sábado, 24 de setembro de 2016

Existe clima imediato para um "Fora, Temer"?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Perguntas básicas que o noticiário provoca: A Lava Jato vai fisgar o decadente Lula? Será que tem bala na agulha para incomodar e desestabilizar o Presidente Michel Temer? Pode também enrolar a impedida Dilma Rousseff? Tem chances de realmente punir a cúpula dos principais partidos políticos no poder? Ou a bandidagem continuará reinando nas instituições brasileiras?

Lula já é reu-belde. A cúpula da petelândia vai junto, enquanto torce que o mesmo rigor atinja peemedebostas, tucanalhas e afins. Temos novidades boas como a condenação que o Superior Tribunal de Justiça impõe a um integrante de "tribunal" de contas - orgão composto por apadrinhados de políticos e que falha (propositalmente?) no combate preventivo à corrupção.

Agora, por decisão do supremo ministro Teori Zavaski, o Procurador-Geral da República, Roldrigo Janot, será forçado a decidir se abre ou não inquérito para investigar o Presidente da República, já que a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revelou que Michel Temer (já vice-presidente da Dilma) teria lhe pedido R$ 1,5 milhão, obtido via propina, para ajudar na campanha à Prefeitura de São Paulo de Gabriel Chalita, em 2012.

É baixa a probabilidade de que Janot mexa com Michel Temer, nesta altura do campeonato. O estranho hábito de não futucar quem está no Palácio do Planalto, com apoio dos banqueiros nacionais e seus controladores transnacionais, indica que Janot mandará arquivar a denúncia de Machado que detonaria Temer. Com Lula no auge do poder foi assim. Dilma só caiu porque bagunçou a economia. Por isso, dificilmente mexerão com Temer, enquanto vigorar a expectativa de melhora da conjuntura econômica.    

O andar de cima da pirâmide social brasileira começa a manifestar a percepção de que "algo começa a melhorar" na economia. Se for verdadeiro, tal sentimento ainda deve demorar um pouco para chegar nos andares de baixo, ou até no subsolo, onde vive a maioria das pessoas. Essa visão de melhora, no entanto, não se reflete na avaliação da política.

Tanto que a eleição municipal deste ano, conforme variadas sondagens de opinião, deve bater o recorde de votos nulos, brancos e abstenções. Além da economia e da política, é fundamental prestar atenção em outra visão das pessoas comuns, de ceticismo, desconfiança e até revolta incontida, em relação ao processo de "judicialização da política" (ou da politicagem).

Derrubou-se a Presidenta Dilma Rousseff em um processo de impeachment absolutamente dentro das regras constitucionais, porém insuflado pela onda perigosa, quase uma mania nacional. de recorrer ao judiciário para resolver pendengas políticas e econômicas. O fenômeno se torna delicadíssimo em um ambiente de desgovernança do crime organizado.

As "conspirações judiciais" têm resultados controversos e fora do previsto em uma estrutura estatal centralizada, burocrática, com regramento excessivo e contraditório, sempre aberto para o rigor seletivo deitar e rolar. Acabam punidos os escolhidos para "bodes expiatórios da vez". São poupados aqueles que conseguem manipular e influenciar os ambientes de poder com mais eficiência, eficácia e efetividade.

A corrupção institucionalizada, que serve aos diferentes projetos de poder, parece longe de ser realmente combatida e neutralizada com o excessivo, confuso e contraditório aparato legal vigente. O fenômeno positivo é que a maioria dos cidadãos está de saco cheio de tanta sacanagem seguida da habitual impunidade.

Se a pressão social subir, tornando-se insuportável para os poderosos e gerando uma instabilidade capaz de tirá-los da aparente "zona de conforto", teremos a oportunidade única de amadurecer as pré-condições necessárias para mudanças estruturais de verdade. Pressionar por mudanças é preciso, nos poderes executivo, legislativo, judiciário e militar.    

Em recente artigo, o General Gilberto Pimentel, Presidente do Clube Militar, resume, de forma justa e perfeita, como é e o que precisa ser feito para mudarnos para melhor o nosso cenário de judicialização. Pode ter certeza de que o raciocínio do Pimentel reflete o que pensa a maioria da expressão do poder militar brasileiro:

"Os donos do poder, arrogantemente, invocam o direito a tratamento diferenciado por parte da Justiça. A Justiça não pode ser intimidada e tem mesmo que agir com força total e no limite máximo dos preceitos legais e constitucionais. A Lei é para todos, vale para qualquer cidadão, independente de opções ideológicas, político-partidárias, de raça, religião ou classe social. O essencial é ser honesto. Não sendo assim jamais mereceremos a condição de nação livre e democrática".

Vale insistir por 13 x 13: Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira não podem cessar a pressão que exige punição rigorosa aos corruptos. Mas o fundamental é lutar para uma efetiva mudança na estrutura do Estado Brasileiro - base da governança do crime institucionalizado. O monstro é gigantesco. Por enquanto, só vemos o rabão dele - comido, devagarzinho, pela República de Curitiba...

Releia o artigo de ontem: Lava Jato chegará a grandes políticos e banqueiros?


Por tudo isso, não há clima (ainda) para um "Fora, Temer" - apesar da gritaria canalha e casuística da petelândia por "eleições gerais" fora da previsão constitucional. Na prática, só a bela Marcela tem condições práticas objetivas de decretar um efetivo "fora, Temer"... O resto, mesmo contra a vontade, terá de aturá-lo.

