domingo, 3 de julho de 2011

Artilharia: ter ou não ter

A guerra é um produto que está nas prateleiras da História e pode ser levado à mídia com embalagem e rótulo  moldados pela propaganda oficial sob a tutela de governantes ambiciosos, oportunistas, justiceiros.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Artilharia: ter ou não ter. Também é a questão. Ilustres personalidades e pensadores que tais caligrafaram textos e mais textos sobre poder militar, guerras, armamento, munição, o Dia D do passado e do futuro, o dia-seguinte, heróis, mártires, vitórias, retiradas, derrotas, sanguinários lideres; assunto sem ponto, presente no conviver (melhor no sobreviver?) do ser humano.

Guerra e Paz na alternância do tempo, do espaço, das belas artes, das pinturas históricas, retratistas, surrealistas, que encantam nos salões ao tilintar dos cristais, matam e mutilam nos campos de batalha ao troar dos canhões e no sibilar das granadas.

Bravos soldados, infantes, cavalarianos e artilheiros empregam seus armamentos sob bandeira diversa e defendem a Pátria com a vida; ganham e perdem batalhas, alinhados nas frentes, flancos e retaguarda, e escalonados com outros colegas nas três dimensões dos TO.

As especialidades não se fundem, nem se misturam, se irmanam e enfrentam o inimigo com os mesmos ingredientes de amor pela Nação e Estado que defendem.

Vence o exército melhor equipado, adestrado, destemido, a combinar na devida proporção, especialidade, qualidade, quantidade, informação, logística e brava gente.

Um homem faz a guerra, justa ou não, e a história demonstra. Napoleão (1807) e Hitler (1939) com forças devastadoras nos campos europeus, Solano Lopes (1864) invadindo o Brasil e a Argentina e não muito distante, Galtieri (1982) na Guerra das Malvinas desafiando a Inglaterra. Líderes que motivam a nação, exploram antagonismos históricos, perdas territoriais, expansionismo “necessário”, etc.

A guerra é um produto que está nas prateleiras da História e pode ser levado à mídia com embalagem e rótulo moldados pela propaganda oficial sob a tutela de governantes ambiciosos, oportunistas, justiceiros.

A ameaça é uma permanente presunção e a hipótese de guerra não se restringe à imaginação. O Estado consciente se prepara para a guerra, no mínimo para dissuadir um provável agressor, insano que seja.

O mundo vive em guerra, declarada ou não, no passado próximo da bipolaridade EUA versus URSS, na caçada ao terrorismo, derrubada de ditadores inconvenientes em dado momento e na garantia do energético petróleo.

O investimento em forças armadas é crescente; ciência e tecnologia a serviço do poder militar, negócios e negociatas no comércio de armas.

No Brasil se dá o inverso, negociatas em alta e prestígio das Forças Armadas em baixa. Sucateamento é expressão corriqueira em artigos de civis e militares; militares não incluídos no Programa Fome Zero; quartéis com meio expediente desestimulante e efetivos, particularmente da força terrestres, reduzidos.

Nesse contexto está em jogo a Poderosa Artilharia de Mallet que na luta se impõe pela metralha, implícita na sua missão.

De forte significado foi exaltada como Ultima Ratio Regis.

Assim, a missão da Artilharia é apoiar pelo fogo as tropas de Infantaria e de Cavalaria e de aprofundar o combate.

É “par da Infantaria nos combates, nas marchas, na vitória” e acompanha “a Cavalaria nos contatos, nas cargas e na glória”.

Há que estar presente quer na defesa do litoral contra desembarque anfíbio e no mar distante, contra a ameaça aérea na proteção de pontos sensíveis e da tropa amiga, nos campos e nas montanhas.

Porte do armamento e o forte estrondo que ressoa destacam que “Da batalha sinistra a melodia é mais alta na garganta da Pesada Artilharia.”

É tão pesada, específica, com características para a realização dos tiros precisos advindos de cálculos, entradas e saídas de posição adequadas e oportunas, dissimuladas para não serem alvos compensadores dos ataques aéreos, que não se enquadram nas exigências de mobilidade típicas das armas de Infantaria e Cavalaria.

