sábado, 11 de dezembro de 2010

Turma General Médici – Verdade dos fatos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Durval de Andrade Nery

A verdade dos fatos como me foi relatado por autoridades militares que estavam presentes no palanque durante a solenidade da AMAM.

Durante a formatura da Turma General Emílio Garrastazu Médici na AMAN, o Ministro Nelson Jobim não criticou o patrono da turma como pode ser constatado na transcrição do discurso abaixo.

A verdade dos fatos é que algumas semanas passadas a imprensa noticiou que o Presidente Lula estava revoltado com a escolha do Gen Médici para patrono dos Aspirantes da AMAN, o que considerava uma afronta à presidente eleita.

Uma autoridade militar procurou o Presidente para informá-lo que a escolha do patrono da turma da Academia Militar das Agulhas Negras aconteceu cinco anos antes, com o ingresso dos Cadetes na carreira militar como é de praxe, portanto, o presidente estava no seu primeiro mandato e a Presidente Dilma nem era candidata.

De imediato o presidente Lula disse que em nenhum momento deu essa entrevista muito menos criticou a turma Gen Médici e como não estaria no Rio de janeiro no dia da solenidade determinaria ao Min Jobim comparecer em seu nome para cumprimentar a Turma.

Consta que a notícia da crítica do Presidente foi plantada na imprensa pelo Gilberto Carvalho e Franklin Martins e a fofoca noticiada pelo Cláudio Humberto no dia 7 de dezembro.

Durval de Andrade Nery é General de Divisão da Reserva do EB.

>>>O<<<

Discurso do Ministro Nelson Jobim em cerimônia na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em 04/12/2010:

Excelentíssimo Senhor Comandante do Exército, General Enzo Martins Peri;

Excelentíssimo Senhor Comandante da Marinha, Almirante Júlio Soares de Moura Neto;

Excelentíssimo Senhor Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito;

Senhores oficiais generais, senhoras e senhores:

Aspirantes da turma de 2010 !

Creio que vocês encontrarão um Exército empenhado na busca de novos caminhos para a excelência operacional; uma sociedade que valoriza e respeita os seus soldados; um Brasil embalado na rota do crescimento sustentável e assumindo cada vez mais o protagonismo internacional.

Vamos terminar o ano, considerando os atos econômicos e a situação econômica do Brasil, com um crescimento em torno de sete e meio a oito por cento neste ano, o que representa uma grande reação à crise internacional, que não consegue crescer mais do que um por cento ao ano no mundo.

O cenário mundial, senhores aspirantes, agudiza as incertezas e aponta para as disputas de recursos essenciais. Essas circunstâncias, o conjunto dessas circunstâncias, exigirão de cada um de vocês, além dos atributos correspondentes aos soldados, o constante aperfeiçoamento profissional.

Lembrando que nós não construímos o futuro pensando no passado; e não nos preparamos para o futuro com as mesmas estruturas do passado. Houve equívocos e erros nos processos e conflitos internacionais. Por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, quando generais franceses prepararam-se para a guerra do passado e para o conflito do passado e encontraram, na Segunda Guerra Mundial, o conflito do futuro.

Hoje as ameaças mundiais são completamente distintas. Há uma distinção, e grande, entre a atividade convencional e necessidade de uma preparação assimétrica de rusticidade e de engenhosidade dos senhores soldados. Isso é o que os senhores enfrentarão: o estudo e a compreensão dos ambientes e das populações com quem trabalharem.

Nenhum soldado legitima-se se não tiver atrás de si a legislação do Direito e da Moral. A entrada no conflito precisa ter uma legitimação moral, a realização e os atos durante o conflito têm que ter uma legitimação moral. E também terá que ter uma legitimação moral a saída do conflito. Ou seja, aquilo que Santo Agostinho referia de jus in bello, jus ad bellum, jus in bello e jus pos bellum faz parte exatamente de um futuro incerto que nos vem pela frente.

