terça-feira, 12 de julho de 2011

Franceses e brasileiros: uma honrosa coincidência histórica e o Caso DSK

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa

O caso do capitão Dreyfus e o caso do diretor do FMI, DSK – os dois mais rumorosos casos criminais envolvendo cidadãos franceses – apesar de ocorridos com mais de um século de separação, têm suas similaridades.

E, por honrosa coincidência, dois brasileiros tiveram uma participação moralmente notável, defendendo – na primeira hora, de maneira enérgica e categórica – os dois franceses, que estavam sendo condenados por antecipação pelo clamor da opinião pública.

O caso Dreyfus

O caso do militar da inteligência francesa acusado de passar segredos aos alemães emocionou a opinião pública no final dos anos 1800. Acusado de alta traição, o capitão Dreyfus foi sumariamente condenado por um conselho de guerra. Depois de expulso a toque de caixa do exército francês, o militar foi cumprir pena de prisão perpétua na Guiana francesa, na prisão que ficou conhecida como a Ilha do Diabo.

Em 1896, foi ficando claro que as provas contra Dreyfus haviam sido forjadas. Começou, então, um forte movimento da intelectualidade – que já estava convencida que o Exército francês preferia a perpetuação da condenação fraudulenta a reconhecer seu erro.

O clímax da participação da opinião pública aconteceu com a publicação da carta aberta do intelectual francês Emile Zola ao presidente da França. Tal carta, publicada no jornal L’Aurore de 13 de janeiro de 1898 com o título “J’Accuse...!” (em português, Eu Acuso) tornou-se um dos textos mais lidos desde então.

Depois de ser desmoralizado, e ter amargado anos de prisão devido a um processo fraudulento, Dreyfus foi inocentado e readmitido no Exército com a patente de tenente-coronel. O militar defendeu a França na Primeira Guerra Mundial.

O caso DSK

Em maio último, o mundo assistiu ao mais terrível linchamento moral já aplicado a um ser humano: a arbitrária prisão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn (DSK).

O cidadão francês foi retirado de um avião, algemado e preso com a maior publicidade imaginável.

Acusado de ter violentado a camareira de um hotel, DSK foi humilhado de todas as maneiras possíveis.

Pelo fato de todos terem acompanhado o caso na mídia, desnecessário torna-se entrar em detalhes dos acontecimentos. Para o objetivo do presente artigo, só será destacado que ficou comprovado que o cidadão francês DSK – assim como o capitão francês Dreyfus – foi vítima de um complô.

O procedimento de Rui

Anos antes da publicação da carta aberta de Zola – o clássico J’Accuse – o brasileiro Rui Barbosa, na época auto-exilado na Inglaterra, tornou pública a defesa que fazia de Dreyfus.

Em janeiro de 1895, Rui escreveu um vigoroso artigo no qual denunciava as falcatruas que estavam sendo perpetradas contra o militar francês.

Escrito dias depois da expulsão de Dreyfus do Exército, o artigo de Rui, publicado no Jornal do Comércio em fevereiro do mesmo ano é considerado a primeira manifestação de um intelectual respeitado internacionalmente em defesa do militar acusado de alta traição.

O procedimento de Benayon

Em 21 de maio de 2011, logo depois da prisão de DSK, o Alerta Total publicou o artigo “Conspiração não é teoria: é prato de todo dia” de autoria do professor Adriano Benayon.

Em sua vigorosa manifestação contra os métodos empregados contra o francês DSK, o professor brasileiro chegou a conclamar: “todos os países deveriam retirar seus diplomatas e funcionários da ONU em Nova York, por falta de garantias para estes exercerem livremente suas atividades. Os latino-americanos, além disso, teriam de retirar seus diplomatas também da OEA, sediada em Washington, DC.”

Para não incorrer no erro de deixar de destacar importantes trechos do artigo professor Benayon, só me resta uma alternativa: recomendar a todos que leiam a íntegra do mesmo.

Acredito que, depois de lerem citado artigo, todos entenderão o título que foi dado a este: “Franceses e brasileiros: uma honrosa coincidência histórica”.

João Vinhosa é engenheiro - joaovinhosa@hotmail.com

Releia o artigo de Adriano Benayon antecipando a real motivação do Escândalo DSK: http://www.alertatotal.net/2011/05/conspiracao-nao-e-teoria-e-prato-de.html

Um comentário:

Anônimo disse...

Jorge

Poucos dias antes de completar quatro anos da tragédia com o Airbus A320, que matou 199 pessoas no aeroporto de Congonhas, Zona Sul de São Paulo, o Ministério Público Federal apresentou denúncia criminal contra três pessoas.

Denise Maria Ayres Abreu, então diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e dois diretores da TAM na época do acidente, Alberto Fajerman (vice-presidente de Operações) e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro (diretor de Segurança de Voo), foram acusados de ter exposto a perigo o Airbus, provocando a maior tragédia da história da aviação brasileira.

O genérico jobim estará protegendo a sua afilhada denise maria ayres abreu e os 199 mortos que se lixem?

Como sabemos, esse palhaço è capaz de tudo!

http://www.cidadeverde.com/mpf-denuncia-tres-por-tragedia-da-tam-que-matou-199-em-congonhas-80662