Não se pode conceber o infante como padioleiro, padioleiro como enfermeiro, enfermeiro como médico, cavalariano como artilheiro, independentemente das especialidades e condicionantes de cada formação, mas principalmente da vocação e estrutura psicológica dos homens.

Homem certo no lugar certo.

O terreno é esse baita chão chamado Brasil, descoberto por Portugal, defendido e preservado por bravos e heróis na formação dessa inquebrantável nacionalidade, fruto do pacto de sangue entre os brasileiros primitivos que o habitavam — os índios — brancos e negros que aqui se mesclaram.

Selva, caatinga, pantanal, campos e montanhas a exigir conveniente adestramento, seleção de material e pessoal.

O canhão transportado no lombo dos muares, tracionado pelos Perchoron e na artilharia de posição não era o mesmo. Hoje, então, dispensável citar, com a ameaça aérea mais potente e a tecnologia da informação mais presente.

A tecnologia evoluiu, os alcances são outros, mas os obstáculos continuam os mesmos, a exigir mais estudo, aperfeiçoamento, especialidade.

Uma fronteira terrestre com 15.700 km, sendo 11.500 km na Amazônia e um litoral de 8.500 km de extensão em 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Aspectos fisiográficos distintos a impor materiais e tropas adequados ao emprego de uma força convocada e preparada anualmente sob serviço militar obrigatório e que para ações de guerra, a mobilização vai dar o ritmo da defesa e reação, o que não deixa de ser uma vulnerabilidade.

Materiais de guerra cada vez mais sofisticados sem um contínuo emprego por pessoal especializado e em regiões carentes de tudo, estudo, saúde e qualificação profissional.

Não bastasse o método adotado, extinguem-se organizações militares das regiões sudeste e sul para a composição de uma estrutura sumária, incipiente na extensa região amazônica. Uma região que tem sido numa primeira etapa compartilhada entre o Brasil e as nações indígenas alimentadas por incentivos alienígenas.

Os novos estrategistas descobriram que a Argentina é que carreou uma grande concentração de tropa na região sul, atualmente desnecessária (????) por conta da gente de esquerda da luta armada que ascendeu aos postos máximos de governo cá, como lá, como se a amizade rubro-terrorista afastasse qualquer possibilidade de confronto futuro.

Nítido cobertor muito curto para proteger o berço esplendido gigante pela própria natureza, rico, exuberante e ambicionado.

O Brasil não tem inimigo declarado, tem ressentimentos demonstrados por próceres de governos vizinhos ainda decorrentes dos desenhos das fronteiras que os definem.

Apreciações de figuras das mais variadas nacionalidades sobre a nossa floresta amazônica, como a mais recente, neste junho/2011, do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de que o desmatamento da Amazônia é um problema global, e não apenas do Brasil, se constituem em ameaças não veladas. Repetição do pensamento e de outras ações como as do príncipe Phillip em reuniões com indígenas e da contestação de qualquer tipo de desenvolvimento como concretização da Usina de Belo Monte.

O cenário sul-americano com dez países na fronteira do Brasil tem na história razões que alimentam governantes em busca de notoriedade e de recursos que os promovam politicamente e consequente permanência no poder.

Notícias mais recentes sobre o tema não deixam dúvidas.

No grau mais elevado de investimento nas forças armadas destaca-se a Venezuela sob Hugo Chávez que usa a democracia para se perpetuar no governo e estender aos países vizinhos o seu socialismo ou morte, calcado no eixo Havana – Caracas – La Paz e na Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), já integrada por Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua S. Vicente e Granadinas e Antígua e Barbuda.

No dia 9 de junho/11 Hugo Chávez e Raul Castro assinaram os termos de criação da Escola de Formação das Forças Armadas da ALBA. A sede do instituto ficará na Bolívia e terá um núcleo em Cuba.

Ao que indica há uma preponderância de um pacto militar diferente dos tradicionais acordos de cooperação militar. Bolívia, pós Evo Morales, é incorporada como satélite e pólo irradiador do sonho cubano Fidel – Che Guevara.

