sábado, 30 de julho de 2011

Lei Moral, Liberdade e História – Tripé da Grandeza

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo Rocha Paiva

O respeito a um código de valores morais e éticos é um dos alicerces da grandeza das nações. Riqueza, progresso e poder não bastam nos desafios cujo enfrentamento exija coesão, auto-estima e auto-respeito, atributos de nações que se impõem pelo próprio valor. O código é a Lei Moral, amálgama dos cidadãos entre si, elo do povo com sua liderança e base da grandeza das nações.

A sociedade brasileira padece de grave enfermidade moral que contamina a liderança nacional e compromete a coesão imprescindível ao País para enfrentar os conflitos que virão, por sua crescente inserção como ator de peso nas relações internacionais.

A liderança é patrimonialista e amplamente corrompida nos Poderes da União e em diversos setores do País. Apodera-se dos bens públicos como se fossem de sua propriedade e escarnece da Nação com mentirosas explicações para as manobras imorais que promove, usurpando o tesouro nacional em benefício próprio. Apóia-se na impunidade e na omissão de uma sociedade anestesiada e lamentavelmente acomodada, que perdeu a confiança na justiça, assumiu a falta de ética e sepultou valores imortais. O cidadão contenta-se com a satisfação de necessidades básicas e a falsa noção de liberdade, que usa sem responsabilidade e disciplina, tornando-a um bem ilusório. Agoniza a Lei Moral, condição de grandeza.

Vão-se as referências e vem a anomia, dando margem a desvios de conduta emblemáticos como o do atleta que vira cambalhotas em solenidade na rampa do Palácio do Planalto; o do aluno que se dirige ao mestre pelo apelido, quando não o agride; o de autoridades que, literalmente, usam o boné de movimentos radicais violentos, ditos sociais, como o MST, parecendo respaldar suas ações criminosas; e o de líderes que não se envergonham de buscar o apoio de poderosos políticos corruptos e prestigiar mensaleiros denunciados na justiça como uma quadrilha.

A liderança nacional, carente valores para se afirmar pelo exemplo, na ânsia de agradar para aparecer bem na foto e ávida de poder, despreza protocolos, normas e ética, debilitando o princípio da autoridade e a dignidade de cargos públicos. Leva a Nação a confundir intimidade permissiva e leniência com espírito democrático e falta de ética com tino político.

Essa doença moral não será curada por partidos políticos desmoralizados ou por eleições incapazes de aperfeiçoar, por si só, a democracia como se tenta iludir a Nação. Um choque de valores teria de vir da sociedade, ser aplicado nela própria, assimilado pelas famílias e por um sistema educacional moral e profissionalmente recuperado, capaz de gerar cidadãos íntegros e cientes de que liberdade sem disciplina esgarça o sistema social.

Hoje, a mídia é o setor com maior poder de contribuir para recuperar os valores tradicionais e limitar a ganância e abusos dos donos do poder, desde que resista às tentativas de mordaça política, financeira e ideológica e permaneça imparcial e vigilante.

Liberdade é um bem inestimável e uma das aspirações mais valorizadas pela sociedade brasileira, mas não é passe livre para o cidadão fazer o que bem entende. O exercício desse direito requer civismo, disciplina e respeito ao próximo. A crença na liberdade fica comprometida quando as instituições não impõem o império da lei e justiça e as lideranças usam o poder para usurpar, impunemente, bens por direito pertencentes à nação.

Por outro lado, a ausência de liberdade já fez ruir muitos impérios. A União Soviética condenou-se ao atraso, exceto nos campos militar e científico-tecnológico, ao submeter suas nações a uma ideologia totalitária liberticida, colocando o Partido Comunista acima de liberdade, justiça, vida e família. História e tradição foram deturpadas pela ideologia; heróis de verdade denegridos e substituídos por ídolos feitos pela propaganda estatal; disciplina e dever, impostos por ameaças, eram voltados ao Partido e não à nação. Foi um Estado déspota que tentou, mas não conseguiu apagar a história e as tradições das nações que tornou escravas.

A história também é fiadora do projeto de uma nação que se pretende grande, perene e respeitada. É o selo desse compromisso transmitido de geração a geração e fortalece a fraternidade entre os cidadãos de um país. Se a história mantém unida a nação, os heróis que conduziram o país em momentos decisivos são os seus protagonistas. Eles se tornam merecedores da gratidão e respeito do povo por tomarem atitudes corajosas e decisivas e assumirem responsabilidades com sacrifício pessoal, em prol da nação, diante de situações extremas.

