quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Onde está a verdade?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Valmir Fonseca

A pergunta não é nova, nem original. Arnaldo Jabor, em texto primoroso, ousou indagar sobre o seu destino. Em vão.

Afinal, onde está a verdade? Ela existe? Sim, parece que ela existe ou existiu, inclusive no Brasil.
Para muitos, não existe. Para outros, é como a “quimera”, algo imaginário. Os que acreditam na sua existência, afirmam que a verdade foi - se do Brasil. Por medo ou vergonha, ninguém sabe.
A possibilidade de encontrá – la nos três Poderes da República pareceu – nos pertinente (homens honestos, probos, etc.).

Decidimos de início, procurá – la no Congresso, diante da torrente de nomeações, corrupções, abusos de poder, apadrinhamentos estranhos e uma orgia de atos secretos que foram gestados no Congresso Nacional, e em face das dificuldades para identificar os responsáveis.
Muitos falaram, alguns acusaram, outros se defenderam. Ah sim, todos tiraram o corpo fora. A verdade não estava lá.

Assim, descartamos o Poder Legislativo. Embora a possibilidade de estar guardada e protegida no Gabinete do Exmo Sr Presidente do Congresso tenha sido aventada, indivíduos de má - índole do “Grupo de Busca” repeliram com impropérios a sugestão.

No Poder Executivo? Quem sabe?

As investigações sobre o “affaire”, envolvendo Gilma e Dina, altas funcionárias, confrontadas em declarações contraditórias, poderia trazer alguma luz a respeito do seu destino.
Mas, como duas ilibadas pessoas podem afirmar ou negar, ao mesmo tempo? Afinal, encontraram - se ou não?

A dúvida poderia surgir sobre o que conversaram. Poderíamos ter duas versões do diálogo. Do tipo, uma falou A e a outra entendeu B, ou vice - versa. Duas verdades? Duas mentiras? Uma verdade e uma mentira? É o mais provável.

Duas atrizes no palco da politicagem? Ambas afirmam ou negam com a mesma veemência dos puros e inocentes. Sua voz não soa trêmula ou titubeante. Ambas transpiram e bradam a sua verdade. O “nós estivemos” defronta - se com o “não estivemos”. Logo, uma, diz A, a outra A-1.

Estamos diante de uma dúvida cabal, sem subterfúgios. É ou não é. A verdade, no caso, não se esconde atrás de alguma incógnita metafísica, nem sob abstrações religiosas ou de tratados filosóficos. Contudo, não a encontramos.

Nada comprova a versão de Gilma ou de Dina. Não há testemunhas, como sói acontecer. No entanto, uma mente. Sem agendas denunciatórias (se existiram foram alhures), resta - nos apoiar qualquer julgamento na credibilidade das declarantes.

Apoiados em declarações e atitudes passadas, alguns apóiam Gilma, como é o caso do nosso mandatário, outros, por idênticas razões a deploram. Os fãs de Dina põem a mão no fogo por ela. São duas visões para o mesmo fenômeno. Nem a Física explica.

Será que elas vivem em universos diversos? Dina não estaria sonhando, talvez delirando, ao imaginar – se como num sonho, em profundas entabulações com Gilma, dando vazão às suas aspirações de grandeza, de privar e dividir preocupações com a alta cúpula?

Seria Gilma vítima dos devaneios de uma tresloucada? Ou adoentada e sobrecarregada de pesadas perspectivas, sob intenso estresse, tem lapsos de memória e, fugiu - lhe da mente o fortuito encontro, ou sua ocorrência foi de tão somenos importância, que no torvelinho de seus afazeres, o evento escorregou nos desvãos de sua memória? Ou foi por conveniência?

Infelizmente, a mentira não deixa marcas. Nenhum lanho ou cicatriz surge no rosto do mentiroso. Pelo menos, os mais próximos de Gilma não observaram nada de novo no seu rosto, apesar da descoberta recente do enriquecimento ilícito de seu currículo, pela proposital inclusão de inverdades

Onde está a verdade? Então, com a outra?

Difícil dizer, impossível opinar sem cometer injustiça. Contudo, taxativamente, a verdade não está com uma delas.

Lamentamos admitir, mas não será desta vez que a verdade dará as caras.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada Reformado do EB.

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