Se a economia efetivamente não melhorar no curto e médio prazos, dentro de seis meses a um ano, aí sim o bicho pode pegar, sempre pela via do rigor seletivo de ocasião, com apoio da mídia vendida e da opinião pública providencialmente induzida...

Até lá, vigora o "Dentro, Temer" - nem que seja apenas para a alegria da jovem e lindíssima esposa...

No Cofrinho do $talinácio


Já imaginou o que vai acontecer se a auditoria pedida pelo juiz Sérgio Moro encontrar pertences da Presidência da República entre os bens que Lula guardou em um cofre?

Vitimizando


Mantega deliciosa


Prontos para a faca


Festa comprometida


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 24 de Setembro de 2016.

Futuca Mão na Cumbuca


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Não sei se é uruca ou se o boi está lelé da cuca.

Depois de tanta muvuca, suicidar-se-á com tiro na nuca ?

Preparou a própria arapuca; está, em de bico, sinuca.

Desmorona a imagem do touro?

Ao primeiro calor derrete, como manteiga, diante de situação meiga ?

A situação exige um neologismo.

Estamos todos com a síndrome do sacocheismo.

A economia à beira do abismo e os banqueiros felizes com o continuísmo.

É necessário um grande sismo, terremoto de grandes proporções, para esclarecer o caso, do excelso Daniel entre leões.

Aí babau! Sobrará pra vovozinha e pro lobo mau.

Enfim, pros que pensam chegar à gloria, recomendo que estudem um pouco de história.

O profeta desarmado perece e o malvado belicoso prevalece.

Da primeira rasgadinha da constituição ninguém esquece.

Depois, traições sem fim. Parece coisa de um malvado chupim.

Escravos de Jó jogavam caxangá; tira, põe, deixa ficar!

Guerreiros com guerreiros fazem zig,zig, zá,

Antes do merdelê final, comeremos perú no Natal?

Ou então, merda, à sombra do elevador Lacerda.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Vale para todos? Ou não?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gilberto Pimentel

Todas as vezes em que é citado, indiciado, denunciado ou preso algum dos poderosos atingidos pela Operação Lava Jato, seja por ação de Agentes da Polícia Federal, dos Procuradores da República ou dos Magistrados de Curitiba, em especial se essa ação vier por determinação do Juiz Sérgio Moro, pronto: lá vem a grita dos partidários políticos desses suspeitos da prática de atos delituosos ou de supostos crimes, daqueles que sabem também ter contas a pagar, de inocentes úteis e não tão úteis e, até mesmo, de parcela da mídia comprometida.

Os donos do poder, arrogantemente, invocam o direito a tratamento diferenciado por parte da Justiça.

A respeito dessa equivocada prerrogativa, pareceu emblemática a expressão usada pelo Senador Renan, presidente do Senado Federal, ao aplicar a pena prevista na Constituição Federal à presidente da República por ocasião do seu impeachment: “não podemos ser maus”. Jamais havia ouvido tal manifestação por parte de uma autoridade com a responsabilidade de julgar alguém. Somente o que consta da Lei, parece óbvio, pode servir de referência para a aplicação da devida punição a um infrator. Ou não será sempre assim?

Ainda hoje, vimos nas redes sociais novas críticas ao Juiz Sergio Moro por ter exarado ordem de prisão contra o ex-ministro Guido Mantega que o alcançou enquanto ele acompanhava sua esposa doente a um hospital, taxando o magistrado de desumano, arbitrário, insensível, sem coração, perverso e outros adjetivos, tudo à semelhança do que já ocorrera quando da prisão de outros tubarões da corrupção. E assim será sempre.

Parecem ignorar a gravidade dos crimes praticados, ou pelo menos dos indícios de sua prática por essa gente, e os males e prejuízos que causaram a milhões e milhões de cidadãos indefesos, traindo sua confiança, enquanto desempenhavam cargos públicos da mais alta relevância, no caso de Mantega, ex-Presidente do BNDES, ministro da Fazenda e do Planejamento durante dois governos.

A Justiça não pode ser intimidada e tem mesmo que agir com força total e no limite máximo dos preceitos legais e constitucionais. A sociedade tem que ser parceira da Lei nessa empreitada e compreender que os supostos transgressores detêm capital de toda a natureza acumulado de modo fraudulento em todos esses anos em que estiveram encastelados no Poder e vão usá-lo para se defender.

A Lei é para todos, vale para qualquer cidadão, independente de opções ideológicas, político-partidárias, de raça, religião ou classe social. O essencial é ser honesto. Não sendo assim jamais mereceremos a condição de nação livre e democrática.


Gilberto Pimentel, General, é Presidente do Clube Militar.

As FARB que não vingaram: Paz à Colômbia!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Sem entrar no mérito do julgamento dos crimes cometidos pelos comunistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), repousa no país vizinho a esperança da paz. Saldo assustador de vítimas ao longo de meio século de conflito armado.

Forças revolucionárias sob inspiração, preparação, e subvenção da matriz marxista-leninista da União Soviética, atuantes na década de 1960, a considerar como marco no continente americano a revolução em Cuba (1959) sob o comando de Fidel Castro.
      
