quinta-feira, 28 de julho de 2011

Censura, não. Mas o terror precisa de limites!

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Censura judicial (prévia ou posterior) é inadimissível. Inclusive, embora praticada no Brasil, é Inconstitucional. Isto não se discute. É cláusula pétrea da Constituição a garantia da Liberdade Artística, de Pensamento e de Expressão. Até os iluminados do Supremo concordam com isto.

Existe alguma forma de censura cabível? Claro que sim. Aquela oriunda da Liberdade Individual de Escolha. Quem não quer consumir uma obra cultural não é obrigado a fazê-lo. O filme é ruim, pornográfico, faz apologia ao crime? Ninguém, com bom senso, é obrigado a vê-lo. E se alguém censurar, por qualquer motivo, a Internet vai lhe arranjar um jeito de driblar a alegada censura. Fazer downloads ou cópias ilegais de obras audiovisuais é um risco que muita gente corre, e que mundo virtual ainda permite. Até quando, só o Deus de Matrix sabe.

Por tudo isso, serve para muito pouco a polêmica midiático-intelectualóide sobre "A Serbian film - Terror sem limites". A obra do diretor sérvio Srdjan Spasojevic tem méritos estéticos cinematográficos? Tem sim! Merece ou pode ser censurada? Em tese, não! Mas dá para aceitar as cenas brutais de violência com necrofilia, estupro de um recém-nascido e incesto envolvendo uma criança de 5 anos, tudo para contar a história de um ator pornô que, em seu último trabalho, é drogado e levado a realizar diversas atrocidades?

Do ponto de vista humanista, a resposta é um “Não” (rotundo)! Do ponto de vista da criação artística, critério cada vez mais perigoso neste mundo formador de midiotices, a resposta é muito relativa. Defensores do filme tentam argumentar que é “uma é uma obra inovadora de terror: traz um medo que nos abala, nos tira da mesmice”. Na visão defensiva, Serbian" é um filme de terror, feito para chocar e causar repulsa. Pode até ser. E se não for?

Eu vi o filme. Não entro na onda fácil do "eu não vi, mas proibi". A cópia que recebi, vinda da Europa, é sem cortes, A obra é um “Pulp fiction” sexual, sem a genialidade tarantiniana. Realmente, tem cenas chocantes. Que só devem ser vistas e analisadas por quem tem um mínimo de equilíbrio. O terror, no filme, não tem mesmo limite. Pelos valores humanos, é bem nojento. Abusa da violência gratuita. Exagera na tensão e na crueldade.

Repito o que já escrevi. “A Serbian Film” tem a feição hedionda de mais um lixo produzido pela Engenharia Social. A todo momento, consciente ou inconscientemente, somos bombardeados pelo processo político-ideológico de construção psicossocial de regras padronizadas de conduta humana. Os ideólogos tentam regular nossa linguagem e nosso modo de agir, de duas formas. Ou através da adoção prática de termos e expressões politicamente corretos. Ou pela exposição da anti-estética, pelo medo ou terror. Assim, a Comunicação - o instrumento básico de construção do Poder Real – é usada para deformar mentes, construir, destruir e reconstruir conceitos que interessam ao sistema dominante.

A Engenharia Social usa a Comunicação, suas mídias e seus profissionais (agentes conscientes e inconscientes) para difundirem ideologias, “valores” e conceitos subjetivos, imprecisos ou sem base na verdade concreta e objetiva. Tudo para moldar a sociedade dentro do pensamento globalitário da Nova Ordem Mundial – sob comando da Oligarquia Financeira Transnacional. Em uma sociedade com Educação precária, ou que não ensina o sujeito a pensar, o terreno fica escancarado para a midiotização em massa. Isto é, o uso da mídia para formar idiotas ou coletivos. Eis a socialização da Imbecilidade.

Pela legislação brasileira, sem cortes (ou censurinhas), “A Serbian Film” afronta o Estatuto da Criança e do Adolescente. Claramente, fere os valores familiares (que andam muito fora de moda no Brasil). Por ironia do destino, no Brasil, seu destino virou “segredo de Justiça na 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso”. A juíza Katerine Jatahy Nygaard proibiu a exibição do filme no RioFan (Festival Fantástico do Rio). A desembargadora Gilda Carrapatoso negou um recurso feito pelo distribuidor Raffaele Petrini para liberar sua exibição. O filme agora não pode ser exibido sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

As duas magistradas agiram corretamente, sem terem visto o filme? Talvez, sim! O argumento de quem as acionou para impedir a exibição do filme tem procedência real. A censura judicial foi acertada? Tecnicamente, com base na Constituição, não! Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, o conteúdo do filme permite restrições! Sem cortes (que, repito, é uma forma de censura), o filme não pode nem deve ser visto por menores de 18 anos. É o terror do terror!

