quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O Brasil ascende na escala de guerra civil

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Está acontecendo impressionante arranjo migratório no território brasileiro, o qual mereceria atenção por parte de nossas autoridades, tivéssemos nos principais postos de comando pessoas com vocação mínima para a administração pública.

O grande problema dos dirigentes nacionais, desde sempre, parece ser essa incrível capacidade de nada perceber, conforme demonstram e admitem. Especialmente quando flagrados em conluios com desvios e malfeitos.

O próprio presidente da República, Dom Luiz Inácio (PT-SP), vê-se incorporado ao folclore, já que nunca vê nada nem sabe de coisa alguma em redor. Mas existem fatos gravíssimos, à vista de todos, clamando urgentíssimas providências.

Pois bem: nesse novo arranjo migratório, a Capital Federal recebe interminável fluxo de pessoas, as quais dentro de pouco tempo irão se constituir em ameaça ao seu ecossistema. A cidade não tem como abrigar tão vasto número de recém-chegados.

Gente forçada a deixar cidades de origem, fugindo da violência e atraída pelo canto de sereia da possibilidade de emprego. Como se Brasília, paraíso da burocracia, fosse espécie de refúgio, meca do capitalismo tupiniquim, onde a proximidade do poder central atuasse como panacéia na cura de todos os malefícios sociais.

Nos 26 Estados de nossa inexistente Federação, a vida está se tornando um inferno. Em algumas capitais (tais como Recife, Belém e Maceió), os índices de criminalidade transformam indefesas populações em reféns da marginalidade. A violência está se espalhando por todas as capitais.

O despreparo de governantes e administradores, grande parte acusada de crimes e desmandos, reforça, no clima de impunidade explícita, sentimento de abandono que fomenta desespero e arrasta o país inteiro para guerra civil que parece inevitável.

Em Recife, como em outras capitais, existem pontos de aluguel de armas para os que praticam assaltos. Em bairros da periferia, é facílimo alugar armas de pequeno, médio ou grosso calibre (em determinados “pontos”), dependendo do “serviço” a ser executado.

Esses fatos vêm sendo constantemente denunciados pela imprensa, mas não se tomam providências. Seja quem for o governante, parte-se para permanente oba-oba, como se os problemas estivessem equacionados e a solução a caminho.

Colocam-se panos quentes em cima, até que novo desastre aconteça. Como no caso do Estádio da Fonte Nova (BA), onde morreram sete pessoas no último domingo (25), vítimas de desabamento ocorrido. Há dois anos que as precárias condições vinham sendo denunciadas, mas não houve quem tomasse conhecimento.

O Ministério Público da Bahia, de acordo com a promotora de Justiça do Consumidor, Joseane Suzart, vinha tentando a interdição do Estádio desde janeiro de 2006. Agora, finalmente, será interditado.

Foi preciso que ruísse para que o governador Jacques Wagner (PT-BA) dissesse não saber de nada e, depois, informar que pretende demolir o restante para a construção de um novo, olhos postos na Copa do Mundo que deverá acontecer no Brasil em 2014.

Mas haverá mesmo Copa do Mundo no Brasil? Como iremos sobreviver até lá? Alugando armas, também, para enfrentar bandidos bem equipados que circulam livremente nas ruas? E os marginais dentro da máquina do Estado, que transmitem a impressão de absolutos?

O crime, a miséria, o descrédito do aparelho estatal, são fatores que contribuem para visível desarrumação do quadro social, deixando a população completamente aturdida com relação ao seu próprio rumo. Será a guerra civil inevitável?

Márcio Accioly é Jornalista.

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