Como origem, a vitória bolchevista de 1917, consolidação do poder centralizado sob a ideologia marxista, e o interesse de exportar o modelo de revolução para o mundo com a criação e coordenação de partidos comunistas nacionais, como no Brasil fundado em 1922, tendo como base a classe operária. Países como Alemanha, Hungria, Polônia, Bulgária, Irã... conviveram com revoltas internas infrutíferas. No Brasil a Intentona Comunista de 1935 é exemplo; imposta por Luiz Carlos Prestes e Olga Benário.
      
No período pós II Guerra, devido à ocupação do Exército russo em vários países, o regime comunista se expandiu na Europa. A divisão da Alemanha, o êxito na conquista do poder por meios pacíficos na Tchecoslováquia em 1948, com destaque para o controle da máquina sindicalista e coalizão dos partidos democráticos com o Partido Comunista; pela derrota da guerrilha e terrorismo marxista na Grécia, e na Ásia, a vitória de Mao Tse Tung na China (1949). Da bi-polaridade, nações se repartem, Coréia do Norte e do Sul, Vietnã do Norte e do Sul.
      
A coexistência pacífica, no alvorecer dos anos 60, não esmorece a luta de classe de todos os partidos comunistas em busca do “triunfo das idéias socialistas”. Divergência entre Rússia e China. Transição para o socialismo de forma pacífica via parlamentar ou por meio da luta armada. Incremento nos conflitos na Ásia, África e América Latina.
      
Segundo J. Gorender (PCB) em Combate nas Trevas, a nova linha política pregava a revolução em duas etapas, revolução democrática e socialista. Prepondera a linha pacífica, com perda de poder da linha estalinista conduzida por Amazonas, Grabois e Pomar. Dá-se a cisão com a criação do PC do B em 1962, com objetivo principal de instalar um governo popular revolucionário e alinhamento ao Partido Comunista Chinês.

As Ligas Camponesas na linha pacífica até a visita de Francisco Julião a Cuba, em 61, quando opta pela guerrilha e lança em 21/04/62 o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT); prega a reforma agrária com flores ou sangue. O MRT assume a preparação para a luta armada; compra fazendas para treinamento de guerrilha, adotando o foquismo cubano.
Gorender cita o livro O caminho da revolução brasileira, 1962, de Moniz Bandeira, dirigente da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP), a destacar o levante armado, insurreição e a derrubada do governo Goulart. Idem o PC do B a empunhar a mesma bandeira. Narrativas de um comunista histórico.

Cenário semelhante se desenvolve em outros países do continente, inclusive na Colômbia, que neste ano de 2016, a 26 de setembro, se programou a assinatura do acordo de paz entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e as FARC. Consciente dos crimes cometidos pelos comunistas em entrevista comenta: ”Tenho certeza de que a maioria dos colombianos teria preferido obter mais justiça, para punir os responsáveis por crimes de guerra e lesa humanidade. No entanto, o enfoque que demos à negociação tinha como objetivo conseguir o máximo de justiça possível que permitisse alcançar a paz.”.

A Colômbia não teve a sorte das nações vizinhas que derrotaram os movimentos terroristas. Quando o presidente afirma que o povo colombiano gostaria de ver os assassinos punidos, tem razão. O sofrimento das famílias, em milhões, dos que pereceram, foram torturados, mutilados, seqüestrados, expropriados, tiveram que abandonar os seus lares ao longo de 52 anos de obscurantismo e maldade, não vai estancar por conta da assinatura de paz. Segundo o governo,600 mil pessoas foram assassinadas.

Que lá não se repita o que aconteceu no Brasil. O caminho pela via democrática a ser trilhado pelos comunistas, em caso de ascensão, não se transforme em meio de indenização milionária a eles próprios, anistiados.
Três exemplos vivos de fracasso na luta armada e de insucesso na vida política pelos mal feitos, desvio de conduta, crimes, condenações: os petistas Dilma Roussef, José Genoíno e José Dirceu. Salvos das guerrilhas urbana e rural, que foram neutralizadas.

Da insanidade global vermelha mais de 100 milhões de mortos pelos seguidores do símbolo “foice-martelo” a serviço do mal (www.museuvitimasdoscomunistas.com.br). 


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia com Estado-Maior, reformado do EB.

Peripécias do Sétimo Batalhão Blindado

Josef Skvorecky

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Apesar de outros infortúnios, o Sétimo Batalhão Blindado e seus comandantes foram incluídos na Parada de avaliação diante do Comandante-em-Chefe do Exército Mecanizado e Blindado. Foram distribuídas medalhas aos soldados exemplares dos carros de combate e, numgrand finale, o título de Motorista de Tanque Mestre foi conferido ao Sgt Ocko.

A faixa decorativa estava ali para salvar a alma marcada do capitão Marka para curar os ferimentos causados por ter homens tão ignorantes que e perdiam por trás das linhas do inimigo com um esquadrão completo de tanques, que não sabiam qual era a direção de Praga, ou que só souberam citar alguns dos 37 ministros do governo durante o exame de capacitação política.

O capitão Marka levou Okho ao seu escritório para, com a assistência de Ruzicka e Hospodin, ajudar o Sargento a preparar-se moral e ideologicamente pra a a grande honra. Ele sabia que essa preparação seria especialmente apropriada no caso de Ocko, pois o motorista tinha um palavreado pouco condizente com um novo soldado socialista. Mais tarde, o sargento Ocko fez um relatório lacônico daquela sessão de suas horas no escritório do Capitão.
    