Heróis não foram e nem poderiam ser pessoas perfeitas, mas são cidadãos especiais como poucos serão. Pátria, história e heróis são símbolos, sínteses e imagens de princípios e valores morais e éticos inspiradores de nobres ideais. Ao enaltecê-los, uma nação com vocação de grandeza propõe referenciais de excelência que motivam a busca da perfeição e tornam o povo combativo, disciplinado, altivo, empreendedor e unido. Ou seja, constrói a própria grandeza.

Há décadas que a esquerda radical brasileira, herdeira da infausta ideologia comunista, desenvolve permanente campanha no sentido de denegrir a História e os heróis do País e, também, promover a quebra de valores tradicionais, a fim de enfraquecer a coesão nacional e debilitar moralmente a sociedade e a família. Conta com a parceria, consciente ou não, de vários segmentos da Nação, que se tornaram instrumentos da via gramcista de tomada do poder, estratégia contemporânea para a implantação de um regime socialista totalitário e liberticida.

As vulnerabilidades advindas desse contexto, e que fragilizam a Nação, não poderiam deixar de ser aproveitadas pelos inimigos da democracia. Ou o Brasil revigora a Lei Moral, consolida a liberdade, neutralizando seus inimigos, e resgata sua História e heróis ou será um gigante de pés de barro, uma Nação sem o respeito do mundo e, pior ainda, do seu próprio povo.

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General da Reserva do EB.

2 comentários:

Anônimo disse...

Serrão;

Ao excelente artigo do ilustre General Luiz Eduardo da Rocha Paiva, eu só tenho a comentar os escritos d’antanho... e os fatos de agora. Senão, vejamos:

EÇA DE QUEIROZ, escreveu em 1871 (Observe o ano!!!): “Estamos perdidos há muito tempo... O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o País está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!”
Eça de Queiroz.
(José Maria Eça de Queiróz – 1845/1900 )

Quase um século depois, em 1968, o saudoso “Barão de Itararé”, escreveu: “PARA CONHECER O INÁCIO, DÊ-LHE UM PALÁCIO!” (Frase do “Barão de Itararé”, codinome do Escritor Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly – 1895/1971).

E, alguns anos depois, Neruda registrou: “Al Baron de Itararé, um grande entre los grandes, com repeto le saluda, de pie, el poeta de los Andes: Neruda.” (“Pablo Neruda”, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto-1904/1973. Prêmio Nobel de Literatura em 1971)

Parece “piada”, ou Eça de Queiróz era “adivinho”? Ou será que “adivinho” era o “Barão de Itararé", a quem Neruda, no seu brilhantismo, referendou? Eu não sei responder!!! E a nossa Nação, o que responde?

O que sei, e o que vejo, é que Eça de Queiróz e o “Barão de Itararé”, há tantos anos passados, já pareciam antever situações tais que podemos (E DEVEMOS!!!) aplicar hoje ao contexto brasileiro!

Observo a Imprensa (o “Quarto Poder” nas democracias!!!!) manifestar-se, ora em denúncias e críticas ferozes. Algumas, ao contrário, muito bem colocadas, e, em muitas outras, até mesmo hilárias ante aos fatos recorrentes no País.

Vejo o “assalto a mão desarmada”, que malandros “congressistas” fazem aos bolsos dos contribuintes, cobrando fortunas de “mensalões”. Puxa!!! Que povo de memória curta, “mensalão, já era!”, já é assunto “superado”. Que “judiação” lembrar disso!!! Até foram ou serão absolvidos!!!! Só que os que os absolvem têm responsabilidade indireta (e DIRETA também!!!) pelos roubos e pela corrupção que cometem ou fazem “vista grossa” aos seus apaniguados.

“Sanguessugas”, “Vampiros”???? Sim! Entre outros tantos tipos mais, acastelados no "governo”, executam “procedimentos” que conduzem à morte, num verdadeiro holocausto, centenas ou milhares de crianças desnutridas, velhos famintos e abandonados à própria sorte, bem como famílias inteiras em estado de miséria extrema, em todas as regiões do Brasil.

