sábado, 14 de maio de 2011

Erosão da Liberdade

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Maynard Marques de Santa Rosa

Os filósofos humanistas acreditavam que a razão humana é onipotente e ilimitada. Francis Bacon chegou a afirmar que: “a ciência e a lógica podem resolver todos os problemas e ilustrar a infinita perfectibilidade do homem”.

Sob a idolatria da razão, o iluminismo relativizou os alicerces culturais da nossa civilização, privando-a dos referenciais de comportamento que regiam a própria sobrevivência social.

Posteriormente, a insatisfação popular dos novos tempos abrigou-se nas ideologias fratricidas, fazendo grassar a instabilidade. E a religião foi sendo relegada, como “o ópio do povo”.

Parece surpreendente, mas a transformação acelerada dos costumes sociais, que se observa no mundo moderno, não resulta de um processo espontâneo.

Embora admitindo-se que a concentração urbana e a educação do povo favorecem a conscientização, é inegável que a luta pelo poder domina a motivação da maior parte dos fenômenos midiáticos de massificação.

Atualmente, a dialética de formação da opinião pública virou campo de batalha revolucionário. Antes, a força das armas era o último recurso para submeter resistências a interesses vitais. Hoje, é o apelo à propaganda e à mobilização.

A ideologia gramscista intenta subjugar a sociedade, forçando a sua transformação cultural. Para isso, substituiu a luta de classes da doutrina de Marx pela decantada “luta por hegemonia”.

A luta pela hegemonia consiste na defesa de uma idéia minoritária contra o senso-comum tradicional, a fim de levar a maioria das pessoas a aceitá-la como politicamente correta, mudando o seu modo de pensar.

O problema é que não se sabe quem define o politicamente correto; e se a idéia inoculada é válida, justa ou conveniente.

O livre-arbítrio permite, por exemplo, que as pessoas homo afetivas vivam como quiserem, cabendo-lhes o respeito alheio às opções de sua preferência. Contudo, impor o seu ponto de vista ao conjunto da sociedade é um contra-senso ao aforismo aristotélico de que “o todo deve, necessariamente, ter precedência sobre as partes”.

A agenda de luta por hegemonia é permanente e prolífica de temas com potencial de conflito, como: racismo, “bullying”, violência doméstica, machismo, homossexualismo, fumo e muitos outros.

As técnicas mais sutis e criativas de publicidade abusam do sofisma, para convencer uma maioria descuidada. Uma análise superficial do cotidiano permite identificar a engenhosidade dessas campanhas, como podemos observar nos casos abaixo.

“A responsabilidade pelo comportamento violento das pessoas cabe às armas de fogo”. Portanto, devem ser proibidas.

“O que impede as pessoas de cor de ingressarem na universidade é o racismo do povo”. Portanto, deve ser corrigido pela imposição de um sistema de cotas raciais.

“Os pais abusam naturalmente de seus filhos”. Logo, cabe ao Estado dotar os conselhos tutelares de uma atribuição policial.

“O castigo é abominável, por deformar a personalidade da criança”. Assim, deve ser criminalizado.

Aprendemos da sabedoria popular que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”. No entanto, hoje, “o trabalho infantil é exploração”. Logo, se uma mãe atribui à criança uma tarefa doméstica, arrisca-se a perder o pátrio poder.

Reprimido artificialmente um costume natural, resta em seu lugar um vácuo de padrão, passível de ser preenchido pela sugestão do comportamento projetado, o “politicamente correto”.

Após assimilado pelo povo, o novo padrão é imediatamente transformado em legislação. Dessa forma, o direito avança agressivamente sobre o campo da moral, produzindo uma sociedade “controlada”. A cada avanço, a liberdade individual fica diminuída.

A sociedade, perplexa e desprotegida, assiste à progressão dos disparates. Um bandido que arrasta e dilacera o filho para roubar o carro da mãe é resguardado por lei, simplesmente, por ser menor de dezoito anos, ignorando-se o direito da coletividade à legítima defesa.