- Porra, cara – disse ele – desenrolando sua perneira de pano fedorenta -, os filhos da puta gritaram comigo durante duas horas, e me disseram, ente outras coisas, que eu devia estar orgulhoso daquela honra de merda, cara; quando eu perguntei se podia usar essa licença, sabe o que os filhos da puta responderam? Que eu tinha que esperar até voltar para a porra da vida civil, cara. Eles que se fodam.

O glorioso dia finalmente chegou. Toda Divisão, com fardas de passeio, reuniu-se para uma avaliação no capo de futebol. Era um típico dia de outono, um vento frio soprava as bandeiras tremulavam no telhado do estande da revista, e os homens do Sétimo Batalhão Blindado perfilavam-se com as fardas imaculadas, distribuídas naquela manhã, as quais haviam sido inspecionadas e consideradas perfeitas por um grupo de generais. No último momento o Cap Marka ficou aflito com o que esperou que fosse o último desastre da avaliação: o coronel descobriu que um dos agitadores políticos do batalhão, o Sgt Macha tinha tatuagens imorais no corpo e que no caderno de anotações do Soldado Mengele havia um esboço de uma viagem inacabada pelo mundo, desenhada com ima linha dupla contra o fundo dos dois hemisférios. A linha dupla era dividida em 730 quadrados, cada um representando um dia no serviço militar. A maioria deles estava preenchida com tinta vermelha. O esboço tinha um significado claramente internacional, pois o general russo entendeu sem que lhe explicassem, e o Major Borovicka condenou Mengele a dez noites de detenção no corpo da guarda.

Mas esses lapsos adicionais dos subordinados do  Capitão Marka não mais o preocupavam. Empertigou-se diante de seu corpo de oficiais, com as nuvens cinzentas refletindo-se nas suas reluzentes botas de montaria. Pássaros circulavam abaixo das nuvens, juntando-se para a viagem rumo ao sul, e abaixo deles, o presidente da banca examinadora fazia um m longo discurso. Com orgulho, afirmou que o Sétimo Batalhão Blindado tivera esplêndidos resultados, pois na avaliação geral tinha conquistado nota três, considerada boa. Mas eles não deviam se esquecer, continuou, que apesar desses resultados, teriam que pensar nos erros a serem corrigidos, e leu uma lista interminável desses erros.

Depois da ordem “Tropas! Atenção! A Divisão  ficou imóvel, e ouviu-se a voz trovejante do general gritar “Sargento Ocko” nos alto-falantes, como uma trombeta, anunciando o Juízo Final. Depois, em contraponto a essa trovoada eletrônica, ouviu-se a voz,sem amplificação, do Sgt Ocko dizer “Presente”, e finalmente a ordem para ele se aproximar.

O Sgt Ocko saiu em sua peregrinação triunfante pelo pátio, marchando com um passo não regulamentar. Subiu ao estande da revista e apresentou-se ao general. O general retirou a medalha dourada da caixa e prendeu-a ao peito de Ocko. Ao fazê-lo, sua voz trovejante ecoou pelo pátio: “Camarada Sargento! Pelos poderes a mim conferidos pelo Ministro da Defesa Nacional, o general doutor Alexej Cepicka, eu o nomeio motorista do Tanque Mestre. 

Seguiu-se um som borbulhante no pátio, possivelmente a resposta regulamentar ‘Eu sirvo ao povo!”, que só poderia ser pronunciada pelo próprio Sgt Ocko. Nesse ponto, o general, que era uma ave rara – um oficial cm experiência no front – perdeu a cabeça. Comovido talvez por aquela cara rural crestada pelo vento que tinha diante de si e lelmbrnao-se de outras caras assim que nos tempos de guerra o rodeavam nos tanques – tão diferentes das caras que o rodeavam agora no Ministério -, cometeu um erro tático. As mãos vermelhas e grandes do Sgt Ocko lhe sugeriram que o domínio da arte de dirigir tanques era real, não apenas teórica, como tantas habilidades que ele presenciara durante os poucos anos de avaliação, e o veterano de guerra emotivo pergutou côo sua voz simpática:
    
- Muito bem, kamarada Sargento, como o senhor aprendeu a guiar um tanque tão bem?

Suas palavras soaram claras ao longo do pátio e foram imediatamente seguias pela voz igualmente clara do Sgt Ocko;
    
- Eu não tive problemas com essa porra, camarada general. Na vida civil eu guiava um carro todo fodido. Por trás deles, nas filas dos oficiais, as pernas do Comandante do Sétimo Batalhão Blindado, o capitão Vaclav Marka bambearam e seu oficial político teve que ampará-lo.

E o bando de pássaros do CE finalmente decidiu-se. Entrou em formação em ouvir qualquer ordem e começou a viagem para o sul, para climas mais hospitaleiros ainda governados pelo inimigo de classe. 
___________________________

O texto acima foi escrito em 1968, após a invasão da Checoslováquia pelas tropas soviéticas, que esmagaram Primavera de Praga. A República das Putas faz comédia para falar sobre a corrupção e os absurdos durante a preparação do Exército Checo para a “guerra” contra os Estados Unidos. O livro relata a vida no Exército Democrático do Povo em seus momentos mais insanos e rudes. Este é apenas um dos capítulos.

Josef Skvorecky, autor do livro, em 1990 recebeu das mãos do então presidente Vaclav Havel, a ORDEM DO LEÃO BRANCO, a mais alta condecoração da República da Checoslováquia, por seus serviços em prol da literatura do país. O livro foi editado no Brasil em 1999 pela Editora Record. Skvorchy atualmente é professor de literatura e cinema na Universidade de Toronto.    

