Edição de Domingo do http://alertatotal.blogspot.com/
Por Jorge Serrão
Depois de atingir o governo Lula como um terremoto, agora o Valerioduto acerta como um tsunami o governo socialista de Angola, presidido por José Eduardo Soares. As contas correntes de dois dos principais integrantes da equipe econômica do presidente angolano receberam cerca de US$ 2 milhões e 700 mil.
A CPI dos Correios identificou 21 remessas do Trade Link Bank, uma off-shore com sede nas Ilhas Cayman, para o ministro das Finanças de Angola, José Pedro de Morais Júnior, e para o presidente do Banco Nacional (o Banco Central daquele país), Amadeu de Jesus Castelhano Maurício.
O Trade Link Bank tem estreitas ligações com o Banco Rural. Por isso, o banco está no centro das investigações sobre o suposto mensalão do PT para parlamentares da base, o mais rumoroso escândalo do governo Lula. Os papéis não registram quem são os pagadores que recorreram ao Trade Link.
Mas os investigadores da CPI consideram as operações suspeitas e estão apurando, em sigilo, supostos vínculos de empresas brasileiras, beneficiárias de contratos milionários em Angola, com os políticos locais.
Coisa Russa
O Alerta Total alerta mesmo: A próxima denúncia que virá à tona trata de uma conta de US$ 70 milhões, na Rússia.
Quem seriam os donos da grana. Como o dinheiro viajou para lá?
Respostas com o Ministério do Turista...
A sujeira e o lixo
A Polícia Civil de Ribeirão Preto afirma ter documentos que comprovam a participação do ministro da Fazenda e ex-prefeito do município, Antônio Palocci, em fraudes e superfaturamento no contrato de varrição de rua, prestado pela Leão Ambiental, do Grupo Leão Leão.
Além de Palocci, outras sete pessoas que ocuparam cargos na administração petista entre 2001 e 2004, também participaram do esquema, segundo o delegado seccional, Benedito Antônio Valencise, responsável pelo inquérito que apura corrupção e doações irregulares em duas campanhas eleitorais.
Laços de Família
Revelação do Imperador César Maia, sempre detonando seu desafeto Antonio Palocci:
“Pelo menos três membros da CPI desconfiam que o verdadeiro dono da Interbrazil é Ademar Palocci”.
Ademar também é filho da dona Toninha, lá de Ribeirão Preto...
Me dá um dinheiro aí!
O PT inicia neste domingo, dia 13, a campanha para arrecadar dinheiro dos seus filiados a fim de pagar dívidas.
O partido deve R$ 54 milhões, dos quais R$ 8 milhões terão de ser quitados no curto prazo.
Os petistas pretendem encerrar a campanha no dia 13 de dezembro, com R$ 13 milhões em caixa.
Essa é do katraka... Cara de pau, realmente, não tem limite...
Perguntas a serem respondidas
Os investigadores sobre a questão angolana querem saber quem autorizou as transferências de recursos e por que o esquema recorreu a uma off-shore com sede num paraíso fiscal para fazer pagamentos expressivos a importantes dirigentes políticos.
Pelos extratos bancários obtidos com a quebra do sigilo bancário da Trade Link nos Estados Unidos, a off-shore fez 20 remessas no valor aproximado de US$ 2 milhões e 600 mil para contas do ministro Pedro de Morais entre 2003 e este ano.
As remessas variam de US$ 76 mil a US$ 360 mil. Os documentos oficiais registram que, só em 2003, a Trade fez 12 transferências para Morais no valor de US$ 1 milhão e 400 mil.
Longa Viagem
Os recursos saíram de uma conta do Trade Link, no Banco Standard, em Nova York, e seguiram até uma conta em nome de Morais no Banco Internacional de Crédito (BIC), em Lisboa, Portugal. A estratégia mudou nos dois últimos anos, quando a off-shore repassou US$ 1 milhão e 200 mil em oito parcelas a Morais.
Em operações mais complexas, o dinheiro saía de contas da Trade Link no Standard ou no banco Wachovia e passava pelo BIC, em Lisboa, antes de voltar para uma conta em nome de Pedro Morais no Bank Fund Staff, em Washington.
Ligações angolanas
As relações da Trade Link com integrantes do governo de Angola não param por aí. Nos extratos da off-shore consta uma remessa de US$ 176 mil para Amadeu Castelhano, a mais alta autoridade monetária de Angola, no dia 12 de março de 2002.
O dinheiro saiu da conta da Trade no Standard, passeou pelo Banco Africano de Investimentos, do outro lado do Atlântico e, depois do giro internacional, voltou a uma conta em nome de Amadeus, no Citibank, em Nova York.
