segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Só Freud explica: assessor da Presidência da República é obrigado a pedir exoneração por negociar dossiê dos sanguessugas contra tucanos

Edição extra desta segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Freud explica, pelo menos em Brasília. Fica cada vez mais evidente a tese de ligação do governo Lula na revelação sobre o suposto envolvimento dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin com a máfia dos sanguessugas. O Palácio do Planalto foi obrigado a confirmar, a contragosto, que o assessor especial da secretaria particular da Presidência, Freud Godoy, pediu exoneração do cargo, depois que foi apontado pelo advogado Gedimar Pereira Passos como o responsável pela compra de dossiê sobre o envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias. A exoneração de Freud será publicada no Diário Oficial desta terça-feira.

Freud encaminhou seu pedido por e-mail ao chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Por iniciativa própria, Freud Godoy, após se afastar do cargo, apresentou-se na tarde desta segunda-feira à sede da Polícia Federal em São Paulo. onde prestou esclarecimentos sobre a acusação de que teria sido ele a pessoa que mandou comprar um dossiê contra o candidato a governador de São Paulo, José Serra, e o candidato à presidência Geraldo Alckmin.

Em entrevista à TV Globo, nesta segunda-feira, o assessor contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou preocupado com a questão de quebra de confiança. "Eu coloquei que se ´o problema do senhor de governar e de campanha for esse, o senhor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir muito tranqüilo porque tenho como afirmar e como provar que eu não tenho nada a ver com isso". Foi o que teria dito o assessor a Lula, segundo contou na entrevista. Freud Godoy também confirmou na entrevista à Globo que se encontrou quatro vezes com Gedimar Passos, em Brasília, mas negou qualquer envolvimento com a compra do dossiê.

Acareação

Os delegados da Polícia Federal de Mato Grosso, que chefiam a investigação, já pediram à Justiça uma acareação entre Valdebran Padilha, Gedimar, Luís Antônio Vedoin e Paulo Trevisan, que estão presos em Cuiabá.

Valdebran Carlos Padilha da Silva, filiado ao PT, e o advogado Gedemar foram presos nesta sexta-feira, perto do Aeroporto de Congonhas, em posse de R$ 1,7 milhão. Esse dinheiro seria usado pelos dois para comprar um dossiê de Vedoin.

Em depoimento publicado pela revista IstoÉ, na sexta-feira, Gedimar fez referência à pessoa do PT que teria dado a ele a missão de realizar o pagamento dos emissários de Vedoim em troca das informações.

O mandante seria Freud Godoy.

A empresa da mulher

Outro ponto que coincide com o depoimento de Gedimar é que a mulher de Freud tem mesmo uma empresa de segurança.

Durante a entrevista, Godoy confirma que sua mulher tem mesmo uma empresa de segurança e que ele é funcionário da secretaria.

"Isso tudo é verdade. Agora, que eu fiz esse tipo de negociata, de pegar dinheiro, ou mandar alguém fazer alguma coisa, eu quero ver como ele vai provar isso."

Godoy trabalhou na equipe de segurança do então candidato Luís Inácio da Silva. Hoje, ele é funcionário da secretaria particular da Presidência da República, como informa o site oficial do governo.

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