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lava Jato chegará a grandes políticos e banqueiros?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Pouco importa se o juiz Sérgio Moro agiu estrategicamente ou por espírito humanitário ao decretar e revogar, rapidamente, a prisão temporária de um dos mais longevos, influentes e poderosos ministros da Fazenda da era Lula-Dilma. Ao alvejar Guido Mantega sob suspeita de liderar a arrecadação de dinheiro de propina para irrigar os cofres do PT, a Lava Jato sinaliza que tem muita bala na agulha contra a turma da propinocracia. Por enquanto, só alguns empresários foram punidos. Faltam os políticos sem as condição de justificar, legalmente, a ultra rápida evolução patrimonial pessoal ou familiar.

O ilustre réu-belde Luiz Inácio Lula da Silva nem se arriscou a fazer uma defesa efetiva para rebater as gravíssimas acusações contra Guido Mantega - seu amigo e homem de confiança. Lula sabe que a Lava Jato tem condições de arrasar com o nazicomunopetralhismo se alvejar alguns figurões do PT, além dele mesmo. A lista de cabras marcados para ter dor de cabeça com a Força Tarefa do Ministério Público Federal é composta por gente tão blindada quanto Mantega, que ontem começou a derreter: Antônio Palloci Filho, Luciano Coutinho, José Sergio Gabrielli.

Ainda tem muito "Arquivo X" para escancarar e investigar. O empresário Eike Batista sugeriu que a Força Tarefa da Lava Jato estendesse as investigações sobre os negócios do BNDES na era Lula-Dilma: “Vocês que estão passando o Brasil a limpo, por favor, essa é uma área crítica. Porque é fácil né. Você bota o que quiser (como garantia ao crédito do BNDES). Uma fazenda que não vale nada, o cara avalia por um trilhão de dólares. É fácil, né.”

Fazenda lembra ministério... Mas também remete a Boi... E pode chegar a gente muito poderosa com influência direta no sistema financeiro. Até agora, a deputadora Lava Jato mexeu com as empreiteiras - cujos dirigentes, demonizados e encarcerados, apelaram para as "delações premiadas". A transação penal com o casal de marketeiros João Santana e Mônica Moura também rendeu informações e provas fundamentais para identificar e condenar a turma da propinocracia.

A Lava Jato só não chegou, ainda, no mais pantanoso teatro de operações da corrupção: o sistema financeiro. Um sistema de crime tão institucionalizado não conseguiria funcionar sem a conivência de grandes bancos - que têm interesses diretos nos maiores negócios do Capimunismo rentista tupiniquim. Mexer com Mantega, Palocci, Coutinho e outros amigos dos bois nem citados é o mesmo que mexer com os mais poderosos banqueiros nacionais e transnacionais que comandam os maiores negócios e as maiores negociatas no Brasil.

Vale repetir por 13 x 13: A Lava Jato, que alimenta sonhos de prisão de Lula, se aproxima perigosamente de Dilma Rousseff. A Presidenta afastada foi a antecessora de Guido Mantega no Conselho de Administração da Petrobras. Mantega sempre se gabava de ser quem tinha mais proximidade com Dilma, despachando com ela diariamente. Logo, fica fácil supor que Dilma pode não ter sabido de tudo, mas sabia de muita coisa feita por Mantega, sobretudo na captação ilegal de recursos para financiar o projeto de poder do PT.

Enfim, a Lava Jato ainda tem que mexer em muita coisa, afetando muitos poderosos política e economicamente. A grande dúvida é se terá fôlego suficiente para chegar aos verdadeiros comandantes e beneficiários do sistema institucionalizado de corrupção montado na máquina estatal brasileira. Se não houver uma mudança estrutural no Estado brasileiro (e ainda estamos longe de que isto aconteça), missões como as da Força Tarefa, por melhores que sejam, não passarão de um gigantesco esforço para enxugar gelo no País da Impunidade.

Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira não podem cessar a pressão que exige punição rigorosa aos corruptos. Mas o fundamental é lutar para uma efetiva mudança na estrutura do Estado Brasileiro - base da governança do crime institucionalizado. O monstro é gigantesco. Por enquanto, só vemos o rabão dele - comido, devagarzinho, pela República de Curitiba...

Futucando


Eike abre o bico

Em duas partes, o depoimento "espontâneo" de Eike Batista que ferrou com Guido Mantega



Derretendo geral


Vai pra casa, Temer...


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OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Setembro de 2016.

O Porca Voz


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Um tigre, dois tigres, três tigres (ou trigues?).

Depois de um língua presa é preciso um locutor beleza.

Servirá como balão de ensaio; assim, “balanço mas não caio !” (cacófato proposital).

Seria uma loucura nomear outra doçura.

Criaria ciúmes e aumentaria os queixumes.

Assim, não se trata de machismo, mas puro pragmatismo.

Precisa ser pessoa clemente, dócil e obediente porque uma voz pouco faz.

A televisão e os videos na internet mostram sem retoque, os palhaços da “belle époque”.

Pelo menos estão melhor vestidos que políticos de europeus partidos.

Maltratam noite e dia a última flor do Lácio, inculta e bela.

Os vícios de linguagem, só não são piores que o andar da carruagem.

“O tempora, o mores!”

Pelo novo dono da caneta, podemos não morrer de amores; ao menos fala coisa com coisa. Um grande avanço. A que saiu da dança, confundia Quixote com Sancha Panço!

