domingo, 9 de janeiro de 2011

Comissão da Meia Verdade = Tortura Histórica

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Jorge Serrão

A presidenta Dilma Rousseff vai aplicar o “jeitinho petralha” na Lei de Anistia, de 1979. Já que o Supremo Tribunal Federal não permite que ocorram punições para quem cometeu abusos (em ambos as lados), durante o regime dos presidentes militares, a ex-guerrilheira “Stella” vai aplicar a condenação branca, de terror psicológico e execração pública, contra aqueles que a futura Comissão Nacional da Verdade rotular como “torturadores”.

Os alvos prioritários serão militares e policiais listados em projetos como o “Tortura Nunca Mais”. Como não podem ser punidos criminalmente, pois já foram anistiados, os acusados de cometer violências nos tempos da dita-dura serão condenados a cumprir uma espécie de “pena moral”. Não puxarão cana, mas ficarão oficializados, no registro da História (mal contada), como “torturadores”. E PT, saudações!

Ao jornal O Globo deste domingo, “um interlocutor do Palácio do Planalto” proclama como e por que Dilma vai se empenhar na aprovação do projeto da Comissão Nacional da Verdade: “O Estado brasileiro vai ter de deixar claro que houve tortura e nominar que fulano de tal é torturador. É preciso uma manifestação final de quem foi torturador e o que ocorreu nos porões da ditadura”.

A reportagem destaca que Dilma vai tornar seu governo diferente da gestão Lula no trato de temas como abertura de arquivos e busca pela localização de desaparecidos políticos. Dilma agiu simbolicamente, na festa de sua posse, quando convidou diversas colegas que estiveram presas com ela no presídio Tiradentes, nos anos 70, em São Paulo. As antigas militantes foram a atração no coquetel do Itamaraty. Posaram para fotos até com embaixadores de outros países, curiosos em conhecê-las, como “heroínas que ousaram enfrentar o arbítrio”.

Os planos oficiais estão claros. A turma revanchista da Dilma – agora vencedora e com o poder – vai consolidar os registros reescritos da história como instrumentos de tortura psicológica contra os derrotados pós-64. Os livros de História e CD-ROMs se tornarão os “paus de arara” ou as “cadeiras do dragão” para uma tortura histórica e moralista. A sádica pena ideológica será aplicada a alguns militares e policiais (hoje acuados) que receberem a rotulagem de “torturadores”.

De nada adiantarão reações meramente verbais – como a do General José Elito Siqueira, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, comentando que o fato de haver desaparecidos durante o regime militar não era motivo de se envergonhar ou se vangloriar. A fala ainda deu a brecha para que os revanchistas apresentassem a fantasiosa versão midiática de que Dilma deu um puxão de orelha no General. Quem conhece o combatente paraquedista Elito – que enfrentou as gangues do Haiti – sabe que ele teria “pedido exoneração” se realmente tivesse tomado uma bronca da Chefona-em-Comando das Forças Armadas.

A vontade revisionista e revanchista de Dilma pode lhe gerar embaraços políticos. Esperta e oportunisticamente, o “aliado” PMDB fará o discurso de defesa da interpretação que o Supremo Tribunal Federal deu à Lei de Anistia. O vice-presidente Michel Temer tem a farda e o queijo na mão para se transformar no “protetor dos militares” junto com seu fiel escudeiro, Nelson Jobim. Não foi de graça que o Ministro da Defesa defendeu, com ironia, a Comissão da Verdade.

Teatralmente, Jobim declarou não há divergências dele com a secretária Especial dos Direitos Humanos, a ministra petista Maria do Rosário: “A comissão da verdade é um projeto de lei que foi enviado ao Congresso Nacional. Agora vai depender de uma votação no Congresso Nacional. Esse projeto de lei teve o absoluto apoio do Ministério da Defesa e o meu próprio. Houve uma divergência inicial com o então secretário (Paulo) Vannuchi, sobre a natureza do projeto. O projeto pretendido pelo secretário Vannuchi era unilateral, pretendia fazer uma análise da memória histórica apenas por um lado da história. Nós queríamos que fosse uma visão completa do termo: as ações desenvolvidas não só pelas Forças Armadas na época, como pelo movimento guerrilheiro”.

O Genérico Jobim aproveitou para reclamar que "setores minoritários" das Forças Armadas ainda resistem às iniciativas para esclarecer as mortes e os desaparecimentos políticos ocorridos durante o regime militar (1964-1985). O ministro explicou que os militares que os “opositores” estão na reserva e integram o mesmo grupo que discorda das recentes mudanças no âmbito da Defesa: “Não há nenhuma dificuldade em relação às Forças Armadas. Eventuais bolsões de resistência sobre a memória podem se encontrar em algum setores muito minoritários. Alguns militares mais tradicionalistas da reserva não veem com bons olhos as mudanças que fizemos no Ministério da Defesa, como a subordinação das Forças Armadas ao poder civil democrático”.

O palco da tragicomédia está desenhado. Não é de graça o convite para que o ex-guerrilheiro José Genoíno integre a assessoria especial do Ministério da Defesa. Jobim (na linha de frente), Temer (na retaguarda) e Sarney (na reserva tática) já patrocinam o teatrinho de operações. Os três aproveitam a polêmica sobre a Comissão da Verdade para firmar uma aliança, sempre conveniente, com os militares. Políticos oportunistas sabem perfeitamente que as Legiões sempre servem de sustentação aos “ fiéis aliados”, em tempos de possíveis “dificuldades” políticas.

