quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

E-mails oficiais de Venina derrubam tese do governo sobre ignorância de Graça na corrupção da Petrobras


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
     
A Petrobras não tem como contestar a veracidade dos e-mais enviados à Maria das Graças Foster pela geóloga Venina Velosa da Fonseca denunciando o megaesquema de corrupção na estatal de economia mista. Assim, torna-se infrutífero e ridículo o esforço do governo em insistir na velha tese da "apedêutica ignorância" (ninguém sabia de nada, mas deveria ser obrigado a saber) para tentar salvar a insustentável cabeça de Graça e demais diretores da petrolífera prestes a ter sua nota de risco rebaixada, o que lhe cortará o crédito para rolagem da gigantesca dívida e impedirá que seus papéis sejam negociados no exterior.

A tática do governo é tão burra que forçou a Comissão de Valores Mobiliários a pelo menos tentar mostrar ao mercado que não é uma mera autarquia do Ministério da Fazenda do mesmo governo da União que controla a Petrobras - e que, por infeliz coincidência, também tem o ministro Guido Mantega acumulando o rico jeton de Presidente do Conselho de Administração da petrolífera. Sem entrar no mérito deste descarado conflito de interesses - que já irrita investidores internacionais e será questionado nos tribunais dos EUA -, a CVM exigiu que a Petrobras cumprisse o ritual de soltar um comunicado ao marcado para tentar vender a versão impossível de que Graça não fora oficialmente informada sobre os indícios do "Petrolão".

A Presidenta Dilma Rousseff, que será diplomada amanhã pelo TSE para seu segundo mandato previsivelmente turbulento e com risco de começar mal e acabar péssimo, faz das tripas coração para manter a amiga Graça na Presidência da Petrobras. Dilma simplesmente não tem um nome de sua confiança pessoal para colocar no cargo. Ela não quer que a jóia da coroa volte a ser colocada na cabeça dos petistas que lhe fazem oposição intestina. Só muito a contragosto, Dilma trocaria Graça por Luciano Coutinho - o que também seria uma operação suicida. O presidente do BNDES, que também faz parte do Conselhão da Petrobras, é o perito financeiro designado para responder pela estatal junto à Bolsa de Nova York - justamente onde investidores processam a petrolífera tupiniquim.

Por tudo isto, a quixotesca manobra do governo para salvar Graça tem tudo para se transformar em uma piada absolutamente sem graça. Torna-se insustentável a mentirinha de que Graça só soube das denúncias de Venina no e-mail enviado em 20 de novembro deste ano - conforme comunicado oficial da Petrobras ao mercado. O mesmo argumento falso para defender Graça foi usado pelo seu "cunhado", o vice-presidente da República. Michel Temer é maçom diretamente ligado à Grande Loja Unida da Inglaterra, da qual o marido de Graça, Colin Vaugn Foster, é o dirigente máximo para a América Latina. Na Maçonaria, as esposas dos irmãos são chamadas de "cunhadas". Apenas por coincidência do Grande Empreiteiro do Universo, outro que tentou defender Graça não é maçom, mas é "Lowton" (parente de maçons oficialmente reconhecido pela Ordem): José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça.

Intrigas maçônicas à parte, os e-mails de Venina lançam luzes sobre as trevas do Petrolão. As mensagens via internet revelam que Graça foi informada pela primeira vez sobre os problemas na Petrobras exatamente às 3h50 do dia 3 de abril de 2009. Pelo correio corporativo reservado da empresa, Venina pediu ajuda a Graça para concluir um texto em que descrevia irregularidades. Naquele momento, Graça era diretora de Gás e Energia e Venina, gerente executiva da Diretoria de Abastecimento. O texto era claro: "Gostaria de ter uma opinião sua sobre um texto final que preciso encaminhar. Posso deixar para você ler? Você sabe qual é o assunto. Fique à vontade se você achar melhor não ler. Aguardo sua resposta para deixar ou não o material com a sua secretária."


Graça fica em desgraça por causa de revelações de Venina ao jornal Valor Econômico. No mesmo 3 de abril de 2009, há um "Documento Interno do Sistema Petrobras", chamado de DIP, em que Venina concluiu pela ocorrência de "irregularidades administrativas" na área de comunicação do Abastecimento. A geóloga se referiu era uma auditoria presidida por ela para desbaratar um esquema 
que desviou milhões de reais da estatal.

O Valor informa: "O esquema beneficiou integrantes do PT da Bahia - o mesmo grupo político do então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Venina escreveu para Graça na madrugada, pouco antes de concluir o DIP em que pediu a demissão de Geovanne de Morais. Ela procurou Graça para obter ajuda. Sozinho, o militante petista Geovanne pagou quase R$ 38 milhões a serviços não realizados na área de comunicação. O desvio foi maior do que isso: R$ 58 milhões em contratos, cujos serviços não foram prestados. Foram identificadas também notas fiscais com o mesmo número, totalizando R$ 44 milhões na área de comunicação". 