De martelar em ferro frio não me canso; até o dia em que passar de pato a ganso.

O povo, furtado de mendonça, não se esquece de que existe a dona Onça.

Se preciso solta um bafo e depois desce o sarrafo. Não haverá malandro safo.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

O Tamanho da Podridão


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Estadão

A prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, ainda que apenas por algumas horas, significa que o escândalo da Petrobrás alcançará mais gente e gente muito mais graúda do que os notórios operadores do PT que hoje amargam a prisão. Já se sabia que o propinoduto que ligou a máquina do Estado aos cofres do PT era o pilar de um método de governo, sendo o ex-presidente Lula o “chefe supremo” do esquema de corrupção, como autoridades já denunciaram. Mas as suspeitas que recaem sobre Mantega, se comprovadas, mostrariam a extensão do contágio por grande parte do primeiro escalão da administração, passando o próprio governo a ser visto como uma organização criminosa.

Mais longevo ministro da Fazenda da história brasileira, Mantega tornou-se, ao lado da presidente cassada Dilma Rousseff, o grande símbolo do jeito petista de governar. Enquanto Dilma, em seu dialeto peculiar, agredia a realidade de sua desastrosa administração com frases desconexas, Mantega, sempre com ar professoral, tratava de insultar a inteligência alheia com dados sem sustentação e retórica vazia para comprovar o acerto da famigerada “nova matriz econômica” - aquela que quase quebrou o Brasil. O ministro da Fazenda era a face mais conhecida da impostura do PT na condução da economia, um obediente executor das fantasias nacional-desenvolvimentistas de Dilma. Nada, porém, indicava que ele tivesse feito uso de seu cargo e de seu poder para fazer algo além de destruir as finanças do País.

Tudo isso mudou ontem. O juiz Sergio Moro aceitou pedido do Ministério Público Federal para que Mantega fosse preso, sob acusação de que o petista, em novembro de 2012, quando era ministro, solicitou ao empresário Eike Batista recursos para o pagamento de dívidas de campanha do PT. A informação foi prestada pelo próprio Eike em depoimento ao Ministério Público em maio passado.

Em 2012, o Grupo OSX, de Eike, integrava um consórcio que havia obtido um contrato de US$ 922 milhões com a Petrobrás para a construção de plataformas. Suspeita-se de que Mantega tenha pedido a propina como compensação por esse contrato. Sem experiência na área, o consórcio contemplado não conseguiu entregar as plataformas.

Em seu depoimento, Eike disse que Mantega solicitou R$ 5 milhões para o PT. O dinheiro, depositado no exterior, foi entregue por meio de falsa prestação de serviços pela empresa de João Santana, o marqueteiro do PT. Para Eike, não estava claro que se tratava de uma contrapartida por seu contrato com a Petrobrás, mas não é preciso grande perspicácia para desconfiar dos reais motivos de Mantega - afinal, como disse Eike, “o ministro da Fazenda me pediu, o que é que você faz?”. Além de ministro da Fazenda, Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobrás.

Eike e Mantega, segundo o depoimento do empresário, trataram a propina como “doação eleitoral”. Em seu despacho, Moro lembra que não cabe a um ministro de Estado “solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações sub-reptícias”, feitas “através de contas secretas mantidas no exterior e com simulação de contratos de prestação de serviço, meio bem mais sofisticado do que o usual mesmo para uma doação eleitoral não contabilizada”.

Para Moro, está clara a “similaridade com o modus operandi verificado no esquema criminoso da Petrobrás”. Eis o que realmente importa a essa altura. São muitas as evidências de que o grande sistema de corrupção implantado pelos petistas pode ter tido entre seus operadores o mais importante ministro de Estado tanto de Lula como de Dilma. Terá sobrado um canto que seja de seus governos que não tenha sido conspurcado?

É claro que os petistas, sem ter como defender o ex-ministro, apelam à já tradicional vitimização, pois Mantega foi detido quando estava num hospital acompanhando a mulher, que se tratava. Ao decidir revogar a prisão - pedida porque, segundo os procuradores, havia risco de destruição de provas -, Moro disse que ele, os policiais e o Ministério Público desconheciam a situação familiar do ex-ministro. Mas Lula, sempre ele, já andou dizendo que a prisão de Mantega prova que “qualquer tese de humanitarismo foi jogada no lixo”. Sobre a grave acusação que pesa sobre o ex-ministro, nem um pio.


Editorial do jornal Estado de São Paulo em 23 de setembro de 2016.

A Criação do Mossad


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“Eles escolhem as pessoas certas, não as pessoas melhores.  Há uma grande diferença”

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro “As Marcas da Decepção”, de autoria de Victor Ostrovsky, ex-agente do serviço Secreto Israelense, nascido no Canadá, filho de pai judeu canadense e mãe israelense. Tornou-se, aos l8 anos, o mais jovem Oficial militar de Israel.

Foi recrutado e treinado pelo MOSSAD, tornando-se um katsa, o nome que Israel dá aos seus Oficiais de Inteligência. O livro revela como as comunidades judaicas dos EUA, Europa e América do Sul são armadas e treinadas pela Organização em unidades secretas de autodefesa e como os agentes do MOSSAD facilitaram o comércio de drogas, com a finalidade de financiar os imensos custos de suas operações clandestinas. O outro autor é Claire Hoy, jornalista e um dos mais importantes escritores canadenses. É autor de 4 livros. “As Marcas da Decepção” foi editado no Brasil, em 1992, pela editora Scritta.

