quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Nunca se viu cinismo igual

Edição de artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Num país onde considerável parte das autoridades é de ridículo atroz (mentindo, desviando recursos financeiros e cometendo impensáveis absurdos), o senador e ex-candidato a Presidência, Cristóvam Buarque (PDT-DF), está sempre se superando.

Pois não é que agora sua excelência está defendendo projeto de lei de autoria própria, obrigando “parlamentares e chefes do Poder Executivo em todo o Brasil a matricularem seus filhos em escolas públicas durante o ensino básico?”

Veja só o que o impagável representante do Distrito Federal deseja: que “deputados, senadores, vereadores, prefeitos, governadores e o presidente da República” sejam obrigados a colocar os filhos em escolas públicas, “durante a vigência do mandato”. Que maravilha!

De antemão, para não ser pego com as calças na mão, sua excelência avisa que seus filhos não estudaram em escola pública, porque na época ele não era parlamentar. Ah, tá!

Nota-se de imediato o estado de pureza d’alma de sua excelência, certamente iluminado por insight dos mais vigorosos ao dar à luz tal idéia. Ele é muito propenso a tais clarezas.

Em 1998, quando se imaginou que FHC (PSDB), poderia perder a eleição presidencial para Dom Luiz Inácio (PT-SP), Cristóvam Buarque teve outro importante, digamos, “impulso cognitivo”. E ofereceu sugestão ao então candidato do PT.

Defendeu, com veemência, a permanência de Pedro Malan, Armínio Fraga e companhia, à frente das decisões políticas de nossa economia, para que o país não sofresse nenhum retrocesso, segundo ele, no bom desempenho que vinha sendo aferido.

Isso aconteceu muito antes de sua excelência assinar prefácio de livro do megaespeculador internacional George Soros, execrado por toda esquerda e tido como insensível manipulador de capitais, por causar ruína financeira aos chamados países emergentes.

O problema é que propostas nascidas da cachola de Cristóvam têm hoje certa dificuldade de prosperar. Isso, depois de o ex-reitor da UNB professor José Carlos Azevedo tê-lo chamado de mentiroso, por dizer que possuía títulos de doutorado da Sorbonne (França) e da Universidade Federal de Pernambuco, sem possuir.

Até hoje, passado alguns anos, sua excelência ainda não apresentou os diplomas contestados, desmentindo o ex-reitor.

O representante do DF (pernambucano de nascimento), certamente deverá ampliar seu atual projeto de lei. Trazendo um outro em que também obrigue parlamentares e autoridades em geral a utilizarem apenas o setor de emergência dos hospitais públicos, em caso de tratamento de saúde.

Durante a filmagem do documentário “Fahrenheit 11 de setembro” (disponível em qualquer locadora), o cineasta Michael Moore foi para a porta do Congresso dos EUA solicitar a assinatura dos parlamentares que defendiam a Guerra do Iraque.

Ele queria transformar em lei um projeto que obrigava os filhos dos deputados e senadores a se alistarem nas forças armadas para lutarem no Iraque. Nenhum assinou. Isso, num país em que num certo nível as instituições funcionam.

Cristóvam Buarque conseguiu aparecer. Falta agora mostrar seus diplomas de doutorado, explicar o prefácio do livro de Soros e justificar a defesa desse modelo econômico que nos reduz à miséria. Depois disso, é só se candidatar à Presidência, mais uma vez.

Márcio Accioly é Jornalista.

2 comentários:

Stefano disse...

Que imbecil, que hipócrita!

Anônimo disse...

Chamar este sujeito de cínico é mero eufemismo, pois, trata-se de um completo canalha demagogo. Não se candidata mais a governador do DF pois, sabe que não há a menor possibilidade de vitória, razão pela qual o PT tenta, a todo custo, limar Roriz da vida pública. Sinceramente, acredito que nem a reeleição de senador este canalha consegue, pois, ninguém engana a todos todo o tempo...