O permanente zelo pela imagem da instituição a que pertencem também é um dos apanágios dessa necessidade. Também é importante considerar a claríssima defesa do Estado Democrático de Direito e a subordinação do poder militar à autoridade civil democrática instituída no país. Em qualquer situação nós teremos duas ferramentas que podemos socorrê-los: a firmeza de princípios, a honestidade de propósitos e o compromisso com as estruturas democráticas.

Senhores aspirantes, a metamorfose desta manhã em que devolvem o espadim para receber a espada do oficial representa a renovação dos sagrados compromissos com os valores que irmanam os soldados do Brasil.

E dirijo-me também especialmente aos aspirantes do Paraguai, da Venezuela, da República Dominicana e da Guiné Bissau, mostrando exatamente a internacionalização da formação militar em que o Brasil pode contribuir claramente com seus irmãos sul-americanos, com seus irmãos caribenhos e com seus irmãos africanos.

Senhor comandante desta academia, cumprimento a vossa excelência por esta solenidade e desejo a todos vocês, aspirantes, o futuro. E lembrem-se que daqui a quarenta anos, quando vocês estiverem neste palanque como generais e comandantes, será outro mundo, serão outras perspectivas e serão outros os desafios. Portanto, o que exige é que nós tenhamos flexibilidade, cabeça aberta e coragem de enfretamento.

Muito obrigado!

4 comentários:

Anônimo disse...

Com o lula e seus asseclas é assim: todo mundo tem que pedir perdão antecipado, adivinhando que surgirão melindres fajutos de encomenda À espreita de quem imagine nominar , por exemplo, uma turma de formandos com personagem de vulto histórico tornado inconveniente aos olhos do ditador e da porventura ditadora a ser eleita , claro, com o dinheiro dos nossos impostos, jorrado como nuncaantix...
E chamam isso de democracia , em Banânia, naturalmente.
Dada a ignorância dos nativos, como há quem acredite, todas as fórmulas tendem a ser aceitas, inclusive as dos que tentam salvar as aparências com o dito pelo não dito, ou ops, com o não dito por ter sido dito que não foi dito...
Nada como aquele velho aparelhinho chamado gravador: quebra um galho, que só !!!

Anônimo disse...

Consta no Estadão que o trecho com a crítica foi excluído do divulgado na mídia.

Skorpio disse...

Consta que o trecho foi realmente excluído do discurso pelo Ministério da Defesa. Entre a palavra do general e o divulgado pela mídia, fico com a mídia. Como acreditar em um governo que mente com a maior desfaçatez? Como acreditar em um ministro da defesa que, quando ministro da maia alta corte do país, fraudou criminosamente a Constituição e é réu-confesso? Em um país sério, esse senhor jamais seria aceito pelos militares como seu superior. em país sério esse senhor estaria relegado ao ostracismo. Nossos militares perderam a altivez, a dignidade. Lamento, mas sou forçado a admitir que o Brasil acabou.

BOOTLEAD disse...

Ao "bajulador emérito", Gen Durval de Andrade Nery

Carta de coronel confirma incidente com Jobim

Em carta ao comandante da Academia Militar das Agulhas Negras, o coronel Paulo Dartanham Marques de Amorim confirmou o incidente noticiado nesta coluna, envolvendo o ministro Nelson Jobim (Defesa), que criticou a escolha do general Emílio Médici como patrono de uma turma da Aman. Na ocasião, Roberto Médici, filho do ex-presidente, abandonou o palanque. O coronel foi demitido por acompanhá-lo.

Na carta, o coronel Paulo Dartanham cita as palavras “inoportunas” de Jobim e menciona o gesto de Roberto Médici, retirando-se do evento.

O Ministério da Defesa omitiu trecho do discurso de Nelson Jobim na Aman, e militares bajuladores tentaram desqualificar a notícia.

www.claudiohumberto.com.br