Só não vai quem já morreu...


Leia o artigo de Antônio José Ribas Paiva: Terrorismo de Estado

Veja também: A quem interessa o 26 de março?


A Doença


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

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