Edição de Final de Semana do Alerta Total
Por Márcio Accioly
O marqueteiro Antônio Lavareda, ligado ao PSDB, deixou preocupada a cúpula tucana ao comunicar que o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-95) ultrapassou o candidato Geraldo Alckmin em pesquisa de intenção de votos ainda não divulgada. O ex-governador paulista desceu para o terceiro lugar.
A má notícia surge no instante em que Alckmin, acossado por várias denúncias de corrupção, vê-se ameaçado pelo procurador-geral de Justiça Rodrigo Pinho que afirmou irá “apurar a suspeita de uso irregular de verbas de publicidade na revista ‘Futebol Paulista’, nos tempos em que o tucano governava São Paulo”.
Já se comenta abertamente no PSDB a respeito da necessidade de mudança de nomes, trazendo o ex-prefeito José Serra de volta para a cabeça da chapa presidencial e colocando-se Alckmin como candidato ao Senado (SP). Neste caso, o ex-presidente FHC disputaria o governo paulista pelo PSDB.
O problema com relação a Itamar Franco é a divisão exibida pelo seu partido, PMDB, cujas facções caminham em absoluto descompasso. Os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (MA), defendem uma aliança peemedebista com o PT, apoiando a reeleição de Dom Luiz Inácio (SP).
De acordo com as negociações, o PMDB indicaria, inclusive, o candidato a vice-presidente. Mas as resistências são muito fortes, pois as denúncias de roubalheira que atolou o Partido dos Trabalhadores num mar de lama estão longe de chegar ao fim.
Relatório da Polícia Federal, enviado ao Supremo Tribunal Federal, sugere ouvir “todos os agentes públicos que teriam sido informados pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) da existência de repasse de recursos para a base aliada”. Isso inclui o próprio presidente da República.
Além disso, não há receptividade nas classes médias com relação à candidatura presidencial petista. Isolado e desmoralizado no alcance da crise, Dom Luiz Inácio começa a ensaiar passos perigosos, reassumindo contatos e articulações políticas que poderão afogá-lo de vez.
O ex-ministro Zé Dirceu (PT-SP), apesar de apontado como chefe da quadrilha que se instalou no Palácio do Planalto (segundo denúncia formulada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando Barros e Silva de Souza), continua dando as cartas e fechando acordos políticos em nome do presidente da República.
Dessa feita o jogo é aberto e Dom Luiz Inácio não tem como alegar não saber da movimentação do ex-ministro. Na recente viagem efetuada a Belo Horizonte, Dirceu comunicou a Itamar que Dom Luiz Inácio gostaria de tê-lo como companheiro de chapa, ocupando a vice.
O mineiro não mordeu a isca, até porque é considerado pessoa que preza valores e age com observância de princípios e honestidade. Caso o ex-presidente mineiro continue a crescer nas pesquisas, a situação ficará muito difícil para as forças governistas alojadas no PMDB.
O crescimento de Itamar exibe o desencanto das classes médias com os nomes até agora colocados. A dicotomia artificial em que se pretende enquadrar o pleito presidencial, até o momento, não surtiu efeito desejado.
Por outro lado, entende-se que a candidatura Geraldo Alckmin foi como bolha de sabão que não resistiu aos primeiros raios de Sol. Resta saber que mágica a banda podre do PMDB pretende aplicar para abafar desejo de mudança que a nação exige. Impedir a apresentação de candidato próprio será um desastre para a legenda.
Márcio Accioly é jornalista.
1 comentários:
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