Edição de artigos de Terça-feira do Alerta Total
Por Márcio Accioly
O professor paranaense Juscelino da Luz é conhecido por sua capacidade de vidente, tendo acertado, segundo se comenta, algumas previsões. Ele teria enxergado com antecedência o dia 11 de setembro (quando aconteceu o atentado terrorista que derrubou as torres gêmeas nos EUA) e a morte de Ayrton Senna.
Além disso, Juscelino viu também o tsunami na Ásia, muito antes de sua formação, quando a maioria sequer desconfiava que a palavra significa “vaga marinha volumosa, provocada por movimento de terra submarino ou erupção vulcânica”.
O certo é que, ao professor, creditam-se acertos em determinados prognósticos que mais tarde freqüentaram com insistência as principais publicações. Pois não é que Juscelino da Luz está com nova previsão em cima da mesa, dessas capazes de deixar o PT insone e angustiado?
Ele enviou carta ao presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), antevendo sua derrota na eleição presidencial do próximo dia primeiro. Garantiu que sua excelência não passa, apesar de pesquisas de intenção de voto que declaram justamente o contrário.
Não se sabe o que nosso amável beberrão pensa a respeito do fato, até porque sua excelência tem se conduzido com visível arrogância e adotando comportamento de quem já ganhou e não deve mais satisfação a quem quer que seja.
Nosso querido pé-de-cana, sentindo-se absolutamente nas nuvens, voltou até mesmo a receber mensaleiros e batedores de carteira juramentados, indivíduos indiciados como integrantes de quadrilhas, tal como o ex-presidente nacional do seu partido José Genoíno (SP).
E Genoíno, cujo irmão (deputado estadual cearense José Nobre, PT) viu um assessor preso no aeroporto de Guarulhos (SP), com a cueca recheada de dólares, teve liminar negada pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral -, ao pedir “direito de resposta” contra a coligação do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB).
O ex-guerrilheiro do Araguaia (denunciado como “delator” no livro do coronel Lício Ribeiro) considerou “violento ataque à sua honra” o fato de a coligação tucana ter veiculado programa no qual se vê citado “como um dos 40 componentes da quadrilha do mensalão”.
Mas isso não é tudo: como os denunciados não vão presos e a corrupção parece mesmo estar liberada, o presidente da República já está montando um cenário, antes mesmo da reeleição, deixando muita gente honesta com a pulga atrás da orelha.
Que pretende nosso amável beberrão? Criar condições, segundo matéria publicada no blog do jornalista Josias de Souza, para que se promova “anistia política”, livrando a cara dos ex-deputados Zé Dirceu (SP) e Roberto Jefferson (RJ).
Já se ventila, inclusive, a possibilidade de Zé Dirceu ir para a presidência da Petrobras, ou o BNDES ou, ainda, Furnas, vejam só. E ficamos todos aqui a imaginar com nossos botões: o que levaria a população, em sua maioria, a reeleger cidadão que patrocinou uma das administrações mais desmoralizadas de nossa República?
Somente o descrédito generalizado, fato que torna tal situação extremamente delicada e perigosa, em inegável atestado de falência das instituições. Depois disso, só nos restará eleger Marcola para a Presidência, ou Fernandinho Beira-Mar.
Depois de tanta denúncia e tanto descaso, da absolvição de deputados federais mensaleiros pelo plenário da Câmara e do indiciamento de 40 integrantes da administração federal, a última coisa que se poderia desejar seria a reeleição do chefe dessa quadrilha. Agora, a esperança reside no acerto de mais uma previsão do professor.
Márcio Accioly é jornalista.
terça-feira, 5 de setembro de 2006
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