No texto mandado para Graça, Venina pediu que Geovanne fosse retirado imediatamente da empresa e apresentou um parecer jurídico para tanto. "A demissão deve ser implementada ainda que esteja o empregado gozando de auxílio doença, visto o risco representado pela manutenção de seu vínculo empregatício para a continuação das averiguações". Na nota oficial divulgada ontem, a Petrobras ialegou que Geovanne não foi demitido, em 2009, porque "seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica". A demissão dele só foi efetivada muito tardiamente, quatro anos depois, em 2013.
O Valor informa que Geovanne foi mantido nos quadros da estatal por pressões internas feitas por Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento. A desculpa esfarrapada de Costa para que Geovanne ficasse foi a mesma utilizada na nota divulgada ontem pela Petrobras: a de que ele estava em licença médica. "Paulinho" (como Lula chamada o então poderoso homem da Petrobras) agora é um "colaborador premiado" da Operação Lava Jato. Ele ainda tem muito a revelar, quando for obrigado a falar ao Supremo Tribunal Federal, na hora do juízo semifinal, quando os políticos com absurdo foro privilegiado forem denunciados.
Venina escreveu a Graça: "O que aconteceu dentro do ABAST (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Infelizmente, eu não sou sozinha, não posso me aventurar aqui fora. Se pudesse, pode ter certeza que é o que eu faria. Porém, se não posso lutar aqui fora, vou para o Brasil para brigar pelos meus direitos. Eu não fiz nada errado. Não vou aceitar ser penalizada pelo que não fiz. Não vou, de forma alguma, aceitar isto! Se eu não consigo dialogar dentro do ABAST não tenho outra alternativa a não ser procurar outros meios, mas eu não gostaria de fazer isto sem antes conversar com você."
Venina deixou claro que parte da documentação que possui sobre irregularidades já era de conhecimento de Graça. "Existem alternativas que eu estou avaliando apesar do receio de trazerem risco para mim e para minhas filhas. Gostaria de te apresentar parte da documentação que tenho, parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo. Não quero te passar nada sem receber um sinal positivo da sua parte. Mesmo que você se recuse a se envolver nisto, vou continuar te admirando pela mulher corajosa, firme e respeitada que você é e que chegou aonde chegou sem ter que abrir mão dos valores que tem. Minha admiração e respeito por você vai além desse problema que estou te apresentando. Me desculpe por tomar seu tempo, tentei ser breve mas a emoção não permitiu."
O Valor lembra que, cinco meses após essa mensagem, Graça se tornou presidente da Petrobras. Venina foi trazida de volta para o Rio, onde lhe deram uma sala, mas lhe pediram que não fizesse nenhum trabalho. Sem alternativas, ela volta para Cingapura, onde abre investigação contra um novo esquema de desvio de dinheiro, agora, envolvendo negociadores de combustível de navios, chamados de bunkers. Em 19 de novembro, Venina foi comunicada que seria afastada de suas funções. Um dia depois, escreveu novamente a Graça:
"Hoje, fui surpreendida com um telefonema do gerente executivo, informando que eu estava sendo destituída. Novamente, agora em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa, tentando evitar atos contra os interesses dela. Não chegaram ao meu conhecimento as ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir", lamentou. "Não posso aceitar mais este sofrimento e esta injustiça. Sinto, mas terei de usar todas as ferramentas disponíveis para minha defesa."
Por causa dessas provas, Graça tem tudo para cair em desgraça política. Embora informada sobre todos os problemas, certamente sabendo dos desvios que aconteceram na estatal, ela mentiu à CPI Mista da Petrobras, em 11 de junho. Graça alegou que não sabia de irregularidades na companhia, mas apenas de suspeitas. A cabeça dela será pedida hoje pela oposição.
Ato sem Graça...


Entre 2005 e 2009, Venina foi gerente executiva da área corporativa da Diretoria de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa, investigado e processado pela Operação Lava-Jato.

O governo tenta vender a versão de que Venina foi considerada uma das responsáveis pelas irregularidades nos contratos superfaturados da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Por isso, ela foi exonerada da chefia da subsidiária da Petrobras em Cingapura no último dia 19 de novembro.

A Petrobras lança suspeitas sobre Venina, indicando que ela estaria fazendo chantagem, por ter ameaçado fazer denúncias de perdesse o cargo.

Perdeu, Gabrielli...

O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (PT), vai perder seu foro privilegiado, pois deixará mesmo a Secretaria de Planejamento do Governo da Bahia.

O futuro governador Rui Costa (PT) pretende colocar seu vice João Leão (PP) na Seplan.

Assim, Gabrielli fica prontinho para aguardar futuros dissabores judiciais, aqui ou lá fora, por causa dos escândalos bilionários na Petrobras.

Virou alvo

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) ajuizou uma ação contra a Petrobras e a Construtora Andrade Gutierrez por improbidade administrativa em contratos supostamente superfaturados entre 2005 e 2010.

No documento, o órgão pede a indisponibilidade de bens e quebra de sigilo bancário e fiscal dos suspeitos, entre os quais está o ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

O MP`identificou sobrepreços de até 11.000% a mais nas obras da ampliação e modernização do Centro de Pesquisas (Cenpes) e implantação do Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD) da Petrobras.

Conexão angolana

Investigações muito além da Lava Jato vão se debruçar sobre os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras em Angola, na África, cujos contratos estão classificados, absurdamente, como "secretos".

Os empréstimos passaram de R$ 5 milhões (US$ 1,88 milhão) em 2001 para R$ 8,76 bilhões (US$ 3,3 bilhões) entre 2007 e 2014.

O BNDES, comandado por Luciano Coutinho, passou a grana aos angolanos através da modalidade “pós-embarque” de exportações financiadas.

Uma as maiores beneficiadas foi a Odebrecht - que tem negócios em Angola que vão de aeroportos, estradas e exploração de diamantes...

Punindo o Paulinho


Estupidez Econômica?

Em termos políticos e judiciais, o governo Dilma parece mais perdido que uma freira virgem colocada para orar no altar central colocado no meio de um Prostíbulo.

Estamos em um Hospício quando o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem a público dar a desastrosa informação de que a autoridade monetária tem entre US$ 50 milhões a US$ 200 milhões para a "ração diária" no mercado futuro de dólares, e a moeda norte-americana só dispara.

Também pode gerar ainda mais especulação sobre os preços desalinhados no Brasil a assustadora a sinceridade de Tombini ao advertir que a inflação termina o ano alta e atinge o pico no primeiro trimestre.

Especulativamente hilária também foi a declaração de Tombini de que o governo trabalhará para evitar que o movimento do câmbio se transforme em uma inflação resistente no Brasil...