A única discussão gerada por tal filme, que vale a pena de ser amplamente debatida é: o terror precisa de limites. O terror só pode ser neutralizado com valores cristãos, familiares, educativos que a Nova Ordem Mundial avacalha a todo instante.

De nada adianta apenas censurar, escondendo a sujeira debaixo do tapete do falso moralismo (que é a mais pura contravenção da moral). Debater é preciso. Mas não podemos perder tempo com os problemas. Precisamos de soluções para o Bem Humano, do ponto de vista individual e coletivo.

Ou retomamos e valorizamos os valores cristãos, familiares e educativos, ou o terror na nossa vida (irreal) será cada vez mais ilimitado, para prazer dos Engenheiros globalitários.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão 2006-2011. Edição do Blog Alerta Total de 28 de Julho de 2011. A transcrição ou copia deste texto é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

4 comentários:

Anônimo disse...

Não vi o filme. Aliás, filmes de "terror", nada me dizem. Considero palhaçada e desperdicio de tempo. Contracultra. De terror sem limites, já basta este governo e o anterior ao serviço da Nova Ordem Mundial ou Novo Governo Mundial, colonizarem e saqueraem o Brazil com plena autorização dos ditos governantes sociopatas e psicopatas. Um deles anda por aí dizendo que ainda não desencarnou do cargo de Presidente da Republica. Então temos dois governos e um só Brasil? Não tem só um responsável que dê um BASTA a esse sevandija louco, alcoólatra, corrupto e ladrão de um crucifixo e de uma Biblia que fazem parte do patrimônio da Nação brasilileira que se encontravam depositados no gabinete presidemcial?

Quanto ao filme a que se reporta seu artigo, só mesmo um psicopata pode colocar uma cena onde se viola um recem nascido. Pedofilia de uma criança com 5 anos, è pratica corrente em nucleos familiares anômicos e, não poucos como se julga.

Só por essa cena extremamente chocante proveniente das meninges de um louco em violar um recem nascido, que não conhece limites e aceite por quem patrocina o "filme" em questão, nem deveria existir pois tem nada a ver com o "terror", mas sim com praticas sexuais aberrantes.

Se a obra do diretor sérvio Srdjan Spasojevic tem méritos estéticos cinematográficos? Não! não pode ter! Aliás, que méritos estéticos cinematográficos podem existir nessa obra? A qualidade da imagem? Só pode! Necrofilia? Ela existe! Pedofilia? Ela existe! Agora, violar um recem nascido? Espera aí, Jorge! Tudo tem limites! Ver méritos estéticos cinematográficos numa violação que nem sonhava poder existir, não há merito algum! Esse recem nascido será o proprio filho? O próprio neto? Ele gostou? Gozou? Repetiu? Tudo bem! Problema dele e da justiça da Servia.

Certamente que irá circular pela net e com isso despertar profundos sintomas animalescos um pouco por todo lado. Loucos não faltam. familias sem regras morais, ainda menos.

Concordo com a actuação da juíza Katerine Jatahy Nygaard que proibiu a exibição do filme no RioFan (Festival Fantástico do Rio) e com a desembargadora Gilda Carrapatoso negou um recurso feito pelo distribuidor Raffaele Petrini para liberar sua exibição.

Anônimo disse...

Independente de rótulos,achismo ou
qualquer coisa precisamos de,no mínimo,ter bom senso.
Não é por sermos contra a censura,
sermos democratas,que não se prescinda de se impor limites.
Todos já nascem com noções de certo
e errado,do justo,do verdadeiro,do conveiente...etc
Em nome de quem e para que ser toleradas tais bestialidades e aberrações?
Tais cenas de pseuda arte,nada é
mais que apologia da maldade gratuíta.
Só mesmo abjetos,escória moral e
mesmos portadores da síndrome do
mal se acham seus defensores.

Anônimo disse...

Caro Serrão,

Concordo em parte com sua opinião.

Realmente não precisamos de filmes violentos, mas devemos ser contrários a qualquer tipo de censura.

Não vi o filme nem pretendo assistir esse tipo de barbárie, mas quem quiser assistir deve ter esse direito.

Um forte e fraternal abraço!

Roberto

Razumikhin disse...

"Epater la burgeoisie" hoje em dia não é mais banal como era no século XIX. O "artista" contemporâneo precisa caprichar na maldade para escandalizar.