Em 1 de setembro de 1951, o Primeiro-Ministro de Israel, David Ben Gurion, decretou a criação do MOSSAD, organização de Inteligência independente do Ministério das Relações Exteriores. Até hoje, embora todo o mundo saiba que ele existe – os políticos, muitas vezes, chegam a vangloriar-se de seus sucessos -, o MOSSAD permanece, sob todos os aspectos, uma organização clandestina. Não se encontra, por exemplo, nenhuma referência a ele nos orçamentos de Israel. E o nome do seu chefe, enquanto está no cargo, nunca é tornado público.

Existe uma crença de que até mesmo o Primeiro-Ministro, embora ostensivamente encarregado dele, não tem autoridade real sobre suas ações e é, muitas vezes, manipulado por ele, para aprovar ou por em prática linhas de ação que podem ser do maior interesse dos dirigentes do MOSSAD, mas não necessariamente do maior interesse de Israel.

O Primeiro-Ministro israelense, apesar de supostamente responsável pelo serviço de Inteligência, muitas vezes ignora as ações secretas até que sejam consumadas. E o público em geral raramente tem conhecimento delas, “muito embora a Inteligência seja uma condição necessária para que as democracias possam evitar desastres e, possivelmente, a destruição total”, resumiu sir William Stephenson no prefácio de “A man called Intrepid” (Um homem chamado Intrépido). E prosseguiu: “Em meio a arsenais cada vez mais intrincados em todo o mundo, os Serviços de Inteligência são uma arma essencial. Talvez mais importante. Mas, sendo secreta, é a mais perigosa (...). Como em qualquer empreendimento, serão decisivos o caráter e a sabedoria daqueles a quem for confiada. Na integridade dessa tutela se deposita a esperança dos povos livres”.

Todo o MOSSAD não chega a ter 1.200 funcionários, sendo todos instruídos a dizer, a quem perguntar, que trabalham para o Ministério da Defesa. Enquanto isso, dados mais recentes citam o número de membros do KGB, em todo o mundo, como sendo mais de 250 mil. Mesmo o Serviço de Inteligência cubano tem cerca de 2 mil agentes localizados, através do mundo, nas missões diplomáticas.

O MOSSAD, acredite-se ou não, tem apenas 30 ou 35 agentes secretos – chamados katsas, um acrônimo hebraico que significa “Oficial de Coleções”. Os katsas operam em todo o mundo, principalmente na Europa. O número de katsas é muito menor do que em outra qualquer agência de Inteligência por causa dos sayanim, voluntários não-israelenses judeus que prestam apoio logístico em todo o mundo.

A maioria dos katsas são ex-membros das Forças de Defesa de Israel, embora o MOSSAD seja um órgão civil – em operação pelo mundo. A principal razão desse total estranhamente baixo é que, ao contrário dos demais países, Israel conta com o significativo e fiel conjunto da comunidade judia mundial fora de Israel. Isso através de um sistema único desayamim – os auxiliares judeus voluntários -.

Na Academia do MOSSAD, o diretor costuma iniciar os cursos com a seguinte apresentação: “Meu nome é Aharon Sherf. Bem-vindos Ao MOSSAD. O nome completo é Has Mossad le Modiyn ve le Tafkidim Mayauhadim (Instituto de Inteligência e Operações Especiais). Nosso lema é: Por meio da dissimulação farás a guerra”.

Oren Riff, o principal instrutor da Academia, sempre ressalta que entre 60 e 65% de toda a informação coletada vem da mídia aberta, jornais, rádio e televisão; cerca de 25% de comunicações por satélite, telex e telefone; cerca de 25% daliaison; e entre 2 a 4% de humant – agentes, ou Inteligência humana, coletada para o Departamento Tsomet (depois chamado deMelucha) -, mas essa pequena percentagem é a mais importante de toda a Inteligência reunida.

A seguir, em uma palestra de Zave Allan, sobre cooperação técnica entre agências, ele ressaltou que o MOSSAD tinha mais capacidade que todas demais agências de Inteligência no arrombamento de fechaduras. Vários fabricantes de fechaduras da Grã-Bretanha, por exemplo, enviavam vários mecanismos à Inteligência britânica, para passarem por um testes de segurança; eles, por sua vez, as enviavam ao MOSSAD, para análise. Então, o procedimento era o seguinte: o pessoal do MOSSAD analisava, descobria como é que se abria a fechadura, e depois a devolvia, com um relatório, dizendo que a fechadura “era inexpugnável”.

Sobre o recrutamento: A idéia do recrutamento é como rolar uma pedra morro abaixo. Usa-se a palavra ledarder, que significa ficar no topo de um morro e empurrar uma pedra para baixo. É assim que o MOSSAD recruta. Escolhe-se uma pessoa qualquer e leva-se a que ela faça algo ilegal ou imoral. Significa que ela é empurrada morro abaixo. Tudo está em saber usar as pessoas. Mas, para usá-las, há que moldá-las. Se o cara não bebe, não fuma, não precisa de dinheiro, não quer sexo, não tem problemas políticos e está satisfeito com a vida, não conseguiremos recrutá-lo. O que se faz é trabalhar com traidores. Um agente é um traidor, não importa o quanto ele racionalizar a coisa. Você lida com o pior tipo de gente.