O roteiro de DudaA Trade e o Rural são dois dos principais alvos das investigações de uma força-tarefa do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, no Paraná, da CPI dos Correios e até da Promotoria Pública de Nova York.
As investigações começaram em 1996, no início do caso Banestado, e recentemente se cruzaram com as apurações em curso na CPI dos Correios.
Os parlamentares descobriram que Valério usou a Trade Link para fazer 11 remessas de cerca de US$ 900 mil para a Dusseldorf, off-shore do publicitário Duda Mendonça com sede nas Bahamas e conta no Bank Boston, em Miami.
PC Farias fez escola?
Esta não é primeira vez que um escândalo político brasileiro atravessa a fronteira e bate às portas de Luanda. Em 1992, o atual diretor da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, instaurou um inquérito para investigar negócios suspeitos do empresário Paulo César Farias, ex-tesoureiro do então presidente Fernando Collor de Mello, com empresários e políticos angolanos.
Empreiteiras envolvidas
Ao longo das investigações, Lacerda recolheu documentos mostrando que as empreiteiras Odebrecht e a Servia, duas gigantes do setor, repassaram US$ 7 milhões e 200 mil para PC Farias. As duas empresas tinham fortes interesses nas obras de reconstrução de Angola, devastada pela guerra civil.
A Odebrecht estava interessada na construção de Capanda, a maior usina hidrelétrica do país. A Servia ambicionava abocanhar os contratos de construção de casas populares. Parte das obras de Capanda seria bancada com recursos de uma linha de crédito especial de US$ 80 milhões do Comitê de Financiamento às Exportações, do governo brasileiro. Após o impeachment de Collor e a morte de PC Farias as investigações perderam força.
Angola, Palocci e seus cinco amigos
Entre 2003 e 2004, cinco pessoas que têm ou tiveram relações próximas com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tentaram viabilizar negócios em Angola, para aproveitar a maré de investimentos internacionais despejados nas obras de reconstrução do país, após 30 anos de guerra.
A CPI dos Bingos está rastreando com especial atenção os investimentos feitos com o apoio do governo brasileiro.
O mais bem-sucedido dos cinco é José Roberto Colnaghi, que mantém relações com Angola até hoje e se apresenta como amigo de um importante figura do governo angolano, o ministro de Obras e Infra-Estrutura, Higino Carneiro.
Colnaghi é dono do avião Sêneca que teria transportado, entre Brasília e Campinas, dólares vindos de Cuba para a campanha de Lula em 2002.
Entre os anos de 2003 e 2004, Colnaghi tentou fechar negócios não só para suas empresas, mas também para pelo menos outras quatro pessoas muito próximas a Palocci: Roberto Carlos Kurzweil, Rogério Buratti, Ralf Barquete (já morto) e Vladimir Poleto.
14 Fundos investigadíssimos
O Banco Central, A Comissão de Valores Mobiliários e a Secretaria de Previdência complementar identificaram uma série de operações fraudulentas no mercado que atingem pelo menos 14 fundos de pensão, entre 1998 e 2002.
As investigações começaram em 2003, a partir de uma devassa nas contas de corretoras e distribuidoras de valores suspeitas de irregularidades.
A Era FHC atingida
O período analisado coincide com o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, mas há ao menos um fundo ligado ao PT: a Rioprevidência (de funcionários estaduais do Rio), na breve gestão da ex-governadora Benedita da Silva.
Em dois relatórios do BC, um da CVM e dois da SPC, obtidos pelo jornal Folha de São Paulo, os órgãos listam pessoas aparentemente usadas ‘como laranjas’ e ‘um grande número de agências de turismo, o que pode indicar um vínculo do esquema com o mercado não-institucional (paralelo) do dólar.
Autoridades envolvidas nas investigações suspeitam que possam ter havido desvios para atender a interesses políticos.
Palocci sai até o feriado?
É o que se especula na Ilha da Fantasia. Se for obrigado a substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda, Luiz Inácio Lula da Silva deverá escolher o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Lula não deseja a saída de Palocci. Fez apelos na quinta e na sexta-feira para ele parar de pensar em sair do governo. O ministro, porém, avalia a possibilidade de sair do cargo.
Troca difícil pelo Bigodão
A eventual substituição de Palocci é uma operação complicada. Lula está disposto a segurá-lo no cargo mesmo com a continuidade do bombardeio – acusações de corrupção, pressão pelo aumento de gastos públicos e críticas de membros do governo e aliados à sua política econômica.
Palocci, porém, avalia que, a depender da evolução dos fatos na crise política, continuará a ver seu poder definhar e será levado a deixar o posto humilhado.
O ministro explicou a Lula que, nessa hipótese, atrapalharia a economia e melhor seria sair logo. Nesse contexto, Mercadante virou a melhor opção na cabeça de Lula.
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domingo, 13 de novembro de 2005
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