terça-feira, 19 de julho de 2011

Fusões e Invasões

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Thomas Korontai

Não é novidade que o País vive de escândalos, denúncias, e polêmicas em face de decisões tomadas pelos ocupantes do Planalto, muito embora, outros ocupantes das demais esferas – estaduais e municipais – também estejam em bom grau de competição. Ou espelhamento...

O processo de fusão de empresas pode ser visto, sem emocionalismos, como normal dentro do capitalismo. O ganho de sinergias, redução de custos operacionais e ganhos de escala terminam por beneficiar o consumidor, desde que não exista nenhuma garantia de monopólio por parte do Estado. O caso Carrefour – Pão de Açúcar pode seguir nessa linha, embora seja curioso quando se analisa a situação mais a fundo, considerando a presença de outro sócio francês, o Grupo Casino, arqui-rival do próprio Carrefour. Mas isso não problema do Governo. Nem deveria ser do BNDS...

De uma forma geral, a interferência estatal por meio do CADE na aprovação de fusões entre empresas do mesmo ramo segue uma linha indigesta e indesejável para um saudável capitalismo, criando situações problemáticas para os negócios. É verdade que a concentração de operações em um determinado ramo pode, em primeiro momento, criar alguns problemas para fornecedores, mas se o modelo capitalista não for o do Estado, a insatisfação criada por um grande grupo econômico vai motivar a entrada de novos competidores, mesmo que pequenos.

Cabe ao Estado, absolutamente isolado do processo privado, garantir que os grandes não promovam terrorismo e práticas indesejáveis com o fito de eliminar a concorrência, seja pela prática de dumping, seja por outras mais imorais ainda. E isto se faz com um Judiciário confiável, muito independente, transparente, ágil e que possa aplicar multas e indenizações milionárias para coibir tais práticas.

É importante lembrar ainda que, em um País absolutamente descentralizado, com economias estaduais e até municipais bem definidas e autônomas, a ação dos grandes grupos econômicos pode não ser tão eficiente em face da criatividade local, caso esta esteja liberada para assim ser exercida. Vale para todos os tipos de negócios, com raríssimas exceções talvez, como alumínio, aço, vidro e determinadas commodities.

Algumas empresas podem até imperar por algum tempo, mas não por todo tempo. Observem-se casos bem exemplares na informática mundial, com nomes como Microsoft, Apple, IBM, Linux, Sun Microsystems, Google, dentre outras. Em mercados livres, haverá sempre espaço para o novo.

Vale lembrar que não existe “mundo perfeito”, nem “sociedade perfeita”. Nem mesmo informatizando tudo. E nessa linha, quando informações que não deveriam ser divulgadas passam a se fundir com o conhecimento público por ações perpetradas por invasores virtuais, como ocorreu com vários sites do Governo Federal no Brasil, sem contar com outras invasões ocorridas no Pentágono, Casa Branca e grandes grupos econômicos pelo mundo, fica uma perguntinha que, ao que parece, ninguém fez: e as urnas eletrônicas? As “indevassáveis” urnas eletrônicas estarão imunes? Hackers, talvez até mesmo “lammers”, poderão querer se divertir nas próximas eleições a fim de provar aquilo que o TSE insiste em afirmar como “infalíveis”?

Thomas Korontai é fundador e líder do Movimento Federalista – www.movimentofederalista.org.br

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