O Acordo de Cooperação Militar entre a Venezuela e a Bolívia, assinado em maio de 2006, prevê a instalação de 24 bases nas fronteiras bolivianas com Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru.

A permanente aspiração de acesso ao mar pela Bolívia e o pronunciamento de Evo Morales a respeito, fez com que o Chile advertisse que suas Forças Armadas estão preparadas para defender a soberania do país. Morales manifestou a intenção de buscar uma entidade internacional para provocar uma negociação.

O que consideram perdas territoriais e o Dia do Mar, são ensinados nas escolas, sedimentando conceitos, pretensões, antagonismos.

Por outro lado, uma possível aliança entre Peru e Bolívia desagrada aos chilenos que têm antecedentes de conflitos na região fronteiriça.

Evo Morales já “atirou” na direção do Brasil quando se referiu que o seu país trocou o Acre por um cavalo, além da ocupação militar das refinarias da Petrobras em solo boliviano.

Na Guerra das Malvinas, uma revista sem lembrar o nome, publicou matéria com um mapa sob o título “Perdas territoriais das Províncias Unidas do Rio da Prata” como a estimular o povo argentino a prestar todo o apoio possível na guerra contra tropas inglesas pela posse das ilhas.

Demonstrando que toda aquela área era parte da Argentina, incluindo Bolívia, Paraguai, Uruguai... (“La Argentina ha sufrido en el pasado pérdidas territoriales de importancia que no deben repetirse). Na fronteira com o Brasil havia uma inscrição NO RECLAMADO.

O Paraguai explora bem as questões do passado, mantendo uma diplomacia pendular com a Argentina e o Brasil. Ultimamente vem obtendo êxito nas alterações do Acordo de construção da hidroelétrica de Itaipu vendendo ao Brasil o kWh por preços mais elevados.

O equilíbrio está em que os países do conjunto apesar das perdas territoriais, de um modo geral não querem ou evitam por conveniência diplomática discutir as linhas de fronteiras consideradas consolidadas. Mas,....

A Amazônia é hoje o calcanhar de Aquiles por seus recursos naturais, grandes vazios demográficos, questões de fronteira históricas (vide Pirara), e, particularmente pelos cavalos de Tróia que lá têm sido colocados na calada da noite, à luz do dia, a peso de ouro para suprir os bolsos profundos de corruptos e ingênuos.

Nações indígenas incentivadas no presente, do tipo Reserva Yanomami e Raposa Serra do Sol, não vão acender o cachimbo da paz no futuro, mas, sim, o pavio da guerra interna e da secessão.

Os meios — material de defesa e soldado, de um modo geral e em particular de Artilharia — são sabidamente insuficientes face à missão, à imensidão do território e ao provável inimigo nessa “frente de combate” com 15.700 km de fronteira terrestre e 8.500 km de litoral.

Nem sempre vai imperar a qualidade do material bélico à disposição do soldado por seu custo elevado, fazendo com que a quantidade supra em parte a necessidade.

Também não se pode adotar solução simplista para problema complexo: divisão de tiro por arma, por ano. Isto é, soma-se o número de cartuchos para fuzil, divide-se o resultado pelo número de armas e se obtém a quantidade a ser usada na formação do soldado. Assim, todo o efetivo será atirador de elite ou ninguém vai aprender a atirar.

Um canhão tem o preço bem maior do que um fuzil, bem como o projétil que vai ao encontro do inimigo para neutralizá-lo. Um canhão desempenha o papel de muitos fuzis, mas ambos são necessários. Ações de atacar e defender não se realizam em uma única linha, quer no litoral, no ar, no mar, na terra. Imprescindíveis todos os vetores empregados contra os alvos inimigos. Nem se pode jogar fora o armamento, obsoleto para países ricos, sem que seja substituído por outro mais moderno.

A Cavalaria não abandou o cavalo enquanto não recebeu os blindados. Na década de 60 ainda havia muita unidade hipo, até de Artilharia.

Paralelamente ao tema sucateamento das Forças Armadas circula pela internet o específico sobre a Artilharia. Estiolamento de um conjunto que tem servido para atender os reclamos de reduzir orçamentos, alienar aquartelamentos, extinguir cargos. A Artilharia é uma arma mais dispendiosa e vem sofrendo esse desgaste já há algum tempo.