Costuma-se dizer que não chantageamos as pessoas. Não precisamos fazer isso. As pessoas são manipuladas. Simples, assim...
Afinal, ninguém nunca disse que a INTELIGÊNCIA é uma atividade bonita.    

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Prisão de Mantega, surpreendemente revogada por Moro, abre caminho para envolver Dilma na Lava Jato


2a Edição Atualizada do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A Lava Jato, que alimenta sonhos de prisão de Lula, se aproxima perigosamente de Dilma Rousseff. Motivos não faltam! A Presidenta afastada foi a antecessora do hoje preso Guido Mantega no Conselho de Administração da Petrobras. Mantega, que bateu recorde de longevidade no Ministério da Fazenda, sempre se gabava de ser quem tinha mais proximidade com Dilma, despachando com ela diariamente. Logo, fica fácil supor que Dilma pode não ter sabido de tudo, mas sabia de muita coisa feita por Mantega, sobretudo na captação ilegal de recursos para financiar o projeto de poder do PT. Já se especula que Antônio Palocci Filho será o próximo alvo. Será?

Por volta de meio dia, o juiz Sérgio Moro surpreendeu todo mundo suspendendo a prisão temporária de Guido Mantega. Moro tomou sua decisão de ofício, sem consultar o Ministério Público Federal. Aparentemente, o magistrado se sensibilizou com a situação da mulher de Guido Mantega, internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para uma cirurgia de combate a um câncer. A petelândia chiou, alegando desumanidade, porque Mantega foi preso no hospital. A "libertação" de Mantega joga uma dúvida no ar: a Lava Jato terá fôlego para suportar tanta pressão política e econômica nos bastidores?

É um consenso que a  Operação Arquivo X, 34a da Lava Jato, apenas começa a atingir o coração do esquema financeiro da propinocracia petista,  Planejada e pedida há mais de um mês, a prisão temporária de Guido Mantega teria tudo para se transformar em prisão preventiva. O câncer salvou mais um... A temporada dele em Curitiba poderia ser longa. Dedurado por um "depoimento espontâneo" de Eike Batista e pela "delação premiada" da publicitária Mônica Moura (mulher do marketeiro João Santana), Mantega é considerado um dos homens de confiança do poderoso Luiz Inácio Lula da Silva - cada vez mais próximo de um juízo final.

Mantega foi o ministro mais poderoso da Era Lula-Dilma. Agora, é apontado como o grande arrecadador de recursos para o PT. A prática de balcão de negociatas políticas, certamente, vai descambar em crime de tráfico de influência. A dúvida é até quando outros personagens muito ligados a Lula e Mantega conseguirão se manter ilesos. O caso principal é do ex-Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sobre quem, milagrosamente até agora, a Lava Jato ainda não levantou qualquer bronca mais grave. Até agora, a blindagem mágica também vale para o ex-diretor financeiro da Petrobras, Almir Guilherme Barbassa.

A aparente vingança do empresário Eike Batista tende a causar novos estragos, principalmente a políticos, não apenas do PT. Eike fez revelações bombásticas como "testemunha espontânea" e não como "colaborador premiado". O motivo que o levou a agir assim, quando for realmente revelado, facilitará o entendimento de muitas relações entre os poderosos da política e da economia no Brasil Capimunista.

Objetivamente, Eike Batista declarou que recebeu pedido de Guido Mantega, então ministro e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões para o Partido dos Trabalhadores. Eike revelou ter feito um depósito de US$ 2,3 milhões no exterior para as contas de João Santana e Monica Moura. Eike explicou que, após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em 19 de abril de 2013 foi realizada transferência de US$ 2,35 milhões, no exterior, entre contas da empresa OSX e dos publicitários. O advogado de Mantega, José Roberto Batochio, informou que seu cliente lhe garantiu que nunca teve qualquer conversa sobre tal assunto com Eike.

A crença de vingança é idêntica em relação à baiana Mônica Moura. Com ódio pelos prejuízos irreparáveis que sofreu, sobretudo em sua imagem e credibilidade de marketeira política, Mônica já teria manifestado a amigos que não perdoa os petistas e, principalmente, Lula. Por isso, decidiu fazer "delação premiada". Os próximos alvos no esquema de captação de grana petista são o ex-deputado federal paranaense André Vargas e o ilustre presidiário José Dirceu de Oliveira e Silva. Até agora, os dois bancam a figura de "durões", e não deduram ninguém. Aguentam o frio do cárcere curitibano obsequiosamente calados.

O procurador federal Carlos Fernando de Lima avisou que a Operação Lava Jato pode estar terminando na Petrobras, mas parece ter vida longa em outras investigações. Lima explicou que a prisão de Mantega foi para garantir a ordem pública e impedir obstrução às investigações.

Até Lula tem repetido que "a História apenas começou". A Lava Jato prepara o bote contra a grande Jararaca, o grande General da Propinocracia brasileira. A petelândia, como de hábito, vai ter ataques de faniquito... Centenas de políticos - do PT e de vários partidos - vão sentir cada vez nais pavor...

Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira não podem cessar a pressão que exige punição rigorosa aos corruptos. No entanto, é preciso lutar para uma efetiva mudança na estrutura do Estado Brasileiro - base da governança do crime institucionalizado.

A guerra vai longe... Quanto mais os petistas fazem pressão espúria, nos bastidores, contra a Força Tarefa e o juiz Sérgio Moro, mais a Lava Jato produzirá novidades.

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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Setembro de 2016.