A Mãe da delação


Numerologia terrível


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 17 de Dezembro de 2014.

Trilhão Perdido


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

Acusações recíprocas, partidárias e apartidárias, são desfechadas por todos os lados. Acusações daqui e de lá. Uns dizem que foi o prejuízo de trilhão. Outros se referem ao problema da venda de trens que também trouxe um superfaturamento.

Técnica e diretamente conseguiram destruir o mercado de capitais. Uma crise que se reporta ao ano de 1973 com a quebradeira geral. Haveria alguma diferença ou simplesmente o tempo dirá o contrário. Não há como se distanciar dos fatos. Um verdadeiro espetáculo detox do mercado de ações cometido por todos os culpados dos desvios do uso de empreiteiras dos ganhos ilícitos do superfaturamento.

A sociedade sem reação parece não acreditar e enquanto isso nada se altera no sentido de uma reviravolta para o afastamento completo dos responsáveis, prisões e mais repatriação do valores desviados. A crise do Bric é grave. Os países começam a mostrar sinais de apatia, fragilidade econômica e com isso pipocam graves problemas sociais com a redução dos postos de emprego e uma descaracterização dos avanços e estabilidade da moeda da década considerada perdida.

Muitos depositam esperanças na limpeza geral e completa do sistema que profanou a república, destronou valores, rompeu com a moral e fez emergir abaixo do pré sal a ética. Esse prejuízo que chega a um trilhão afetará todos os negócios e a cadeia de contratos, pequenos, médios e grandes fornecedores. As empresas que estão atreladas e não tiverem estrutura ou pedirão recuperação judicial ou ficarão sujeitas ao estado falimentar.

Eis o que a expectativa está a mostrar para o ano de 2015: um grande e profundo abismo causado por um esquema contrário aos bons costumes, montado na ilicitudade e de favorecimento de pequenos grupos irradiados aos donos do poder. E a grande dúvida que fica: todo o sistema entre corruptores e corruptos será abatido a partir da lava jato?

Não temos dúvida que a corrupção jamais será enterrada na terra brasiis, enquanto a impunidade permanecer, a sociedade não puser pressão e a justiça não julgar em tempo real. Metade do produto interno bruto foi jogada no ralo. País rico é aquele sem corrupção ou com índice minúsculo, a exemplo da Noruega, Dinamarca ou Suécia.

A Transparência Internacional classificou o Brasil em 69 lugar dentre 91 países, ou seja, estamos quase no topo da corrupção e essa chaga que atemoriza ainda se constitui uma super bactéria incapaz de encontrar um medicamento que flagele esse pesadelo em pleno século XXI.

Estamos com a casa em desordem, a bagunça geral na economia, escândalos e mais escândalos, um trilhão jogado no lixo e, se a sociedade civil se acomodar, o Brasil não vai parar e sim andar de marcha ré.

Pobre Nação aonde triunfa a corrupção!


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Reforma Política, Eleições e os Bilhões


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

Eleição com custo oficial de R$ 5 bilhões é matriz de corrupção. Em 2014, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), baseado na prestação de contas das campanhas dos candidatos, em todos os níveis, encontrou a astronômica cifra de R$ 4,92 bilhões. Observem que são números oficiais, não sendo considerados os custos “extra oficiais”, presentes em qualquer campanha política. Com segurança, pode-se estimar muito acima de R$ 2 bilhões.
O maior financiador foi o grupo JBS (frigorífico Friboi), no montante de R$ 391 milhões. Empresa que tem forte alavancagem de dinheiro do BNDES, a juros subsidiados. O “ranking” dos outros seis maiores financiadores: Odebrecht, R$ 111 milhões; Bradesco, R$ 100 milhões; Andrade Gutierrez, R$ 86 milhões: OAS, R$ 80 milhões; Vale, R$ 78 milhões; e Queiroz Galvão, R$ 75 milhões.
Falando francamente: em verdade nada tem de “doação”, é investimento seguro garantidor de vantagens futuras. É um circulo viciado que urgencia ser combatido. E não pode ser com o financiamento público, como defende alguns. Mas certamente, também não, com o atual sistema de qualquer empresa poder “doar” 2% do faturamento bruto do ano anterior. Limitar a contribuição empresarial, fixando valor com teto máximo agregado ao tamanho da empresa é necessário. Sepultando o festival reinante.
Sem profunda reforma política, a partir do Congresso Nacional, o enfrentamento das distorções do financiamento de partidos por pessoas jurídicas continuará intocável.
Em tempo: tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) proposta focada na proibição do financiamento de partidos por empresas. Dos 11 ministros, 6 já votaram pela proibição. A medida pode se tornar inócua, ante emenda constitucional congressual. Diante dessa realidade, o ministro Gilmar Mendes, pediu vista, entendendo que o Judiciário não é fórum apropriado para iniciar reforma política.
O novo Congresso que assumirá a legislatura 2015 a 2018, pode dar o primeiro passo na reforma política. Inicialmente com implantação de duas fundamentais medidas: a  aprovação da cláusula de barreira e eliminação das coligações partidárias nas eleições proporcionais. Com a primeira, as legendas sem representatividade, sustentadas pelo fisiologismo, desapareceriam do ativismo político.
A exigência de 5% de votos em 9 Estados, impediria a atuação congressual, ficando sem os recursos do Fundo Partidário, igualmente do horário no programa eleitoral. Com a segunda, se baniria da vida política, com a proibição de coligações nas eleições proporcionais, frentes heterogêneas e oportunistas que misturam alhos e bugalhos.
Aprovando a cláusula de barreira concomitantemente com o fim das coligações, estrutural mudança ocorreria na vida política nacional. Por exemplo, fundar partidos no Brasil passou a ser “negócio de alta rentabilidade”. O Fundo Partidário, até novembro, distribuiu aos partidos com estatuto registrado, R$ 375 milhões.
No Congresso 28 partidos tem representação parlamentar. E no TSE, consta existir 41 processos de registros para à criação de novos partidos. A desenvoltura audaciosa dos bucaneiros políticos é fantástica.  Se vigente a cláusula de barreiras, nas ultimas eleições, 5 dos 28 partidos não elegeriam deputados federais. 182 cadeiras parlamentares teriam outros titulares e não os deputados que irão ocupá-las. Pela razão de apenas 7 partidos terem alcançado representação política nacional: PT, PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB e PR. As outras 21 legendas não teriam representantes na  legislatura que agora se inicia.
Eliminando as coligações, o eleitor não mais ficaria surpreendido com o surgimento de nomes desconhecidos que o seu voto legitimou com o mandato. O professor Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, exemplifica: “A coligação transfere voto sem que o eleitor tenha informação disso. A pessoa pode ter votado em um partido da situação para deputado federal, mas, pela composição da coligação estadual, acaba elegendo um deputado de oposição.”
Paralelamente deveria estudar a adoção do voto distrital misto. Das várias modalidades conhecidas, o sistema misto alemão seria o mais adequado para o Brasil. Metade dos deputados são eleitos pelos distritos, onde vence o mais votado. Mantendo o princípio proporcional, a outra metade é votada em listas dos partidos. O voto de legenda faz o cálculo do número de cadeiras que o partido ocuparia no legislativo. O poder econômico teria o seu raio de influência reduzido a limites mínimos e os partidos de aluguel desapareceriam.
Por fim, nas eleições de 2014, o Brasil teve a eleição mais cara e milionária para o Congresso Nacional. O jornal “O Estado de S.Paulo” (9-11-2014), fundamentado em números do TSE, dizia em manchete: “As 10 empresas que mais doaram ajudam a eleger 70% da Câmara. Os 10 maiores doadores contribuíram financeiramente para a eleição de 360 dos 513 deputados federais na nova Câmara”.
O sistema de financiamento de campanhas, alimentador dos partidos políticos brasileiros, diante dessa realidade, comprova que a representação popular é ficcional. O PPE (Partido do Poder Econômico) é o poder majoritário nas eleições no Brasil.