A propósito, a canção da Artilharia, por seu verso, “Quer de Costa, Antiaérea ou Campanha, hoje está mutilada, pois a de Costa não mais existe mesmo diante desse imenso litoral. Uma puerícia típica do brinquedo jogado no canto, que não funciona em boas e modernas condições, como um carrinho que não tem roda, nem movimento a não ser se for empurrado.

Ora, dizer que a mobilidade vai permitir com que a organização militar chegue à zona de reunião e seja destinada à posição de defesa é até admissível, mas daí a destruir uma mentalidade vocacionada para uma finalidade e historicamente forjada vai uma distância muito grande.

A Artilharia está presente nos navios de guerra e vai combater o inimigo no TO marítimo, mas não se pode desprezar o desembarque anfíbio, onde a defesa do litoral pela força terrestre assume papel preponderante, a exigir um misto de conhecimento e preparação, função dos meios em confronto e do meio ambiente.

O Projeto História Oral do Exército que tem como Coordenador Geral o Gen Bda Aricildes de Moraes Motta editou o livro HISTÓRIA ORAL DA ARTILHARIA DE COSTA, cujo Coordenador do Projeto é o Gen Bda Geral Luiz Nery da Silva, que apresenta o depoimento de vários ilustres estudiosos e copartícipes dos processos de formação e adestramento dos artilheiros de costa, onde externam a discordância da extinção desse importante ramo da Artilharia.

A destacar trecho da entrevista do Gen Bda Hamilton Bonat, Comandante da 1ª Bda AAAe e de Costa no período 2001 a 2003: “a presença do Sistema de Foguetes ASTROS II, de fabricação nacional, era motivo de justo orgulho, não só para a Brigada, mas em particular para os militares que serviam nas Unidades de Costa. ... Quando soube da extinção das Unidades de Costa, procurei informar-me, pois fiquei apreensivo com relação à doutrina até então estudada e divulgada pela Escola. Soube que o assunto continuaria a fazer parte do currículo. Entretanto, a meu ver, mesmo com a melhor das boas vontades e do empenho dos instrutores, o passar do tempo fará com o assunto esmaeça. ... Dispor de um material de última geração na Defesa do Litoral — flexível, dual, altamente móvel, de considerável alcance, elevada cadência de tiro, impressionante poder de fogo e notável versatilidade operacional — fará com que a Escola contribua efetivamente para a evolução da doutrina, nos níveis tático e estratégico.”

Como fonte de especulação eis uma das mensagens recebidas que nos levam a refletir. (Desconheço a autoria)

“Em linhas gerais a proposta que teria sido apresentada...:

- Extinção das atuais AD e criação de um Comando de Artilharia (Gen Div) e duas Bda Art;

- a 1ª Bda terá sede em Cruz Alta e será integrada pelas seguintes OM: Bia Cmdo, 3º GAC 105 mm AP, 5º GAC 105 mm AP, 26º GAC 105 mm LG, 15º GAC 155 mm AP, 29º GAC 155mm AP, Pq Mnt Mat Art, ocupando as instalações do 13º GAC que será extinto, Bia BA.

- em uma segunda fase (2015-2020) reduzir a Bda a um Rgt Art Cmp com dois GAC 155 mm de longo alcance e alta precisão, com aquartelamento próximo a um campo de tiro.

- a 2ª Bda terá sede em Niterói e será integrada pelas seguintes OM: Bia Cmdo, 2º GAC L, 20º GAC L, 31º GAC 105 mm AR (OM escola), 32º GAC 105 mm LG (mantida a Bia de Cerimonial), 14º GAC 155 mm AP, 18º GAC 155 mm AR (material oriundo do 27º GAC), Pq Mnt Mat Art, ocupando as instalações do 11º GAC que será extinto, Bia BA.

- em uma segunda fase (2015-2020) reduzir a Bda a um Rgt Art Cmp com dois GAC 155 mm de longo alcance e alta precisão, com aquartelamento próximo a um campo de tiro.