O ex-chefão-em-comando, o popular Lula da Silva, que curte férias com a família nas mordomias do Forte dos Andradas, às custas do Exército Brasileiro, vai se manter eqüidistante de qualquer polêmica com os militares. Dependendo da conjuntura e da conveniência político-pessoal, Lula pende para o lado da militância ou dos militares.

As Legiões é que devem se cuidar, pois a aprovação da Comissão da Meia Verdade será apenas o ato introdutório para consolidação do esquema revolucionário. A grande indagação é: Terá a santa guerreira Dilma condições de vencer os dragões da maldade historicamente criados pelo revisionismo ideológico revanchista?

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 9 de Janeiro de 2011.

8 comentários:

Mujahdin Cucaracha disse...

É bom que seja divulgado, oficialmente, uma relação de nomes de pessoas citadas como "bandidos torturadores". Por um lado, saberemos com clareza os nomes dos heróis que retardaram por quase quatro décadas a tomada do 'pudê' pela vanguarda do atraso. Por outro lado, tal divulgação, sem as devidas "provas" (todos sabemos que é só disse-que-disse dos tais torturados), poderão, em futuro breve, render boas indenizações por "dano moral".

Kozel® disse...

Muito bem dito ,Mujahdin Periplaneta,aproveito o ensejo e coloco aki uma reportagem da folha de sp:

O Sisfron deve ser implantado em três etapas até estar concluído, em 2019, com custo de manutenção anual estimado em até 10% do total do investimento. A expectativa do governo é obter os recursos com financiamento externo de longo prazo.

O projeto original inclui radar de imagem, radares de comunicação de diferentes graus de sofisticação, vants (veículos aéreos não tripulados) e blindados para abranger a fronteira terrestre, com o foco na Amazônia.

A base operacional do projeto serão os Pelotões Especiais de Fronteira (PEF), que passarão gradualmente dos atuais 21 para 49. O custo médio de cada pelotão é de R$ 35 milhões, incluindo pista de pouso (que tem orçamento independente do Sisfron).

Na avaliação do governo, a porosidade das fronteiras (onde o Exército tem poder de polícia desde 1999) é o problema número um de segurança do país. Com o monitoramento do espaço aéreo na região, iniciado com o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), o contrabando e o tráfico de armas migraram para as vias terrestres e fluviais e é por aí que chegam aos grandes centros, como as favelas do Rio de Janeiro

Airton Leitão disse...

O nome ou codnome da Dilma vai também ser divulgado?

Paulo Figueiredo disse...

Serrão, os esquerdopatas só estão colocando o programa revisionista em pauta porque estão obedecendo ordenamento superior. Na verdade, nem queriam e nem querem. Esta turma gosta muito é de dinheiro e isso não vai lhes render mais nada. Já receberam as bilionárias indenizações como “perseguidos políticos”. Além do incômodo de possibilitar a abertura de arquivos com histórias comprometedoras que podem derrubar alguns mitos de falsos heróis (guerrilheiros por um dia, boi de raça, colaboracionistas, etc.etc.)

Observe que a mesma “ordem superior” (de caçar os militares) foi passada para todos os governantes “vermelhinhos” das Américas e todos colocaram em prática.

Acho que Arlindo Montenegro, com seus estudos sobre os verdadeiros governantes ocultos do planeta, pode explicar melhor que eu. Fica aqui a sugestão.

Abraço.

carlo Germani disse...

Caro Jorge Serrão,

E da parte do terrorismo comunista,
não será questionado nada?
A comunista-terrorista-presidente
Dilma "Estela" Rosseff,não tem crime algum para ser revelado?
O atentado ao batalhão do exército
em SP,quando um cabo foi explodido, quem fazia parte? Dilma Rousseff.
Portanto,chega de moralismos e questionamentos unilaterais.

Anônimo disse...

Os militares deveriam convocar uma entrecista coletiva com os parentes das vítimas da violência da guerrilha: a mãe do Mario Kozel Filho, o Orlando Lovechcio, os filhos do Capitão Chandler, os filhos do tenente Alberto Mendes Júnior etc. E explicar ao país que, a despeito de as supostas vítimas estarem hoje ricas e integrando um governo, os parentes das vítimas da esquerda são seres não-humanos, não merecem ser lembrados. Se ainda houvesse milico com coragem, isso é o que deveria ser feito, para começar logo a mudar esse quadro de mentira institucionalizada. Mas é óbvio que isso não vai acontecer, nossos milicos se deixaram seduzie pelo charme do presidente operário.
Fernando José - SP

José disse...

Brasil está politicamente acéfalo.
Temos um poste sendo laranja de lulla, do PT, do PCdoB, das FARC e dos terroristas que quiseram colocar nosso país na orbita soviética durante a democracia militar.

Também temos milhares de militares melancias traidores, defendendo este regime totalitário do proletariado e dos criminosos.

jobim nomeou genuíno como Comissário Vermelho das nossas FA.

Silêncio entre todos os militares perante esta putativa acção do genêrico louco e provocador!

Está mesmo faltando o quê? Gulags amazônicos?

Se os juros aumentarem com a desculpa também putativa que servirá para conter a inflação, vão ajudar apenas a Oligarquia Financeira Transnacional. Simples!

Pobre país que só sabe ser governado com aumento de impostos e dos juros!

Maravilha!

Anônimo disse...

quantos bilhoês foram pagos ao guerrilheiros e familiaress de guerilheiros que queriam fazer nosso Brasil um comunismo como cuba e russia etc..e os militares que morreram o embaixador americano etc.. as familias de soldados que recebe um misera pensão.. de seu filho que estava cumprindo com a patria, foi morto em serviço, porque ninguém fala esse assunto etc..? etc.. eu acho que tem que julgar os dois lados.. é o mais justo..