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

Governo Zen


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira


Zen escola de qualidade;
Zen saúde;
Zen vergonha.

Zen grana;
Zen graça;
Zen justiça.

Zen esperança;
Zen exemplo;
Zen critério.

Zen terra;
Zen teto;
Zen futuro.

Zen rumo;
Zen respeito;
Zen saída.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Futuro Incerto


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

A história da república brasileira está pontilhada de crises. Por maiores que fossem, porém, sempre permeou pela sociedade a sensação de que, mais cedo ou mais tarde, seriam superadas e "quando tudo voltasse ao normal", o país continuaria sua marcha inexorável para "ordem e progresso".  

A atual, no entanto, ao envolver escândalos  relacionados a atos de corrupção em empresa pública que já foi o orgulho do povo, expondo montantes desviados em ordens de grandeza inimagináveis, com ramificações e tentáculos que abrangem políticos, empresários, funcionários e até gente do governo, este dominado há doze anos pelo mesmo partido, a partir do que se constituiu na maior armadilha eleitoral que se tem notícia, além da imundície do parlamento ao permitir que leis sejam anuladas e outras criadas para se adaptarem aos desígnios do executivo, em troca de propinas sob forma de emendas, tudo isso, acrescido ao impasse na economia que está a resultar em crescimento medíocre, dá a impressão que, para a presente crise não existe o "quando tudo voltar ao normal" . 

Tudo indica que dessa vez não há como vislumbrar solução de relativa estabilidade, tais os interesses paroquiais de poder que estão em jogo e a absoluta falta de transparência, no sentido de que o governo não diz o que realmente pensa e como pretende agir. E imaginar que tal panorama foi escolha do povo na última eleição. 

Nunca o futuro foi tão incerto e desprovido de esperança.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Um sabor de fim de festa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Chagas

A presidente Dilma será diplomada amanhã, no Tribunal Superior Eleitoral. Não está previsto qualquer pronunciamento dela, como praxe para todos os presidentes diplomados. Caso não surjam outras oportunidades, sua palavra será ouvida no primeiro dia de janeiro, quando de sua segunda posse, fora, é claro, as mensagens de Natal e Ano Novo.

O evidente desgaste do governo faz prever um discurso curto, sem maiores explicações a respeito do escândalo na Petrobras. Muito menos sobre as dificuldades para a formação do novo ministério. Aguardam-se referências à situação econômica e à programação administrativa para 2015.

Conseguindo ou não o PT mobilizar forte contingente sindical para assistir o desfile em carro aberto no dia da posse, a verdade é que se tem a impressão de uma festa amorfa, insossa e inodora. Novidades, o país não espera, seja em termos de planos e programas, seja em entusiasmo popular. O novo começo surge com sabor de fim de festa. Merecerá curtos registros na imprensa internacional e junto aos governos estrangeiros, apesar de a mídia, aqui, reservar espaço e tempo para o evento. Provavelmente sob a indiferença nacional, dada a pouca ou nenhuma atenção do cidadão comum.

É esse o retrato do Brasil de hoje, desprovido de emoção e incapaz de ser surpreendido. Um filme velho será apresentado a uma plateia desinteressada e sem motivação. Tanto a reeleição quanto a decepção por quatro anos marcados pela ausência de iniciativas capazes de empolgar o sentimento popular conduzem o cidadão comum a dar de ombros, olhar para o próprio umbigo e conformar-se com a mediocridade verificada à sua volta. Foram-se os tempos de esperança e de ilusão que a memória registra nas posses de Getúlio Vargas, em 1951, de Juscelino Kubitschek em 1956, de Jânio Quadros e de João Goulart em 1961 e até daquela que não aconteceu, de Tancredo Neves, em 1984. Não haverá que esquecer a ascensão do Lula ao poder, há doze anos.