O material OTO MELARA dos GAC L deverá ser substituído por Mrt 120 mm, ou então se deve extinguir os dois GP.

- 6º GAC LMF

- 3 Bia LMF

- Centro de Instrução de Artilharia

- Pq Mnt Missil e foguete

- Bia BA

- OM subordinadas diretamente às Bda: 1º GAC Sl, 10º GAC Sl e 8º GAC Pqdt (dotados de Mrt 120 mm e meios de BA)

- OM a serem extintas: 4º GAC, 6º GAC, 7º GAC, 9º GAC, 11º GAC (transformado em Pq Mnt Mat Art), 12º GAC, 13º GAC (transformado em Pq Mnt Mat Art), 16º GAC, 17º GAC, 19º GAC, 21º GAC, 22º GAC, 25º GAC, 27º GAC, 28º GAC.”

Mesmo não acreditando nos dados apresentados na mensagem, diante do que se escreveu neste artigo que defende uma linha contrária à redução dos efetivos de Artilharia, bem como das outras armas e serviços do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, há aspectos a destacar como forma de incrementar, reorganizar, aproveitar e aprimorar estruturas para contornar problemas políticos que interferem na missão constitucional das Forças Armadas como instituição.

Fala-se sobre o número exagerado de generais do EB, quando se sabe que o efetivo que o compõe é pequeno face às necessidades que o país-continente exige. Não sobram generais, há falta de soldados. Generais não são preparados na rapidez de uma mobilização. Quando passam para a reserva, com 40, 50 anos de serviço, estão prestes a se reformar.

A transformação dos Comandos de Artilharia Divisionária em Brigadas de Artilharia se identifica com a nossa proposta escrita no livro da História da AD Brigadeiro Gurjão (AD/3), no prelo, juntamente com a Academia de História Militar Terrestre do Brasil, presidida pelo Cel Claudio Moreira Bento, abaixo destacada:

“À guisa de introdução, vamos encontrar as raízes da Artilharia Divisionária da 3ª DE e da própria 3ª Divisão de Exército na Guerra da Tríplice Aliança.

A Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército - AD/3 — ARTILHARIA DIVISIONÁRIA BRIGADEIRO GURJÃO — tem a sua sede em CRUZ ALTA/RS, que como a sua designação indica, integra a 3ª DE, DIVISÃO ENCOURAÇADA, em SANTA MARIA/RS.

A 3ª DE é tão DIVISÃO ENCOURAÇADA, do Brigadeiro Sampaio, como a AD/3 é BRIGADA DE ARTILHARIA, do Brigadeiro Gurjão e do Marechal Mallet.

Essa é a designação histórica — Brigada de Artilharia — forte e identificada como as demais, quer seja Brigada de Infantaria ou de Cavalaria, de atuação gloriosa na Guerra do Paraguai.

Justo seria que ao invés de ser designada por Artilharia Divisionária se chamasse Brigada de Artilharia por equidade com as Brigadas de Artilharia Antiaérea ou de Artilharia de Costa, que além das tradições dos campos de batalha, impregnadas de heroísmo, onde atuou intensamente, apresenta uma flexibilidade, podendo integrar um elemento de comando enquadrante, sem alterar a própria designação. Assim, a atuação da 3ª Brigada de Artilharia com um Exército de Campanha, o seria com maior facilidade do que com o nome de AD/3, pois vincula o elemento de emprego ao comando superior.

A necessidade da massa de fogos de Artilharia, obtida por uma centralização dos seus meios, para uma melhor coordenação e controle, tendo como objetivo proporcionar aos combatentes das armas base um eficiente apoio, se fez presente nas Campanhas do Uruguai e Paraguai e marcou a História com os feitos heróicos dos soldados desse segmento do Exército Brasileiro, quando despontou a figura impoluta de Mallet, consagrado por todo o seu mérito, Patrono da Artilharia.

A raiz da História da AD/3, como Brigada de Artilharia, lá indubitavelmente se encontra.”