Quanto a “nós”, povo, temos o dever de nos lembrar das eternas e intermináveis filas do “tal” de SUS, mas que “otoridades” vêm a público recomendar, reiterando “...que não precisa chegar de madrugada na fila. Que todos podem chegar às oito horas da manhã, que recebem a senha para o atendimento, sem problemas....”. Que hilário!!!! Não nos esqueçamos também do valor caricato dos proventos que recebem, em sua maioria esmagadora, os aposentados do INSS, as viúvas e pensionistas, e compará-los aos valores pagos aos políticos “aposentados” e às suas viúvas e pensionistas. A “semelhança” faz chorar!!! A propósito: cadê o dinheiro que a Jorgina roubou?????


(CONTINUA NO PRÓXIMO COMENTÁRIO)

Anônimo disse...

(CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO ANTERIOR)


O que fazer, se o nosso povo é néscio e calado?? É eleitor submisso, passivo, servil e idiotizado, que não extirpa os que o exploram. É inculto, cego ou interesseiro ao tecer loas a FHC's, Lula's, Serra's, Alkimin's, Garotinho's, Sarney's, Zé's Dirceu's, Genoíno's, Azeredo's, Delúbio's, etc...etc... e assemelhados??? É povo apreciador do que já virou até “gozação”: o famoso "JEITINHO BRASILEIRO", e o incrível e inaceitável: "ELE ROUBA MAS FAZ!!!". Povo que prefere patinar na lama do que procurar reverter os valores atuais. Será que não aparecem mais os bons valores para merecer o nosso voto nacionalista???? De certa forma posso dizer “Viva o Morales!” "Viva o Chavez!", que são nacionalistas... até prova em contrário!!! Mas, só podem ser nacionalistas porque do “outro lado” encontram moleza!!!! Assim, parafraseando o Barão de Itararé, “Para conhecer o Inácio, dê-lhe um palácio!”. Acorda, Brasil!!!!!

Como resultado disso tudo até os bandidos estão se revoltando!!!! A população decente dos Estados mais importantes está desprotegida. Fica entre dois fogos. De um lado as balas dos bandidos, do outro as balas da Polícia!!!! Égua!!!! A quem recorrer, se as “otoridades” se digladiam em proselitismos inaceitáveis???? Enquanto isso... tome bala!!!!! Haja mortes de inocentes!!!! Não podemos aceitar, nem esquecer. Chega de sermos um povo “de memória curta”!!!!! Acorda, Brasil!!!!!

Lembro que certa vez tomei conhecimento, no site www.reformabrasil.com, da seguinte “convocação”:

“DIA DA DIGNIDADE NACIONAL” - Manifestação APARTIDÁRIA tendo em vista que os Brasileiros tem opiniões diferentes quanto a seus candidatos, mas TODOS estão contra a corrupção e a falta de Ética que assola o País.
Estamos cansados de ficar inertes ante a “bandalheira” do Congresso Nacional."

Será que esse “tal” de “DIA DA DIGNIDADE NACIONAL” foi prá valer???? Acho que foi idéia que morreu no nascedouro.

Não tenho nada contra os militares, pelo contrário, os admiro muito, haja vista o que fazem os seus batalhões de saúde e de engenharia nos rincões longínquos da Amazônia e do Nordeste. Os que guardam os nossos limites marítimos de 200 milhas, e aqueles que defendem a fronteira seca no longínquo e esquecido (infelizmente!!!!) Norte, como em São Gabriel da Cachoeira. Só acho que estão acomodados demais, num “dulce far niente” distante do que ocorre no panorama “tupiniquim”, onde tudo “pode”, pois são todos inocentes, e ninguém é encarcerado, salvo o “Juiz” (???) Nicolau “Lalau”, mas, mesmo ele já está em casa, cumprindo “prisão domiciliar”. E cadê a “grana” roubada???? Égua!!! É “sacanagem”!!! Nós não merecemos!!!

Apesar de tudo, o sonho nacionalista do “ORDEM E PROGESSO” desta Pátria não acabou para este humilde escrevente. Por isso continuo a bradar aos quatro ventos: “Acoooooorrrrrda, Brasiiiiillllll!!!!!!”

P.S.: Serrão, “em anexo”, segue um fraterno abraço, a você e ao ilustre General (e que ele não se aborreça comigo, por aproveitar o “gancho” que me deu para este desabafo!).

Roberto Santiago