A culpa não é da presidente Dilma, mas de sua falta de carisma, mensagem e capacidade para sensibilizar sequer os clientes do bolsa-família. Sua segunda posse lembra, como a primeira, a aula inaugural do bispo, num seminário onde os noviços cumprem o ritual recatado de aceitação da liturgia que não contestam nem discutem.


Carlos Chagas é Jornalista. Publicado no site da Tribuna na Internet.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Petrobras tende a ser comprada na bacia das almas, enquanto seus diretores serão processados


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A deterioração da economia, junto com o derretimento do valor da Petrobras, causa um mega estrago político e mancha a imagem de Dilma Rousseff perante o mercado internacional. A Petrobras terá de responder judicialmente pelos atos de seus diretores, aqui e nos EUA. A empresa tende a ser assimilada por grandes investidores transnacionais especializados em lucrar com ações compradas a preço de banana, na bacia das almas.

O alto risco do Petrolão é que, apesar do esforço dos investigadores da Lava Jato e do magistrado Sérgio Moro, a chance de impunidade, no final das contas, é altíssima. Não temos legislação nem jurisprudência para punir os condenados por corrupção com o máximo rigor. Os ladrões mereciam prisão em regime fechado, sem direito a regalias de progressão de pena. Mas isto não deve acontecer. Vide o mensalão, com a cúpula passando o Natal com a família e fingindo que cumpre a pena "preso" em casa...

O País está em choque com a corrupção sistêmica. Lula e Dilma terão de responder, no mínimo perante a História, pelo desastre que causaram á Petrobras. Agora, quem pagará o pato é Graça Foster & Cia. Os diretores da Petrobras estão em xeque mate há muito tempo. A queda deles é inevitável. No entanto, serão substituídos, e tudo continuará do mesmo jeito. O anacrônico controle de uma empresa por interesses de um governo, com políticos corruptos, assegura a manutenção das safadezas.

Se o Brasil não romper com o falido modelo Capimunista continuará do mesmo jeito. Nossa capacidade natural de produzir riquezas se transforma na própria desgraça de uma Nação concebida para ser colônia, periferia do mundo globalitário, fornecedora de recursos que parecem infindáveis. Enquanto o Brasil não se reinventar como Nação, continuará sendo a republiqueta da corrupção, sob governança do Crime Organizado.


Apolítico?

O governo quer fechar um nome que não seja "político" para o lugar de Graça Foster.

O substituto dela deve ser, igual a ela, um empregado de carreira da Petrobras.

O problema é que isto não faz a menor diferença diante da explosão de tantos escândalos.

Envenenando...


Maldição comprovada


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Bola de Cristal


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A anta acuada, por imposição do instinto de sobrevivência, tomará medidas assombrosas.

Romperá publicamente com o molusco; trocará toda a porcada; confiscará ativos e inativos.

O reboliço levantará tal poeira que ofuscará as evidências dos malfeitos, pelo menos por algum tempo.

“Meu reino por um cavalo”.

Sabe que sua queda é inexorável. Mas quer morrer em combate.

Leu recentemente os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e deu-se conta de que toda república corrupta termina em principado.

O país já lhe invectivou Non inultus premor.

Não há mais esperança. É a Força do Destino.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

As Oposições Armadas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O artigo de Janio de Freitas (As Oposições Armadas) na FSP de ontem não respeita a memória do leitor e nem passado do Brasil. Tenta reescrevê-lo!

O país nos anos 63 e 54 vivia na mais absoluta normalidade é dose pra elefante. Desde 61 brasileiros já faziam treinamento armado na China.

Se não acredita leia as edições da Folha da época e a radicalização da esquerda no Brasil era tamanha que não poderia ser ignorada pelo autor do texto.

Por favor, leia as edições da Folha! Menos, menos, sr Janio.

A Omissão Nacional da Verdade, composta por 7 membros da escolha da presidentA da República, e terminando seus trabalhos com 6 membros devido à renúncia de um deles, relacionou os nomes de 434 pessoas mortas ou desaparecidas, no período de 1964 a 1985 (embora na Lei que a criou seus trabalhos devessem abarcar o período e 1946 a 1988), que teriam sido mortas ou desaparecidas por uma relação de 377 militares e civis, “responsáveis pelos crimes da ditadura”, como escreveu a Omissão. Ocorre que ao divulgar a relação das 434 pessoas mortas ou desaparecidas pelos militares e civis, a Omissão mais uma vez MENTIU!
Consultando a referida lista constatei que pelo menos 15 pessoas constantes da relação NÃO FORAM MORTAS OU DESAPARECERAM POR CULPA DE MILITARES OU CIVIS BRASILEIROS, o que significa que a Omissão Nacional da Verdade MENTIU à PresidentA e ao povo brasileiro. Essas pessoas são as seguintes:
JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO, do comando da Vanguarda Popular Revolucionária, que cometeu o suicídio em 18 de abril de 1970, no Rio de Janeiro, ao ver-se cercado pela chamada repressão.
EIRALDO PALHA FREIRE, faleceu no Hospital de Aeronáutica do Galeão em 4 de julho de 1970, após ser baleado, em 1 de julho, quando tomava parte na tentativa de seqüestro do Caravelle PP-PDX, da Cruzeiro do Sul, no Aeroporto do Galeão.
JAMES ALLEN LUZ, militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, morto em acidente de automóvel por ele dirigido, no RS, em 16/11/1977.
ROSALINO CRUZ SOUZA (“Mundico”), militante do PC do B na Guerrilha do Araguaia, cujo nome foi grafado incorretamente no relatório da Omissão Nacional da Verdade, como ROSALINDO SOUZA. Sua morte não foi da responsabilidade de nenhum dos 377 militares ou civis “responsáveis por crimes da ditadura”, como assinala mentirosamente o relatório da Omissão da Verdade. Ele foi “justiçado” por sua companheira de armas DINALVA CONCEIÇÃO TEIXEIRA (“Dina), como amplamente divulgado em livros e artigos.
JANE VANINI, militante do Movimento de Libertação Popular, morta no Chile em 6/12/74, como militante do MIR-Movimiento de Izquierda Revolucionária.
TULIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO, militante no Brasil do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, dado como desaparecido no Chile em outubro de 1973.
ZULEIKA ANGEL JONES, morta em acidente automóvel por ela dirigido, no Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1976.
VÂNIO JOSÉ DE MATOS, morto no Chile em 16/10/1973, após ser preso e levado para o Estádio Nacional.
TITO DE ALENCAR LIMA, integrante de uma relação de banidos do Brasil, trocado pela vida de um embaixador seqüestrado, cometeu o suicídio na França em 10/8/1974.
NILTON ROSA DA SILVA, morto no Chile em 15/6/1973, como militante do MIR-Movimiento de Izquierda Revolucionária.
NELSON E SOUZA KHOL – desaparecido no Chile em 15/9/1973.
LUIZ CAROS DE ALMEIDA – desaparecido no Chile em 14/9/1973. 

