domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hipocrisia Militar

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Claudio Buchholz Ferreira

Uma mania humana é analisar as situações por uma ótica simplista, por um viés parcial, sem considerar os méritos que conduziram a determinada situação. Ante o caso do Coronel Ustra, temos ouvido de muitos militares, principalmente da Ativa,um ar de condenação, de desdém,não se atrevem a emitir juízo de valor, mas agem com ar de superioridade, tratando-o como uma espécie de ralé da classe, uma aberração. Vide recente proibição ao Coronel Ustra de proferir palestra no CPOR do Rio, julgando-o inadequado.

Peço licença aos que pensam assim pra seguir o seguinte raciocínio. A história de 1964 já é por todos conhecida, mas só para relembrar, estávamos em plena Escalada Revolucionária, e, após sucessivas demonstrações de anarquia, baderna, desordem, precipitou-se a Contra-revolução. Daí em diante aumentou a escalada do conflito interno, até que, em 1966, o atentado a bomba no aeroporto de Guararapes detonou o início da luta armada.

Pergunto aos que se julgam superiores, como deveria ter sido a reação? Tíbia, vacilante, respeitadora dos direitos individuais, o batido Direitos Humanos. Vivemos uma era interessante sobre a égide do terrorismo mundial. Como os americanos deveriam ter confrontado o terrorismo que numa só tacada matou quase 3.000 pessoas? Usando das estratégias tradicionais, pressão diplomática, negociações? Estes que se arrogam superiores por não terem tido que lutar contra o terrorismo, você como militar que solução proporia?

Agora, fora do contexto é muito fácil qualquer um falar sobre como se abusou na luta contra subversão. Como deveriam ter agido, como na Colômbia, onde "coincidentemente" a guerra subversiva se iniciou em conjunto com a que aqui eclodiu. Para quem não conhece o que aconteceu e acontece na Colômbia, basta seguir a lógica.

Quando do surgimento dos primeiros focos de guerrilha, o estado Colombiano vacilou em tomar decisões duras. Sabem o resultado, milhares de viúvas de militares de todas as armas, quase 50000 mortos, mais de 100 vezes mais mortos do que aqui. Aos que querem ignorar os fatos, basta ler qualquer jornal da Colômbia, veja quantos militares mortos. Isso há mais de 40 anos.

Portanto aos que condenam, saibam que sua paz teve um preço, o fato de poderem viver relativamente em paz, terem um lar para voltar, seus filhos e netos com integridade física, seu próprio bem-estar,é um legado daqueles que cumpriram sua missão, não fugiram ao seu dever, nem a luta.

Soldados da paz jamais devem condenar os soldados da guerra, eles que foram as trincheiras, fizeram o que tinham que fazer.

Na escala da honra isso vale muito mais do que alguém que passou 30, 40 anos em serviço sem sofrer um único arranhão pelo simples fato de ser militar.

Pois foi isso que aconteceu aqui, onde muitos jazem mortos, tendo como único crime ter seguido a carreira militar.

Desçam do seu salto alto, vocês não têm envergadura moral de julgar, muito menos condenar ninguém.Recolham-se aos seus lares, ao seu sono tranqüilo, porque os que cumpriram seu dever, pela ordem e paz da nação estão sendo covardemente linchados.

Claudio Buchholz Ferreira é Capitão-de-Mar-e-Guerra da reserva.

2 comentários:

unTroglodita disse...

Respeitável Sr. Claudio Buchholz Ferreira,

V. Ex.ª foi preciso e bastante justo e correto ao mostrar os fatos ocorridos, bem como os covardes reflexos dos tempos de hoje.
Não há mais magistrados, autoridades pública ou mesmo - e principalmente! - militares com três colhões hoje em dia. Infelizmente, isso acabou - com exceção de sua pessoa.
Os legisladores, estejam onde estiver, são uns despreparados, um bando de submissos e coniventes, cada um em sua quadrilha partidária, pois não existe oposição, somente homens à venda.
Quando a nossa Corte Suprema..., desculpe, mas não sou bom contando piadas!
Infelizmente, o Brasil está cego, e sequer tomou o rumo de "Damasco", pois em realidade, por opção, tomou o caminho contrário, ao pactuar com a sombra que traga a nossa coletividade.
A Contra-Revolução salvou o Brasil, mas caberá aos mesmos militares entregá-la, de mão beijada, sem qualquer reação, à vitória de seguidores de uma doutrina materialista, covarde, assassina e anti crística.
Parabéns!!!

Carlos Bonasser disse...

Caro Comandante Claudio Ferreira, cultivo os mesmos argumentos apostos em seu texto. No que diz respeito a esses novos oficiais, parecem conjuminar com as mesmas ideias imbecís do Jobim de que não se deve olhar o passado, de que as FFAA devem olhar somente para o futuro como se as atuais lições não tiveram as ações do passado sua fonte primárias, uns pobres coitados.
Logo acima há um post em que fala sobre esse morfético movimento capitanista ou sei lá o que, parece mais um monte de filhinhos de papai que não estão satisfeitos com as doutrinas e viver na retidão, patriotismo e a ética.
Deveriam esses novos oficiais\trabalhadores e os atuais Comandantes olharem para o Coronel Ulstra como um herói, pois graças às ações dele e de nossos irmãos de armas do passado que foram participantes da contrarevolução de 1964 é que podemos hoje vevermos em relativa paz e tranquilidade, inclusive podemos pensar no futuro de nossos filhos.
O que eles deveriam se apercatar é do que os politicos atuais estão tramando contra a Republica, haja vista o que ocorreu com o tal decreto do salario minimo, logo logo teremos uma nova Venezuela e nem o povo e nem os milicos estão se dando conta do desastre que será acometida a República e ao Brasil.
Um forte abraço, sucesso e muita saúde a todos.
Carlos Bonasser.
Suboficial-Mergulhador da Resesrva