Sob esse ponto de vista, entendemos que as Divisões de Exército deveriam ter no mínimo uma Brigada de Artilharia, com seus Grupos de Artilharia diretamente subordinados, não só subordinação técnica para efeito de instrução. Unidade de Comando, por principio.

Possuindo mais de uma Brigada de Artilharia, implicaria na criação de um Comando de Artilharia (Gen Div).

De acordo com as necessidades, Brigada de Artilharia de Costa e Antiaérea ou Brigada de Artilharia Antiaérea.

Uma Brigada de Infantaria ou de Cavalaria isolada, aí sim o Grupo de Artilharia integraria a Brigada, uma forma de emprego eventual da Artilharia e não normal.

Estranha-se na mensagem/estrutura apresentada, falsa ou verdadeira, a inclusão do Parque de Manutenção de Material de Artilharia sob o Comando da Brigada de Artilharia (operacionalidade versus escalão de manutenção).

Quanto ao Morteiro 120 mm ser orgânico de Artilharia, é bem doutrinário para se imprimir maior mobilidade às ações da Infantaria. O material é pesado, usa a técnica de tiro da Artilharia, demanda mais tempo na entrada em posição, pode ficar mais à retaguarda e prestar apoio de fogo em boas condições no alcance de tiro da ordem 7.000 m. O da foto ao lado é o morteiro leve K6A3 de origem israelense empregado pelo Btl Art dos Fuzileiros Navais.

O EB emprega o morteiro 120 mm em caráter experimental no 10º GAC Sl.

Por oportuno, vale recordar do tempo de alunos da ECEME 1977/1978, como capitães ou majores, no cinema, um colega da Turma Duque de Caxias, 1962, brilhante oficial de Infantaria, se levanta e versando sobre assuntos correlatos, diz que o morteiro 4.2 ou 120 deveria ser orgânico da Artilharia. Foi um zum zum zum daqueles. Estava certo, não?

Em tempo de políticos e governantes pouco interessados em assuntos de segurança externa se constata uma visão do passado pouco previdente. Os pontos de ruptura não foram admitidos no processo de desenvolvimento. As organizações militares como fábricas foram paulatinamente desativadas e já de algum tempo a munição é ponto crítico para a formação do combatente, em especial a dos obuseiros/canhões. Parecia que comprar seria mais fácil do que produzir. Não é. Pagamento de pessoal é prioritário na orçamentação, aquisição de munição, não. Naquela época não faltava munição de 75 mm e de 105 mm.

Reduzir mais o que se tem, é o fim da dissuasão.

Se não se pode ter mais sofisticação no material bélico, que se tenha quantidade. O território clama e a preparação para a guerra significa soberania e para defender o país contra uma suposta invasão qualquer que seja.

Quem sabe, até reativar os canhões 75 mm e formar Grupos de Artilharia com esse material e voltar a produzir munição para os canhões, como OM ou como empresa.

Urra!... Urra!... Urra!... (final da Canção da Artilharia)

Para reflexão.

Notícias e notícias.

“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que comprará armamento suficiente para armar um milhão de venezuelanos para defender o país contra uma suposta invasão norte-americana.”

“Hugo Chavez investirá 300 milhões de dólares para instalar na Venezuela duas fábricas de munições e de fuzis Kalashnikov AK 103. O contrato com os russos prevê a capacitação de funcionários venezuelanos na Rússia e a transferência de tecnologia de produção dos fuzis para a Companhia Anônima Venezuelana de Indústrias Militares (Cavim, estatal), que, em três anos, já dominará o processo produtivo. As fábricas terão capacidade para fabricar 50.000 fuzis por ano,...”

“Desde 2005, o governo de Hugo Chávez comprou mais de 4 bilhões de dólares em aviões, helicópteros de combate e fuzis à Rússia, e no ano passado fez uma nova encomenda a esse país de tanques e mísseis de defesa antiaéreos, aquisições que provocaram críticas de Washington.”

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

3 comentários:

Thales Rocha disse...

Hoje tem reunião em Bsb pra decidir o destino das AD.

Thales Rocha disse...

Hoje tem reunião em Bsb pra decidir o destino das AD.

Anônimo disse...

Bolsonaro Presidente!