FRANCISCO TENÓRIO CERQUEIRA JUNIOR, músico brasileiro desaparecido em Buenos Aires.

MARIA AUXILIADORA LARA BARCELOS, cometeu suicídio na Europa.

GUSTAVO BUARQUE SCHILER, cometeu o suicídio no Rio, atirando-se do alto de um edifício em Copacabana.
Como se observa, e como já assinalei em alguns e-mails, o relatório da Omissão Nacional da Verdade é MENTIROSO! Está eivado de inverdades e presunções, apontando como criminosos patriotas militares e civis que evitaram que o Brasil fosse transformado em um Cubão, inclusive o Marechal do Ar Eduardo Gomes, patrono da Força Aérea Brasileira, além dos presidentes da República no período 1964/1985, chefes militares e vários outros pelo simples fato de terem sido designados para servir em Órgãos de Inteligência.
Infelizmente constato que até agora os chamados comandantes militares não se pronunciaram para defender seus antecessores e seus subordinados da Marinha, Exército e Aeronáutica, o que é inaceitável e será cobrado pelas futuras gerações!

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Quem Graça Foster defende?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Humberto de Luna Freire Filho

As ações da Petrobras continuam em queda livre. Essa diretoria corrupta continua intocável e ninguém toma nenhuma providência no sentido de demiti-la. É fácil entender: a dona Graça Foster continua na presidência da empresa, não para defendê-la mas para defender a dona Dilma.

Se uma nova diretoria assumir, novos podres da "presidenta", além dos já conhecidos, virão a público e, sem dúvidas, chegarão mais rapidamente ao Exu de Garanhuns, porque as digitais desse crápula estão em todo lugar.

Ele institucionalizou a corrupção no Brasil e não é por idealismo; não passa  de um simples semi analfabeto que tornou-se o maior ladrão dos cofres públicos, quando outrora, nos palanques da Vila Euclides, vomitava honestidade e cidadania.

Pobre eleitorado brasileiro movido a bolsa família e manipulado por corruptos.


Humberto de Luna Freire Filho é Médico.

"Rumo à Tropa" e "Rumo ao Mar"


“Rompemos com a Coroa, mas não rompemos com o passado!” (Presidente Deodoro da Fonseca, em um acesso de fúria...)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Manoel Soriano Neto

O Positivismo surgiu na França e teve fundamental influência na evolução histórica de países como o México, o Chile e o Brasil, principalmente, bastando ver-se o lema positivista de nossa Bandeira (a propósito, Santos=Dumont, o Patrono da Aviação Brasileira, ao receber os seus prêmios, se negava a empunhar a Bandeira Nacional, preferindo um galhardete verde e amarelo, pois dizia que não desejava ser propagandista de uma seita internacionalista e sectária).

Tal ideologia ancorava-se em princípios agnósticos da ciência pura, segundo o que foi chamado de “Religião da Humanidade”, com a sua “Deusa Razão”, Clotilde de Vaux, amásia de Augusto Comte. Em estreita síntese, diríamos que o Positivismo era cientificista – só era verdadeiro o que pudesse ser comprovado cientificamente, segundo ensinava Descartes; era pacifista, humanista, cosmopolita, anticlerical, propugnador da “ditadura republicana”, sendo um de seus epíginos, o ditador do Paraguai, Dr. Francia, e adepto da extinção dos Exércitos permanentes que deveriam ser substituídos pelas gendarmerias, formadas por “cidadãos-soldados”.

Almejavam, quanto ao Brasil, a sua desintegração, com a criação de várias “pátrias brasileiras” (ver discurso do coronel Afonso de Carvalho, quando deputado federal, em 1946, publicado, em alguns trechos, pela magnífica edição histórica, de novembro passado, do Jornal Inconfidência, alusiva à Intentona Comunista, em que o ilustre oficial traça paralelos entra as ideologias positivista e comunista, condenando, com veemência, a ambas).

Àquela época, nossos jovens oficiais faziam questão de ser chamados de “doutores” ao invés de Alferes, Tenentes ou Capitães (a exemplo de seu ídolo, o Tenente-Coronel Benjamin Constante, que só se declinava como “Doutor Benjamin”), como se pejassem de seus postos na hierarquia militar. A politização do Exército, primeiro, a mentalidade dos oficiais positivistas, em segundo lugar, e a Revolução Federalista de 1893 e a concomitante Revolta da Armada, por final, foram as causas (aliás, concausas) alistadas por Tasso Fragoso para justificar o que chamou de “a estagnação das Forças Armadas”, nos albores da República, tudo muito pernicioso para a atividade-fim das Instituições Militares, o que veio a se refletir nos “quase fiascos de Canudos e Contestado”.