Existem exemplos de que a História se repete, por falta de atenção. Duas gerações após o trauma da Revolução Francesa, Alexis de Tocqueville escreveu que o delírio dos franceses por reformas toldou-lhes a visão dos fatos, levando-os a abstraírem os valores que haviam inspirado a própria revolução. “A primeira vítima, tombada na guilhotina, foi a fraternidade. A igualdade ficou postergada para o futuro, nas trincheiras dos novos proprietários rurais. E a liberdade dissipou-se, progressivamente, no sorvedouro da massificação e da centralização administrativa”.

Se o bom-senso natural for absorvido pelo turbilhão do senso comum artificial, em pouco tempo, teremos uma população de neuróticos e psicopatas. O caráter brasileiro terá perdido a irreverência espontânea e a alegria. E um povo triste é uma sociedade infeliz.

Tudo isso, porém, carrega uma intenção oculta, um fim político desconhecido.

A quem tem “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, despertar é preciso!

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército da Reserva.

5 comentários:

Ari disse...

Irretocável.
Parabéns. Belo texto. Vou mostrá-lo para as minhas filhas e os jovens em geral.

Athaliba disse...

Eis um artigo para repassar aos amigos.

Anônimo disse...

Prezado Senhor,
Muito bom seu texto. Provoca reflexões.
Tenho apenas uma observação: sou funcionária do Ministério Público do Trabalho e uma das nossas áreas de atuação é contra o trabalho infantil. Atuamos contra o emprego de crianças em atividades e com responsabilidades de adulto. Não se pode empregar crianças. Há inúmeras delas no trabalho doméstico, como empregadas domésticas, outras no corte da cana ou trabalhando a mando de alguém nos lixões. Sem falar no emprego de crianças para exploração sexual, para o tráfico de drogas...em todos os exemplos, as crianças recebem "salários".
Auxiliar a própria mãe em pequenas atividades domésticas não é considerado trabalho infantil. O que não pode ocorrer é deixar uma criança de 9 anos em casa cuidando de outras com menos idade do que ela...Esse tipo de ocorrência requer a intervenção dos Conselhos Tutelares.
Sabemos que essa realidade é complexa e a solução mais ainda. É por esse motivo que devemos exigir políticas públicas que protejam as crianças, principalmente com o ensino integral de qualidade, o que já seria um avanço...a sociedade não absorve adultos sem qualificação, hoje. Se as crianças de tiverem que trabalhar em lugar de estudar...não será difícil prever qual será o futuro delas e o reflexo que isso trará para toda a sociedade, e, o mais importante de tudo isso: as crianças devem ter o direito ao desenvolvimento pleno...não podemos deixá-las à mercê de um golpe de sorte no futuro. Golpe que, invariavelmente, atinge um número insignificante de crianças em detrimento de milhares que continuam reproduzindo a miserável vida dos seus pais...
Estamos lutando para quebrar um padrão de pensamento que acredita que "é melhor trabalhar do que ficar na rua". Não, não é. Lugar de criança é na escola. Tenho certeza que o senhor irá nos ajudar a quebrar esse padrão de pensamento. Esclareço que em nenhum momento o senhor disse que é melhor trabalhar do que ficar na rua. Sua abordagem apenas deu a mim a possibilidade de fazer a observação acima.
Agradeço por ter abordado o assunto.
Maria José Garcia Pereira
Analista de Comunicação do MPT-SP.

Adoniram disse...

Simples e contundente. Nada mais claro. Parabéns.

Anônimo disse...

Prezado General Santa Rosa,
Parabéns pelo texto que leva à reflexão.
Parabéns também à Maria José Garcia Pereira, Analista do MPT-SP, pelo texto postado. A abordagem é precisa e complementa o texto do Gen Santa Rosa.
Richard Blunt, Cpt