E continuava o grande historiador militar, após abjurar o Positivismo, ele que fora um de seus mais ardorosos profitentes: “Por seu turno, a Revolta da Armada, com íntimas ligações com a Revolução de 1893, quebrou a coesão da Marinha e a isolou do Exército, pelo que a novel República seria presa fácil de qualquer aventureiro alienígena”.
Para  bem evidenciar-se o que se passava na Escola Militar, vejamos o depoimento do líder federalista, Senador Gaspar da Silveira Martins, que da tribuna do Senado, iterativamente, condenava o “bacharelismo militar”. Disse o valoroso Chefe “maragato”, que bem conhecia a metodologia da Escola, pois um de seus filhos era aluno da mesma: “Em vez, porém, da têmpera forte que convém dar ao Exército, o que se vê em nossas Escolas Militares? A mocidade imbuída das doutrinas de Augusto Comte e Laffite e professando uma “Religião da Humanidade” que visa ao cosmopolitismo.

Pode ser que sejam boas tais doutrinas, mas não para o Soldado, que antes de tudo é feito para empunhar armas em defesa da Pátria. Alguns diretores dessas Escolas chamam, filosoficamente, os grandes Generais, de “assassinos dos povos”. Singular maneira, aliás, de encarar a questão em uma Escola de Soldados”...
A dicotomia entre oficiais ditos “práticos-tarmbeiros” e “teóricos-bacharéis” acentuou-se, sobremaneira, com a reforma de ensino promovida por Benjamin Constant, quando Ministro da Guerra. Tal reforma era voltada para uma formação militar eminentemente bacharelesca, o que assaz potencializava o divisionismo entre as duas correntes anteriormente referidas.

E isso veio a se exacerbar, agudamente, quando foram publicados trabalhos de alunos positivistas, que condenavam a Guerra do Paraguai e depreciavam, acerbamente, nossos Comandantes, em especial o Duque de Caxias, teses que foram aprovadas, “summa cum laude” pelo Ministro “Doutor Benjamin”. Os alunos afirmavam que a guerra foi “um grande rolo”, de três contra um, atentatória aos princípios humanitários e pacifistas empalmados pelos seguidores da “Religião da Humanidade”.
Mas a atitude do Ministro desagradou profundamente a Deodoro e Floriano, ambos, assim como Benjamin Constant, partícipes daquele conflito. “Rompemos com a Coroa, mas não rompemos com o passado!” bradou Deodoro, em um acesso de fúria, quando de uma reunião do Ministério, rasgando com violência, alguns dos ditos trabalhos. Iniciava-se uma grave crise política que redundou, posteriormente, no rompimento definitivo entre o Presidente e Benjamin Constant, que permaneceu na Pasta da Guerra por apenas quatro meses.

Àquele tempo, tudo o que se relacionasse ao Império, como os seus gloriosos feitos marciais, era propositadamente esquecido e/ou depreciado pelos “bacharéis fardados”, não porém pelos militares mais idosos, a começar por Deodoro da Fonseca. Os velhos combatentes da Guerra do Paraguai eram vaiados pela mocidade militar, como nos relata Tasso Fragoso em “Advertência Preliminar”, no seu livro “A Batalha do Passo do Rosário”.

Diga-se que o ínclito Marechal José Pessoa registrou em suas memórias, a estranheza que sentiu, quando iniciava como aluno a sua formação castrense, em 1903, o do centenário de nascimento do Duque de Caxias, quando sequer o augusto nome de nosso “Soldado Maior” foi lembrado em sua Escola. Aduza-se que somente em 1925 (55 anos após o término da Guerra do Paraguai!), a memória do impoluto Duque, “O Pacificador”, “Patrono da Anistia” - epíteto que lhe deu o jornalista e acadêmico Barbosa Lima Sobrinho - e Patrono do Exército, foi resgatada de um injusto anonimato, não condizente com os tantos e tamanhos serviços por ele prestados ao Brasil, na paz e na guerra. Naquele 1925, o Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho, instituiu o “Dia do Soldado”, a ser comemorado a cada 25 de agosto, data do nascimento do Duque invicto.

A “ditadura republicana”, apregoada pelos prosélitos do Positivismo foi implantada pela Constituição de Júlio de Castilhos, no RS, a qual foi resguardada, por muito anos, pelo ultra-positivista Borges de Medeiros (era “um Estado dentro de um Estado”, consoante Rui Barbosa).

Em 1904, o governo fecha a Escola Militar da Praia Vermelha, em face de uma sublevação coletiva dos alunos (ainda não havia o título de cadete), contra a vacina obrigatória, ocasião em que estes saíram às ruas do Rio de Janeiro e praticaram atos vandálicos como a quebra de inúmeros lampiões.

No período em comento, a grave situação das Forças Armadas, sem um “minimum minimorum” de espírito militar, teria de ser radicalmente modificada. Esta passou a ser a grande motivação, a prioridade de número primo, após a morte de Benjamin Constant, em 1891. A reação àquele estado de coisas ocorreu no Exército e na Marinha.
Quatro nomes, dentre outros, avultam, a nosso sentir, na cruzada em prol do soerguimento do moral, do espírito militar e da operacionalidade das Forças Armadas: o Barão do Rio Branco, nosso Chanceler, que propugnou “à outrance”, pelo reaparelhamento da Marinha e do Exército; Olavo Bilac, que desencadeou memorável apostolado cívico, por todo o País, em defesa do Serviço Militar Obrigatório, do qual é, aliás, o digno Patrono; o Marechal Hermes da Fonseca, Ministro da Guerra, que encetou a dita “Reforma Hermes’, cujo lema era “Rumo à Tropa!” e o Ministro Almirante Alexandrino de Alencar, que promoveu campanha semelhante na Marinha, cujo mote era “Rumo ao Mar!”.

E, posteriormente, no bojo dessas reformas, uma plêiade de oficiais foi estagiar na Alemanha (eram os “Jovens Turcos”); foi criada, em 1919, a “Missão Indígena” para a instrução na Escola Militar do Realengo e trazida da França uma Missão Militar que atuou no Exército, de 1920 a 1940.

Assim, saiu vitoriosa a corrente dos “tarimbeiros”, “troupiers” ou “combatentes”. Em pouco tempo, os “bacharéis fardados”, também apodados, pejorativamente, de “filhotes de Benjamin”, “desapareceram”, pois foram sistematicamente preteridos nas promoções e transferidos para longe do Rio de Janeiro, tendo a grande maioria, muitos ainda bem jovens, solicitado transferência para a Reserva.
Anos depois, outros jovens oficiais, já formados sob rígidos regulamentos, na Escola Militar do Realengo, criada em 1913, vão deflagrar um período de bernardas, na década de 1920, chamado de “Tenentismo”, pela honra do Exército e para “regenerar a Pátria”: em  1922, em 1924, com a intrusão da Revolução Libertadora, de 1923, no RS, epílogo, digamos assim, da Revolução Federalista ou “Da Degola”, de 1893/9, e, finalmente a Revolução de 1930. São os enigmas da História...

Finda essa incompleta recorrência histórica, traçada, de escantilhão, para melhor entendermos a atual conjuntura em que as Forças Armadas foram enxovalhadas por essa maligna, parcial e revanchista Comissão da Verdade, faz-se necessário que haja, como houve no passado, uma FIRME REAÇÃO do estamento militar brasileiro contra as mentiras, vilanias e calúnias contidas no relatório apresentado no dia 10 de dezembro.
A par das indignadas e justas reações dos generais Etchegoyen e Paulo Chagas, em vista dos ataques às figuras honorabilíssimas de seus genitores, além das notas dos clubes militares e dos inúmeros protestos que circulam em várias mídias, gostaria de também expressar o meu repúdio ao constatar, na nominata de eméritos Chefes militares do passado, existente naquele covarde relatório, o nome de um meu ex-comandante, o General Amadeu Martire, já falecido há muito tempo. Integrei, com muito orgulho, no 12º RI, de Belo Horizonte, então comandado pelo Cel Dióscoro do Vale, o “Destacamento Tiradentes” que partiu de Minas para o Rio de Janeiro, a fim de derrubar o governicho cripto-comunista de João Goulart. No ano seguinte, o Regimento passou a ser comandado pelo Cel Amadeu Martire, um herói da FEB, eis que na Itália, comandou, como Capitão, a 8ª Companhia do 1° RI – o Regimento Sampaio.

A sua subunidade foi decisiva nos combates para a conquista de Monte Castelo. Eu tive o privilégio de ler os assentamentos desse grande chefe militar, de “excepcional coragem física e moral”, no campo de batalha. Era um comandante rígido, cumpridor ferrenho do dever, mas extremamente humano, incapaz de fazer mal a quem quer que fosse. Já tive excelentes comandantes, mas, com certeza, o Cel Martire foi o que mais marcou a minha longa vida militar, influenciando em meu comportamento e conduta, desde que eu era um jovem Tenente.

Mantive contato com ele até a sua morte e fiquei estarrecido quando vi o seu honrado nome na relação dos que contribuíram, direta ou indiretamente, para com a tortura e maus tratos a prisioneiros. Não tenho nenhuma procuração da família para defender esse saudoso e valoroso Chefe; o seu filho, Comandante Martire, Capitão de Mar e Guerra, faleceu recentemente, mas tenho absoluta certeza de que os comandados desse insigne oficial-general, como eu, se sentiram revoltados ao ler o seu nome no faccioso relatório. Descanse em paz, bravo General Amadeu Martire, pois os que o conheceram, saberão vela por sua inatacável memória!

E de tudo o que antes foi expendido, resta uma pergunta que não quer calar, parafraseando o inolvidável Marechal Deodoro, ao se dirigir a Benjamin Constant: será que as FFAA romperam com o seu passado? Onde a Nota de Repúdio (independentemente do Ministério da Defesa, pois de lá nada se deve esperar), cabal demonstração de liderança, dos três comandantes, ao maldito relatório que só enxovalha, afronta e denigre as Forças e os brios militares, nas pessoas de inúmeros e excepcionais Soldados de nosso recente passado?

Discordo, peremptoriamente, dos que pensam que o cômodo, omisso e obsequioso Silêncio (ora, "quem cala consente"), como se fôssemos dóceis cordeiros, é a melhor arma contra essa patifaria que atinge, em cheio e contundentemente, os bons militares. Só falta, agora, as Forças Singulares pedirem desculpas à Nação pelo período do regime militar, como desejam esses sub-intelectualoides da Comissão da Verdade (?), atrelados ideologicamente.  Onde estão os Deodoros, os Setembrinos de Carvalho, os Hermes da Fonseca, os Alexandrinos de Alencar, os Brigadeiros Eduardo Gomes - Patrono de nossa FAB -, os Barões do Rio Branco, os Olavo Bilac e tantos e tantos outros?

Mas é bom que se lembre de que há um Tribunal da História (“a Mestra da Vida”, “a Mestra das Mestras”), implacável com os covardes, os omissos, os pusilânimes, os tartufos, os sabujos, os biltres e os poltrões...

“A Honra se lava com o sangue de Heróis, de Gente Brava! (da Canção Militar “Fibra de Herói”)


Manoel Soriano Neto é Coronel de Infantaria e Estado-Maior, na reserva.